Poemas neste tema
Alma
Janis Joplin
Amor Impossível
O
que será essa coisa grande, cósmica que sinto por você?
Às vezes me perco nas fantasias...
Passei a vida toda pra te achar,
quando te encontro, não te reconheço.
E então surgiu uma amizade grande entre nós,
o tempo vai passando, passando...
e o meu carinho por você vai crescendo, crescendo...
E de repente, sem querer, me apaixono por você...
mas isso é errado, vai contra as regras...
Às vezes fico a pensar o q você realmente sente por mim.
e fico nessa duvida mortal...
Queria poder dizer-lhe o que eu sinto por você
vai alem da amizade, ultrapassa as coisas materiais
e essa coisa
a cada dia q passa
vai crescendo, crescendo
Como posso dizer-lhe o que realmente eu sinto por você?
AH!!! Como eu queria ser apenas mais um cometa na sua vida
só assim eu poderia expressar meus sentimentos ,
é só assim eu poderia dizer-lhe:
TE AMO!!!!
Mas não posso!!!...
que será essa coisa grande, cósmica que sinto por você?
Às vezes me perco nas fantasias...
Passei a vida toda pra te achar,
quando te encontro, não te reconheço.
E então surgiu uma amizade grande entre nós,
o tempo vai passando, passando...
e o meu carinho por você vai crescendo, crescendo...
E de repente, sem querer, me apaixono por você...
mas isso é errado, vai contra as regras...
Às vezes fico a pensar o q você realmente sente por mim.
e fico nessa duvida mortal...
Queria poder dizer-lhe o que eu sinto por você
vai alem da amizade, ultrapassa as coisas materiais
e essa coisa
a cada dia q passa
vai crescendo, crescendo
Como posso dizer-lhe o que realmente eu sinto por você?
AH!!! Como eu queria ser apenas mais um cometa na sua vida
só assim eu poderia expressar meus sentimentos ,
é só assim eu poderia dizer-lhe:
TE AMO!!!!
Mas não posso!!!...
1 262
Reinaldo Ferreira
Olhos iguais, outro olhar
Olhos iguais, outro olhar,
Silêncios da mesma voz,
Memória vaga e lunar
Do sol que fôssemos nós...
Assim erramos incertos,
Juntos, distantes, cansados,
Mordendo o pó nos desertos
Onde houve relvas e prados.
E a Vida escoa-se, enquanto
O tempo, alheio à vontade,
Deslisa, remoto pranto
Duma tranquila orfandade.
Silêncios da mesma voz,
Memória vaga e lunar
Do sol que fôssemos nós...
Assim erramos incertos,
Juntos, distantes, cansados,
Mordendo o pó nos desertos
Onde houve relvas e prados.
E a Vida escoa-se, enquanto
O tempo, alheio à vontade,
Deslisa, remoto pranto
Duma tranquila orfandade.
1 824
Regina Souza Vieira
Le Papillon
Ah! papillon
colorida
Multiformatos de vôo
Hélices de esperança,
de dor e de mil cores
qual voadora transporta
a sorte ou a má notícia
depende da venturança
de quem batas à porta
Oiseau sem muito tempo
Chegando e já quase se indo
Se te a vida desse demoras
ou se ficasses por horas
Nos ensinarias teu mistério
Ficas no mundo etéreo
Céu que evola seus birds
Pappillon de tantas cores
Nem sempre nos trazes
Só passarinhos verdes
És meio ave, meio flor
Pappilon de encantos
És mística no teu pouso
Incógnita, nos anuncias
Risos, às vezes, prantos.
Elevaste o meu espírito
Assustaste-me certo dia
Papillon, bird que amo
Bela é essa tua magia.
colorida
Multiformatos de vôo
Hélices de esperança,
de dor e de mil cores
qual voadora transporta
a sorte ou a má notícia
depende da venturança
de quem batas à porta
Oiseau sem muito tempo
Chegando e já quase se indo
Se te a vida desse demoras
ou se ficasses por horas
Nos ensinarias teu mistério
Ficas no mundo etéreo
Céu que evola seus birds
Pappillon de tantas cores
Nem sempre nos trazes
Só passarinhos verdes
És meio ave, meio flor
Pappilon de encantos
És mística no teu pouso
Incógnita, nos anuncias
Risos, às vezes, prantos.
