Poemas neste tema
Alma
Lúcia Nobre
Da arte da trepada
ou
Do bem fazer na cama
Bom trepador
não é naïf
pau em riste
Bom trepador
pau alado
namorado
Bom trepador
mil bocas e mão
Sherazade do tesão
Bom trepador
uiva sussur
ra urra
Bom trepador
não come
degusta
Bom trepador
não chupa
sorve
Bom trepador
beija beija
beija-flor
Bom trepador
seus três sexos
num amplexo
Bom trepador
lamour toujours
uma trepada
Bom trepador
se trepa
flecha
Bom trepador
na árvore
floresce
Bom trepador
desfruta
desfrutado
Bom trepador
macho, gay ou bi
um colibri
Bom trepador
nem bom nem trepa
é poeta
Do bem fazer na cama
Bom trepador
não é naïf
pau em riste
Bom trepador
pau alado
namorado
Bom trepador
mil bocas e mão
Sherazade do tesão
Bom trepador
uiva sussur
ra urra
Bom trepador
não come
degusta
Bom trepador
não chupa
sorve
Bom trepador
beija beija
beija-flor
Bom trepador
seus três sexos
num amplexo
Bom trepador
lamour toujours
uma trepada
Bom trepador
se trepa
flecha
Bom trepador
na árvore
floresce
Bom trepador
desfruta
desfrutado
Bom trepador
macho, gay ou bi
um colibri
Bom trepador
nem bom nem trepa
é poeta
1 289
Liz Christine
Madrugada
Comer de madrugada
é um ato sublime!
E clandestino.
Como um machão lendo gibi do Cascão
Solitário como masturbação
Nós e estômago
Nós, uma mão
Comer de madrugada
Cair de boca
em comida gelada
À procura de leite condensado
Capuccino com chantilly misturado
Biscoito de morango recheado
Doce-de-leite saboreado
Humm!...
isto dá... tesão...
e nada mais Madrugada
sensação apaixonada
Que a paixão!
é um ato sublime!
E clandestino.
Como um machão lendo gibi do Cascão
Solitário como masturbação
Nós e estômago
Nós, uma mão
Comer de madrugada
Cair de boca
em comida gelada
À procura de leite condensado
Capuccino com chantilly misturado
Biscoito de morango recheado
Doce-de-leite saboreado
Humm!...
isto dá... tesão...
e nada mais Madrugada
sensação apaixonada
Que a paixão!
847
Giovanna Santos
Madrugada
Era madrugada,
quando ainda dormia...
Era madrugada,
quando sonhei com você...
Era madrugada,
quando acordei nos teus braços,
Era madrugada
quando senti o calor do teu corpo...
Era madrugada,
quando parecia que o dia não ia chegar.
Era madrugada,
quando conheci mais uma página da Vida.
Era madrugada,
quando descobri que a Vida
é boa de viver,
enquanto existir você.
quando ainda dormia...
Era madrugada,
quando sonhei com você...
Era madrugada,
quando acordei nos teus braços,
Era madrugada
quando senti o calor do teu corpo...
Era madrugada,
quando parecia que o dia não ia chegar.
Era madrugada,
quando conheci mais uma página da Vida.
Era madrugada,
quando descobri que a Vida
é boa de viver,
enquanto existir você.
828
Léa Waider
Meu corpo teu ninho
A simples lembrança dos teus dedos na minha nuca me arrepiam
Teu cheiro me habita a alma e meu peito, arfante, te recebe.
Me abraça, vem dormir comigo
Me ajuda a apagar do peito aquela dor do querer.
A noite se instala em mim.
Lá fora, apenas o silêncio da noite do teu olhar.
Vem.
Ocupa com teu corpo esse abrigo que te chama.
Volta a ser minha morada, teu abrigo
Faz de mim tua caverna, teu porto seguro.
Faz do meu corpo teu ninho.
Atordoada pelas saudades crescentes,
meu corpo todo se ouriça à tua procura.
Teu cheiro me habita a alma e meu peito, arfante, te recebe.
Me abraça, vem dormir comigo
Me ajuda a apagar do peito aquela dor do querer.
A noite se instala em mim.
Lá fora, apenas o silêncio da noite do teu olhar.
Vem.
Ocupa com teu corpo esse abrigo que te chama.
Volta a ser minha morada, teu abrigo
Faz de mim tua caverna, teu porto seguro.
