Poemas neste tema
Outros
Vladimir Maiakovski
BLUSA FÁTUA
(tradução: Augusto de Campos)
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
3 362
Vladimir Maiakovski
BLUSA FÁTUA
(tradução: Augusto de Campos)
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
3 362
Vladimir Maiakovski
BLUSA FÁTUA
(tradução: Augusto de Campos)
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
3 362
Vladimir Maiakovski
BLUSA FÁTUA
(tradução: Augusto de Campos)
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
3 362
Charles Baudelaire
PERFUME EXÓTICO
Quando, cerrando os olhos, numa noite ardente,
Respiro a fundo o odor dos teus seios fogosos,
Vejo abrirem-se ao longe litorais radiosos
Tingidos por um sol monótono e dolente.
Uma ilha preguiçosa que nos traz à mente
Estranhas árvores e frutos saborosos;
Homens de corpos nus, esguios, vigorosos,
Mulheres cujo olhar faísca à nossa frente.
Guiado por teu perfume a tais paisagens belas,
Vejo um porto a ondular de mastror e de velas
Talvez exaustos de afrontar os vagalhões,
Enquanto o verde aroma dos tamarineiros,
Que à beira-mar circula e inunda-me os pulmões,
Confunde-se em minha alma à voz dos marinheiros.
Respiro a fundo o odor dos teus seios fogosos,
Vejo abrirem-se ao longe litorais radiosos
Tingidos por um sol monótono e dolente.
Uma ilha preguiçosa que nos traz à mente
Estranhas árvores e frutos saborosos;
Homens de corpos nus, esguios, vigorosos,
Mulheres cujo olhar faísca à nossa frente.
Guiado por teu perfume a tais paisagens belas,
Vejo um porto a ondular de mastror e de velas
Talvez exaustos de afrontar os vagalhões,
Enquanto o verde aroma dos tamarineiros,
Que à beira-mar circula e inunda-me os pulmões,
Confunde-se em minha alma à voz dos marinheiros.
5 313
Felipe Larson
EXPERIÊNCIA PRIMÁRIA
Olhares buscam o que fazer
Cruzam e entram no que quiserem ter
Mostram-se em desejos internos
Propondo amor, ódio e outras intenções.
Um sexto sentido, uma certa magia.
E tudo está tão confuso
Que eu não sei qual é a direção
E nem o sentido de tudo
Mas claro que tudo se resolve
Com muita calma e paciência
E três simbolos dizem tudo
Água, Fogo e ar.
Sei que o infinito existe
Mas em que universo eu encontro?
Mas está tudo fora do meu alcance
Tão distante que eu não sei que forma tem
Estranho pensar nessas coisas agora
Mas nada deve ser previsível
Senão não teria graça nenhuma
Se tivermos as respostas tão fáceis
Eu sou a inocência
A experiência primária
Cruzam e entram no que quiserem ter
Mostram-se em desejos internos
Propondo amor, ódio e outras intenções.
Um sexto sentido, uma certa magia.
E tudo está tão confuso
Que eu não sei qual é a direção
E nem o sentido de tudo
Mas claro que tudo se resolve
Com muita calma e paciência
E três simbolos dizem tudo
Água, Fogo e ar.
Sei que o infinito existe
Mas em que universo eu encontro?
Mas está tudo fora do meu alcance
Tão distante que eu não sei que forma tem
Estranho pensar nessas coisas agora
Mas nada deve ser previsível
Senão não teria graça nenhuma
Se tivermos as respostas tão fáceis
Eu sou a inocência
A experiência primária
640
Álvares de Azevedo
Amoroso palor
No amor basta uma noite para fazer de um homem um Deus.
PROPÉRCIO
Amoroso palor meu rosto inunda,
Mórbida languidez me banha os olhos,
Ardem sem sono as pálpebras doridas,
Convulsivo tremor meu corpo vibra...
Quanto sofro por ti! Nas longas noites
Adoeço de amor e de desejos...
