Poemas neste tema
Amor Romântico
Lígia Diniz
Enquanto
Por me dares sempre teu riso
Por me dares sempre teus olhos
Por me dares sempre tua boca,
E tomares a minha, sempre.
Por me embebedares com palavras
E por deixar-me te dopar com as minhas
Por beberes minhas frases,
Minha falas, meus sons.
Por me sentir em teus braços
Por me sentires em teus braços
Por meus braços te sentirem
Por ser em ti sem mim
Por não seres meu, por não ser tua,
Quero sempre ser pois tenho medo.
Por me dares sempre teus olhos
Por me dares sempre tua boca,
E tomares a minha, sempre.
Por me embebedares com palavras
E por deixar-me te dopar com as minhas
Por beberes minhas frases,
Minha falas, meus sons.
Por me sentir em teus braços
Por me sentires em teus braços
Por meus braços te sentirem
Por ser em ti sem mim
Por não seres meu, por não ser tua,
Quero sempre ser pois tenho medo.
863
Laura Amélia Damous
Oferenda
Venho te oferecer meu coração
como o cansaço se oferece aos amantes
o suor aos corpos exaustos
depois de definitivo abraço
Venho te oferecer meu coração
como a lua se oferece à noite
e o vento à tempestade
Venho te oferecer meu coração
como o peixe se oferece à captura
no engano do anzol
como o cansaço se oferece aos amantes
o suor aos corpos exaustos
depois de definitivo abraço
Venho te oferecer meu coração
como a lua se oferece à noite
e o vento à tempestade
Venho te oferecer meu coração
como o peixe se oferece à captura
no engano do anzol
1 329
Lígia Diniz
Depois (de pensar em você)
Sempre, de tudo, fica um pouco
Te roubo de ti sem perceberes
Te roubo de mim sem perceber
Urges, dirias.
Mas eu, também eu, te necessito.
Fica um pouco de tudo sempre
Das tuas palavras
E do teu silêncio.
Da tua fala morna
Do teu silêncio de cristal
(porque, soprando, quebra-se).
Um pouco de tudo sempre fica
Não importa a que conclusão chegamos
E nem que chegamos, se chegamos.
Sempre fica o caminho.
O caminho eu guardo sem notar
Te roubo o caminho?
De tudo sempre de pouco fazemos muito
Dos teus beijos, das tuas mãos
Das minhas mãos e das palavras
Sempre das palavras, nosso engano
E correção.
Te roubo de ti sem perceberes
Te roubo de mim sem perceber
Urges, dirias.
Mas eu, também eu, te necessito.
Fica um pouco de tudo sempre
Das tuas palavras
E do teu silêncio.
Da tua fala morna
Do teu silêncio de cristal
(porque, soprando, quebra-se).
Um pouco de tudo sempre fica
Não importa a que conclusão chegamos
E nem que chegamos, se chegamos.
Sempre fica o caminho.
O caminho eu guardo sem notar
Te roubo o caminho?
De tudo sempre de pouco fazemos muito
Dos teus beijos, das tuas mãos
Das minhas mãos e das palavras
Sempre das palavras, nosso engano
E correção.
834
Lígia Diniz
Por Você
Mas o que sinto acima de tudo é medo
Eu, o girassol mais antigo
A catedral mais imponente
A torre mais forte
desmoronou por você
As dunas mais firmes
desmancharam no vento (você)
O mar mais bravio
se acalmou (por você)
A floresta mais viva
queimou (com você)
O sussurro mais suave
virou um grito (em você)
A mulher mais madura
A criança mais leve e alegre
A mais fiel amiga
A mais corajosa e perseverante,
Eu
Caí por você.
Eu, o girassol mais antigo
A catedral mais imponente
A torre mais forte
desmoronou por você
As dunas mais firmes
desmancharam no vento (você)
O mar mais bravio
se acalmou (por você)
A floresta mais viva
queimou (com você)
O sussurro mais suave
virou um grito (em você)
A mulher mais madura
A criança mais leve e alegre
A mais fiel amiga
A mais corajosa e perseverante,
Eu
Caí por você.
