Poemas neste tema
Corpo
Cláudio de F. Barbosa
Sem título
Suspiros.
Duas vontades
a quatro mãos
e pernas.
Um olhar
um pedido.
Um não.
Um sim.
para o corpo que estremeceu
o corpo que mereceu
o corpo que perdeu...
... o fôlego
e me deu
se dando
tanto prazer.
Duas vontades
a quatro mãos
e pernas.
Um olhar
um pedido.
Um não.
Um sim.
para o corpo que estremeceu
o corpo que mereceu
o corpo que perdeu...
... o fôlego
e me deu
se dando
tanto prazer.
886
Ricardo Kelmer
Licor
O teu corpo é um bombom em minha boca
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual
Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina
Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo
Final.
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual
Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina
Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo
Final.
1 065
Luiz Alberto Machado
Painel das fêmeas
A mulher jaz do meu lado
e de mãos dadas
somos finalmente felizes
felizes além da vida
a vida pelo amor
a nossa consaguinidade
sob a aureola da paixão
a pérola dela
que mastiga meus pensamentos
e me atrevo chegar ao seu trono
súdito sem cetro do seu querer
inculto fiel da imagem dela
a quem seria dado
a permissão de lhe desposar
que plebeu afortunado
alcançaria sua majestade
e renunciando o reinado
seria apenas seu amante
um rei destronado
entronizado apenas pelo amor
A mulher jaz do meu lado
é quase de manhã
e a nossa distância cislunar
no que pese ser feliz
ainda sinto seu cheiro quente
seu repouso incólume
depois da entrega dos corpos
sem condenação inquisitorial
sem gravidez rejeitada
sem perseguição de sicários
dorme sem saber Heloisa
sem a despedida de Tzvetaeva
pelos vitrais dos sonhos
no prima de turmalina
a deusa mulher
que jaz do meu lado
Seu corpo modelado
sua ferida santa e viva
seu jeito grácil
o milagre da prodigalidade
seu belo rosto
feliz semblante de Thereza
a viúva bela
mais bela sem par
seu nome endereçado
o seu condão
o seu sexo desejado
sua graça e seu feitio
A mulher jaz do meu lado
e insulto primeiro afeto
o seio embaixo da blusa
as mãos ungidas pelo prazer
a boca dos desejos que não se dizem
o corpo de tão puro recheio
– os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça
Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
pelo evasé de sua saia bandô
as coxas grossas, roliças
a anca macia
a vulva
fulvas redondas
remexe o quadril
a minha intemperança
a minha concupiscência
hei de vê-la ferver no molde exato
a dar o que me falta
coisa feita de coisas que não se dizem
seu olhar lânguido na avareza do querer
endemoninhando minha sede
bebo na sua boca a água que me sacia
e me incendeia
testemunho seu poder de seduzir
Deusa Maceió
invado sua maldita reclusa
reclusa que detona o viço
e me engalfinho em seu esconderijo
por suas peças íntimas
e intumescido e cheio me afogo
bebo o seu rio
mordo a sua carne
sou seu canibal, índia pura
seu corpo baila no meu Albertville
achega-me, sua chama me domina
a mira, o alvo, tonta e dança
mais dança meu coraçãoa dança do ventre de Sheyla Matos
quando pudesse estimar o meu extermínio
e ela vem tão indomável quanto santa a se despir
– um pênalti na pequena área do meu coração
e ela vem bulindo, dinamitando meus sonhos
a se dissolver em mim com meu dedo na boca
e despejo a minha vida
e engole o meu sêmen no centro do feitiço
viúva alada, dorso febril
e a febre ae a cintura
roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
na sua nudez Carolina Ferraz
na penumbra andente do seu ser
o seu gemido me extasia no movimento sensual
de Margret, de Durga, de Rachel
das tres uma de cabelos lisos
em seu tamanho menor da geografia colada no vestido curto
no Delicate Sounds of Thunder
faz valer minha fantasia e desmaia
oh! coreografia do prazer
bundinha vai-e-vem, viúva bela
minha tenda de Maria Brown
me enlaça e me diz que sou a camisa dez do seu coração
me espera que contarei das aventuras ao me reabilitarem entre os vivos
e reinarei sobre sua volúpia
e derramarei meu esperma
e saltarei fundo na paixão
vou dormir nos seus olhos com toda a minha agonia
de ilha encantada e cantarei a linda canção de J.Alfredo Pruckfork
e será lindo acordar com você do lado
A mulher jaz ao meu lado
depois de um xeque mate no xadrex de Middleton
sua meiguice sem pudor
no dever de sermos o protótipo dos deuses
me acuda, são juras sinceras de um porta vário e um verso lascivo
amar não faz mal a ninguém
e ensaio versos pros seus olhos
faço cantigas pro seu jeito, raínha minha, raínha nua
sequer suspeita que eu já morria enrubescido e despudorado
com a cara e a coragem peculiares aos enamorados
cadê você? Pedi tanto prá São Lunguinho lhe encontrar
logo jamais deixarei partir
amando com voragem até saber o feitiço do cogumelo de Alice
que me rasga e me cura
e com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
espero ver-lhe o talhe, a alma
anestesiado na moita
repousando às suas coxas
na noite roxa, olhos revirando
no gemido de estar gozando o prazer extremo
o átimo, o ápice da minha jugular aberta
minha aorta infecta de ser feliz deste lado
e do seu lado, viúva, para a mulher que jaz agora aqui comigo.