E nos meus sonhos desmaiando passa
A imagem voluptuosa da ventura:
Eu sinto-a de paixão encher a brisa,
Embalsamar a noite e o céu sem nuvens;
E ela mesma suave descorando
Os alvacentos véus soltar do colo,
Cheirosas flores desparzir sorrindo
Da mágica cintura.
Sinto na fronte pétalas de flores,
Sinto-as nos lábios e de amor suspiro...
Mas flores e perfumes embriagam...
E no fogo da febre, e em meu delírio
Embebem na minh'alma enamorada
Delicioso veneno.
Estrela de mistério! em tua fronte
Os céus revela e mostra-me na terra,
Como um anjo que dorme, a tua imagem
E teus encantos, onde amor estende
Nessa morena tez a cor de rosa.
Meu amor, minha vida, eu sofro tanto!
O fogo de teus olhos me fascina,
O langor de teus olhos me enlanguece,
Cada suspiro que te abala o seio
Vem no meu peito enlouquecer minh'alma!
Ah! vem, pálida virgem, se tens pena
De quem morre por ti, e morre amando,
Dá vida em teu alento à minha vida,
Une nos lábios meus minh'alma à tua!
Eu quero ao pé de ti sentir o mundo
Na tu'alma infantil; na tua fronte
Beijar a luz de Deus; nos teus suspiros
Sentir as virações do paraíso...
E a teus pés, de joelhos, crer ainda
Que não mente o amor que um anjo inspira,
Que eu posso na tu'alma ser ditoso,
Beijar-te nos cabelos soluçando
E no teu seio ser feliz morrendo!
Dezembro, 1851.
PROPÉRCIO
Amoroso palor meu rosto inunda,
Mórbida languidez me banha os olhos,
Ardem sem sono as pálpebras doridas,
Convulsivo tremor meu corpo vibra...
Quanto sofro por ti! Nas longas noites
Adoeço de amor e de desejos...
E nos meus sonhos desmaiando passa
A imagem voluptuosa da ventura:
Eu sinto-a de paixão encher a brisa,
Embalsamar a noite e o céu sem nuvens;
E ela mesma suave descorando
Os alvacentos véus soltar do colo,
Cheirosas flores desparzir sorrindo
Da mágica cintura.
Sinto na fronte pétalas de flores,
Sinto-as nos lábios e de amor suspiro...
Mas flores e perfumes embriagam...
E no fogo da febre, e em meu delírio
Embebem na minh'alma enamorada
Delicioso veneno.
Estrela de mistério! em tua fronte
Os céus revela e mostra-me na terra,
Como um anjo que dorme, a tua imagem
E teus encantos, onde amor estende
Nessa morena tez a cor de rosa.
Meu amor, minha vida, eu sofro tanto!
O fogo de teus olhos me fascina,
O langor de teus olhos me enlanguece,
Cada suspiro que te abala o seio
Vem no meu peito enlouquecer minh'alma!
Ah! vem, pálida virgem, se tens pena
De quem morre por ti, e morre amando,
Dá vida em teu alento à minha vida,
Une nos lábios meus minh'alma à tua!
Eu quero ao pé de ti sentir o mundo
Na tu'alma infantil; na tua fronte
Beijar a luz de Deus; nos teus suspiros
Sentir as virações do paraíso...
E a teus pés, de joelhos, crer ainda
Que não mente o amor que um anjo inspira,
Que eu posso na tu'alma ser ditoso,
Beijar-te nos cabelos soluçando
E no teu seio ser feliz morrendo!
Dezembro, 1851.
2 829
Álvares de Azevedo
MINHA AMANTE
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Coração de mulher, qual filomela,
É todo amor e canto ao pé da noite.
JOÃO DE LEMOS
Fulcite me floribus... quia amore langueo.
Cant. Canticorum
Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!
Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!
E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!
Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!
Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!
Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!
És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!
E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!
Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!
Segunda Parte
Coração de mulher, qual filomela,
É todo amor e canto ao pé da noite.
JOÃO DE LEMOS
Fulcite me floribus... quia amore langueo.
Cant. Canticorum
Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!
Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!
E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!
Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!
Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!
Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!
És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!
E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!
Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!
2 623
Felipe Larson
DESLIGADO!
Eu andava tão desligado e desatento
Que não notava as coisas ao meu redor
Uma nuvem escura e um peso na alma
Nada me levantava a moral de ser normal
Eu quero uma conversa franca e clara
Falando das verdades e das ficções
Sobre o que aconteceu sem saber aonde
Usando a inspiração com revolução
Tudo parece tão calmo que até estranho
Não é legal esse silêncio que chegou
Todos se calaram e sumiram daqui
Mas a cidade anda meio estranha demais
Quero novidades boas nesse momento
Pois não agüento mais esse silêncio
O desespero de um grito não ouvido
E algo diferente surgia no olhar
Mas quem sabe tudo é um começo
De uma nova geração
Que não notava as coisas ao meu redor
Uma nuvem escura e um peso na alma
Nada me levantava a moral de ser normal
Eu quero uma conversa franca e clara
Falando das verdades e das ficções
Sobre o que aconteceu sem saber aonde
Usando a inspiração com revolução
Tudo parece tão calmo que até estranho
Não é legal esse silêncio que chegou
Todos se calaram e sumiram daqui
Mas a cidade anda meio estranha demais
Quero novidades boas nesse momento
Pois não agüento mais esse silêncio
O desespero de um grito não ouvido
E algo diferente surgia no olhar
Mas quem sabe tudo é um começo
De uma nova geração
794
Felipe Larson
DESLIGADO!
Eu andava tão desligado e desatento
Que não notava as coisas ao meu redor
Uma nuvem escura e um peso na alma
Nada me levantava a moral de ser normal
Eu quero uma conversa franca e clara
Falando das verdades e das ficções
Sobre o que aconteceu sem saber aonde
Usando a inspiração com revolução
Tudo parece tão calmo que até estranho
Não é legal esse silêncio que chegou
Todos se calaram e sumiram daqui
Mas a cidade anda meio estranha demais
Quero novidades boas nesse momento
Pois não agüento mais esse silêncio
O desespero de um grito não ouvido
E algo diferente surgia no olhar
Mas quem sabe tudo é um começo
De uma nova geração
Que não notava as coisas ao meu redor
Uma nuvem escura e um peso na alma
Nada me levantava a moral de ser normal
Eu quero uma conversa franca e clara
Falando das verdades e das ficções
Sobre o que aconteceu sem saber aonde
Usando a inspiração com revolução
Tudo parece tão calmo que até estranho
Não é legal esse silêncio que chegou
Todos se calaram e sumiram daqui
Mas a cidade anda meio estranha demais
Quero novidades boas nesse momento
Pois não agüento mais esse silêncio
O desespero de um grito não ouvido
E algo diferente surgia no olhar
Mas quem sabe tudo é um começo
De uma nova geração
794
Álvares de Azevedo
LENÇO DELA
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Quando, a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto...
Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!
Segunda Parte
Quando, a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto...
Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!
2 573
Felipe Larson
VOU MAIS ALÉM
Diga seu nome
Hasteie a bandeira
A estrela some
Você diz que é besteira
E ao teu sinal
É que vou saber
Nas horas mortas
Sempre iguais
E com as sobras
O que a gente faz
E o estado de lombra
Já é tão normal
Vou mais além
Do que posso ir
E quem quiser ir também
É só me seguir
A mão esconde
O seu rosto
Será que é vergonha
Abre seu jogo
E o teu segredo
Eu vou descobrir
Os melhores momentos
São aqueles vividos
E nós vamos indo
Até muito bem
Só temos medo
De não nos entender
Hasteie a bandeira
A estrela some
Você diz que é besteira
E ao teu sinal
É que vou saber
Nas horas mortas
Sempre iguais
E com as sobras
O que a gente faz
E o estado de lombra
Já é tão normal
Vou mais além
Do que posso ir
E quem quiser ir também
É só me seguir
A mão esconde
O seu rosto
Será que é vergonha
Abre seu jogo
E o teu segredo
Eu vou descobrir
Os melhores momentos
São aqueles vividos
E nós vamos indo
Até muito bem
Só temos medo
De não nos entender
666
Cruz e Sousa
CONCILIAÇÃO
Últimos Sonetos
Se essa angústia de amar te crucifica,
não és da Dor um simples fugitivo:
ela marcou-te com o sinete vivo
da sua estranha majestade rica.