848
Laura Amélia Damous
Véspera de Reis
Imperfeito tempo
em que és
o instante perfeito
Exato instante
de que é feita
a eternidade
em que és
o instante perfeito
Exato instante
de que é feita
a eternidade
1 095
José Eustáquio da Silva
Entenda-me
vasculha-me e adentre meu passado,
me chame de culpado
por meus erros infantis.
bata-me, cuspa em minha cara, me odeie
me chama de canalha por tudo
que outrora fiz.
invada minha vida como espiã
abra minhas gavetas, leia minhas cartas
e me ame.
me ame com a fúria
que o ciúme concerne
e me deseje, me deseje
como quem quer outro homem...
me fale palavrões, me transe obscena.
me fale quão importante sou para ti
me ame querendo ser selvagemente
possuída
por teu poeta que finge de fingir...
me veja, me beija, me tenha por inteiro.
sou teu, sem censuras ou pudores.
sou teu par, teu tigre e teu chegar
sou teu silêncio
quando nada quiseres escutar
enfim, sou um poeta, teu poeta
que sequer pensa em limites...
portanto (minha louca),
mesmo onde nada existir
por certo eu estarei presente
pronto para te fazer mulher.
me chame de culpado
por meus erros infantis.
bata-me, cuspa em minha cara, me odeie
me chama de canalha por tudo
que outrora fiz.
invada minha vida como espiã
abra minhas gavetas, leia minhas cartas
e me ame.
me ame com a fúria
que o ciúme concerne
e me deseje, me deseje
como quem quer outro homem...
me fale palavrões, me transe obscena.
me fale quão importante sou para ti
me ame querendo ser selvagemente
possuída
por teu poeta que finge de fingir...
me veja, me beija, me tenha por inteiro.
sou teu, sem censuras ou pudores.
sou teu par, teu tigre e teu chegar
sou teu silêncio
quando nada quiseres escutar
enfim, sou um poeta, teu poeta
que sequer pensa em limites...
portanto (minha louca),
mesmo onde nada existir
por certo eu estarei presente
pronto para te fazer mulher.
1 019
Janete Rodrigues Ribeiro
Busca
Ah! Quisera me perder na noite dos tempos
Correndo ligeira e leve como os ventos
Procurando a linha do horizonte
Buscando do amor, a verdadeira fonte!
Ah! Quisera doar-me assim, por inteira,
E apresentar-me doce, suave,
como a lua, faceira,
Ao meu amor primeiro, amor emoção,
Que fizesse vibrar todas as fibras do meu coração!
Ah! Quisera num abraço final
De tua vida, ser a medida do sal,
E num beijo, jurando eterna paixão,
Entregar-me em teus braços,
de alma e coração!
Correndo ligeira e leve como os ventos
Procurando a linha do horizonte
Buscando do amor, a verdadeira fonte!
Ah! Quisera doar-me assim, por inteira,
E apresentar-me doce, suave,
como a lua, faceira,
Ao meu amor primeiro, amor emoção,
Que fizesse vibrar todas as fibras do meu coração!
Ah! Quisera num abraço final
De tua vida, ser a medida do sal,
E num beijo, jurando eterna paixão,
Entregar-me em teus braços,
de alma e coração!
897
João Ribeiro
Simples Balada
"Tu vais partir, Dom Gil! Sus! Cavaleiro!
"Essa tristeza de tua alma espanca.
"Deixa o penhor de um beijo derradeiro
"No retrato gentil de Dona Branca".,
Mas tanto fel no longo beijo havia,
E tanta incomparável amargura,
Que o solitário beijo aos poucos ia
Roubando à tela a pálida figura.
Cresce, recresce, as linhas devastando,
Nódoa voraz pela figura entorna.
Dom Gil, onde se vai, demorando
Não aparece, aos lares não retorna?!
E o beijo avulta devorando a trama
Do quadro, haurindo a pálida figura...
Tarde chega Dom Gil. De longe exclama:
— "Vou ver-te agora, ó santa criatura!"
Funda tristeza o rosto lhe anuvia;
Quem de Dom Gil esta tristeza espanca?
Havia um beijo — eis tudo quanto havia!
A tela estava inteiramente branca.
"Essa tristeza de tua alma espanca.
"Deixa o penhor de um beijo derradeiro
"No retrato gentil de Dona Branca".,
Mas tanto fel no longo beijo havia,
E tanta incomparável amargura,
Que o solitário beijo aos poucos ia
Roubando à tela a pálida figura.
Cresce, recresce, as linhas devastando,
Nódoa voraz pela figura entorna.
Dom Gil, onde se vai, demorando
Não aparece, aos lares não retorna?!