e de mãos dadas
somos finalmente felizes
felizes além da vida
a vida pelo amor
a nossa consaguinidade
sob a aureola da paixão
a pérola dela
que mastiga meus pensamentos
e me atrevo chegar ao seu trono
súdito sem cetro do seu querer
inculto fiel da imagem dela
a quem seria dado
a permissão de lhe desposar
que plebeu afortunado
alcançaria sua majestade
e renunciando o reinado
seria apenas seu amante
um rei destronado
entronizado apenas pelo amor
A mulher jaz do meu lado
é quase de manhã
e a nossa distância cislunar
no que pese ser feliz
ainda sinto seu cheiro quente
seu repouso incólume
depois da entrega dos corpos
sem condenação inquisitorial
sem gravidez rejeitada
sem perseguição de sicários
dorme sem saber Heloisa
sem a despedida de Tzvetaeva
pelos vitrais dos sonhos
no prima de turmalina
a deusa mulher
que jaz do meu lado
Seu corpo modelado
sua ferida santa e viva
seu jeito grácil
o milagre da prodigalidade
seu belo rosto
feliz semblante de Thereza
a viúva bela
mais bela sem par
seu nome endereçado
o seu condão
o seu sexo desejado
sua graça e seu feitio
A mulher jaz do meu lado
e insulto primeiro afeto
o seio embaixo da blusa
as mãos ungidas pelo prazer
a boca dos desejos que não se dizem
o corpo de tão puro recheio
– os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça
Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
pelo evasé de sua saia bandô
as coxas grossas, roliças
a anca macia
a vulva
fulvas redondas
remexe o quadril
a minha intemperança
a minha concupiscência
hei de vê-la ferver no molde exato
a dar o que me falta
coisa feita de coisas que não se dizem
seu olhar lânguido na avareza do querer
endemoninhando minha sede
bebo na sua boca a água que me sacia
e me incendeia
testemunho seu poder de seduzir
Deusa Maceió
invado sua maldita reclusa
reclusa que detona o viço
e me engalfinho em seu esconderijo
por suas peças íntimas
e intumescido e cheio me afogo
bebo o seu rio
mordo a sua carne
sou seu canibal, índia pura
seu corpo baila no meu Albertville
achega-me, sua chama me domina
a mira, o alvo, tonta e dança
mais dança meu coraçãoa dança do ventre de Sheyla Matos
quando pudesse estimar o meu extermínio
e ela vem tão indomável quanto santa a se despir
– um pênalti na pequena área do meu coração
e ela vem bulindo, dinamitando meus sonhos
a se dissolver em mim com meu dedo na boca
e despejo a minha vida
e engole o meu sêmen no centro do feitiço
viúva alada, dorso febril
e a febre ae a cintura
roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
na sua nudez Carolina Ferraz
na penumbra andente do seu ser
o seu gemido me extasia no movimento sensual
de Margret, de Durga, de Rachel
das tres uma de cabelos lisos
em seu tamanho menor da geografia colada no vestido curto
no Delicate Sounds of Thunder
faz valer minha fantasia e desmaia
oh! coreografia do prazer
bundinha vai-e-vem, viúva bela
minha tenda de Maria Brown
me enlaça e me diz que sou a camisa dez do seu coração
me espera que contarei das aventuras ao me reabilitarem entre os vivos
e reinarei sobre sua volúpia
e derramarei meu esperma
e saltarei fundo na paixão
vou dormir nos seus olhos com toda a minha agonia
de ilha encantada e cantarei a linda canção de J.Alfredo Pruckfork
e será lindo acordar com você do lado
A mulher jaz ao meu lado
depois de um xeque mate no xadrex de Middleton
sua meiguice sem pudor
no dever de sermos o protótipo dos deuses
me acuda, são juras sinceras de um porta vário e um verso lascivo
amar não faz mal a ninguém
e ensaio versos pros seus olhos
faço cantigas pro seu jeito, raínha minha, raínha nua
sequer suspeita que eu já morria enrubescido e despudorado
com a cara e a coragem peculiares aos enamorados
cadê você? Pedi tanto prá São Lunguinho lhe encontrar
logo jamais deixarei partir
amando com voragem até saber o feitiço do cogumelo de Alice
que me rasga e me cura
e com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
espero ver-lhe o talhe, a alma
anestesiado na moita
repousando às suas coxas
na noite roxa, olhos revirando
no gemido de estar gozando o prazer extremo
o átimo, o ápice da minha jugular aberta
minha aorta infecta de ser feliz deste lado
e do seu lado, viúva, para a mulher que jaz agora aqui comigo.
