Juventude
Florbela Espanca
Pior Velhice
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!
A Vida que ao nascer enfeita e touca
D’alvas rosas, a fronte da mulher,
Na minha fronte mística de louca
Martírios só poisou a emurchecer!
E dizem que sou nova... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!...
Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova... outrora...
Kenneth Koch
Energia na Suécia
Paulo Leminski
a gente ia ser homero
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada
depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lorca um eluárd um ginsberg
por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores
Sandro Penna
Juventude, amor, belas palavras,
que coisa brilha em vós e vos resseca?
Resta apenas um odor de merda seca
ao longo do caminho ensolarado.
:
Amore, gioventù, liete parole,
cosa splende su voi e vi dissecca?
Resta un odore come merda secca
lungo le siepe cariche di sole.
de Croce e delizia (1958)
Ted Berrigan
Soneto 2
António José Forte
Retrato do Artista em Cão Jovem
Com o focinho entre dois olhos muito grandes
por trás de lágrimas maiores
este é de todos o teu melhor retrato
o de cão jovem a que só falta falar
o de cão através da cidade
com uma dor adolescente
de esquina para esquina cada vez maior
latindo docemente a cada lua
voltando o focinho a cada esperança
ainda sem dentes para as piores surpresas
mas avançando a passo firme
ao encontro dos alimentos
aqui estás tal qual
és bem tu o cão jovem que ninguém esperava
o cão de circo para os domingos da família
o cão vadio dos outros dias da semana
o cão de sempre
cada vez que há um cão jovem
neste local da terra
Akiko Yosano
Tanka VI
pelo portão da perfumaria
numa noite de luar na primavera
na Kyoto de baixo
penso: que meigo!
Audre Lorde
Fogo pendente
e minha pele me traiu
o menino que não posso viver sem
ainda chupa o dedo
em segredo
me pergunto por que meus joelhos
estão sempre tão cinzentos
e se eu morrer
antes de amanhecer
mama está no quarto
com a porta fechada.
Eu preciso aprender a dançar
a tempo para a próxima festa
meu quarto é pequeno demais pra mim
considere se eu morro antes da formatura
eles cantarão melodias tristonhas
mas ao fim
dirão a verdade sobre mim
Não há nada que eu queira fazer
e coisas demais
que precisam ser feitas
mama está no quarto
com a porta fechada.
Ninguém nem para pra pensar
no meu lado nisso
Eu devia ter entrado pro Time de Matemática
minhas notas eram melhores que as dele
por que eu tenho que ser
aquela
que usa aparelho?
não tenho nada para vestir amanhã
será que viverei o suficiente
para crescer
e mama está no quarto
com a porta fechada.
(tradução de Ricardo Domeneck)
:
Hanging Fire
Audre Lorde
I am fourteen
and my skin has betrayed me
the boy I cannot live without
still sucks his thumb
in secret
how come my knees are
always so ashy
what if I die
before morning
and momma's in the bedroom
with the door closed.
I have to learn how to dance
in time for the next party
my room is too small for me
suppose I die before graduation
they will sing sad melodies
but finally
tell the truth about me
There is nothing I want to do
and too much
that has to be done
and momma's in the bedroom
with the door closed.
Nobody even stops to think
about my side of it
I should have been on Math Team
my marks were better than his
why do I have to be
the one
wearing braces
I have nothing to wear tomorrow
will I live long enough
to grow up
and momma's in the bedroom
with the door closed.
Dmitri Prigov
Diálogo n° 5
Jaime Gil de Biedma
Peeping Tom
que surpreendi a olhar-nos
naquele pinhalzinho, junto à Faculdade de Letras,
há mais de onze anos,
quando ia a separar-me,
ainda aturdido de saliva e areia,
depois de nos rebolarmos os dois meio vestidos,
felizes como bichos.
Tua lembrança, é curioso
com que dissimulada intensidade de símbolo,
está unida àquela história,
minha primeira experiência de amor correspondido.
Pergunto-me por vezes que é feito de ti.
E se agora em tuas noites junto a um corpo
regressa a velha cena
e ainda espreitas nossos beijos.
Assim do passado volta a mim,
como um grito desconexo,
a imagem de teus olhos. Expressão
do meu próprio desejo.
(de Moralidades)
Herberto Helder
As Musas Cegas - V
e a eternidade das mãos.
Esta linguagem é colocada e extrema e cobre, com suas
lâmpadas, todas as coisas.
As coisas que são uma só no plural dos nomes.
— E nós estamos dentro, subtis, e tensos
na música.
Esta linguagem era o disposto verão das musas,
o meu único verão.
A profundidade das águas onde uma mulher
mergulha os dedos, e morre.
Onde ela ressuscita indefinidamente.