Faz do meu corpo teu ninho.
Atordoada pelas saudades crescentes,
meu corpo todo se ouriça à tua procura.
1 101
Léa Waider
Quero lhe beijar a boca
Quero lhe beijar a boca
morder seus lábios
e brincar sua língua na minha.
Quero lhe beijar a nuca
lhe arrepiar inteiro
encostar meu peito no seu
até os corações se compassarem
as mãos entrelaçadas suarem.
Quero um abraço eterno
de guardar seu cheiro na minha pele.
Quero me queimar no seu fogo
e guardar pra sempre a cicatriz escarlate
desse nosso encontro.
morder seus lábios
e brincar sua língua na minha.
Quero lhe beijar a nuca
lhe arrepiar inteiro
encostar meu peito no seu
até os corações se compassarem
as mãos entrelaçadas suarem.
Quero um abraço eterno
de guardar seu cheiro na minha pele.
Quero me queimar no seu fogo
e guardar pra sempre a cicatriz escarlate
desse nosso encontro.
1 670
Calex Fagundes
Minha mulher
A minha mulher
tem mistério insondável,
recato impenetrável
aos olhos voyeurs.
A minha mulher,
tem uma nudez invisível
e um olhar transparente
só para o que quer.
A minha mulher
tem o encanto das fadas
e a magia das bruxas
quando estamos em nós.
Ela sabe fazer-se inteira
nunca está em pedaços
sabe todas perícias
atar e soltar nossos nós.
Nela, o meu corpo presente
é mais do que tudo,
do eterno, um estudo,
quando estamos a sós.
Ela tem a magia dos celtas,
obtém a têmpera correta,
de traz-nos o instante
de toda eternidade.
Ela tem o erotismo dos anjos
o silêncio dos sábios
ao dizer o que é
ser a minha mulher.
tem mistério insondável,
recato impenetrável
aos olhos voyeurs.
A minha mulher,
tem uma nudez invisível
e um olhar transparente
só para o que quer.
A minha mulher
tem o encanto das fadas
e a magia das bruxas
quando estamos em nós.
Ela sabe fazer-se inteira
nunca está em pedaços
sabe todas perícias
atar e soltar nossos nós.
Nela, o meu corpo presente
é mais do que tudo,
do eterno, um estudo,
quando estamos a sós.
Ela tem a magia dos celtas,
obtém a têmpera correta,
de traz-nos o instante
de toda eternidade.
Ela tem o erotismo dos anjos
o silêncio dos sábios
ao dizer o que é
ser a minha mulher.
1 314
Ana C. Pozza
À imensidão azul
Num instante,
Como num passe de mágica,
Estamos frente à imensidão azul do mar,
Andando juntos,
De mãos atadas,
Com intervalos de beijos selados,
Nos lábios e no coração...!
Como na magia de um belo sonho,
Torno-me inteira como tu és
E ainda continuo sendo eu
Oferecendo-lhe o meu coração...
Tu confundes o teu corpo com o meu
Num entrelace de vida e de paixão...!
Há o mar,
a areia,
os morros,
o sol...
E há
nós
dois.
Cerramos os olhos
E a chuva cai...
Pingos incessantes que nos fazem
Ser Água,
ser Desejo,
ser Amor...
Nos amamos com sofreguidão
E somos um só
Na alma,
no corpo,
no coração...
Quando eu me perco
Me encontro no teu olhar
Para logo me perder no teu tocar...!
Olhos nos olhos,
Boca com boca,
Pele com pele
Corpo no corpo!
A água do mar,
Os pingos dançando
E nós dois apaixonados a nos amar...!
Como num passe de mágica,
Estamos frente à imensidão azul do mar,
Andando juntos,
De mãos atadas,
Com intervalos de beijos selados,
Nos lábios e no coração...!
Como na magia de um belo sonho,
Torno-me inteira como tu és
E ainda continuo sendo eu
Oferecendo-lhe o meu coração...
Tu confundes o teu corpo com o meu
Num entrelace de vida e de paixão...!
Há o mar,
a areia,
os morros,
o sol...
E há
nós
dois.
Cerramos os olhos
E a chuva cai...
Pingos incessantes que nos fazem
Ser Água,
ser Desejo,
ser Amor...
Nos amamos com sofreguidão
E somos um só
Na alma,
no corpo,
no coração...