És sempre o Assinalado ideal que fica
sorrindo e contemplando o céu altivo;
dos Compassivos és o Compassivo,
na Transfiguração que glorifica.
Nunca mais de tremer terás direito...
Da Natureza todo o Amor perfeito
adorarás, venerarás contrito.
Ah! Basta encher, eternamente basta
encher, encher toda esta Esfera vasta
da convulsão do teu soluço aflito!
Se essa angústia de amar te crucifica,
não és da Dor um simples fugitivo:
ela marcou-te com o sinete vivo
da sua estranha majestade rica.
És sempre o Assinalado ideal que fica
sorrindo e contemplando o céu altivo;
dos Compassivos és o Compassivo,
na Transfiguração que glorifica.
Nunca mais de tremer terás direito...
Da Natureza todo o Amor perfeito
adorarás, venerarás contrito.
Ah! Basta encher, eternamente basta
encher, encher toda esta Esfera vasta
da convulsão do teu soluço aflito!
2 161
Antero de Quental
Oceano Nox
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.
2 264
Felipe Larson
FICÇÃO DE AURORA
Que sentimento estranho veio bater em mim
É uma dor, que não é tão ruim assim...
Que vai e vem, que eu nem sei o que eu vou sentir.
Mas não posso ter tantas dúvidas
Que um dia alguém vem e vem pra me machucar
Então não sei se me entrego ou se eu luto
Isso eu não sei
Mas não quero ficar sem saber direito o que é
Pode ser alguma coisa que está dentro de mim
E eu tenho muito medo de sentir que tudo é uma ficção,
Não, não é por isso que eu vou me render.
Ao prazer de ser seduzido sem ter quem seduzir
Mas a ilusão de querer o que eu não posso ter
Mas não sou a areia que esculpe o corpo da sereia
Que vem e se deita sem dar bola a tudo em sua volta
Mas que chama a atenção de quem acreditou na ficção de aurora
Estranho, não acha? Tudo que é ouro agora é prata
Não tem valor algum, nem pra mim e nem pra ti.
Mas aos cegos que dizem estar de olhos abertos
Pra tudo e a todos
Acreditar e acreditar, mesmo sabendo a resposta.
Que não é a esperada por nos que somos humanos
De uma nova geração
Então foda-se tudo que não quero mais pra mim
E pretendo mudar meu endereco, pra longe daqui.
Pra não ter que salvar um bando de folgados
Como alguns de nós
É uma dor, que não é tão ruim assim...
Que vai e vem, que eu nem sei o que eu vou sentir.
Mas não posso ter tantas dúvidas
Que um dia alguém vem e vem pra me machucar
Então não sei se me entrego ou se eu luto
Isso eu não sei
Mas não quero ficar sem saber direito o que é
Pode ser alguma coisa que está dentro de mim
E eu tenho muito medo de sentir que tudo é uma ficção,
Não, não é por isso que eu vou me render.
Ao prazer de ser seduzido sem ter quem seduzir
Mas a ilusão de querer o que eu não posso ter
Mas não sou a areia que esculpe o corpo da sereia
Que vem e se deita sem dar bola a tudo em sua volta
Mas que chama a atenção de quem acreditou na ficção de aurora
Estranho, não acha? Tudo que é ouro agora é prata
Não tem valor algum, nem pra mim e nem pra ti.
Mas aos cegos que dizem estar de olhos abertos
Pra tudo e a todos
Acreditar e acreditar, mesmo sabendo a resposta.
Que não é a esperada por nos que somos humanos
De uma nova geração
Então foda-se tudo que não quero mais pra mim
E pretendo mudar meu endereco, pra longe daqui.