— Porque uma mulher toma-me
em suas mãos livres e faz de mim
um dardo que atira. — Sou amado,
multiplicado, difundido. Estou secreto, secreto —
e doado às coisas mínimas.
Na treva de uma carne batida como um búzio
pelas cítaras, sou uma onda.
Escorre minha vida imemorial pelos meandros
cegos. Sou esperado contra essas veias soturnas, no meio
dos ossos quentes. Dizem o meu nome: Torre.
E de repente eu sou uma torre queimada
pelos relâmpagos. Dizem: ele é uma palavra.
E chega o verão, e eu sou exactamente uma Palavra.
— Porque me amam até se despedaçarem todas as portas,
e por detrás de tudo, num lugar muito puro,
todas as coisas se unirem numa espécie de forte silêncio.
Essa mulher cercou-me com as duas mãos.
Vou entrando no seu tempo com essa cor de sangue,
acendo-lhe as falangetas,
faço um ruído tombado na harmonia das vísceras.
Seu rosto indica que vou brilhar perpetuamente.
Sou eterno, amado, análogo.
Destruo as coisas.
Toda a água descendo é fria, fria.
Os veios que escorrem são a imensa lembrança. Os velozes
sóis que se quebram entre os dedos,
as pedras caídas sobre as partes mais trémulas
da carne,
tudo o que é húmido, e quente, e fecundo,
e terrivelmente belo
— não é nada que se diga com um nome.
Sou eu, uma ardente confusão de estrela e musgo.
E eu, que levo uma cegueira completa e perfeita, acendo
lírio a lírio todo o sangue interior,
e a vida que se toca de uma escoada
recordação.
Toda a juventude é vingativa.
Deita-se, adormece, sonha alto as coisas da loucura.
Um dia acorda com toda a ciência, e canta
ou o mês antigo dos mitos, ou a cor que sobe
pelos frutos,
ou a lenta iluminação da morte como espírito
nas paisagens de uma inspiração.
A mulher pega nessa pedra tão jovem,
e atira-a para o espaço.
Sou amado. — E é uma pedra celeste.
Há gente assim, tão pura. Recolhe-se com a candeia
de uma pessoa. Pensa, esgota-se, nutre-se
desse quente silêncio.
Há gente que se apossa da loucura, e morre, e vive.
Depois levanta-se com os olhos imensos
e incendeia as casas, grita abertamente as giestas,
aniquila o mundo com o seu silêncio apaixonado.
Amam-me, multiplicam-me.
Só assim eu sou eterno.
Mário Dionísio
Poema do sacrifício sublime
quero sacrificar-te inteiramente à minha realização.
Meus dias, que hão-de vir, cheios de promessas,
quero renunciar ao riso que vos adivinho
porque esse riso unicamente meu
levar-me-ia para longe de mim próprio.
Meu lar ameno com um leito de penas e uma luz macia,
quero dizer-te adeus sem mágoa.
(Apagar-se-ão as brasas do fogão
e os ratos passearão nos objectos mais queridos.)
Meu universo isolado,
quero dizer-te adeus sem pena.
Partir.
Partir para a pátria instável onde o grito salta das veias.
Partir para o momento heróico da concretização.
Partir para longe de todos que me gritam: para quê?
Ah! partir!
Partir sem uma hesitação, de olhos abertos,
com a firmeza única de quem tem a certeza,
com decisão, com raiva, com delírio
e com o encantamento, a feliz perturbação, a embriaguez,
a silenciosa alegria
duma virgem que parte para o minuto de núpcias.
Orlando Mendes
Exortação
escritos há mais de um mês, destrói-os.
Rasga-os ou queima-os de preferência
(consta ser universalmente mais ortodoxo)
e se a chama te chamuscar unhas e pele
e as sujar a cinza, não queixes a dor
e lava-te. Destrói-os. Guarda-os todavia
fiéis na memória, palavra por palavra,
para que possas transmiti-los a um amigo
quando depois do venal acto de amor
forem também vender a irresistível suspeita
da tua voz trémula e dos teus outros actos.
Mas não deixes de escrever. Peço-te que não.
Raimundo Correia
Primeiras Vigílias
Despejava-se, em ondas silenciosas,
O luar dessas noites vaporosas,
De seu lânguido cálix todo aberto.
Rangia a cama, e deslizavam, perto
Alvas, femíneas formas ondulosas;
E eu a idear, nas ânsias amorosas,
Uns ombros nus, um colo descoberto.
E a gemer: — "Abeirai-vos de meu leito,
Ó sensuais visões da adolescência,
E inflamai-vos na pira em que me inflamo!
Fervem paixões despertas no meu peito;
Descai a flor virgínea da inocência,
E irrompe o fruto dolorido... Eu amo!