Elevaste o meu espírito
Assustaste-me certo dia
Papillon, bird que amo
Bela é essa tua magia.
759
Verónica Mendes
Bebo
bebo,
das pedras salgadas
o cálice da vida...
das colinas bravias o seu calor,
procuro na dor o gosto da alegria,
e nos teus lindos olhos,
um grito de amor!
das pedras salgadas
o cálice da vida...
das colinas bravias o seu calor,
procuro na dor o gosto da alegria,
e nos teus lindos olhos,
um grito de amor!
973
Jurandir Argolo
No meu Jardim
nasceste
no meu jardim
flor encantando-me os olhos
roubando as vontades
os desejos mais secretos
e em mais eretos
deixaste meus sonhos
em manhãs e noites revezas
atormentando minhas reservas
o que mantinha-me sóbrio.
hoje, no meu jardim
só a tua fragrância invade-me
em meio a tantas outras
também cheirosas
mas, não como tuas calorosas
cores e formas
que aos poucos evadem-se no tempo
descolorindo meus eus
que insistem ainda serem teus
mesmo na distância dos olhos
dos corpos, num amor sem idade
sussurrando nas madrugadas saudades
ecoadas abismo a dentro.
nasceste no meu jardim
aos poucos saíste de mim
e mesmo estando longe, encantas-me
aprisionando-me em noites
sob gélidos lençóis...
Estás longe do meu infortúnio
das minhas dores
dos meus desejos
que não mais enxergam teus rastros
apagados nas areias do tempo...
aos poucos, sem sentimento
enterro-me no solo do meu jardim
esperançando um dia, quiçá
raízes tuas voltem a brotar...
no meu jardim
flor encantando-me os olhos
roubando as vontades
os desejos mais secretos
e em mais eretos
deixaste meus sonhos
em manhãs e noites revezas
atormentando minhas reservas
o que mantinha-me sóbrio.
hoje, no meu jardim
só a tua fragrância invade-me
em meio a tantas outras
também cheirosas
mas, não como tuas calorosas
cores e formas
que aos poucos evadem-se no tempo
descolorindo meus eus
que insistem ainda serem teus
mesmo na distância dos olhos
dos corpos, num amor sem idade
sussurrando nas madrugadas saudades
ecoadas abismo a dentro.
nasceste no meu jardim
aos poucos saíste de mim
e mesmo estando longe, encantas-me
aprisionando-me em noites
sob gélidos lençóis...
Estás longe do meu infortúnio
das minhas dores
dos meus desejos
que não mais enxergam teus rastros
apagados nas areias do tempo...
aos poucos, sem sentimento
enterro-me no solo do meu jardim
esperançando um dia, quiçá
raízes tuas voltem a brotar...
385
Reinaldo Ferreira
Regresso de parte alguma
Regresso de parte alguma
Rico mais do que partira,
Pois trago coisa nenhuma
Sem desespero e sem ira.
Agora vivo contente
No meu exílio sereno;
Tomei tamanho de gente
E não me dói ser pequeno.
Pedra parada na calma
Tranquilidade dos charcos,
Deixem dormir minha alma,
Como apodrecem os barcos
Rico mais do que partira,
Pois trago coisa nenhuma
Sem desespero e sem ira.
Agora vivo contente
No meu exílio sereno;
Tomei tamanho de gente
E não me dói ser pequeno.
Pedra parada na calma
Tranquilidade dos charcos,
Deixem dormir minha alma,
Como apodrecem os barcos
2 439
Reinaldo Ferreira
Ânfora fui
Ânfora fui;
O seu cadáver sou.
Emparedada neste museu,
Pasto do pó e dos olhares
Que não perscrutam a minha mágoa,
Eu sou quem fui,
Menos o fim que alguém me deu,
De conter vinho e mel e água...
Enfim, eu não sou nada,
Que há muito já se não propaga a mim
O calor de uma anca,
E o meu fresco conteúdo
Não encontra uma boca
E uma sede não estanca.
Do oleiro que me fez
- A poeira, talvez
Dispersa e reunida,
A contenha outra vida
Ou outra ânfora... -
Nem memória persiste do seu nome.