Quando eu me perco
Me encontro no teu olhar
Para logo me perder no teu tocar...!
Olhos nos olhos,
Boca com boca,
Pele com pele
Corpo no corpo!
A água do mar,
Os pingos dançando
E nós dois apaixonados a nos amar...!
1 298
Gilka Machado
Saudades
De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?
De quem é esta saudade,
de quem?
Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo...
E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...
De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?
De quem é esta saudade,
de quem?
Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo...
E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...
De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?
2 780
Naâmir
Paixão
Será, mago, que esquizóides se apaixonam?
Paixão é peregrinação
de pés descalços
em meio ao baile da superfície
É carregar uma cruz de odores e vácuos
por entre uma platéia barulhenta
para depositar aos pés
do ser desejado.
Esquizóides são eremitas do subterrâneo,
e tu estás em meio a uma orgia de palpáveis cheiros,
existires que se roçam,
e se umedecem,
e se mordem.
Esquizóides não suportam os grupos
de humana carne pensante.
estás confortável nas coisas e nos entes,
mandando que se curvem
ao teu egocentrismo bizarro
e és obedecido fielmente (?).
Esquizóides não suportam taras alheias
só há a própria loucura
a neurose do outro não comove.
Esquizóides têm covas
têm teias
suspiram hipnose.
Nunca vão à caça.
Apenas esperam.
Famintos,
sedentos,
inanes.
Com garras pontiagudas,
veneno em riste,
dentes rebrilhando na escuridão:
O esfacelamento dos curiosos é óbvio.
Não se iluda, mago, nem tema.
Enquanto estiveres na luz do mundo
Nenhum esquizóide te perseguirá para refeição.
Estás protegido pela realidade
que destrói esquizóides.
Ah... !
Mas deixaste cair uma migalha de ti num tango
no qual eu navegava
guiada por tua voz...
Não sabes o que esquizóides podem fazer com restos...
Nem te atrevas a prever
toda a poesia que vou criar
com tua lembrança.
Paixão é peregrinação
de pés descalços
em meio ao baile da superfície
É carregar uma cruz de odores e vácuos
por entre uma platéia barulhenta
para depositar aos pés
do ser desejado.
Esquizóides são eremitas do subterrâneo,
e tu estás em meio a uma orgia de palpáveis cheiros,
existires que se roçam,
e se umedecem,
e se mordem.
Esquizóides não suportam os grupos
de humana carne pensante.
estás confortável nas coisas e nos entes,
mandando que se curvem
ao teu egocentrismo bizarro
e és obedecido fielmente (?).
Esquizóides não suportam taras alheias
só há a própria loucura
a neurose do outro não comove.
Esquizóides têm covas
têm teias
suspiram hipnose.
Nunca vão à caça.
Apenas esperam.
Famintos,
sedentos,
inanes.
Com garras pontiagudas,
veneno em riste,
dentes rebrilhando na escuridão:
O esfacelamento dos curiosos é óbvio.
Não se iluda, mago, nem tema.
Enquanto estiveres na luz do mundo
Nenhum esquizóide te perseguirá para refeição.
Estás protegido pela realidade
que destrói esquizóides.
Ah... !
Mas deixaste cair uma migalha de ti num tango
no qual eu navegava
guiada por tua voz...
Não sabes o que esquizóides podem fazer com restos...
Nem te atrevas a prever
toda a poesia que vou criar
com tua lembrança.
445
Carlos Seabra
Teu fruto
Chupo
teu fruto
na moita
que o vento
açoita
com boca
afoita
que grita
como louca
que goza
como vento
e geme
como mulher
teu fruto
na moita
que o vento
açoita
com boca
afoita
que grita
como louca
que goza
como vento
e geme
como mulher
1 159
Nálu Nogueira
Espera
1.
A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. Lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.
O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.
2.
Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.
(O desejo a consome, o contato
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)
Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet
3.
(sôfregos, lindos, dançando
lentos, girando,
bocas, línguas, mãos, suores,
girando
o corpo dela em movimentos
sensuais de amores
ele dentro dela, delírios,
para sempre dentro dela
a alma o corpo, o amor o olhar
lindo que ela inventou
paixão, ternura, naqueles olhos tudo
o corpo dele sobre o dela
o seu beijo
a língua
a pele
as mãos)
imagens que ela inventa
antes de adormecer.
A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. Lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.
O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.
2.
Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.
