Poemas neste tema
Alma
Ademir Antônio Bacca
Das viagens
viajo
no teu corpo
caminhos
nunca imaginados
delírios
de náufrago à deriva
em noite de temporal.
viajo em ti
sonhos de uma ternura
nunca sentida.
no teu corpo
caminhos
nunca imaginados
delírios
de náufrago à deriva
em noite de temporal.
viajo em ti
sonhos de uma ternura
nunca sentida.
1 487
José Miguel Alves
Pus o mar
pus
o
mar
no
teu ouvido
e jurei
palavras
vazadas
como aquelas
que juraste em gozo
na noite
do primeiro encontro.
o
mar
no
teu ouvido
e jurei
palavras
vazadas
como aquelas
que juraste em gozo
na noite
do primeiro encontro.
964
Théophile Gautier
Moralidade
Menina, sê ardente,
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores
Embaixo do teu ventre,
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
– Por teu mal –
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreito,
Vá com jeito
Teu dedo em sua gana,
E a membrana
Só rompa, do hímen teu,
O himeneu.
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores
Embaixo do teu ventre,
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
– Por teu mal –
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreito,
Vá com jeito
Teu dedo em sua gana,
E a membrana
Só rompa, do hímen teu,
O himeneu.
2 304
Liz Christine
Juvenal
(Juvenal em minha cama)
Cabelo molhado, meu travesseiro reclama...
Um urso apaixonado em minha cama...
E eu viajo e me acho... Deitada, desejando...
Se você fosse esse ursinho que estou abraçando...
Que estou sentindo... sobre mim, urso da coca-cola
me cobrindo... Minha nudez, e esse calor...
Calor, despenteada pelo ventilador,
deitada, meu cabelo continua molhado...
E esse urso deitado...
Sobre o meu corpo, crescendo o calor, me tirando...
O sono, e ansiando... A sua presença, apareça...
Meu urso da coca-cola precisa dormir...
E eu preciso te sentir... Entrando...
Nesse quarto, nessa sauna, deitando...
Ao meu lado? Não, no chão... E meu cabelo continua molhado... Evaporação, concentração... Preciso diluir essa paixão... Disfarçando com bobeiras o conteúdo, misturando tudo...
Vem me possuir nesse chão... Me tire da cama...
É o meu urso quem te chama...
(Meu ursinho Juvenal)
E Juju me alivia
Meu ursinho confidente
Me abraça, só me faça
Perdidamente
Equilibrada
Aprisionada
Livremente
Estou te usando
Para escrever
Abusando
Pobre Juvenal
Quero te ver
Falando
Ursinho passional
Me domina
Fale, Juvenal
Defina
Esse sentimento
Que ilumina
Que se faz alimento
Que me gera poesia
Me esvazia
Extravazar
Amar
É o mais belo caminho
Para se encontrar
Perdida
Meu ursinho
Sem medo, sem pudor
Envolvida
Escrevo por impulso
Por você, amor
E amo meu urso
E quero ser fudida
Te encontrar, eu perdida
Me fode, me possua
Você sabe que sou sua
(Juvenal II)
Meu melhor amigo
Meu ursinho
É fofo comigo
Mas prefiro
Seu carinho
E respiro
Tristemente
Você ausente
Por impulso
Beijo ardente
Me abraça
Beijei meu urso
Não me faça
Sentir
Falta de calor
Humano e rir
Rir e sentir
Existe amor?
Juvenal
Diz que é real
Sim, existe
E só faz bem
Não resiste
Amor, vem...
Cabelo molhado, meu travesseiro reclama...
Um urso apaixonado em minha cama...
E eu viajo e me acho... Deitada, desejando...
Se você fosse esse ursinho que estou abraçando...
Que estou sentindo... sobre mim, urso da coca-cola
me cobrindo... Minha nudez, e esse calor...
Calor, despenteada pelo ventilador,
deitada, meu cabelo continua molhado...