O seu cadáver sou.
Emparedada neste museu,
Pasto do pó e dos olhares
Que não perscrutam a minha mágoa,
Eu sou quem fui,
Menos o fim que alguém me deu,
De conter vinho e mel e água...
Enfim, eu não sou nada,
Que há muito já se não propaga a mim
O calor de uma anca,
E o meu fresco conteúdo
Não encontra uma boca
E uma sede não estanca.
Do oleiro que me fez
- A poeira, talvez
Dispersa e reunida,
A contenha outra vida
Ou outra ânfora... -
Nem memória persiste do seu nome.
1 839
Janis Joplin
A Cada Lua
a cada
dia uma saudade diferente
a cada amanhecer uma manhã diferente
a cada lua um brilho diferente
a cada palavra sua um desejo diferente
a cada minuto um mistério diferente
desejo-lhe a todo momento
quero-te sempre
gostaria da beijar-te loucamente
sentir-te em meus braços
ah, como eu gostaria de estar aí agora com você
você simplesmente me faz diferente a cada momento
você simplesmente me domina de amor
você é única, eu sou única, somos uma alma
única
penso às vezes em acordar desse sonho
penso que isso não está acontecendo
é tudo tão bom
é tudo tão simples
é tudo tão sincero
que às vezes chego a pensar que não existo
que você é um anjo que me salvará da escuridão
afinal, Quem és tu??
não posso pensar em suas palavras q já fico louca de desejo
não posso pensar em sua voz q já fico louca de paixão
ah, como eu queria estar ai com você
as vezes chego a pensar se você pensa e sente o mesmo
que eu...
mas não quero nem saber, pois você é a pessoa que
vou agarrar com todas as forças
ah, como a distancia nos torna mais imaginários
ah. como é ruim sentir desejo e não poder fazer nada,,,
meu amor, quero-te e penso em ti a todo momento
o que será essa loucura??
pois que louca seja eu de te querer mesmo sem a ter...
pois louca de mim e só louca de paixão por você...
fico a desejar-te...
dia uma saudade diferente
a cada amanhecer uma manhã diferente
a cada lua um brilho diferente
a cada palavra sua um desejo diferente
a cada minuto um mistério diferente
desejo-lhe a todo momento
quero-te sempre
gostaria da beijar-te loucamente
sentir-te em meus braços
ah, como eu gostaria de estar aí agora com você
você simplesmente me faz diferente a cada momento
você simplesmente me domina de amor
você é única, eu sou única, somos uma alma
única
penso às vezes em acordar desse sonho
penso que isso não está acontecendo
é tudo tão bom
é tudo tão simples
é tudo tão sincero
que às vezes chego a pensar que não existo
que você é um anjo que me salvará da escuridão
afinal, Quem és tu??
não posso pensar em suas palavras q já fico louca de desejo
não posso pensar em sua voz q já fico louca de paixão
ah, como eu queria estar ai com você
as vezes chego a pensar se você pensa e sente o mesmo
que eu...
mas não quero nem saber, pois você é a pessoa que
vou agarrar com todas as forças
ah, como a distancia nos torna mais imaginários
ah. como é ruim sentir desejo e não poder fazer nada,,,
meu amor, quero-te e penso em ti a todo momento
o que será essa loucura??
pois que louca seja eu de te querer mesmo sem a ter...
pois louca de mim e só louca de paixão por você...
fico a desejar-te...
1 306
João Moutinho
Cais
Nenhum
cais
Será apenas
De partida ou de chegada
Há em cada regresso
A mágoa de partir
Cada ida
Tem agrilhoada
A saudade de ficar
Quando anuncias que vais.
Sobra sempre um beijo
Desconforto
Quando o lenço branco
Se desdobra
E absorto
Se despede ao vento
E em silêncio
Diz adeus ao sentimento
Quem sabe... até nunca mais!
E morrem no esquecimento
Casas à beira do cais.....
cais
Será apenas
De partida ou de chegada
Há em cada regresso
A mágoa de partir
Cada ida
Tem agrilhoada
A saudade de ficar
Quando anuncias que vais.
Sobra sempre um beijo
Desconforto
Quando o lenço branco
Se desdobra
E absorto
Se despede ao vento
E em silêncio
Diz adeus ao sentimento
Quem sabe... até nunca mais!
