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Poemas neste tema

Humor e Ironia

Gregório de Matos

Gregório de Matos

Por Ocasião do Dito Cometa

Que esteja dando o Francês
camoesas ao Romano,
castanhas ao Castelhano,
e ginjas ao Português:
e que estejam todos três
em uma seisma quieta
reconhecendo esta treta
tanto à vista, sem a ver.
Será: mas porém a ser
efeitos são do cometa.

Que esteja o Inglês mui quedo
e o Holandês mui ufano
Portugal cheio de engano,
Castela cheia de medo:
e que Turco viva ledo
vendo a Europa inquieta,
e que cada qual se meta
em uma cova a temer,
tudo será: mas a ser
efeitos são do cometa.

(...)

Que haja no mundo, quem tenha
guisados para comer,
e traças para os haver,
não tenho lume, nem lenha:
e que sem renda mantenha
carro, carroça, carreta,
e sem ter adonde os meta,
dentro em si tanto acomode!
Pode ser: porém se pode,
efeitos são do cometa.

(...)
Que se vejam por prazeres,
sem repararem nas fomes
as mulheres feitas homens,
e os homens feitos mulheres:
e que estejam os misteres
enfronhados na baeta,
sem ouvirem a trombeta
do povo, que é um clarim!
Será: porém sendo assim,
efeitos são do cometa.

(...)

Que o pobre, e rico namore,
e que tenha com esta porfia
o pobre alegre se ria,
e que o rico triste chore:
e que o presumido more
em palácio sem boleta,
e por não ter, que lhe meta,
o tenha cheio de vento!
Pode ser: mas o intento
efeitos são do cometa.

Que ande o mundo, como anda,
e que se ao som do seu desvelo
uns bailem ao saltarelo
e outros à sarabanda:
e que estando tudo à banda,
sendo eu um pobre Poeta,
que nestas cousas me meta,
sem ter licença de Apolo!
Será: porém se eu sou tolo,
efeitos são do cometa.

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In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.

NOTA: Treta: por treuta, 'fruta'; boleta: por boleto, requisição para que um habitante aloje um ou mais militares em trânsit
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Luís Gama

Luís Gama

O Rei Cidadão

(Dois Metros de Política)

O Imperador reina, governa, e administra,
tal é o nosso direito público, consagrado
na constituição.
VISCONDE DE ITABORAÍ - Discursos

É o direito coisa alpendurada,
Que põe-nos a cabeça atordoada.
O princípio, a doutrina, a conclusão,
Nas idéias produzem turbação.
Acertar eu pretendo a todo instante;
Mas sinto o meu bestunto vacilante;
Se na tese aprofundo, e bato à fronte,
Todo o Rei me parece um mastodonte!
Pelo que já vou crendo no rifão
— Que o Rei da mista forma é velhacão.

No tempo antigo o Rei obrava só;
De chanfalho na mão cortava o nó;
E os ministros calados como escudos,
Eram todos do Rei criados-mudos.
Hoje em dia, porém, mudou-se a cena,
Quebrou-se o férreo guante, voga a pena;
A pena e a palavra; a língua luta,
Soberana domina a força bruta.
O Rei não obra só; pois na linguagem,
Obra mais do que o Rei a vassalagem.
— Reina o Rei, não governa — é o problema;
— Mas, se reina, governa: eis o dilema!
— Não só reina, governa e administra —
É suprema doutrina monarquista.

De outro ponto o ministro não quer meias,
Quer o Rei regulado, um Rei de peias;
E antolha-se, Penélope do dia,
Capaz de refazer a monarquia;
Um rei feroz não quer, nem Rei tirano,
Mas um Rei cidadão — republicano!

(...)


Publicado no livro Primeiras trovas burlescas de Luiz Gama (Getulino) (1904).

In: GAMA, Luiz. Trovas burlescas e escritos em prosa. Org. Fernando Góes. São Paulo: Cultura, 1944. p.160-161. (Últimas gerações, 4
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Gregório de Matos

Gregório de Matos

Defende Seu Poeta por Seguro

Eu sou aquele, que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios, e enganos.

E bem que os decantei bastantemente,
Canto segunda vez na mesma lira
O mesmo assunto em plectro diferente.

(...)

A narração há de igualar ao caso,
E se talvez ao caso não iguala,
Não tenho por Poeta, o que é Pegaso.

De que pode servir calar, quem cala,
Nunca se há de falar, o que se sente?
Sempre se há de sentir, o que se fala!