E esse urso deitado...
Sobre o meu corpo, crescendo o calor, me tirando...
O sono, e ansiando... A sua presença, apareça...
Meu urso da coca-cola precisa dormir...
E eu preciso te sentir... Entrando...
Nesse quarto, nessa sauna, deitando...
Ao meu lado? Não, no chão... E meu cabelo continua molhado... Evaporação, concentração... Preciso diluir essa paixão... Disfarçando com bobeiras o conteúdo, misturando tudo...
Vem me possuir nesse chão... Me tire da cama...
É o meu urso quem te chama...
(Meu ursinho Juvenal)
E Juju me alivia
Meu ursinho confidente
Me abraça, só me faça
Perdidamente
Equilibrada
Aprisionada
Livremente
Estou te usando
Para escrever
Abusando
Pobre Juvenal
Quero te ver
Falando
Ursinho passional
Me domina
Fale, Juvenal
Defina
Esse sentimento
Que ilumina
Que se faz alimento
Que me gera poesia
Me esvazia
Extravazar
Amar
É o mais belo caminho
Para se encontrar
Perdida
Meu ursinho
Sem medo, sem pudor
Envolvida
Escrevo por impulso
Por você, amor
E amo meu urso
E quero ser fudida
Te encontrar, eu perdida
Me fode, me possua
Você sabe que sou sua
(Juvenal II)
Meu melhor amigo
Meu ursinho
É fofo comigo
Mas prefiro
Seu carinho
E respiro
Tristemente
Você ausente
Por impulso
Beijo ardente
Me abraça
Beijei meu urso
Não me faça
Sentir
Falta de calor
Humano e rir
Rir e sentir
Existe amor?
Juvenal
Diz que é real
Sim, existe
E só faz bem
Não resiste
Amor, vem...
1 128
Cristiane Neder
Águas de Forestier
O vinho que toca seus lábios
desperta o pecado
em um pobre pagão
que sonha com o paraíso,
onde todas as águas
se transformam em vinho,
dos rios, lagos, marés e cachoeiras,
salgadas, doces, porém todas vermelhas.
Lavando seus pés,
molhando os seus seios,
escorrendo sobre todo seu corpo
o doce veneno,
que nos embriaga a sede de outras paixões.
Pequenos Bacos
brincando de serem anões,
e todo pecado será desculpado
por todo motivo impulsionado por prazer.
Toda musa será deusa,
todo ateu será josé,
e o pecado é não beber
da fonte das águas de Forestier.
948
Jorge Lúcio de Campos
Teoria do belo
Desejo gesta
um tom siena
em tua pele
Eu, embaixo,
envergonhado
Tu, em cima,
seios cheios
de perdizes
um tom siena
em tua pele
Eu, embaixo,
envergonhado
Tu, em cima,
seios cheios
de perdizes
826
Isabel Machado
Moça ou Receita de sorvete de abacaxi com leite condensado
Lambo os dedos de Moça
um a um, gozo supremo
êxtase máximo que me chega
pelos dedos
Medos...
fiquem todos lá fora, acorrentados
pois agora meu corpo é Moça
é leite condensado
mamilos respingados em cremes...
E vem...
e gemes...
gemes na loucura melecada
gemes na aventura inventada
misturando gotas de suor
ao leite
Roças...
roças tua língua nessa moça
cheia de Moça
que se faz sorvete em tua boca
mesclando leites
deleites
E o ápice
tem cheiro de abacaxi...
um a um, gozo supremo
êxtase máximo que me chega
pelos dedos
Medos...
fiquem todos lá fora, acorrentados
pois agora meu corpo é Moça
é leite condensado
mamilos respingados em cremes...
E vem...
e gemes...
gemes na loucura melecada
gemes na aventura inventada
misturando gotas de suor
ao leite
Roças...
roças tua língua nessa moça
cheia de Moça
que se faz sorvete em tua boca
mesclando leites
deleites
E o ápice
tem cheiro de abacaxi...