E morrem no esquecimento
Casas à beira do cais.....
1 129
Lívia Araújo
Longa Estrada
Longa
estrada de asfalto
Não separa, não é nada.
De nada, tudo se faz.
Se faz presente a ausente, se faz saudade.
Que todo gosto de última vez seja algo novo,
Prenúncio de coisas diferentes
De outras vidas e outros momentos
Que de tudo fica um pouco
De memória e impressão
De gestos e receios que não existem mais.
E só existe o agora
Não mais o desperdício.
Nada acabou.
estrada de asfalto
Não separa, não é nada.
De nada, tudo se faz.
Se faz presente a ausente, se faz saudade.
Que todo gosto de última vez seja algo novo,
Prenúncio de coisas diferentes
De outras vidas e outros momentos
Que de tudo fica um pouco
De memória e impressão
De gestos e receios que não existem mais.
E só existe o agora
Não mais o desperdício.
Nada acabou.
796
Reinaldo Ferreira
Há que morrer no convés
Há que morrer no convés
Do seu previsto naufrágio.
Tremem-lhe as tábuas aos pés,
Cheira a presságio.
Negros augúrios com asas
Cruzam agoiros nos mastros.
Os ventos sabem a brasas.
Recusam-se astros.
Já o Piloto que ruma
A proa dos embaraços,
Pressentiu que além da bruma
Esperam sargaços.
A agulha mentiu o norte,
Mas o Piloto sabia.
Quem busca as rotas da Morte
Não de desvia!
Não de desvia!
Do seu previsto naufrágio.
Tremem-lhe as tábuas aos pés,
Cheira a presságio.
Negros augúrios com asas
Cruzam agoiros nos mastros.
Os ventos sabem a brasas.
Recusam-se astros.
Já o Piloto que ruma
A proa dos embaraços,
Pressentiu que além da bruma
Esperam sargaços.
A agulha mentiu o norte,
Mas o Piloto sabia.
Quem busca as rotas da Morte
Não de desvia!
Não de desvia!
1 849
Reinaldo Ferreira
No amplo e ermo degredo
No amplo e ermo degredo
Da Noite enorme incriada,
Acesso ao átrio do medo,
Reverso a negro do Nada.
Erra uma asa, partida,
Dum qualquer pássaro morto,
Que só porque erra tem vida
No mar do nada sem porto.
É quando passa e projecta
Na Sombra sombra erradia
Que nasce a mãe dum poeta
E se concebe a poesia.
Da Noite enorme incriada,
Acesso ao átrio do medo,
Reverso a negro do Nada.
Erra uma asa, partida,
Dum qualquer pássaro morto,
Que só porque erra tem vida
No mar do nada sem porto.
É quando passa e projecta
Na Sombra sombra erradia
Que nasce a mãe dum poeta
E se concebe a poesia.
1 935
Reinaldo Ferreira
Quando as fachadas, tumulares, de pardas
Quando as fachadas, tumulares, de pardas,
Defendem sonolências impassíveis,
Sou livre pra as boémias intangíveis
- E a noite intui-me cúmplices mansardas...
Franzino e ruivo, o céu todo tem sardas
E atraente nudez de impossíveis...
Eu sou talvez pintor de nus horríveis,
Zombo dos mestres e odeio as fardas!
Mas mal, estéril, assoma o brilho frio
- Que sempre a madrugada me frustrou
O contacto iminente ao fugidio -
Tenho medo de quem nocturno sou,
Da minha afinidade a um desvario
Que o outro mais casto em mim repudiou!
Defendem sonolências impassíveis,
Sou livre pra as boémias intangíveis
- E a noite intui-me cúmplices mansardas...
Franzino e ruivo, o céu todo tem sardas
E atraente nudez de impossíveis...
Eu sou talvez pintor de nus horríveis,
Zombo dos mestres e odeio as fardas!
Mas mal, estéril, assoma o brilho frio
- Que sempre a madrugada me frustrou
O contacto iminente ao fugidio -
Tenho medo de quem nocturno sou,
Da minha afinidade a um desvario
Que o outro mais casto em mim repudiou!
1 352
Aníbal Raposo
Ausência
É estranho...