(O desejo a consome, o contato
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)
Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet
3.
(sôfregos, lindos, dançando
lentos, girando,
bocas, línguas, mãos, suores,
girando
o corpo dela em movimentos
sensuais de amores
ele dentro dela, delírios,
para sempre dentro dela
a alma o corpo, o amor o olhar
lindo que ela inventou
paixão, ternura, naqueles olhos tudo
o corpo dele sobre o dela
o seu beijo
a língua
a pele
as mãos)
imagens que ela inventa
antes de adormecer.
1 106
Anibal Beça
A genealogia do amor
E assim se fez verbo
o dom da palavra
para repartir-se
porque ele era só.
Da vértebra curva
veio para ouvir
aquela que se houve
para ser ouvida
na aventura a dois:
chamada Mulher
a chamado do Homem.
O primeiro grito
– parto da palavra –
se faz em sussurro
macio de gozo
veludo de ventos.
o dom da palavra
para repartir-se
porque ele era só.
Da vértebra curva
veio para ouvir
aquela que se houve
para ser ouvida
na aventura a dois:
chamada Mulher
a chamado do Homem.
O primeiro grito
– parto da palavra –
se faz em sussurro
macio de gozo
veludo de ventos.
1 174
Helga Holtz
Partida
Em torno de ti tudo o que é ser
balança incansável a cauda...
Eu desaponto teu fiel séquito
com a desobediência civil
da minha atormentada alma.
Incontáveis lendas legendam
teu porte, tua alvíssima pele.
A mim, consideram partida...
Mas do teu pau, tantas asas,
quantos castelos construíram?
Eu desmonto teu exército
de bacantes, ovelhas rivais...
Exibo, impassível, a todas,
as feridas abertas, latejantes
da tua morada em meus canais.
balança incansável a cauda...
Eu desaponto teu fiel séquito
com a desobediência civil
da minha atormentada alma.
Incontáveis lendas legendam
teu porte, tua alvíssima pele.
A mim, consideram partida...
Mas do teu pau, tantas asas,
quantos castelos construíram?
Eu desmonto teu exército
de bacantes, ovelhas rivais...
Exibo, impassível, a todas,
as feridas abertas, latejantes
da tua morada em meus canais.
938
Helga Holtz
Já espero
Certo livro de Jaspers despenca da estante fria,
acerta o ventre do meu corpo ao chão morno...
Há chamas em minhas mucosas; nos seios, fogo.
Incendeiam-me as inspirações transcendentais
Salvem, atirem as concepções do mundo à pia!
Traga-me, bombeiro, o além do mito/ideologia;
Apague toda dor, agonia e mea culpa depois...
Atire água na morte, o avesso atalho da fantasia.
Faça-me prenha com uma genital Philosophie,
transparentemente. À luz: Karlquer um, nós Dois.
acerta o ventre do meu corpo ao chão morno...
Há chamas em minhas mucosas; nos seios, fogo.
Incendeiam-me as inspirações transcendentais
Salvem, atirem as concepções do mundo à pia!
Traga-me, bombeiro, o além do mito/ideologia;
Apague toda dor, agonia e mea culpa depois...
Atire água na morte, o avesso atalho da fantasia.
Faça-me prenha com uma genital Philosophie,
transparentemente. À luz: Karlquer um, nós Dois.
864
Lui Bucallon
Teu corpo solto
Teu corpo solto
Abandonado ao êxtase de estar
Tuas curvas
Tortuosas
Delirantes
São varridas pelo tecido
Que te envolve a pele
Que desliza em cantiga
Acalanto
Tua carne desnuda
Túrgida
Alva
Trêmula
Palpitar de fruta fresca
Teus olhos; iluminam o quarto
Tua boca tece o silêncio
Teus ouvidos segredam notas
Teus seios macios
Salientes
Calientes
Doces
Que minhas mãos envolvem
A descobrirem
Os róseos medalhões
Que tocam o céu
O céu de minha boca
Faminta
Sedenta
Tuas pernas
Colunas
Arco de flores
Roliças
Se abrem
Feito portais de mistérios
Intemporais
Leutos
Descerram
Imbecilizado vislumbro
Tua corbelha de flores
Flor de lótus
Pérola oculta
Tua Rosa que desabrocha
Tua flor que aflora
Beijo teus vermelhos lábios
Longamente
Vasculho essa mística boca
Entre doces pétalas
Dela
Extraio o néctar
Polinizo assim minha garganta
Mas o desejo
De cobri-la
De conquistá-la
Feito guerreiro
Só e derradeiro...