1 342
Ricardo Kelmer
Poemas de saliva
Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
1 436
Pedro Miranda
Te molhar
Quem me dera ser água
Água de suor
Água de banho
Água de chuva
Água de lágrima para rolar em teu corpo
te sentir
te molhar
e depois meu corpo ser sol para te secar.
Água de suor
Água de banho
Água de chuva
Água de lágrima para rolar em teu corpo
te sentir
te molhar
e depois meu corpo ser sol para te secar.
981
Ricardo Kelmer
Licor
O teu corpo é um bombom em minha boca
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual
Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina
Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo
Final.
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual
Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina
Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo
Final.
1 067
Mariana Ferreira
Bom de
Amor macio
bom de se querer
mãos se enrolando
dia nascendo...
Amor gostoso
bom de se sentir
pernas estiradas
vidro refletido...
Amor sincero
bom de se ouvir
braços em desalinho
espelho sem brilho...
bom de se querer
mãos se enrolando
dia nascendo...
Amor gostoso
bom de se sentir
pernas estiradas
vidro refletido...
Amor sincero
bom de se ouvir
braços em desalinho
espelho sem brilho...
1 077
Luiz Alberto Machado
Painel das fêmeas
A mulher jaz do meu lado
e de mãos dadas
somos finalmente felizes
felizes além da vida
a vida pelo amor
a nossa consaguinidade
sob a aureola da paixão
a pérola dela
que mastiga meus pensamentos
e me atrevo chegar ao seu trono
súdito sem cetro do seu querer
inculto fiel da imagem dela
a quem seria dado
a permissão de lhe desposar
que plebeu afortunado
alcançaria sua majestade
e renunciando o reinado
seria apenas seu amante
um rei destronado
entronizado apenas pelo amor
A mulher jaz do meu lado
é quase de manhã
e a nossa distância cislunar
no que pese ser feliz
ainda sinto seu cheiro quente
seu repouso incólume
depois da entrega dos corpos
sem condenação inquisitorial
sem gravidez rejeitada
sem perseguição de sicários
dorme sem saber Heloisa
sem a despedida de Tzvetaeva
pelos vitrais dos sonhos
no prima de turmalina
a deusa mulher
que jaz do meu lado
Seu corpo modelado
sua ferida santa e viva
seu jeito grácil
o milagre da prodigalidade
seu belo rosto
feliz semblante de Thereza
a viúva bela
mais bela sem par
seu nome endereçado
o seu condão
o seu sexo desejado
sua graça e seu feitio
A mulher jaz do meu lado
e insulto primeiro afeto
o seio embaixo da blusa
as mãos ungidas pelo prazer
a boca dos desejos que não se dizem
o corpo de tão puro recheio
– os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça
Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
pelo evasé de sua saia bandô
as coxas grossas, roliças
a anca macia
a vulva
fulvas redondas
remexe o quadril
a minha intemperança
a minha concupiscência
hei de vê-la ferver no molde exato
a dar o que me falta
coisa feita de coisas que não se dizem
seu olhar lânguido na avareza do querer
endemoninhando minha sede
bebo na sua boca a água que me sacia
e me incendeia
testemunho seu poder de seduzir
Deusa Maceió
invado sua maldita reclusa
reclusa que detona o viço
e me engalfinho em seu esconderijo
por suas peças íntimas
e intumescido e cheio me afogo
bebo o seu rio
mordo a sua carne
sou seu canibal, índia pura
seu corpo baila no meu Albertville
achega-me, sua chama me domina
a mira, o alvo, tonta e dança
mais dança meu coraçãoa dança do ventre de Sheyla Matos
quando pudesse estimar o meu extermínio
e ela vem tão indomável quanto santa a se despir
– um pênalti na pequena área do meu coração