E o beijo avulta devorando a trama
Do quadro, haurindo a pálida figura...
Tarde chega Dom Gil. De longe exclama:
— "Vou ver-te agora, ó santa criatura!"
Funda tristeza o rosto lhe anuvia;
Quem de Dom Gil esta tristeza espanca?
Havia um beijo — eis tudo quanto havia!
A tela estava inteiramente branca.
1 347
José Gelbcke
Branca
Noiva, deixa beijar as tuas mãos pequenas,
Nascidas para estar em regalos de arminho;
São mais alvas, talvez, que o teu leque de penas
E mais puras, eu sei, do que as sedas dum ninho.
Sou mendigo de amor, elas são Madalenas,
Feitas só para andar de carinho em carinho.
Vamos juntos partir pelo mesmo caminho,
De pousadas em flor, de tapiz de açucenas.
Ao tirá-las assim dentre rendas e plumas,
Julgo ver repetir-se a apoteose do belo,
Anfitrite surgindo outra vez das espumas.
Hóstias brancas de amor, deixa agora beijá-las,
Mãos gentis que eu adoro e entre as minhas anelo
Flor de neve polar, lélia ebúrnea das salas.
Nascidas para estar em regalos de arminho;
São mais alvas, talvez, que o teu leque de penas
E mais puras, eu sei, do que as sedas dum ninho.
Sou mendigo de amor, elas são Madalenas,
Feitas só para andar de carinho em carinho.
Vamos juntos partir pelo mesmo caminho,
De pousadas em flor, de tapiz de açucenas.
Ao tirá-las assim dentre rendas e plumas,
Julgo ver repetir-se a apoteose do belo,
Anfitrite surgindo outra vez das espumas.
Hóstias brancas de amor, deixa agora beijá-las,
Mãos gentis que eu adoro e entre as minhas anelo
Flor de neve polar, lélia ebúrnea das salas.
961
José Fernandes Fafe
Sonho
A sua presença de mulher foi-se ausentando...
A um gesto seu, diáfano, alou-se o sofrimento...
Tudo era sua voz, mas sem significar
mais que o murmúrio dum encantamento...
Prendia-nos um fio de segredo, murmurado
pelos seus olhos baixados, antes dum sorriso,
com que a meus olhos as coisas se velaram
para lá do seu rosto assim preciso...
Pudor na sua alma ou nos meus dedos?
Como é indizível essa experiência de morrer!
O que me resta é regressar à Vida,
amá-la, delicadamente, como os mortos
— se os mortos pudessem reviver.
A um gesto seu, diáfano, alou-se o sofrimento...
Tudo era sua voz, mas sem significar
mais que o murmúrio dum encantamento...
Prendia-nos um fio de segredo, murmurado
pelos seus olhos baixados, antes dum sorriso,
com que a meus olhos as coisas se velaram
para lá do seu rosto assim preciso...
Pudor na sua alma ou nos meus dedos?
Como é indizível essa experiência de morrer!
O que me resta é regressar à Vida,
amá-la, delicadamente, como os mortos
— se os mortos pudessem reviver.
1 005
João Marcio Furtado Costa
Amartemática
Amartemática
(03/96)
Tem-se na adrenalina,
um perfeito combustível,
pra tornar a linha reta,
caminho impossível.
Por que, então, sentir-se,
andando em círculos,
se na verdade, somente,
perdeste os vínculos?
Vê que a sensação,
é de tormento e de frio,
quando a interseção,
é um conjunto vazio.
Se não é quadrado, o cateto,
ou se a hipotenusa é saliente,
pode pintar um triângulo,
de amor resiliente.
Relações de conjuntos,
tendendo a viscerais,
resolvem-se na união,
de soluções integrais.
Se plenas de prazer,
que sejam constantes,
ou frequência baixa,
para fases distantes.
Derivadas do amor,
são riscos incólumes,
dão origem às flores,
e séries de proles.
(03/96)
Tem-se na adrenalina,
um perfeito combustível,
pra tornar a linha reta,
caminho impossível.
Por que, então, sentir-se,
andando em círculos,
se na verdade, somente,
perdeste os vínculos?
Vê que a sensação,
é de tormento e de frio,
quando a interseção,
é um conjunto vazio.
Se não é quadrado, o cateto,
ou se a hipotenusa é saliente,
pode pintar um triângulo,
de amor resiliente.