In: CORREIA, Raimundo. Poesias completas. Org. pref. e notas Múcio Leão. São Paulo: Ed. Nacional, 1948. v.1, p.5
Raimundo Correia
O Vinho de Hebe
Hebe risonha, os deuses majestosos
Os copos estendiam-lhe, ruidosos,
E ela, passando, os copos lhes enchia...
A Mocidade, assim, na rubra orgia
Da vida, alegre e pródiga de gozos,
Passa por nós, e nós também, sequiosos,
Nossa taça estendemos-lhe, vazia...
E o vinho do prazer em nossa taça
Verte-nos ela, verte-nos e passa...
Passa, e não torna atrás o seu caminho.
Nós chamamo-la em vão; em nossos lábios
Restam apenas tímidos ressábios,
Como recordações daquele vinho.
In: CORREIA, Raimundo. Poesias completas. Org. pref. e notas Múcio Leão. São Paulo: Ed. Nacional, 1948. v.1, p.4
Max Martins
Um Rosto Soletrado
do meu gozo aos gozos de Anaiz — Joana
Arcanjo
de Laarcen
os lábios desta jaula:
Teu nome de amargura me instrumenta
funda o que me escreve e nego transferindo-me
dos jardins de mim ao resto de tuas frases
Aprendiz das folhas, úmido, o musgo mostra
olha
o texto amado, o rosto soletrado
o frio silêncio tátil duvidando-nos
E quem sou eu para guardar os ecos
o cheiro agudo e bárbaro de tua vulva
o formigueiro?
Oh égua aveludada — juventude
arranca de meu beijo este saber, sabor de cinzas!
O silêncio invulnerável de dois insetos copulando
(e que inversamente é crespo neste leito)
colhe
da maciez de um seio, o gume, a jóia de uma fresta,
a flama
e a sombra rente, rápida do olhar: frutos sobre a mesa
fartos
e opulentos de silêncio
apodrecendo
Publicado no livro Caminho de Marahu (1983).
In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. p.116-117. (Verso & reverso, 2
Gregório de Matos
Descreve a Vida Escolástica
Medíocre o vestido, bom sapato,
Meias velhas, calção de esfola-gato,
Cabelo penteado, bom topete.
Presumir de dançar, cantar falsete,
Jogo de fidalguia, bom barato,
Tirar falsídia ao Moço do seu trato,
Furtar a carne à ama, que promete.
A putinha aldeã achada em feira,
Eterno murmurar de alheias famas,
Soneto infame, sátira elegante.
Cartinhas de trocado para a Freira,
Comer boi, ser Quixote com as Damas,
Pouco estudo, isto é ser estudante.
In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992
Vicente de Carvalho
Adormecida
Desenhava-se, esplêndida miragem,
Seu lindo corpo, escultural, perfeito.
Encrespado das rendas da roupagem,
Seu seio brandamente palpitava
Como a lagoa no tremor da aragem.
Solto, o cabelo se desenrolava
Sobre os lençóis, em plena rebeldia,
Como um revolto mar que os alagava.
Como no céu, quando desponta o dia,
A aurora raia, de um sorriso a aurora
Pelo seu meigo rosto se expandia.
E ela dormia descuidada... Fora,
O mar gemia um cântico plangente
Como uma alma perdida que erra e chora.
Um raio de luar, branco e tremente,
Pela janela mal cerrada veio
Entrando, surda, sorrateiramente...
Ia beijá-la em voluptuoso anseio;
Mas, ao vê-la dormindo entre as serenas
Ondas daquele sono sem receio,
Hesitou em beijar-lhe as mãos pequenas,
E humildemente, e como ajoelhando,
Beijou-lhe a fímbria do vestido apenas...
E o lindo quadro, estático, fitando,
Senti não sei que mística ternura
Por toda a alma se me derramando
Porque acima daquela formosura
Do corpo, os seus quinze anos virginais
Envolviam-lhe a angélica figura
Na sombra de umas asas ideais.
Publicado no livro Ardentias (1885).
In: CARVALHO, Vicente de. Versos da mocidade. Porto: Chardron, 191
Paulo Setúbal
Escândalo
Por entre os homens graves da terreola,
Bisbilhotar-se sobre a vida alheia.
Nas rodas que tratavam tais assuntos,
Aquela história de passearmos juntos
Era o supremo escândalo da aldeia!
E o chefe, e o juiz de paz, e o boticário,
Teciam o mais negro comentário
Ao nosso ingênuo amor, todo feitiço!
O próprio padre, um santo e velho cura,
Dizia ao ver-nos: "Eis a má leitura!"
"São os livros de Zola que fazem isso..."
Mas nós, como pastores de Virgílio,
Vivendo então num descuidoso idílio,
Sorríamos dos toscos provincianos:
E em plena aldeia, desdenhando apodos,
Passávamos de braço, entre eles todos,
Na glória dos que se amam aos vinte anos!
Publicado no livro Alma Cabocla (1920).