1 112
Pedro Miranda
Corpo memória
(Dedicado a Inês Mendes)
Teu corpo é cobra quando enrolas no meu,
teus lábios mel tocando os meus,
tua pele brasa, teus seios carne, pecado, desejo.
Teu sexo fonte,
de onde vou beber,
me molhar, me limpar, me enlouquecer,
teu corpo é desejo, volúpia,
memória
que nunca vou esquecer.
Teu corpo é cobra quando enrolas no meu,
teus lábios mel tocando os meus,
tua pele brasa, teus seios carne, pecado, desejo.
Teu sexo fonte,
de onde vou beber,
me molhar, me limpar, me enlouquecer,
teu corpo é desejo, volúpia,
memória
que nunca vou esquecer.
993
Eliana Mora
Prece
Preciso do veludo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia do
teu cheiro
da embriaguez
que vem da
tua boca
Preciso te tocar
preciso voltar
a ouvir
o som
do teu corpo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia do
teu cheiro
da embriaguez
que vem da
tua boca
Preciso te tocar
preciso voltar
a ouvir
o som
do teu corpo
885
Mariana Ferreira
Sonho e poesia
Te vendo ali deitado
tão calmo e sereno
tive vontade de deitar
ao teu lado...
Como sentindo o meu olhar
distante, observando teu
corpo nu, sorriu suavemente
abrindo os olhos a me fitar...
Como num sonho suave de
amor fui andando lentamente
em tua direção fitando teus
olhos a me esperar...
Te vendo ali deitado tão
perto e tão longe...tive
vontade de jogar-me
nos teus braços...
Como que sentindo o
meu desejo saltitante
e me sentindo tão sua,
foi calmamente me abrindo teus
braços...
Como num sonho suave
de amor, fui me entregando aos
desejos nos teus olhos,
fui me deixando abraçar
pelo teu corpo...
E ali deitada em teus
braços fui sentindo o
calor dos teus lábios,
a doçura das tuas mãos,
a firmeza do teu corpo...
E ali deitada ardendo em
desejos, te amo calma e feroz,
tomando o teu corpo no meu,
sentindo teu coração disparar
querendo-me tua...
E ali deitada confundindo
nossos corpos, te sinto por
inteiro, sem medo e sem pudor
te aconchego suavemente e em
movimentos lentos e ritmados
te levo a loucura e me deixo levar...
E ali deitada entre beijos
e sorrisos, entre desejos e carinhos,
sou tua... e sentindo meu corpo
desfalecer, me inunda de vida e amor...
Me faz sorrir e até chorar,
me faz amar!
tão calmo e sereno
tive vontade de deitar
ao teu lado...
Como sentindo o meu olhar
distante, observando teu
corpo nu, sorriu suavemente
abrindo os olhos a me fitar...
Como num sonho suave de
amor fui andando lentamente
em tua direção fitando teus
olhos a me esperar...
Te vendo ali deitado tão
perto e tão longe...tive
vontade de jogar-me
nos teus braços...
Como que sentindo o
meu desejo saltitante
e me sentindo tão sua,
foi calmamente me abrindo teus
braços...
