Poemas neste tema
Corpo
Luís Vianna
PÉ
Existem vários tipos de pés.
Pés bonitos,
Pés fedidos,
Muitos chulés.
O pé tipo esparramado
É aquele folgado
Que já nasce dono
Do chão todo.
O pé comprido
Que de tão longínquo
Com o calcanhar em Blumenau
Põe o dedão em Natal;
(Talvez por isto
O ABC seja tão poluído.)
E o pé pequeno,
Um pé de moça,
De um fedor pouco ameno
Espanta até mosca.
O pé bonito
E cheiroso
É fetiche sexual
De vários moços.
Pé, coitado,
Só porque está
Lá embaixo isolado
É por muitos desprezado.
20/06/2001
Pés bonitos,
Pés fedidos,
Muitos chulés.
O pé tipo esparramado
É aquele folgado
Que já nasce dono
Do chão todo.
O pé comprido
Que de tão longínquo
Com o calcanhar em Blumenau
Põe o dedão em Natal;
(Talvez por isto
O ABC seja tão poluído.)
E o pé pequeno,
Um pé de moça,
De um fedor pouco ameno
Espanta até mosca.
O pé bonito
E cheiroso
É fetiche sexual
De vários moços.
Pé, coitado,
Só porque está
Lá embaixo isolado
É por muitos desprezado.
20/06/2001
1 057
Luís Vianna
COBRAS
Que interessante
Esta criatura extressante.
Por uns cultuada,
Por outros odiada.
Bicho comprido, fino,
Sem braço nem pé;
Sobe em árvore, anda e nada, pois é,
Este interessante animal roliço.
Interessante,
Ouve sem ouvido
O bastante
Para te deixar oprimido.
Com dois pênis e um pulmão,
Deve cansar muito,
Mas no sexo não.
20/06/2001
Esta criatura extressante.
Por uns cultuada,
Por outros odiada.
Bicho comprido, fino,
Sem braço nem pé;
Sobe em árvore, anda e nada, pois é,
Este interessante animal roliço.
Interessante,
Ouve sem ouvido
O bastante
Para te deixar oprimido.
Com dois pênis e um pulmão,
Deve cansar muito,
Mas no sexo não.
20/06/2001
900
Luís Vianna
À MULHER FEIA
Mulher exótica
É aquela
Que em sua fealdade
É bela.
Tão Magricela
Que encanta,
Quase quebra
Enquanto anda.
Não tem barriga,
Nem seios.
Dou-lhe uma chance,
Belos cabelos.
Nariz pontudo,
Rosto quadrado;
E o quadril?
Maracujá chupado.
10/10/2000
É aquela
Que em sua fealdade
É bela.
Tão Magricela
Que encanta,
Quase quebra
Enquanto anda.
Não tem barriga,
Nem seios.
Dou-lhe uma chance,
Belos cabelos.
Nariz pontudo,
Rosto quadrado;
E o quadril?
Maracujá chupado.
10/10/2000
1 380
Carlos Seabra
O amar do mar
boca do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia
língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia
língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar
1 283
Felipe Larson
A FLOR DO DESEJO
Você liga a toda hora
Pra dizer que me adora
Você percebe ansiedade
Mas no fundo é saudade
Plantas baixas no caminho
Pra mostrar o seu destino
No seu pequeno coração
Existe um pouco de paixão?
Ao menos por mim
Você sabe que te quero
No teu corpo, me perco
No teu beijo, eu derreto
Você quer, eu também quero
No teu colo, me esquento
A flor do desejo
Com seu jeito apaixonante
Me faz sentir distante
Com seus olhos azuis
E nossos corpos nus
Pra dizer que me adora
Você percebe ansiedade
Mas no fundo é saudade
Plantas baixas no caminho
Pra mostrar o seu destino
No seu pequeno coração
Existe um pouco de paixão?