e ela vem bulindo, dinamitando meus sonhos
a se dissolver em mim com meu dedo na boca
e despejo a minha vida
e engole o meu sêmen no centro do feitiço
viúva alada, dorso febril
e a febre ae a cintura
roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
na sua nudez Carolina Ferraz
na penumbra andente do seu ser
o seu gemido me extasia no movimento sensual
de Margret, de Durga, de Rachel
das tres uma de cabelos lisos
em seu tamanho menor da geografia colada no vestido curto
no Delicate Sounds of Thunder
faz valer minha fantasia e desmaia
oh! coreografia do prazer
bundinha vai-e-vem, viúva bela
minha tenda de Maria Brown
me enlaça e me diz que sou a camisa dez do seu coração
me espera que contarei das aventuras ao me reabilitarem entre os vivos
e reinarei sobre sua volúpia
e derramarei meu esperma
e saltarei fundo na paixão
vou dormir nos seus olhos com toda a minha agonia
de ilha encantada e cantarei a linda canção de J.Alfredo Pruckfork
e será lindo acordar com você do lado
A mulher jaz ao meu lado
depois de um xeque mate no xadrex de Middleton
sua meiguice sem pudor
no dever de sermos o protótipo dos deuses
me acuda, são juras sinceras de um porta vário e um verso lascivo
amar não faz mal a ninguém
e ensaio versos pros seus olhos
faço cantigas pro seu jeito, raínha minha, raínha nua
sequer suspeita que eu já morria enrubescido e despudorado
com a cara e a coragem peculiares aos enamorados
cadê você? Pedi tanto prá São Lunguinho lhe encontrar
logo jamais deixarei partir
amando com voragem até saber o feitiço do cogumelo de Alice
que me rasga e me cura
e com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
espero ver-lhe o talhe, a alma
anestesiado na moita
repousando às suas coxas
na noite roxa, olhos revirando
no gemido de estar gozando o prazer extremo
o átimo, o ápice da minha jugular aberta
minha aorta infecta de ser feliz deste lado
e do seu lado, viúva, para a mulher que jaz agora aqui comigo.
e de mãos dadas
somos finalmente felizes
felizes além da vida
a vida pelo amor
a nossa consaguinidade
sob a aureola da paixão
a pérola dela
que mastiga meus pensamentos
e me atrevo chegar ao seu trono
súdito sem cetro do seu querer
inculto fiel da imagem dela
a quem seria dado
a permissão de lhe desposar
que plebeu afortunado
alcançaria sua majestade
e renunciando o reinado
seria apenas seu amante
um rei destronado
entronizado apenas pelo amor
A mulher jaz do meu lado
é quase de manhã
e a nossa distância cislunar
no que pese ser feliz
ainda sinto seu cheiro quente
seu repouso incólume
depois da entrega dos corpos
sem condenação inquisitorial
sem gravidez rejeitada
sem perseguição de sicários
dorme sem saber Heloisa
sem a despedida de Tzvetaeva
pelos vitrais dos sonhos
no prima de turmalina
a deusa mulher
que jaz do meu lado
Seu corpo modelado
sua ferida santa e viva
seu jeito grácil
o milagre da prodigalidade
seu belo rosto
feliz semblante de Thereza
a viúva bela
mais bela sem par
seu nome endereçado
o seu condão
o seu sexo desejado
sua graça e seu feitio
A mulher jaz do meu lado
e insulto primeiro afeto
o seio embaixo da blusa
as mãos ungidas pelo prazer
a boca dos desejos que não se dizem
o corpo de tão puro recheio
– os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça
Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
pelo evasé de sua saia bandô
as coxas grossas, roliças
a anca macia
a vulva
fulvas redondas
remexe o quadril
a minha intemperança
a minha concupiscência
hei de vê-la ferver no molde exato
a dar o que me falta
coisa feita de coisas que não se dizem
seu olhar lânguido na avareza do querer
endemoninhando minha sede