Qual homem pode haver tão paciente,
Que vendo o triste estado da Bahia,
Não chore, não suspire, e não lamente?

Isto faz a discreta fantasia:
Discorre em um, e outro desconcerto,
Condena o roubo, e increpa a hipocrisia.

O néscio, o ignorante, o inexperto,
Que não elege o bom, nem mau reprova,
Por tudo passa deslumbrado, e incerto.

E quando vê talvez na doce trova
Louvado o bem, e o mal vituperado,
A tudo faz focinho, e nada aprova.

Diz logo prudentaço, e repousado,
Fulano é um satírico, é um louco,
De língua má, de coração danado.

Néscio: se disso entendes nada, ou pouco,
Como mofas com riso, e algazarras
Musas, que estimo ter, quando as invoco?

Se souberas falar, também falaras,
Também satirizaras, se souberas,
E se foras Poeta, poetizaras.

A ignorância dos homens destas eras
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
Que a mudez canoniza bestas-feras.

Há bons, por não poder ser insolentes,
Outros há comedidos de medrosos,
Não mordem outros não, por não ter dentes.

Quantos há, que os telhados têm vidrosos,
E deixam de atirar sua pedrada
De sua mesma telha receosos.

Uma só natureza nos foi dada:
Não criou Deus os naturais diversos,
Um só Adão formou, e esse de nada.

Todos somos ruins, todos perversos,
Só nos distingue o vício, e a virtude,
De que uns são comensais, outros adversos.

Quem maior a tiver, do que eu ter pude,
Esse só me censure, esse me note,
calem-se os mais, chitom, e haja saúde.

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In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.

NOTA: Faz focinho: mostra desprezo ou desagrado, seria equivalente à expressão 'faz beicinho', 'franze o nariz'; chitom: 'silêncio' 'cale-se!'; haja saúde: fórmula de despedida equivalente a 'saúde!' ou a 'adeus', hoje a 'até logo
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Luís Gama

Luís Gama

Sortimento de Gorras para a Gente do Grande Tom

(...)

Se grosseiro alveitar ou charlatão
Entre nós se proclama sabichão;
E, com cartas compradas na Alemanha.
Por mil anos impinge ipecacuanha;
Se mata, por honrar a Medicina,
Mais voraz do que uma ave de rapina;
E num dia, se, errando na receita,
Pratica no mortal cura perfeita;
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!

Se os nobres desta terra, empanturrados,
Em Guiné têm parentes enterrados;
E, cedendo à prosápia, ou duros vícios,
Esquecem os negrinhos seus patrícios;
Se mulatos de cor esbranquiçada,
Já se julgam de origem refinada,
E, curvos à mania que os domina,
Desprezam a vovó que é preta-mina:
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!

Se o governo do Império Brasileiro,
Faz coisas de espantar o mundo inteiro,
Transcendendo o Autor da geração,
o jumento transforma em sor Barão;
Se estúpido matuto, apatetado,
Idolatra o papel de mascarado;
E fazendo-se o lorpa deputado,
N'Assembléia vai dar seu — apolhado,
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!

Se impera no Brasil o patronato,
Fazendo que o Camelo seja Gato,
Levando o seu domínio a ponto tal,
Que torna em sapiente o animal;
Se deslustram honrosos pergaminhos,
Patetas que nem servem p'ra meirinhos,
E que sendo formados Bacharéis,
Sabem menos do que pecos bedéis,
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!

Se temos Deputados, Senadores,
Bons Ministros e outros chuchadores;
Que se aferram às tetas da Nação
Com mais sanha que o tigre, ou que o Leão;
Se já temos calçados — mac-lama,
Novidade que esfalta a voz da Fama,
Blasonando as gazetas — que há progresso,
Quando tudo caminha p'ra o regresso:
Não te espantes, ó Leitor, da pepineira,
Pois que tudo no Brasil é chuchadeira!

Se contamos vadios empregados,
Porque são das potências afilhados,
E sucumbe, à matroca, abandonado,
O homem de critério, que é honrado;
Se temos militares de trapaça,
Que da guerra jamais viram fumaça,
Mas que empolgam chistosos ordenados,
Que ao povo, sem sentir, são arrancados;
Não te espantes ó Leitor, da pepineira,
Pois que tudo no Brasil é chuchadeira!

(...)

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Publicado no livro Primeiras trovas burlescas de Getulino (1859).