Ao menos por mim
Você sabe que te quero
No teu corpo, me perco
No teu beijo, eu derreto
Você quer, eu também quero
No teu colo, me esquento
A flor do desejo
Com seu jeito apaixonante
Me faz sentir distante
Com seus olhos azuis
E nossos corpos nus
767
Carlos Enrique Ungo
E que venha a noite
Presenteia-me o riso de teus olhos
a tênue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a umidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor
amor
e que venha a noite...
a tênue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a umidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor
amor
e que venha a noite...
896
Ana Hatherly
Ela vem
Ela vem
quando eu cerro as pálpebras pesadas
e apoio a cabeça na escuridão do desejado sono.
Vem muito branca, muito lenta.
Fita-me calada
e muito direita
começa desatando seus cabelos negros.
Abre a boca num riso que eu não oiço
deixa cair o seu vestido todo.
E enquanto eu olho fascinada o seu ventre coroado de negro
seis homens pequeninos e muito encarquilhados
agarram suas seis tetas
e sugam-lhes os bicos
rosados e rijos de prazer.
quando eu cerro as pálpebras pesadas
e apoio a cabeça na escuridão do desejado sono.
Vem muito branca, muito lenta.
Fita-me calada
e muito direita
começa desatando seus cabelos negros.
Abre a boca num riso que eu não oiço
deixa cair o seu vestido todo.
E enquanto eu olho fascinada o seu ventre coroado de negro
seis homens pequeninos e muito encarquilhados
agarram suas seis tetas
e sugam-lhes os bicos
rosados e rijos de prazer.
2 003
Gabriela Mistral
Apegado a mim
Floco de lã de minha carne,
que em minha entranha eu teci,
floco de lã friorento,
dorme apegado a mim!
A perdiz dorme no trevo
escutando-o latir:
não te perturbem meus alentos,
dorme apegado a mim!
Ervazinha assustada
assombrada de viver,
não te soltes de meu peito:
dorme apegado a mim!
Eu que tudo o hei perdido
agora tremo de dormir.
Não escorregues de meu braço:
dorme apegado a mim!
que em minha entranha eu teci,
floco de lã friorento,
dorme apegado a mim!
A perdiz dorme no trevo
escutando-o latir:
não te perturbem meus alentos,
dorme apegado a mim!
Ervazinha assustada
assombrada de viver,
não te soltes de meu peito:
dorme apegado a mim!
Eu que tudo o hei perdido
agora tremo de dormir.
Não escorregues de meu braço:
dorme apegado a mim!
2 035
Fátima Carvalho
Faz-de-conta
Vamos brincar de casinha
e de doutor e enfermeira
depois de Tarzan e Janeiro
pra trepar na bananeira
Agora em vez de chapeuzinho
eu serei a vovozinha
e você o lobo-mau
pra me comer inteirinha
Entramos no paraíso
eu de Eva e você de Adão
você, comendo a maçã
e eu com o pau na mão...
Pra matar a serpente
que quer engolir a gente.
e de doutor e enfermeira
depois de Tarzan e Janeiro
pra trepar na bananeira
Agora em vez de chapeuzinho
eu serei a vovozinha
e você o lobo-mau
pra me comer inteirinha
Entramos no paraíso
eu de Eva e você de Adão
você, comendo a maçã
e eu com o pau na mão...
Pra matar a serpente
que quer engolir a gente.
1 079
Nancy Morejón
Carta náutica
Olho todas as águas
desde as profundezas do mar
e aí estás como num quarto minguante acelerado
e aí estou sem palavras, móvel entre a espuma
que navega para o teu coração.
E para o nosso amor avançam
os quatro pontos cardeais
e os restos de barcas e navios que puderam
sobreviver ao naufrágio de um quarto de século.
Continuaremos a amar-nos perpetuamente.
E levantaremos as nossas cabeças
no ouro fechado do arvoredo mudo
até chegar, novamente, ao pé dos cem mares.
Na maré-cheia o teu corpo e o meu corpo.
Lá, na maré-baixa, a tua boca e o meu corpo e o teu esplendor.