bebo na sua boca a água que me sacia
e me incendeia
testemunho seu poder de seduzir
Deusa Maceió
invado sua maldita reclusa
reclusa que detona o viço
e me engalfinho em seu esconderijo
por suas peças íntimas
e intumescido e cheio me afogo
bebo o seu rio
mordo a sua carne
sou seu canibal, índia pura
seu corpo baila no meu Albertville
achega-me, sua chama me domina
a mira, o alvo, tonta e dança
mais dança meu coraçãoa dança do ventre de Sheyla Matos
quando pudesse estimar o meu extermínio
e ela vem tão indomável quanto santa a se despir
– um pênalti na pequena área do meu coração
e ela vem bulindo, dinamitando meus sonhos
a se dissolver em mim com meu dedo na boca
e despejo a minha vida
e engole o meu sêmen no centro do feitiço
viúva alada, dorso febril
e a febre ae a cintura
roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
na sua nudez Carolina Ferraz
na penumbra andente do seu ser
o seu gemido me extasia no movimento sensual
de Margret, de Durga, de Rachel
das tres uma de cabelos lisos
em seu tamanho menor da geografia colada no vestido curto
no Delicate Sounds of Thunder
faz valer minha fantasia e desmaia
oh! coreografia do prazer
bundinha vai-e-vem, viúva bela
minha tenda de Maria Brown
me enlaça e me diz que sou a camisa dez do seu coração
me espera que contarei das aventuras ao me reabilitarem entre os vivos
e reinarei sobre sua volúpia
e derramarei meu esperma
e saltarei fundo na paixão
vou dormir nos seus olhos com toda a minha agonia
de ilha encantada e cantarei a linda canção de J.Alfredo Pruckfork
e será lindo acordar com você do lado
A mulher jaz ao meu lado
depois de um xeque mate no xadrex de Middleton
sua meiguice sem pudor
no dever de sermos o protótipo dos deuses
me acuda, são juras sinceras de um porta vário e um verso lascivo
amar não faz mal a ninguém
e ensaio versos pros seus olhos
faço cantigas pro seu jeito, raínha minha, raínha nua
sequer suspeita que eu já morria enrubescido e despudorado
com a cara e a coragem peculiares aos enamorados
cadê você? Pedi tanto prá São Lunguinho lhe encontrar
logo jamais deixarei partir
amando com voragem até saber o feitiço do cogumelo de Alice
que me rasga e me cura
e com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
espero ver-lhe o talhe, a alma
anestesiado na moita
repousando às suas coxas
na noite roxa, olhos revirando
no gemido de estar gozando o prazer extremo
o átimo, o ápice da minha jugular aberta
minha aorta infecta de ser feliz deste lado
e do seu lado, viúva, para a mulher que jaz agora aqui comigo.
1 113
Mariana Ferreira
Sonho e poesia
Te vendo ali deitado
tão calmo e sereno
tive vontade de deitar
ao teu lado...
Como sentindo o meu olhar
distante, observando teu
corpo nu, sorriu suavemente
abrindo os olhos a me fitar...
Como num sonho suave de
amor fui andando lentamente
em tua direção fitando teus
olhos a me esperar...
Te vendo ali deitado tão
perto e tão longe...tive
vontade de jogar-me
nos teus braços...
Como que sentindo o
meu desejo saltitante
e me sentindo tão sua,
foi calmamente me abrindo teus
braços...
Como num sonho suave
de amor, fui me entregando aos
desejos nos teus olhos,
fui me deixando abraçar
pelo teu corpo...
E ali deitada em teus
braços fui sentindo o
calor dos teus lábios,
a doçura das tuas mãos,
a firmeza do teu corpo...
E ali deitada ardendo em
desejos, te amo calma e feroz,
tomando o teu corpo no meu,
sentindo teu coração disparar
querendo-me tua...
E ali deitada confundindo
nossos corpos, te sinto por
inteiro, sem medo e sem pudor
te aconchego suavemente e em
movimentos lentos e ritmados
te levo a loucura e me deixo levar...