In: GAMA, Luiz. Trovas burlescas e escritos em prosa. Org. Fernando Góes. São Paulo: Cultura, 1944. p.24-26. (Últimas gerações, 4)

NOTA: Poema composto de 13 parte
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Luís Gama

Luís Gama

Pacotilha

Não ralhem, não façam bulha,
Que eu não sei se isto é pulha.
Polca

(...)

Se trôpego velho
De queixo caído,
Dengoso e rendido,
Com moça se liga;
Lá quando mal cuida
Na fronte lhe saltam,
Relevos que esmaltam,
Em forma de espiga.

Se rapa o que pode
Finório empregado,
Campando de honrado,
Cuidando que brilha;
Em dia aziago
Tropeça, baqueia,
E vai, na cadeia,
Juntar-se à quadrilha.

Se impinge nobreza
Brutal vendilhão,
Que sendo Barão,
Já pensa que é gente;
Aqueles que o viram
Cebolas vendendo
Vão sempre dizendo —
Que o lorpa é demente.

Se em peitos que fervem
Infâmias tremendas
Avultam comendas
E prêmios de honor;
É que, com dinheiro,
Os rudes cambetas
Se levam das tretas
E mudam de cor.

Se fino larápio
De vícios coberto,
Com foros d'esperto,
De honrado se aclama;
É que a ladroeira.
Banindo o critério,
Firmou seu império
C'o gente de fama.

Se audaz rapinanto,
Fidalgo ou Barão,
Por ser figurão,
Triunfa da Lei;
É que há Magistrados
Que empolgam presentes
Fazendo inocentes
Os manos da grei.

Mulato esfolado,
Que diz-se fidalgo,
Porque tem de galgo
O longo focinho;
Não perde a catinga,
De cheiro falace,
Ainda que passe
Por bráseo cadinho.

E se eu que pretácio,
D'Angola oriundo,
Alegre, jucundo,
Nos meus vou cortando;
É que não tolero
Falsários parentes,
Ferrarem-me os dentes,
Por brancos passando.


Publicado no livro Primeiras trovas burlescas de Getulino (1859).

In: GAMA, Luiz. Trovas burlescas e escritos em prosa. Org. Fernando Góes. São Paulo: Cultura, 1944. p.69-70. (Últimas gerações, 4
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Raul Pompéia

Raul Pompéia

A Perseguição às Cartomantes

A perseguição às cartomantes, que constitui boa parte do movimento da semana, não se pode dizer que esteja de acordo com a liberdade de cultos que existe e que se apregoa na atualidade.

Não há dúvida.

A superstição é a filosofia dos pobres. Dos pobres de espírito por natureza, e dos que, somente porque não encontraram nos recursos materiais da vida um meio de serem ricos de espírito, tiveram de permanecer irremediavelmente na penúria. Ser tolo, que imenso mal! Crer no milagre e na revelação da cartomante... Porventura será uma obrigação possuir a filosofia dos atilados?

Todos nós temos no cérebro uma porção mais ou menos considerável de imaginação voltada para o sobrenatural. Desde que se não acha meio de imaginar. Por exemplo, a correta religião, a gente vai-se arranjando com um cultozinho de meia tigela, que é um ridículo para muitos, mas que para a gente é uma grande coisa e dá satisfação sofrivelmente a todas as suspeitas e curiosidade da ignorância.

A seita das cartomantes é desta espécie. Vem da necessidade entre profana e religiosa do milagre barato. Quem não tem cabeça nem latim para se entender familiarmente com o mistério da Transubstanciação, vai-se arranjando com o misteriozinho de Mme. Joséphine, que é capaz de adivinhar, sem mais nem menos, onde está o gato ou quem matou o cão.

Mas especulam, recebem dinheiro pelas consultas velhacas. Que tem a polícia com a despesa particular dos tolos? A curatela dos insensatos que desperdiçam não foi ainda armada de apito para entrar em função. Espere a polícia que transpareça um caso de fraude comum ou de violência.

Outrora, no tempo da fé privilegiada, elas viviam livres, as cartomantes, com o seu baralho mágico, carteando a sua jogatina com os tolos e os tolos perdendo sempre.