Pra não ter que salvar um bando de folgados
Como alguns de nós
645
Augusto dos Anjos
Amor e Crença
Sabes que é Deus?! Esse infinito e santo
Ser que preside e rege os outros seres,
Que os encantos e a força dos poderes
Reúne tudo em si, num só encanto?
Esse mistério eterno e sacrossanto,
Essa sublime adoração do crente,
Esse manto de amor doce e clemente
Que lava as dores e que enxuga o pranto?!
Ah! Se queres saber a sua grandeza,
Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp'la do Céu santa e infinita!
Deus é o templo do Bem. Na altura Imensa,
O amor é a hóstia que bendiz a Crença,
ama, pois, crê em Deus, e... sê bendita!
Ser que preside e rege os outros seres,
Que os encantos e a força dos poderes
Reúne tudo em si, num só encanto?
Esse mistério eterno e sacrossanto,
Essa sublime adoração do crente,
Esse manto de amor doce e clemente
Que lava as dores e que enxuga o pranto?!
Ah! Se queres saber a sua grandeza,
Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp'la do Céu santa e infinita!
Deus é o templo do Bem. Na altura Imensa,
O amor é a hóstia que bendiz a Crença,
ama, pois, crê em Deus, e... sê bendita!
2 050
Álvares de Azevedo
PÁLIDA IMAGEM
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
- J'ai cru que j'oublierais; mais j'avais mal sondé
Les abîmes du coeur que remplit un seul rêve:
Le souvenir est là, le souvenir se lève
Flot toujours renaissant et toujours débordé.
TURQUÉTY
No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças,
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!
Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve......
Treme... como tremia.
Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!
Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!
Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei... só por ti!
Segunda Parte
- J'ai cru que j'oublierais; mais j'avais mal sondé
Les abîmes du coeur que remplit un seul rêve:
Le souvenir est là, le souvenir se lève
Flot toujours renaissant et toujours débordé.
TURQUÉTY
No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças,
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!
Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve......
Treme... como tremia.
Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!
Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!
Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei... só por ti!
2 149
Felipe Larson
DIA ETERNO
Mas você e eu, vivemos e morremos...
Mas o mundo não entende...
E nós não sabemos por quê?
Mas entenda, isso é uma vida.
E viver é preciso
É uma dor que temos que sentir dentro de nós
Então aprenda a viver um dia de cada vez
E será feliz
Então me diga o que você fez
Pra dizer que é apenas um aprendiz
Ainda não conheci o amor
Ainda não aprendi a vencer
O que adianta nadar contra corrente
Se vou continuar no mesmo lugar
Mas às vezes ter força de vontade é bom
Querer lutar como se fosse sua ultima vida
Mostre toda sua força
Mostre todo o seu poder
Se os jardins dos leões rugissem
Anunciando a chegada de um novo dia eterno
Mas o mundo não entende...
E nós não sabemos por quê?
Mas entenda, isso é uma vida.
E viver é preciso
É uma dor que temos que sentir dentro de nós
Então aprenda a viver um dia de cada vez
E será feliz
Então me diga o que você fez
Pra dizer que é apenas um aprendiz
Ainda não conheci o amor
Ainda não aprendi a vencer
O que adianta nadar contra corrente
Se vou continuar no mesmo lugar
Mas às vezes ter força de vontade é bom
Querer lutar como se fosse sua ultima vida
Mostre toda sua força
Mostre todo o seu poder
Se os jardins dos leões rugissem
Anunciando a chegada de um novo dia eterno
718
Felipe Larson
DIA ETERNO
Mas você e eu, vivemos e morremos...
Mas o mundo não entende...
E nós não sabemos por quê?
Mas entenda, isso é uma vida.