Nesta carta náutica não há espaço para eles.
desde as profundezas do mar
e aí estás como num quarto minguante acelerado
e aí estou sem palavras, móvel entre a espuma
que navega para o teu coração.
E para o nosso amor avançam
os quatro pontos cardeais
e os restos de barcas e navios que puderam
sobreviver ao naufrágio de um quarto de século.
Continuaremos a amar-nos perpetuamente.
E levantaremos as nossas cabeças
no ouro fechado do arvoredo mudo
até chegar, novamente, ao pé dos cem mares.
Na maré-cheia o teu corpo e o meu corpo.
Lá, na maré-baixa, a tua boca e o meu corpo e o teu esplendor.
Nesta carta náutica não há espaço para eles.
1 103
Nálu Nogueira
Fazer estrelas
Fazer amor como
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.
Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.
Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.
845
Olga Savary
Ycatu
E assim vou
com a fremente mão do mar em minhas coxas.
Minha paixão? Uma armadilha de água,
rápida como peixes,
lenta como medusas,
muda como ostras.
(*Do tupi: água boa)
com a fremente mão do mar em minhas coxas.
Minha paixão? Uma armadilha de água,
rápida como peixes,
lenta como medusas,
muda como ostras.
(*Do tupi: água boa)
3 276
Angela Melim
Com certeza
me segura
igual unha
meia lua
cabelo mínimo
– pode voar
num sopro –
me segura pela cintura
as duas palmas macias
cala
aquela voz de longe, esguia
mulher cantando em alemão
a tela do rádio
bafejando com o som
aquilo cala –
não lembro se dormi
esta dor aqui, esta aqui
a mesma
– mola –
antigo martelo repetido o medo
me segura com certeza
para eu não
chorar.
(29.10.88)
igual unha
meia lua
cabelo mínimo
– pode voar
num sopro –
me segura pela cintura
as duas palmas macias
cala
aquela voz de longe, esguia
mulher cantando em alemão
a tela do rádio
bafejando com o som
aquilo cala –
não lembro se dormi
esta dor aqui, esta aqui
a mesma
– mola –
antigo martelo repetido o medo
me segura com certeza
para eu não
chorar.
(29.10.88)
1 130
Sylvia Plath
Auge
A mulher está perfeita.
Morto,
Seu corpo mostra um sorriso de satisfação
A ilusão de uma necessidade grega
Flui pelas dobras de sua toga,
Nus, seus pés
Parecem dizer:
Fomos tão longe, é o fim.
Cada criança morta, uma serpente branca
Em volta de cada
Vasilha de leite, agora vazia.
Ela abraçou
Todas em seu selo como pétalas
De uma rosa que se fecha quando o jardim
Se espessa e odores sangram
Da garganta profunda e doce de uma flor noturna.
A lua não tem nada que estar triste,
Espiando tudo de seu capuz de osso.
Ela já está acostumada a isso.
Seu lado negro avança e draga
(5 fevereiro 1963)
Morto,
Seu corpo mostra um sorriso de satisfação
A ilusão de uma necessidade grega
Flui pelas dobras de sua toga,
Nus, seus pés
Parecem dizer:
Fomos tão longe, é o fim.
Cada criança morta, uma serpente branca
Em volta de cada
Vasilha de leite, agora vazia.
Ela abraçou
Todas em seu selo como pétalas
De uma rosa que se fecha quando o jardim
Se espessa e odores sangram
Da garganta profunda e doce de uma flor noturna.
A lua não tem nada que estar triste,
Espiando tudo de seu capuz de osso.
Ela já está acostumada a isso.
Seu lado negro avança e draga
(5 fevereiro 1963)
1 385
Ana Mafalda Leite
Papoilas
estou opiada de ti
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas
o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro
aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me
qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos
coisa estranha
opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro
para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas
o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro
aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me
qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos
coisa estranha
opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro
para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras
1 618
Carla Dias
Ausência
Bebi... sim...
de gole em gole, refrescou-se o silêncio
com a balbúrdia
da tua sofisticada
ausência.