Pensava-se que os que perdiam, lucravam contudo a embriaguez da sua toleima, que voltava da consulta lisonjeada e aplaudida. Que necessitam em rigor as ânsias espirituais? Que um processo espiritual as acalme. Imaginem a tolice assoberbada por uma grande ansiedade moral, parecida com essas que para os espíritos de melhor quilate encontrariam desafogo num conselho filosófico ou num preceito religioso, o terror boçal de um feitiço, por exemplo. A cartomante em vez de aplicar ao caso a regra de um filósofo ou de um padre da igreja, raciocinava que a tolice é tola e como tola deve ser tratada, e, para a asneira do feitiço, receitava com sucesso a asneira do contrafeitiço. Poder-se-ia considerar a vítima de uma fraude alguém que às cartomantes recorria para alcançar o seu sossego de espírito, e voltava da consulta realmente sossegado?

Permitia-se então outrora que a religião da tolice fizesse sua vida, com a condição apenas de se não patentear pela forma exterior de nenhum escândalo.

Se assim sucedia outrora, como é que hoje, que os foros da cidade foram facilitados a todos os cultos, vai-se contra a pobre e simpática religião dos tolos desenvolver a oposição das ameaças aterradoras do xadrez?!

Se ao folhetim se consultasse qual deveria ser o procedimento lógico do momento, dir-se-ia aqui em resposta: liberdade aos tolos da sua tolice; que se deixem esfolar os parvos pelo preço da sua parvoíce; dêem cartas as cartomantes como um mandão da roça; conselhos, medicina, adivinhações, toda a espécie de sortilégio do desfrute tenha livre prática. Reúnam-se até em sinagoga, se quiserem, todas as espertas ledoras de buena dicha. Quando a todas as religiões se permite a liberdade absoluta dos seus ritos é de elementar eqüidade que aos tolos se faculte a religião da toleima, o livre exercício do seu culto, a livre presença do seu templo, mesmo, se eles ambicionarem na linha ordinária de todas as outras casas de culto, com a forma exterior que muito bem resolvam, assinalando em plena evidência a arquitetura simbólica da letra T.

Publicada no Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, 8 jun. 1890. Título atribuído pelo Itaú Cultural.
POMPÉIA, Raul. Crônicas 2. Organização de Afrânio Coutinho. Assistência de Eduardo de Faria Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira: Oficina Literária Afrânio Coutinho: Fename, 1983. v. 6. p. 355-357
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Bernardo Guimarães

Bernardo Guimarães

A Orgia dos Duendes

(...)

II

(...)

Já no meio da roda zurrando
Aparece a mula-sem-cabeça,
Bate palmas, a súcia berrando
— Viva, viva a Sra. condessa!...

E dançando em redor da fogueira
Vão girando, girando sem fim;
Cada qual uma estrofe agoureira
Vão cantando alternados assim:

III

TATURANA

Dos prazeres de amor as primícias,
De meu pai entre os braços gozei;
E de amor as extremas delícias
Deu-me um filho, que dele gerei.

Mas se minha fraqueza foi tanta,
De um convento fui freira professa;
Onde morte morri de uma santa;
Vejam lá, que tal foi esta peça.

GETIRANA

Por conselhos de um cônego abade
Dous maridos na cova soquei;
E depois por amores de um frade
Ao suplício o abade arrastei.

Os amantes, a quem despojei,
Conduzi das desgraças ao cúmulo,
E alguns filhos, por artes que sei,
Me caíram do ventre no túmulo.

GALO PRETO

Como frade de um santo convento
Este gordo toutiço criei;
E de lindas donzelas um cento
No altar da luxúria imolei.

Mas na vida beata de ascético
Mui contrito rezei, jejuei,
Té que um dia de ataque apoplético
Nos abismos do inferno estourei.

ESQUELETO

Por fazer aos mortais crua guerra
Mil fogueiras no mundo ateei;
Quantos vivos queimei sobre a terra,
Já eu mesmo contá-los não sei.

Das severas virtudes monásticas
Dei no entanto piedosos exemplos;
E por isso cabeças fantásticas
Inda me erguem altares e templos.

MULA-SEM-CABEÇA

Por um bispo eu morria de amores,
Que afinal meus extremos pagou;
Meu marido, fervendo em furores
De ciúmes, o bispo matou.

Do consórcio enjoei-me dos laços,
E ansiosa quis vê-los quebrados,
Meu marido piquei em pedaços,
E depois o comi aos bocados.

Entre galas, veludo e damasco
Eu vivi, bela e nobre condessa;
E por fim entre as mãos do carrasco
Sobre um cepo perdi a cabeça.

(...)


Publicado no livro Poesias (1865). Poema integrante da série Poesias Diversas.

In: GUIMARÃES, Bernardo. Poesias completas. Org. introd. cronol. e notas Alphonsus de Guimaraens Filho. Rio de Janeiro: INL, 1959
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