Como num sonho suave
de amor, fui me entregando aos
desejos nos teus olhos,
fui me deixando abraçar
pelo teu corpo...
E ali deitada em teus
braços fui sentindo o
calor dos teus lábios,
a doçura das tuas mãos,
a firmeza do teu corpo...
E ali deitada ardendo em
desejos, te amo calma e feroz,
tomando o teu corpo no meu,
sentindo teu coração disparar
querendo-me tua...
E ali deitada confundindo
nossos corpos, te sinto por
inteiro, sem medo e sem pudor
te aconchego suavemente e em
movimentos lentos e ritmados
te levo a loucura e me deixo levar...
E ali deitada entre beijos
e sorrisos, entre desejos e carinhos,
sou tua... e sentindo meu corpo
desfalecer, me inunda de vida e amor...
Me faz sorrir e até chorar,
me faz amar!
1 155
Luiz Alberto Machado
Tua língua
Tua língua toca minha alma
és o poço das galáxias longínquas
e vejo a lua lindo, cheia, radiante
no céu da tua boca
eu já era a Torre Eiffel
e em meu coração mais batia a vida
Eu te entumesço o rosto
lambuzo teus lábios rubros
enterro-te minha lâmina
no mormaço da tua língua faminta
cresço-me, enrijeço-me, teso
pau madeira-de-lei
acossado pela tua carícia
ah! a tua gula pulsa minha
nos meneios de veludo do teu toque
todos os truques para me capturar
eu e meu míssil dominado
Rara e feita me engole
debruçada sobre o meu cajado
como se fosse a melhor comida
o pico do Aconcágua em transe
buscando a ejaculação constante do meu Etna
com teu faro que desembaínha meus grunhidos
e levita só assim desfalecido
me devolves a vitalidade
és o poço das galáxias longínquas
e vejo a lua lindo, cheia, radiante
no céu da tua boca
eu já era a Torre Eiffel
e em meu coração mais batia a vida
Eu te entumesço o rosto
lambuzo teus lábios rubros
enterro-te minha lâmina
no mormaço da tua língua faminta
cresço-me, enrijeço-me, teso
pau madeira-de-lei
acossado pela tua carícia
ah! a tua gula pulsa minha
nos meneios de veludo do teu toque
todos os truques para me capturar
eu e meu míssil dominado
Rara e feita me engole
debruçada sobre o meu cajado
como se fosse a melhor comida
o pico do Aconcágua em transe
buscando a ejaculação constante do meu Etna
com teu faro que desembaínha meus grunhidos
e levita só assim desfalecido
me devolves a vitalidade
1 033
Jorge Lúcio de Campos
A origem do mundo
(a Gustave Courbet)
Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros
ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos
Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda
sob a luz desenroscada
da manhã?
Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros
ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos
Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda
sob a luz desenroscada
da manhã?
973
Pedro Miguel S. Duarte
Amor
Quem ousará dizer que ele é só Alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar um puro grito
de orgasmo, num instante infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, estátuas
estátuas vestidas de suor, agradecendo
o que a um Deus acrescenta o amor terrestre.
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar um puro grito
de orgasmo, num instante infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, estátuas
estátuas vestidas de suor, agradecendo
o que a um Deus acrescenta o amor terrestre.
756
Ademir Antônio Bacca
Das viagens
viajo
no teu corpo
caminhos
nunca imaginados
delírios
de náufrago à deriva
em noite de temporal.
viajo em ti
sonhos de uma ternura
nunca sentida.
no teu corpo
caminhos
nunca imaginados
delírios
de náufrago à deriva
em noite de temporal.
viajo em ti
sonhos de uma ternura
nunca sentida.
1 487
Geraldo Ângelo Rasputim
Púbis carente
Púbis carente
Saudades
Momentos contentes
gozo,
êxtases
suspiros
Gemidos
Gritos.
Pecado
Volúpia
Boca molhada
Pêlos molhados
Suor
pecados
Líquido salgado
Saudades
Púbis carente
Saudades
Momentos contentes
gozo,
êxtases
suspiros
Gemidos
Gritos.
Pecado
Volúpia
Boca molhada
Pêlos molhados
Suor
pecados
Líquido salgado
Saudades
Púbis carente
916
Virgínia Schall
Beijo
sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras
1 046
Pedro Miranda
Te molhar
Quem me dera ser água
Água de suor
Água de banho
Água de chuva
Água de lágrima para rolar em teu corpo
te sentir
te molhar
e depois meu corpo ser sol para te secar.