E ali deitada entre beijos
e sorrisos, entre desejos e carinhos,
sou tua... e sentindo meu corpo
desfalecer, me inunda de vida e amor...
Me faz sorrir e até chorar,
me faz amar!
tão calmo e sereno
tive vontade de deitar
ao teu lado...
Como sentindo o meu olhar
distante, observando teu
corpo nu, sorriu suavemente
abrindo os olhos a me fitar...
Como num sonho suave de
amor fui andando lentamente
em tua direção fitando teus
olhos a me esperar...
Te vendo ali deitado tão
perto e tão longe...tive
vontade de jogar-me
nos teus braços...
Como que sentindo o
meu desejo saltitante
e me sentindo tão sua,
foi calmamente me abrindo teus
braços...
Como num sonho suave
de amor, fui me entregando aos
desejos nos teus olhos,
fui me deixando abraçar
pelo teu corpo...
E ali deitada em teus
braços fui sentindo o
calor dos teus lábios,
a doçura das tuas mãos,
a firmeza do teu corpo...
E ali deitada ardendo em
desejos, te amo calma e feroz,
tomando o teu corpo no meu,
sentindo teu coração disparar
querendo-me tua...
E ali deitada confundindo
nossos corpos, te sinto por
inteiro, sem medo e sem pudor
te aconchego suavemente e em
movimentos lentos e ritmados
te levo a loucura e me deixo levar...
E ali deitada entre beijos
e sorrisos, entre desejos e carinhos,
sou tua... e sentindo meu corpo
desfalecer, me inunda de vida e amor...
Me faz sorrir e até chorar,
me faz amar!
1 155
Cláudio de F. Barbosa
Sedução
Para Sandra P.
Rubras faces
Rubros lábios
molhados
Caio de joelhos
cai a fina camisola perfumada
Inebriante
mais que o melhor néctar
e sem mais...
Te seduzo!
Abuso,
Lambuzo tudo
com meu arfar molhado
com leite e mel romano
com palavras e defeitos.
Mundano,
Humano...
Te seduzo!
Com carinho.
Delicada porcelana.
te envolvo e te engano.
Há malícia no ar.
A vontade inundando tudo
a nós...
mas ainda não!
Te seduzo!
Seus olhos já não estão em mim.
Estão fechados, advinhando
meus toques.
Suas mãos suadas
Me conduzindo...
... aprendo seu corpo.
Te seduzo!
Cada pêlo
cada poro,
cada milímetro quadrado
dessa tez morena
implorará por mim
E de repente afundo
Reparo, então
que no fim do fundo
não mais seduzo...
Seduzido me confundo,
com você.
Rubras faces
Rubros lábios
molhados
Caio de joelhos
cai a fina camisola perfumada
Inebriante
mais que o melhor néctar
e sem mais...
Te seduzo!
Abuso,
Lambuzo tudo
com meu arfar molhado
com leite e mel romano
com palavras e defeitos.
Mundano,
Humano...
Te seduzo!
Com carinho.
Delicada porcelana.
te envolvo e te engano.
Há malícia no ar.
A vontade inundando tudo
a nós...
mas ainda não!
Te seduzo!
Seus olhos já não estão em mim.
Estão fechados, advinhando
meus toques.
Suas mãos suadas
Me conduzindo...
... aprendo seu corpo.
Te seduzo!
Cada pêlo
cada poro,
cada milímetro quadrado
dessa tez morena
implorará por mim
E de repente afundo
Reparo, então
que no fim do fundo
não mais seduzo...
Seduzido me confundo,
com você.
905
Patrícia Clemente
Devoção
Molhados um do outro nossos corpos são,
Cansada, nos teus braços, queres me fazer dormir.
Não quero.
Não quero que se esfrie o meu suor no teu.
Não quero que se perca o teu cheiro em mim.