Enveredou-se
pela trilha estreita,
Gritando,
voluptuosidade
ao inverno
e ao sol que gela.
Pouco a pouco,
reviram-se papéis
sobre a mesa
na hora do jantar.
Palavras sobrevoam
a fome latente.
Parece bonito,
mas quase arde.
Lentamente,
sedas se arrastam
pelo chão
da tua ausência.
Assim como meu corpo,
cravado em dúvidas,
no sofá,
retrata nosso momento fatal.
Não me traga
um rosto
quase pálido
de vida.
Traga-me
o perfume
engarrafado
no teu sorriso.
Assim
a ausência passa
e com ela
o grande perigo.
Perder...
de gole em gole, refrescou-se o silêncio
com a balbúrdia
da tua sofisticada
ausência.
Enveredou-se
pela trilha estreita,
Gritando,
voluptuosidade
ao inverno
e ao sol que gela.
Pouco a pouco,
reviram-se papéis
sobre a mesa
na hora do jantar.
Palavras sobrevoam
a fome latente.
Parece bonito,
mas quase arde.
Lentamente,
sedas se arrastam
pelo chão
da tua ausência.
Assim como meu corpo,
cravado em dúvidas,
no sofá,
retrata nosso momento fatal.
Não me traga
um rosto
quase pálido
de vida.
Traga-me
o perfume
engarrafado
no teu sorriso.
Assim
a ausência passa
e com ela
o grande perigo.
Perder...
991
Lúcia Villares
Cynthia
Após menstruar
sou generosa em atos exteriores
propícia a arriscar tudo que tenho.
Pontadas despertam meu seio,
o vento da rua é quente
e amar é conquista.
O décimo quinto dia passa sem que eu perceba.
Depois,
sou propensa à provisão
e à placenta.
O corpo desce rente à terra,
inflamado de dor.
Amar é reconhecer
um grão de milho,
essas coisas túrgidas.
sou generosa em atos exteriores
propícia a arriscar tudo que tenho.
Pontadas despertam meu seio,
o vento da rua é quente
e amar é conquista.
O décimo quinto dia passa sem que eu perceba.
Depois,
sou propensa à provisão
e à placenta.
O corpo desce rente à terra,
inflamado de dor.
Amar é reconhecer
um grão de milho,
essas coisas túrgidas.
1 176
Manuela Amaral
Coreografia
No palco da noite bailado de corpos
Cenário de sombras
esculpidas em nu
Tu danças as mãos
inscreves contornos
na minha nudez
Eu sou dimensão
que dança em teu espaço
Não temos cansaço
Só temos volúpia
Desejo
Harmonia
Vontade de luta
Ao longo de ti descubro caminhos. Trajecto de boca
E danço contigo
E esqueço a memória
Eu sou o teu sangue
A mesma saliva
O mesmo suor
Nós somos a mesma
Mulher-Repetida.
Cenário de sombras
esculpidas em nu
Tu danças as mãos
inscreves contornos
na minha nudez
Eu sou dimensão
que dança em teu espaço
Não temos cansaço
Só temos volúpia
Desejo
Harmonia
Vontade de luta
Ao longo de ti descubro caminhos. Trajecto de boca
E danço contigo
E esqueço a memória
Eu sou o teu sangue
A mesma saliva
O mesmo suor
Nós somos a mesma
Mulher-Repetida.
1 717
Irene Gruss
Queridos pés
Teus queridos pés me fazem sofrer
teu grande pescoço e sua nuca inteligente
tuas orelhas
Todo teu maldito corpo
Todos seus gestos malditos e teus papéis
teu lenço desesperado e enorme
todo rasgado e perdido
Teus queridos pés que não amo
que foram embora de mim.
teu grande pescoço e sua nuca inteligente
tuas orelhas
Todo teu maldito corpo
Todos seus gestos malditos e teus papéis
teu lenço desesperado e enorme
todo rasgado e perdido
Teus queridos pés que não amo
que foram embora de mim.