Numa fusão de corpos
de suor
de carne
de calor
Meu velo de couro
Devagar
Invade tua rubra taça
Tange
dilacera
deflora tua flor que aflora
Possui tuas entranhas
latente pulsa
Impulsa
Entre sussurros desconexos
E imagens a fins
Derramo o leite dos Deuses
E transbordo
Teu cálice de Amor.
Abandonado ao êxtase de estar
Tuas curvas
Tortuosas
Delirantes
São varridas pelo tecido
Que te envolve a pele
Que desliza em cantiga
Acalanto
Tua carne desnuda
Túrgida
Alva
Trêmula
Palpitar de fruta fresca
Teus olhos; iluminam o quarto
Tua boca tece o silêncio
Teus ouvidos segredam notas
Teus seios macios
Salientes
Calientes
Doces
Que minhas mãos envolvem
A descobrirem
Os róseos medalhões
Que tocam o céu
O céu de minha boca
Faminta
Sedenta
Tuas pernas
Colunas
Arco de flores
Roliças
Se abrem
Feito portais de mistérios
Intemporais
Leutos
Descerram
Imbecilizado vislumbro
Tua corbelha de flores
Flor de lótus
Pérola oculta
Tua Rosa que desabrocha
Tua flor que aflora
Beijo teus vermelhos lábios
Longamente
Vasculho essa mística boca
Entre doces pétalas
Dela
Extraio o néctar
Polinizo assim minha garganta
Mas o desejo
De cobri-la
De conquistá-la
Feito guerreiro
Só e derradeiro...
Numa fusão de corpos
de suor
de carne
de calor
Meu velo de couro
Devagar
Invade tua rubra taça
Tange
dilacera
deflora tua flor que aflora
Possui tuas entranhas
latente pulsa
Impulsa
Entre sussurros desconexos
E imagens a fins
Derramo o leite dos Deuses
E transbordo
Teu cálice de Amor.
1 243
Helga Holtz
Ausente
Ele dorme ausente dos meus olhos abertos,
guarda para si paisagens que desejo sonhar.
Sob pálpebras alvas de tecido sonolento
percebo o claro volume genital do seu olhar.
Desejo amparo de algum sono, quero fugir
do olho molhado, vermelho, recém-acordado,
intumescido de sono e que me espia chorar.
guarda para si paisagens que desejo sonhar.
Sob pálpebras alvas de tecido sonolento
percebo o claro volume genital do seu olhar.
Desejo amparo de algum sono, quero fugir
do olho molhado, vermelho, recém-acordado,
intumescido de sono e que me espia chorar.
970
Anibal Beça
Canto III
O dorso que se curva elegante
desenha na memória a leve dança
da bailarina grácil, celebrante
de rito sedutor, que me balança
toda vez que me vejo tão distante,
torcendo meus desejos na lembrança
dos momentos vividos, no constante
aprendizado vasto da mudança.
Posto que a vida corre em curtas curvas,
transitória paisagem, vário atalho
que vai modificando linhas turvas.
Mutante claridade me agasalha:
no casulo do gozo de sussurros
sei-me bicho saído dessa malha.
desenha na memória a leve dança
da bailarina grácil, celebrante
de rito sedutor, que me balança
toda vez que me vejo tão distante,
torcendo meus desejos na lembrança
dos momentos vividos, no constante
aprendizado vasto da mudança.
Posto que a vida corre em curtas curvas,
transitória paisagem, vário atalho
que vai modificando linhas turvas.
Mutante claridade me agasalha:
no casulo do gozo de sussurros
sei-me bicho saído dessa malha.
1 040
Renata Pallottini
Cerejas, meu amor
Cerejas, meu amor,
mas no teu corpo.
Que elas te percorram
por redondas.
E rolem para onde
possa eu buscá-las
lá onde a vida começa
e onde acaba
e onde todas as fomes
se concentram
no vermelho da carne
das cerejas...
mas no teu corpo.
Que elas te percorram
por redondas.
E rolem para onde
possa eu buscá-las
lá onde a vida começa
e onde acaba
e onde todas as fomes
se concentram
no vermelho da carne
das cerejas...
2 188
Léa Waider
Gozo
Viro, reviro,
Revido.