In: SETÚBAL, Paulo. Alma cabocla: poesias. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 196
Colombina
Banco de Jardim
pelos astros infinitos;
mas, por mal dos meus pecados,
teus olhos são mais bonitos.
Em teus braços aninhada,
tenho ao alcance da mão
toda uma noite estrelada,
todo o sol no coração.
Amar — verbo transcendente
que a gente conjuga a dois...
É um sorriso no presente
e são lágrimas, depois.
Penso em ti se estás ausente,
penso em ti se perto estás:
longe — quero-te presente,
perto — que embora não vás!
Apesar dos desenganos,
de tanta desilusão,
nós sempre temos vinte anos
num canto do coração.
Publicado no livro Cantares de bem-querer (1956). Poema integrante da série Trovas.
In: CAVALHEIRO, Maria Thereza. Colombina e sua poesia romântica e erótica: esboço biográfico e seleção de poemas. São Paulo: J. Scortecci, 1987. p.33-10
Luís Guimarães Júnior
Paulo e Virgínia
Ao clarão matinal do sol nascente,
Colher as flores do vergel ridente
E as primeiras amoras dos cercados.
Venturosos, risonhos, namorados,
Cada qual mais feliz e mais contente,
Esquecemos a terra inteiramente:
Doidos de amor, de gozo embriagados.
Seus cabelos — enquanto ela corria,
Voavam, loiros como a luz, dispersos!
Eu a chamava e ela me fugia.
Por fim voltamos — em prazer imersos:
E das venturas todas desse dia...
Resta a saudade que inspirou meus versos.
Poema integrante da série Primeira Parte.
In: GUIMARÃES JÚNIOR, Luiz. Sonetos e rimas: lírica. 3.ed. Pref. Fialho d'Almeida. Lisboa: Liv. Clássica Ed. de A. M. Teixeira, 191
Martins Fontes
Na Medida Velha da Ensinança
das vestes tafuis,
parecem-me a hidranja
teus olhos azuis.
És moça e formosa,
tra, li, la, la, ra...
Que linda esta rosa!
Colhamo-la já.
À tarde, querida,
a flor vai murchar...
Não percas, na vida,
o tempo de amar.
Meu Deus, que desgosto
seria essa dor
de ver o teu rosto
murchar como a flor.
É o tempo da hidranja.
És moça e gentil:
a hidranja, Briolanja,
se colhe em abril.
Publicado no livro Rosicler (1928).
In: FONTES, Martins. Poesia. Org. Cassiano Ricardo. Rio de Janeiro: Agir, 1959. p.82-83. (Nossos clássicos, 40
Armindo Trevisan
Funilaria no Ar X
trazer o que no sótão amadureceu
para este momento de palavra e gume,
de melancolia enfiada no sangue.
Vamos, sem tardança, adoecer de instinto,
para que o comprido de nossa exigência
abarque a brevidade de quinhentos anos.
Estou contigo, dá-me a tua mão, sempre.
Vamos até à certeza de que o tremor
da terra que sacudiu a primeira manhã,
e a perdemos por ser infantes,
ressuscite em nós, seja um longo compromisso.
Vamos regredir, se preciso for, somos jovens,
o negro não nos doeu demais na carne,
nem o canibal arreganhou nossa ciência.
Ali estão, neles, os desmandos apetecidos.
Poderemos, por instante, escrever nossos nomes,
as mãos dadas são dadas também quando se separam;
mas as mãos caminham pelos pés, se a estes
incumbe o apoio sem o qual só pensamos.
Demo-nos as palavras, uns aos outros, irmão,
as palavras farejam o álcool da guerra,
cada guerra que se cogita traz dentro do peito
outra guerra maior, a guerra consigo mesmo.
Vamos, irmão! A funilaria está marcada
pela lata que se torce, enferruja, mas corta.
De poesia também se amassa o pão que empurra
o caminho preparado no silêncio do dia.
In: TREVISAN, Armindo. Funilaria no ar. Porto Alegre: Movimento; Brasília: INL, 1973. (Poesia Sul, 7)
Edgar Allan Poe
Untitled - The happiest day — the happiest hour
My sear'd and blighted heart hath known,
The highest hope of pride, and power,
I feel hath flown.
Of power! said I? yes! such I ween
But they have vanish'd long alas!
The visions of my youth have been —
But let them pass.
And, pride, what have I now with thee?
Another brow may ev'n inherit
The venom thou hast pour'd on me —
Be still my spirit.
The happiest day — the happiest hour
Mine eyes shall see — have ever seen
The brightest glance of pride and power
I feel — have been:
But were that hope of pride and power
Now offer'd, with the pain
Ev'n then I felt — that brightest hour
I would not live again:
For on its wing wall dark alloy
And as it flutter'd — fell
An essence — powerful to destroy
A soul that knew it well.
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