Quando deixas a ilha
Sinto os meus dias prenhes
Do imenso vazio da tua ausência
Resta o teu cheiro...
No quarto, na almofada da cama
Em cada canto da casa...
Confesso que nunca o sinto assim tão à flor da pele
No compasso voraz do nosso dia-a-dia
Só então me apercebo
Como a usura do tempo
Traça, sem darmos conta, superfícies planas
Esbate, sem piedade, as vivas arestas
Da cor dos nossos sentimentos
Amo-te em fogo juvenil quando estás longe
Habituo-me a ti
Se estás por perto.
Quando deixas a ilha
Sinto os meus dias prenhes
Do imenso vazio da tua ausência
Resta o teu cheiro...
No quarto, na almofada da cama
Em cada canto da casa...
Confesso que nunca o sinto assim tão à flor da pele
No compasso voraz do nosso dia-a-dia
Só então me apercebo
Como a usura do tempo
Traça, sem darmos conta, superfícies planas
Esbate, sem piedade, as vivas arestas
Da cor dos nossos sentimentos
Amo-te em fogo juvenil quando estás longe
Habituo-me a ti
Se estás por perto.
790
Marcelo Ribeiro
Pássaro Ferido
Ferido
o pássaro que voa;
Bico entreaberto
Garras preparadas e penas eriçadas
O coração saltitando
Dentro do minúsculo peito
Coberto de penas alvas tingidas de rubro
O mais belo tom de rubro:
O vivo vermelho do sangue da liberdade
Ferido o pássaro que voa
Porém livre
o pássaro que voa;
Bico entreaberto
Garras preparadas e penas eriçadas
O coração saltitando
Dentro do minúsculo peito
Coberto de penas alvas tingidas de rubro
O mais belo tom de rubro:
O vivo vermelho do sangue da liberdade
Ferido o pássaro que voa
Porém livre
1 207
Reinaldo Ferreira
Meu quase sexto sentido
Por detrás da névoa incerta,
Da bruma desconcertante,
Há uma verdade encoberta,
Que é, por trás da névoa incerta,
Intemporal e constante.
Oh névoa! Oh tempo sem horas!
Oh baça visão instável!
Que mal meus olhos afloras,
Em vão transmutas, descoras...
Meu olhar é infatigável.
Quero saber-me quem sou
Para além do que pareço
Enquanto não sei e sou!
Nuvem que a mim me ocultou,
Ai! Meramente aconteço.
Com menos finalidade
De que uma folha caída
Na boca da tempestade,
Porque ele é, na verdade,
Morte a caminho da Vida;
E eu não sei donde venho
Nem sei, sequer, pra aonde vou.
Rompa-se a névoa encoberta!
Quero saber-me quem sou!
Da bruma desconcertante,
Há uma verdade encoberta,
Que é, por trás da névoa incerta,
Intemporal e constante.
Oh névoa! Oh tempo sem horas!
Oh baça visão instável!
Que mal meus olhos afloras,
Em vão transmutas, descoras...
Meu olhar é infatigável.
Quero saber-me quem sou
Para além do que pareço
Enquanto não sei e sou!
Nuvem que a mim me ocultou,
Ai! Meramente aconteço.
Com menos finalidade
De que uma folha caída
Na boca da tempestade,
Porque ele é, na verdade,
Morte a caminho da Vida;
E eu não sei donde venho
Nem sei, sequer, pra aonde vou.
Rompa-se a névoa encoberta!
Quero saber-me quem sou!
1 993
Jazzim
Poema II
Onda
solitária na areia parida
na ausência dos teus braços
desaparecendo na imensa noite gélida
Invade-a a saudade do teu mar
perfumando, perfumando-a a cada gota
derramada em tua pele, mulher!
De regresso a um outro mar
(salgado e perdido)
é só água
que na água se confunde
solitária na areia parida
na ausência dos teus braços
desaparecendo na imensa noite gélida
Invade-a a saudade do teu mar
perfumando, perfumando-a a cada gota
derramada em tua pele, mulher!
De regresso a um outro mar
(salgado e perdido)
é só água
que na água se confunde
878
Reinaldo Ferreira
Ela, a Poesia de hoje
Ela, a Poesia de hoje,
Como que foge
De si mesma e se dói
De ter sido algum dia
Meramente poesia.