Torço
Abraço
Atiro
Me afasto.
Grito
Afago
Aninho.
Me deito
Te agarro
Nos mordemos
Nos amamos.
Num impulso
te expulso.
Me seguras,
Penetras,
Me apertas
Te enlouqueço
Gozamos.
Eita, doidera boa!
Revido.
Torço
Abraço
Atiro
Me afasto.
Grito
Afago
Aninho.
Me deito
Te agarro
Nos mordemos
Nos amamos.
Num impulso
te expulso.
Me seguras,
Penetras,
Me apertas
Te enlouqueço
Gozamos.
Eita, doidera boa!
1 323
Anibal Beça
Canto I
Eu parto da palavra
ao parto dos amantes:
Bem assim frente a frente
se inauguram os sons
aos olhos da surpresa:
E viu para falar
ouviu para dizer
tanta beleza agora
se vai a solidão
na maciez da pele
na relva dos cabelos
na fenda diferente.
E ele a chamou mulher
e sentiu o seu cheiro
e porque era de espanto
foi deitar-se com ela
no verde da campina
descobrindo seus poros
com o tato da língua
numa conversa muda
mas cheia de arrepios
reinventando colinas
na planície da pele.
No lastro das carícias
pesa o rumor dos corpos
com seu barulho de água
no suor represado.
E a vida neste instante
não era a mesma vida:
um tempero de febre
ardia na mudança.
No repouso dos corpos
no embalo da fadiga
vinha a fala alumbrada
palpando a geografia
guiada nas carícias
de dedos alpinistas.
E eles se revezavam
no batismo do corpo
na ablução das salivas
purificando as partes
no sal de suas águas.
A lua em seu modelo
nessas quatro mudanças
serviu para dar nome
aos dois quartos crescentes
bandas de níveas nádegas
com suas duas curvas
claras e tão macias;
colinas e montanhas
desenham os dois seios
com a cor do alabastro,
e a relva dos pentelhos
- o manto da vagina -
raízes de alfazema;
a boca uma romã;
estrelas são os olhos;
os búzios são ouvidos,
e o nariz promontório;
a forma mais ereta
obelisco de rocha
forjado pelos ventos
o pênis de atalaia.
Nomes adocicados
alfenim de momentos
rebuçados na língua
e o tempo derretendo
no espaço dos sentidos
nas bocas de um só gozo.
ao parto dos amantes:
Bem assim frente a frente
se inauguram os sons
aos olhos da surpresa:
E viu para falar
ouviu para dizer
tanta beleza agora
se vai a solidão
na maciez da pele
na relva dos cabelos
na fenda diferente.
E ele a chamou mulher
e sentiu o seu cheiro
e porque era de espanto
foi deitar-se com ela
no verde da campina
descobrindo seus poros
com o tato da língua
numa conversa muda
mas cheia de arrepios
reinventando colinas
na planície da pele.
No lastro das carícias
pesa o rumor dos corpos
com seu barulho de água
no suor represado.
E a vida neste instante
não era a mesma vida:
um tempero de febre
ardia na mudança.
No repouso dos corpos
no embalo da fadiga
vinha a fala alumbrada
palpando a geografia
guiada nas carícias
de dedos alpinistas.
E eles se revezavam
no batismo do corpo
na ablução das salivas
purificando as partes
no sal de suas águas.
A lua em seu modelo
nessas quatro mudanças
serviu para dar nome
aos dois quartos crescentes
bandas de níveas nádegas
com suas duas curvas
claras e tão macias;
colinas e montanhas
desenham os dois seios
com a cor do alabastro,
e a relva dos pentelhos
- o manto da vagina -
raízes de alfazema;
a boca uma romã;
estrelas são os olhos;
os búzios são ouvidos,
e o nariz promontório;
a forma mais ereta
obelisco de rocha
forjado pelos ventos
o pênis de atalaia.
Nomes adocicados
alfenim de momentos
rebuçados na língua
e o tempo derretendo
no espaço dos sentidos
nas bocas de um só gozo.
1 033
Eliane Stoducto
Pororocas
Os prazeres do corpo
adoçam, alegram, cicatrizam.
Abaixo diques, represas!
Sinto o temporal caindo
no deserto. Secreto.
Liberando sumos. Virando Amazonas.
Abaixo a aridez!
Meus fluidos correm livres outra vez!