Entende, meu Senhor, eu não sou nada.
Mesmo que o queiras, nunca igual a ti.
Eu limpo em minhas roupas o suor do teu corpo,
Cuidadosa, seco o que deixei em ti,
Parte a parte tiro-te o suor do corpo,
Meu vestido enxuga o dorso, teus cabelos,
Tuas coxas, tuas pernas, teus quadris.
A calcinha limpa o teu sexo.
Depois me visto.
Com tua permissão me retiro
Levando teu cheiro em mim.
Cansada, nos teus braços, queres me fazer dormir.
Não quero.
Não quero que se esfrie o meu suor no teu.
Não quero que se perca o teu cheiro em mim.
Entende, meu Senhor, eu não sou nada.
Mesmo que o queiras, nunca igual a ti.
Eu limpo em minhas roupas o suor do teu corpo,
Cuidadosa, seco o que deixei em ti,
Parte a parte tiro-te o suor do corpo,
Meu vestido enxuga o dorso, teus cabelos,
Tuas coxas, tuas pernas, teus quadris.
A calcinha limpa o teu sexo.
Depois me visto.
Com tua permissão me retiro
Levando teu cheiro em mim.
1 005
Ricardo Kelmer
Remanso
Espreguiçar meus olhos lentos
Pelo teu jeito manso
E se deixar assim sossegando de repente
Sem ranço a gente se chegando
Feito gato dengoso nas pernas da gente
Bocejar meus olhos sonolentos
Pelo teu corpo manso
E adormecer de descanso o meu corpo dormente
Feito remanso na gente se aninhando
Feito gato dengoso no teu colo quente
Pelo teu jeito manso
E se deixar assim sossegando de repente
Sem ranço a gente se chegando
Feito gato dengoso nas pernas da gente
Bocejar meus olhos sonolentos
Pelo teu corpo manso
E adormecer de descanso o meu corpo dormente
Feito remanso na gente se aninhando
Feito gato dengoso no teu colo quente
935
Eliana Mora
Prece
Preciso do veludo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia do
teu cheiro
da embriaguez
que vem da
tua boca
Preciso te tocar
preciso voltar
a ouvir
o som
do teu corpo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia do
teu cheiro
da embriaguez
que vem da
tua boca
Preciso te tocar
preciso voltar
a ouvir
o som
do teu corpo
885
Pedro Miranda
Paraíso
(Dedicado a minha mulher, Inês)
Como é lindo o Paraíso
melhor apreciado
de olhos fechados
cheira a flor
sabor de néctar
brisa quente corpo ardente
parece que vôo
parece que sonho.
Sossegai minha doce Inês
este lindo Paraíso não é a morte que me trás
sou eu a lamber-te por trás.
Como é lindo o Paraíso
melhor apreciado
de olhos fechados
cheira a flor
sabor de néctar
brisa quente corpo ardente
parece que vôo
parece que sonho.
Sossegai minha doce Inês
este lindo Paraíso não é a morte que me trás
sou eu a lamber-te por trás.
1 079
Maurício de Lima
Perfume de mulher
Olho para ti com receio
De que saibas que sinto,
Que penso,
Que minto
Para esconder minha vontade...
Procuro um espelho
Para fugir,
Sem lutar,
Sem fingir que estou ausente
Dessa fria realidade...
Não posso dizer que te amo
Estaria mentindo de novo ao dizer
Tenho ódio do carinho com que me tratas
Por fazer-me sentir culpado a cada instante
Por desejar teu corpo,
Por sentir o cheiro do teu sexo
À noite,
Na cama,
No papel higiênico roubado
Com que enxugaste a buceta no banheiro do escritório...
De que saibas que sinto,
Que penso,
Que minto
Para esconder minha vontade...
Procuro um espelho
Para fugir,
Sem lutar,
Sem fingir que estou ausente
Dessa fria realidade...