Erra,
Solitária e solene,
Nos caminhos da terra,
E vitupera o céu
E o que ele encerra:
- Ah! morra! Ah! esqueça Orfeu!
Canta a grilheta, a enxada
E a madrugada
Dos dias que hão-de-vir,
E como frutos, cair
Em nossas mãos...
Fala no imperativo,
E tem por vocativo
- Irmão! Irmãos!
Mas longe,
E perto, porque em nós,
Onde uma fonte canta
Uma toada clara,
Um fauno sabe e ri,
Na pedra gasta e escura,
Um fim de riso
De ironia rara...
Como que foge
De si mesma e se dói
De ter sido algum dia
Meramente poesia.
Erra,
Solitária e solene,
Nos caminhos da terra,
E vitupera o céu
E o que ele encerra:
- Ah! morra! Ah! esqueça Orfeu!
Canta a grilheta, a enxada
E a madrugada
Dos dias que hão-de-vir,
E como frutos, cair
Em nossas mãos...
Fala no imperativo,
E tem por vocativo
- Irmão! Irmãos!
Mas longe,
E perto, porque em nós,
Onde uma fonte canta
Uma toada clara,
Um fauno sabe e ri,
Na pedra gasta e escura,
Um fim de riso
De ironia rara...
1 524
Reinaldo Ferreira
Deus que me fez e fizera
Deus que me fez e fizera
O pecado antes de mim,
Junto de Si não me espera,
Sabe o destino a que vim.
Pode tudo; e não altera
O pecador que há em mim,
Nem nunca tanto pudera:
Pecarei até ao fim.
Pois que tudo em mim venera
O pecador que há em mim.
Deus já não pode nem espera:
Fez o destino a que vim.
O pecado antes de mim,
Junto de Si não me espera,
Sabe o destino a que vim.
Pode tudo; e não altera
O pecador que há em mim,
Nem nunca tanto pudera:
Pecarei até ao fim.
Pois que tudo em mim venera
O pecador que há em mim.
Deus já não pode nem espera:
Fez o destino a que vim.
2 072
Alexandre Turri
Talvez a Morte
Eu
olhei em tua face...
você a desviou de meu alcance
Virou sem dizer uma palavra
foi pra longe de mim.
Ainda lembro dos seus olhos
olhos que machucam sem dizer uma palavra
expressões que arrancam lágrimas.
Lágrimas derrubadas por um amor não vivido,
amor não correspondido.
Se soubesse por onde andei até chegar aqui...
mas duvido que vá se importar
pois sou apenas um passatempo,
a minha angústia lhe faz feliz
minhas lágrimas matam tua estranha sede
e meu eterno amor serve para sua pura diversão.
Não imagino porque faz isso comigo
talvez tenha um anjo mau querendo brincar com minha vida
ou talvez seja um destino mau traçado.
Mas de uma coisa estou certo...
...a brincadeira acabou.
Não irei mais atrás de você...acabou,
cansei de sofrer, cansei de ir atrás de meus sonhos...
...na verdade...
....CANSEI DE VIVER.
Não vejo mais o porque disso...
tudo que amava era você
Era a única razão da minha vida
Eu te apaguei de meus pensamentos.
Agora a vida não tem o mesmo sentido de antes...
....Qual a ÚNICA coisa que me resta...?
olhei em tua face...
você a desviou de meu alcance
Virou sem dizer uma palavra
foi pra longe de mim.
Ainda lembro dos seus olhos
olhos que machucam sem dizer uma palavra
expressões que arrancam lágrimas.
Lágrimas derrubadas por um amor não vivido,
amor não correspondido.
Se soubesse por onde andei até chegar aqui...
mas duvido que vá se importar
pois sou apenas um passatempo,
a minha angústia lhe faz feliz
minhas lágrimas matam tua estranha sede
e meu eterno amor serve para sua pura diversão.
Não imagino porque faz isso comigo
talvez tenha um anjo mau querendo brincar com minha vida
ou talvez seja um destino mau traçado.
Mas de uma coisa estou certo...
...a brincadeira acabou.
Não irei mais atrás de você...acabou,
cansei de sofrer, cansei de ir atrás de meus sonhos...