Quero foz, quero delta, quero muitas pororocas!
Quero muito! Quero mais! Do bom e do pior!
Quero aprender, crescer, evoluir
como a Mocidade na Sapucaí!
abraçando generosamente tudo que me cabe:
o ruim e o melhor! Sem restrições.
E poder finalmente concluir
que tudo depende do ponto de vista,
que são muitos, que são mis.
Abaixo maniqueísmos! Abaixo racismos!
Vivam os quereres! E os amores! E os
desamores!
Mentes míopes, empoeiradas,
hipermétropes e cansadas
pouco podem perceber!
Visão estreita. Mente estreita.
Estreito é o nosso olfato, o nosso tato.
Faixas limitadas. Limitadíssimas.
O corpo é o limite! Socorro!
Quero jogar tanto xadrez quanto porrinha.
Admirar Picasso e Newton Bravo.
Me deliciar com adoçante, sal marinho,
fel e açúcar mascavo.
Quero amar o ateu e a freirinha.
O belo e o feinho.
E amar. E ter prazer. E transcender.
O limite...
adoçam, alegram, cicatrizam.
Abaixo diques, represas!
Sinto o temporal caindo
no deserto. Secreto.
Liberando sumos. Virando Amazonas.
Abaixo a aridez!
Meus fluidos correm livres outra vez!
Quero foz, quero delta, quero muitas pororocas!
Quero muito! Quero mais! Do bom e do pior!
Quero aprender, crescer, evoluir
como a Mocidade na Sapucaí!
abraçando generosamente tudo que me cabe:
o ruim e o melhor! Sem restrições.
E poder finalmente concluir
que tudo depende do ponto de vista,
que são muitos, que são mis.
Abaixo maniqueísmos! Abaixo racismos!
Vivam os quereres! E os amores! E os
desamores!
Mentes míopes, empoeiradas,
hipermétropes e cansadas
pouco podem perceber!
Visão estreita. Mente estreita.
Estreito é o nosso olfato, o nosso tato.
Faixas limitadas. Limitadíssimas.
O corpo é o limite! Socorro!
Quero jogar tanto xadrez quanto porrinha.
Admirar Picasso e Newton Bravo.
Me deliciar com adoçante, sal marinho,
fel e açúcar mascavo.
Quero amar o ateu e a freirinha.
O belo e o feinho.
E amar. E ter prazer. E transcender.
O limite...
305
Jean de La Fontaine
Epigrama
Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.
3 661
Patrícia Clemente
Luto
Você me ama mas nunca me disse
No tempo em que eu ainda te queria
Se agora eu me aconchego junto a outro
Me chama fria?
E fez que pelo meio eu me sentisse
Pediu-me mãe mas não tornou-me filha
Se agora ao ser completa me comovo
Me insulta, tia?
Mandou que à sua lente me despisse
Mas não desnuda sua alma à minha
Se vejo em meu espelho que sou ouro,
Me ofende.
Mas como eu poderia?
Diz: velha, fraca, feia, bruxa, puta.
Diz que sou falsa, acusa hipocrisia,
Mas não recuse ao morto amor seu luto
Posso ser tudo, mas por ser Sofia.
Porque o desejo seu me atormenta
Mas seu desejo é só me ver sentida
Se vivo ao sobressaltos seus quereres,
É vida?
E sei que o meu carinho só te tenta
Se nego-te favores, decidida.
E não me entrego à dor dos seus prazeres,
Vencida.
No tempo em que eu ainda te queria
Se agora eu me aconchego junto a outro
Me chama fria?
E fez que pelo meio eu me sentisse
Pediu-me mãe mas não tornou-me filha
Se agora ao ser completa me comovo
Me insulta, tia?
Mandou que à sua lente me despisse
Mas não desnuda sua alma à minha
Se vejo em meu espelho que sou ouro,
Me ofende.
Mas como eu poderia?
Diz: velha, fraca, feia, bruxa, puta.
Diz que sou falsa, acusa hipocrisia,
Mas não recuse ao morto amor seu luto
Posso ser tudo, mas por ser Sofia.
Porque o desejo seu me atormenta
Mas seu desejo é só me ver sentida
Se vivo ao sobressaltos seus quereres,
É vida?
E sei que o meu carinho só te tenta
Se nego-te favores, decidida.
E não me entrego à dor dos seus prazeres,
Vencida.
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