Não posso dizer que te amo
Estaria mentindo de novo ao dizer
Tenho ódio do carinho com que me tratas
Por fazer-me sentir culpado a cada instante
Por desejar teu corpo,
Por sentir o cheiro do teu sexo
À noite,
Na cama,
No papel higiênico roubado
Com que enxugaste a buceta no banheiro do escritório...
989
Newton de Lucca
No rimar da sedução
Os meus medos –
perdidos nas delícias
de tua fruta
Os meus dedos –
nas carícias envolvendo
teus receios
Meu desejo firme
como rocha
no pleonasmo sem fim
de tua gruta
E ainda por cima
de sobra a minha língua
depositada sempre nas últimas sílabas
de teus anseios...
perdidos nas delícias
de tua fruta
Os meus dedos –
nas carícias envolvendo
teus receios
Meu desejo firme
como rocha
no pleonasmo sem fim
de tua gruta
E ainda por cima
de sobra a minha língua
depositada sempre nas últimas sílabas
de teus anseios...
1 212
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Surrealista
cabelos escorridos
caprichar nos bicos
seios rijos
rechear as coxas
apetrechos
nos pêlos negros
encaracolar
desejos
escorrer uma fina
depressão
uma dala erótica
um rego
palavras
lavras e cheiros
de fêmea-faminta
lambuzada de um mel
selvagem
da abelha mais nobre
a queimar a língua
a criar um delírio-macho
caldo provado
tornar chamas caladas
derreter
em cinzas
sermos sulco-sumo
uno
fêmea-macho
sem artimanhas
procriadores de efêmeros
nadas
abraçados no pescoço
surrealista de minha poesia
caprichar nos bicos
seios rijos
rechear as coxas
apetrechos
nos pêlos negros
encaracolar
desejos
escorrer uma fina
depressão
uma dala erótica
um rego
palavras
lavras e cheiros
de fêmea-faminta
lambuzada de um mel
selvagem
da abelha mais nobre
a queimar a língua
a criar um delírio-macho
caldo provado
tornar chamas caladas
derreter
em cinzas
sermos sulco-sumo
uno
fêmea-macho
sem artimanhas
procriadores de efêmeros
nadas
abraçados no pescoço
surrealista de minha poesia
952
Stela Fonseca
Deleite
Doce homem
meu amado
meu amor.
Que êxtase
ver seus olhos
se abrirem em
raios de luz
seu corpo
desmanchar-se
em iluminado prazer
e seu sexo alçar vôo
nas vezes em que
minha boca viaja
na sua anatomia.
meu amado
meu amor.
Que êxtase
ver seus olhos
se abrirem em
raios de luz
seu corpo
desmanchar-se
em iluminado prazer
e seu sexo alçar vôo
nas vezes em que
minha boca viaja
na sua anatomia.
1 067
Douglas Mondo
Soneto do ladrão amado
Arrombo a janela do teu quarto
conheço teus segredos de mulher
sei dos teus gemidos ansioso aguardo
bebo da tua voz que me pede e quer
Sussurro palavras onduladas de amor
com salivas suadas levadas pra beber
sinto o perfume e a flagrância da flor
me aninho no teu ninho sou teu bem-querer
Entro volto penetro sou homem maduro
tenho mãos de poeta de dia sou poesia
de noite profano tua alma e te engulo
Amo só na mão com teu corpo não
tua voz ouço não te vejo e alcanço
estou louco não contigo sou santo
conheço teus segredos de mulher
sei dos teus gemidos ansioso aguardo
bebo da tua voz que me pede e quer
Sussurro palavras onduladas de amor
com salivas suadas levadas pra beber
sinto o perfume e a flagrância da flor
me aninho no teu ninho sou teu bem-querer
Entro volto penetro sou homem maduro
tenho mãos de poeta de dia sou poesia
de noite profano tua alma e te engulo
Amo só na mão com teu corpo não
tua voz ouço não te vejo e alcanço
estou louco não contigo sou santo
978