Água de suor
Água de banho
Água de chuva
Água de lágrima para rolar em teu corpo
te sentir
te molhar
e depois meu corpo ser sol para te secar.
981
Patrícia Clemente
Máquina
o ronco de seus motores
me acende
te sinto aquecer a pele
nos dentes
chama
quem chama
a máquina de chama
a máquina me acende
máquina do gozo.
nos dentes.
me acende
te sinto aquecer a pele
nos dentes
chama
quem chama
a máquina de chama
a máquina me acende
máquina do gozo.
nos dentes.
992
Mariana Ferreira
Bom de
Amor macio
bom de se querer
mãos se enrolando
dia nascendo...
Amor gostoso
bom de se sentir
pernas estiradas
vidro refletido...
Amor sincero
bom de se ouvir
braços em desalinho
espelho sem brilho...
bom de se querer
mãos se enrolando
dia nascendo...
Amor gostoso
bom de se sentir
pernas estiradas
vidro refletido...
Amor sincero
bom de se ouvir
braços em desalinho
espelho sem brilho...
1 077
Patrícia Clemente
Devoção
Molhados um do outro nossos corpos são,
Cansada, nos teus braços, queres me fazer dormir.
Não quero.
Não quero que se esfrie o meu suor no teu.
Não quero que se perca o teu cheiro em mim.
Entende, meu Senhor, eu não sou nada.
Mesmo que o queiras, nunca igual a ti.
Eu limpo em minhas roupas o suor do teu corpo,
Cuidadosa, seco o que deixei em ti,
Parte a parte tiro-te o suor do corpo,
Meu vestido enxuga o dorso, teus cabelos,
Tuas coxas, tuas pernas, teus quadris.
A calcinha limpa o teu sexo.
Depois me visto.
Com tua permissão me retiro
Levando teu cheiro em mim.
Cansada, nos teus braços, queres me fazer dormir.
Não quero.
Não quero que se esfrie o meu suor no teu.
Não quero que se perca o teu cheiro em mim.
Entende, meu Senhor, eu não sou nada.
Mesmo que o queiras, nunca igual a ti.
Eu limpo em minhas roupas o suor do teu corpo,
Cuidadosa, seco o que deixei em ti,
Parte a parte tiro-te o suor do corpo,
Meu vestido enxuga o dorso, teus cabelos,
Tuas coxas, tuas pernas, teus quadris.
A calcinha limpa o teu sexo.
Depois me visto.
Com tua permissão me retiro
Levando teu cheiro em mim.
1 003
Maria Rachel Lopes
Compasso
Te quero aqui comigo
Agora
Sem medo de mim
Ou da hora
Quero teu corpo
No meu corpo
Meus cabelos
No teu rosto
E no abraço
O compasso
Curto
Urgente
Pra gente ser verso
Até amanhã
Até de manhã
Agora
Sem medo de mim
Ou da hora
Quero teu corpo
No meu corpo
Meus cabelos
No teu rosto
E no abraço
O compasso
Curto
Urgente
Pra gente ser verso
Até amanhã
Até de manhã
796
Ricardo Kelmer
Poemas de saliva
Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
1 435
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Queda
bailar em nuvens
névoas
despencar em tênues
fios de linha
teias-de-vida
tecer em seda
em algum cotovelo do mundo
um tapete
mosaico de vazios
e abismos
um nada quase tudo
meu hábitat
de palpável:
sua tosse
seu corpo
queda-
livre
névoas
despencar em tênues
fios de linha
teias-de-vida
tecer em seda
em algum cotovelo do mundo
um tapete
mosaico de vazios
e abismos
um nada quase tudo
meu hábitat
de palpável:
sua tosse
seu corpo
queda-
livre
1 081
Camila Sintra
Seios
Sei que não é para mim
teu leite tão doce
e que a boca que o tem
não te deseja como eu...
Sei que não posso beber tudo
que devo sugar pouco
algumas gotas de teu mel
mas que me alucinam...
Sei que logo vai secar
em breve teus seios voltam
teu filho desmama
e não mais mamarei eu...
Sei que sempre sugarei
teus peitos generosos
teus mamilos penetrantes
tuas carnes que desejo...