491
Roseli Silveira
Definições
Sou fria e quase muda,
Quando quero ser terna,
Quando quero ser tua.
Sou pedra lisa e dura,
Que jamais canta
E que não se mostra viva,
Jamais.
Sou raiz que adentra pela terra,
Sou poeira que desaparece no ar.
Sou, quem sabe, o brilho na fresta da janela,
Que parece corpóreo,
Quando brilha o luar.
Sou água que evapora,
Sou nuvem que deságua,
Sou o sal que salga a água,
Sou a lágrima salgada
Que rolou do teu olhar...
Quando quero ser terna,
Quando quero ser tua.
Sou pedra lisa e dura,
Que jamais canta
E que não se mostra viva,
Jamais.
Sou raiz que adentra pela terra,
Sou poeira que desaparece no ar.
Sou, quem sabe, o brilho na fresta da janela,
Que parece corpóreo,
Quando brilha o luar.
Sou água que evapora,
Sou nuvem que deságua,
Sou o sal que salga a água,
Sou a lágrima salgada
Que rolou do teu olhar...
389
Réca Poletti
Caminhando
vou abocanhando leve
as peles morenas
ou pálidas
vou deitando
em cada uma
me plantando
em cada corpo
vou beijando
bocas pretas
e vermelhas
e tocando as línguas quentes
vou bebendo
todos os amores
cuspindo
todos os venenos.
as peles morenas
ou pálidas
vou deitando
em cada uma
me plantando
em cada corpo
vou beijando
bocas pretas
e vermelhas
e tocando as línguas quentes
vou bebendo
todos os amores
cuspindo
todos os venenos.
979
Lúcia Villares
Lua
Lua,
me ensina essa calma
branca,
sua.
Lua,
me beija a polpa da carne,
me inscreve
a maré.
(Iluminar areia
estender a onda,
é lua.)
Lua,
me ensina
essa tua cara aberta
descosida e nua.
Sua.
Lua,
me mostra
a estação das vindas,
os cestos de trigo,
a multidão dos bóias-frias.
me ensina essa calma
branca,
sua.
Lua,
me beija a polpa da carne,
me inscreve
a maré.
(Iluminar areia
estender a onda,
é lua.)
Lua,
me ensina
essa tua cara aberta
descosida e nua.
Sua.
Lua,
me mostra
a estação das vindas,
os cestos de trigo,
a multidão dos bóias-frias.
1 103
Claudia Pastore
Meu poema
Cada vez mais e mais
Eu te vejo mais
Orgânico
Mais azul
Quisera saber
O porquê
A razão
Me destes a cor
és todo azul
Azul que incendeia
Azul que inebria
Azul que mete medo
Não és o mar
Tão pouco o céu
Lugares-comuns
Prá um azul
Tão azul
És um azul inteiro
Um azul que tenho
Tinteiro que jorra
E que cai pelo ar
Calor que conduz
Sangue pisado
Difícil e doce
Mormaço melaço
És a poesia
Que fala do azul
E que não encontra
No azul
O todo-você
Que é assim
Só prá mim
Azul
Ao sul
Do meu ser
Azul
Que passa
Brilhando
Por todo o meu corpo
Mas todo, inteirinho...
O meu corpo nu.
Eu te vejo mais
Orgânico
Mais azul
Quisera saber
O porquê
A razão
Me destes a cor
és todo azul
Azul que incendeia
Azul que inebria
Azul que mete medo
Não és o mar
Tão pouco o céu
Lugares-comuns
Prá um azul
Tão azul
És um azul inteiro
Um azul que tenho
Tinteiro que jorra
E que cai pelo ar
Calor que conduz
Sangue pisado
Difícil e doce
Mormaço melaço
És a poesia
Que fala do azul
E que não encontra
No azul
O todo-você
Que é assim
Só prá mim
Azul
Ao sul
Do meu ser
Azul
Que passa
Brilhando
Por todo o meu corpo
Mas todo, inteirinho...
O meu corpo nu.
816