...na verdade...
....CANSEI DE VIVER.
Não vejo mais o porque disso...
tudo que amava era você
Era a única razão da minha vida
Eu te apaguei de meus pensamentos.
Agora a vida não tem o mesmo sentido de antes...
....Qual a ÚNICA coisa que me resta...?
824
Luiz Felipe Coelho
E na ausência surgiu a vida
A ausência
era um gigantesco bloco,
estarrecedor desprezo ao fluxo do tempo.
Orquídeas habitavam suas fendas,
confraternizavam com as samambaias,
delirando bebadas da úmida verdade da Terra,
buscando a luz do Sol,
o vento e os pássaros.
Admirei-a, espantoso nada,
cadeira vazia, transparente janela a ressoar
nas breves melodias ensinadas pelo vento,
aprisionando o Universo do lado de dentro,
enquanto fabricava a vida e, aos poucos,
consegui enxergar sua totalidade,
o quase vazio onde cometas de luz nasciam.
Contornei a ausência por dentro de mim,
até vislumbrar sua interna clareira,
ninho de ventos a desabrochar,
e onde começava uma dura construção,
uma alegre doação.
Silenciei então e os ecos adormeceram,
grávidos de espanto.
era um gigantesco bloco,
estarrecedor desprezo ao fluxo do tempo.
Orquídeas habitavam suas fendas,
confraternizavam com as samambaias,
delirando bebadas da úmida verdade da Terra,
buscando a luz do Sol,
o vento e os pássaros.
Admirei-a, espantoso nada,
cadeira vazia, transparente janela a ressoar
nas breves melodias ensinadas pelo vento,
aprisionando o Universo do lado de dentro,
enquanto fabricava a vida e, aos poucos,
consegui enxergar sua totalidade,
o quase vazio onde cometas de luz nasciam.
Contornei a ausência por dentro de mim,
até vislumbrar sua interna clareira,
ninho de ventos a desabrochar,
e onde começava uma dura construção,
uma alegre doação.
Silenciei então e os ecos adormeceram,
grávidos de espanto.
747
Lívia Araújo
Sobre Fundo Azul
Nas noites
em claro
A vela acesa
No desabafo
O desafio.
Mau altar, papel azul
O brilho tênue
O vinho doce
E a promessa.
Estou aqui
Desconhecida
Que se desnuda
E pede ajuda.
Salto aos teus olhos
No meu desenho
Um ser estranho
Cantando, Blue.
em claro
A vela acesa
No desabafo
O desafio.
Mau altar, papel azul
O brilho tênue
O vinho doce
E a promessa.
Estou aqui
Desconhecida
Que se desnuda
E pede ajuda.
Salto aos teus olhos
No meu desenho
Um ser estranho
Cantando, Blue.
662
Zazé
Espelho Meu
Vejo a minha imagem
reflectida no espelho
e ele devolve-me um olhar baço,
triste, de saudade;
Aflora então aos meus ouvidos
o som da tua voz,
arrepia-se-me a pele
pela lembrança do teu toque,
pela emoção do sentimento que há em nós;
E o espelho
parecendo adivinhar,
reflecte então
o brilho do meu olhar!!
reflectida no espelho
e ele devolve-me um olhar baço,
triste, de saudade;
Aflora então aos meus ouvidos
o som da tua voz,
arrepia-se-me a pele
pela lembrança do teu toque,
pela emoção do sentimento que há em nós;
E o espelho
parecendo adivinhar,
reflecte então
o brilho do meu olhar!!
933
Reinaldo Ferreira
Componho para a hora em que for lido
Componho para a hora em que for lido,
Para aquela, entre todas improvável,
Em que, estando eu já morto e já esquecido,
O que escrevo for póstumo e for estável.
Componho com receio do desdoiro
De quem sonho hei-de ser. Fito o futuro.
O que é grosseiro em mim, eu o apuro,
O que é vago e banal, o pulo e doiro.
Para aquela, entre todas improvável,
Em que, estando eu já morto e já esquecido,
O que escrevo for póstumo e for estável.
Componho com receio do desdoiro
De quem sonho hei-de ser. Fito o futuro.
O que é grosseiro em mim, eu o apuro,
O que é vago e banal, o pulo e doiro.
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