Sei que quero te beber
beber-te toda e para sempre
na forma de leite, saliva,
em tua boca, seios e vagina!
teu leite tão doce
e que a boca que o tem
não te deseja como eu...
Sei que não posso beber tudo
que devo sugar pouco
algumas gotas de teu mel
mas que me alucinam...
Sei que logo vai secar
em breve teus seios voltam
teu filho desmama
e não mais mamarei eu...
Sei que sempre sugarei
teus peitos generosos
teus mamilos penetrantes
tuas carnes que desejo...
Sei que quero te beber
beber-te toda e para sempre
na forma de leite, saliva,
em tua boca, seios e vagina!
1 460
Liz Christine
Matando
Eu passional
Eu criando
Você, você, eu mal
Consigo assistir
Eu desenhando
Aula, aula, preciso fugir
Que saco, eu desenho
Seu corpo, eu tenho
Que sentir
Paixão! Criação!
Seu beijo em meu pescoço
Uma mordida
Meus lábios
Seduzida
Delirando
Tão sábios
Sabem, os seus, me fazem
Eu gozando
Aula chata!
Não acaba, não mata
Minha fome de você
Amo, minha fome
É o desejo que me consome
E preciso fugir Matar
Aula e me alimentar
Porque já estou quase desmaiando
De fome, imaginando...
Ao leite ou derretido
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia
Eu criando
Você, você, eu mal
Consigo assistir
Eu desenhando
Aula, aula, preciso fugir
Que saco, eu desenho
Seu corpo, eu tenho
Que sentir
Paixão! Criação!
Seu beijo em meu pescoço
Uma mordida
Meus lábios
Seduzida
Delirando
Tão sábios
Sabem, os seus, me fazem
Eu gozando
Aula chata!
Não acaba, não mata
Minha fome de você
Amo, minha fome
É o desejo que me consome
E preciso fugir Matar
Aula e me alimentar
Porque já estou quase desmaiando
De fome, imaginando...
Ao leite ou derretido
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia
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Carlos Alberto Pessoa Rosa
Animal
seu perfume
acende todas as vielas
esquinas e avenidas
de meu instinto animal
sem camisa
deitado sobre a vida
a espera
de um incidente qualquer
convulsiono...
irresponsavelmente...
animal.
acende todas as vielas
esquinas e avenidas
de meu instinto animal
sem camisa
deitado sobre a vida
a espera
de um incidente qualquer
convulsiono...
irresponsavelmente...
animal.
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Camila Sintra
Geometria dos corpos
A menor distância
entre dois pontos
está na conjunção
de nossos corpos
que se atraem na razão inversa
da razão e do verso.
Beija meus senos
percorre minha hipotenusa
para te perderes no triângulo
molhado sob minhas bermudas
e descobrir minhas incógnitas
me rasgando com teu cateto.
Encaixa teu cilindro
em meu cone que te precisa
e acha, usa e abusa,
descobre o meu ponto G...
Encontra a quadratura do círculo
na curva de meus quadris.
entre dois pontos
está na conjunção
de nossos corpos
que se atraem na razão inversa
da razão e do verso.
Beija meus senos
percorre minha hipotenusa
para te perderes no triângulo
molhado sob minhas bermudas
e descobrir minhas incógnitas
me rasgando com teu cateto.
Encaixa teu cilindro
em meu cone que te precisa
e acha, usa e abusa,
descobre o meu ponto G...
Encontra a quadratura do círculo
na curva de meus quadris.
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Isabel Machado
Primeiro suspiro
Arromba!
Penetre entre as gretas que te enxergam
Adentre pelos poros que veneram
o teu suor no meu endoidecido...
Arromba!
Por todos os meus lados puritanos
tão virgens e tão castos, espartanos
te engulo feito louca ao teu gemido...
Arromba!
Teu gozo exploda em mim feito uma bomba
debata-se e debata-se vencido
calando o meu grunhir na tua boca...
E...
depois da casa arrombada
não reste mais nada
por viver...
Penetre entre as gretas que te enxergam
Adentre pelos poros que veneram
o teu suor no meu endoidecido...
Arromba!
Por todos os meus lados puritanos
tão virgens e tão castos, espartanos
te engulo feito louca ao teu gemido...
Arromba!
Teu gozo exploda em mim feito uma bomba
debata-se e debata-se vencido
calando o meu grunhir na tua boca...
E...
depois da casa arrombada
não reste mais nada
por viver...
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