E viver é preciso
É uma dor que temos que sentir dentro de nós
Então aprenda a viver um dia de cada vez
E será feliz
Então me diga o que você fez
Pra dizer que é apenas um aprendiz
Ainda não conheci o amor
Ainda não aprendi a vencer
O que adianta nadar contra corrente
Se vou continuar no mesmo lugar
Mas às vezes ter força de vontade é bom
Querer lutar como se fosse sua ultima vida
Mostre toda sua força
Mostre todo o seu poder
Se os jardins dos leões rugissem
Anunciando a chegada de um novo dia eterno
Mas o mundo não entende...
E nós não sabemos por quê?
Mas entenda, isso é uma vida.
E viver é preciso
É uma dor que temos que sentir dentro de nós
Então aprenda a viver um dia de cada vez
E será feliz
Então me diga o que você fez
Pra dizer que é apenas um aprendiz
Ainda não conheci o amor
Ainda não aprendi a vencer
O que adianta nadar contra corrente
Se vou continuar no mesmo lugar
Mas às vezes ter força de vontade é bom
Querer lutar como se fosse sua ultima vida
Mostre toda sua força
Mostre todo o seu poder
Se os jardins dos leões rugissem
Anunciando a chegada de um novo dia eterno
718
Augusto dos Anjos
Ariana
Ela é o tipo perfeita da ariana,
Branca, nevada, púbere, mimosa,
A carne exuberante e capitosa
Trescala a essência que de si dinama.
As níveas pomas do candor da rosa,
Rendilhando-lhe o colo de sultana,
Emergem da camisa cetinosa
Entre as rendas sutis de filigrana.
Dorme talvez. Em flácido abandono
Lembra formosa no seu casto sono
A languidez dormente da indiana.
Enquanto o amante pálido, a seu lado
Medita, a fronte triste, o olhar velado
No Mistério da Carne soberana.
Branca, nevada, púbere, mimosa,
A carne exuberante e capitosa
Trescala a essência que de si dinama.
As níveas pomas do candor da rosa,
Rendilhando-lhe o colo de sultana,
Emergem da camisa cetinosa
Entre as rendas sutis de filigrana.
Dorme talvez. Em flácido abandono
Lembra formosa no seu casto sono
A languidez dormente da indiana.
Enquanto o amante pálido, a seu lado
Medita, a fronte triste, o olhar velado
No Mistério da Carne soberana.
2 283
Felipe Larson
DE ONDE VEIO VOCÊ
De onde você veio surgir.
Com tal brilho que ofuscam meus olhos
E me cega, tirando de órbita.
Perdendo a trilha que escreve teu caminho
Como posso me identificar
Além de dizer meu nome
Será o tempo pra você perceber
Então só esperar o dia D
Deixei uma pergunta no ar
Espero sua resposta
E se nada for mudar
Nem responda
Mas se responder diga a verdade pra mim
Assim
O coração poderá sentir
Sem medo de errar
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Esta extravagância já está indo longe demais
O que você diz, e que tudo se desfaz.
Alem do mais,
De onde veio você?
Só o tempo pode dizer
O que acontecerá com nós
Mas tenho medo
Que o tempo possa parar
Seja sincera consigo mesma
Não se engane mais
Pois, depois poderá sentir,
A grande força do amor
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Com tal brilho que ofuscam meus olhos
E me cega, tirando de órbita.
Perdendo a trilha que escreve teu caminho
Como posso me identificar
Além de dizer meu nome
Será o tempo pra você perceber
Então só esperar o dia D
Deixei uma pergunta no ar
Espero sua resposta
E se nada for mudar
Nem responda
Mas se responder diga a verdade pra mim
Assim
O coração poderá sentir
Sem medo de errar
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Esta extravagância já está indo longe demais
O que você diz, e que tudo se desfaz.
Alem do mais,
De onde veio você?
Só o tempo pode dizer
O que acontecerá com nós
Mas tenho medo
Que o tempo possa parar
Seja sincera consigo mesma
Não se engane mais
Pois, depois poderá sentir,
A grande força do amor
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
858
Álvares de Azevedo
São os primeiros cantos
São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus.
2 349
Álvares de Azevedo
São os primeiros cantos
São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus.
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Álvares de Azevedo
São os primeiros cantos
São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus.
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