Relações de conjuntos,
tendendo a viscerais,
resolvem-se na união,
de soluções integrais.
Se plenas de prazer,
que sejam constantes,
ou frequência baixa,
para fases distantes.
Derivadas do amor,
são riscos incólumes,
dão origem às flores,
e séries de proles.
664
José Eustáquio da Silva
Querer
luz pálida
sinal fechado
solidão me toque não
no outdoor vejo você
encanto de alquimista
qualquer coisa, qualquer vista
mar à vista
meu porto é você
meu olho chove
seu rosto jovem
meu grito mudo
sua boca morde
não me incomode
deixe-me amar
abraça-me em lá maior
me transe em música
e me deixe só...
sinal fechado
solidão me toque não
no outdoor vejo você
encanto de alquimista
qualquer coisa, qualquer vista
mar à vista
meu porto é você
meu olho chove
seu rosto jovem
meu grito mudo
sua boca morde
não me incomode
deixe-me amar
abraça-me em lá maior
me transe em música
e me deixe só...
793
Jacinto Freire de Andrade
A um Mosquito
Invencível mosquito,
Émulo do mais livre pensamento,
Sem corpo, e de todo espírito,
Que deste fim a um tão alto intento,
Quando precipitado
O céu de Délia acometeste ousado.
As portas de diamante
Cerradas ao clamor de tanta gente
Abriste triunfante,
Zombando da esperança impertinente,
Que entre temor, e espanto
Nunca acabou comigo esperar tanto.
Cupido, que inquieta
Délia sentiu ferida,
Espera, que o sinta,
A lança, que tiraste em sangue tinta,
Que o peito endurecido
É prova das setas de Cupido.
Porém de nada disto
Te mostres tão soberbo, e presumido,
Que podes sem ser visto
Passar a mais ferir, sem ser sentido,
E para castigar-te,
Não ocupas lugar nalguma parte.
Foras de amor ferido,
Se tivera o teu erro algum desconto,
Ou se achara Cupido
Aonde a ponta da seta pôr o ponto.
Condolação bastante;
Pois não picaste a Délia como amante.
Buscaste a noite escura
Por cometer a Délia mais oculto;
Quem medo te afigura,
Se não faz o teu corpo nenhum vulto,
Pobre de ti tão pobre,
Que a mesma luz do Sol te descobre.
Hidrópico mosquito,
Por beber sangue assim não te condeno,
Nem cometes delito,
Que com os olhos da alma tão pequeno,
Quando apenas te vejo,
Que desejas lugar para o desejo.
Tanto o saber Divino
Trabalhou no teu ser, tâo novo, e estranho,
Que Ambrósio Calepino
Não tem nome, que imprima o teu tamanho,
Porque o diminutivo
É mais em ti, que o teu superlativo.
Por tradição antiga
Deves graças a Deus humilde, e mudo;
Pois não falta quem diga,
Que de nada te fez, o que fez tudo:
Sendo que bem pudera
Fazer de ti nada, se quisera.
Causas ao Mundo todo
Admiração tão grande, que se espanta
De ver por novo modo
Em corpo tão pequeno traça tanta;
Porque o entendimento
Fábrica vê em ti sem fundamento.
Oh de suprema ideia,
Subtil debuxo, amostra primorosa!
Porque em ti mais campeia,
Que na máquina altiva, e majestosa:
Que em fazer-te tão pobre
Sua grandeza muito mais descobre.
Somente, se se adverte,
Dos vidraceiros és bem grande afronta;
Pois não têm para ver-te
Óculos nenhuns, que cheguem à conta;
Pois para ver mosquitos
É necessário ter graus infinitos.
E vós, que antes do dia
Das culpas castigais levando a palma,
Por nova tirania,
Que fizeste do corpo inferno da alma
Se fizeste do corpo inferno da alma:
Se por esta vitória
Tendes glória, ou vanglória.
Entre tantos rigores não durmais,
Pois se as almas sem culpas castigais,
Para desinquietar
Vosso rigor severo, e infinito
Basta só o sonida de um mosquito.
Émulo do mais livre pensamento,
Sem corpo, e de todo espírito,
Que deste fim a um tão alto intento,
Quando precipitado
O céu de Délia acometeste ousado.
As portas de diamante
Cerradas ao clamor de tanta gente
Abriste triunfante,
Zombando da esperança impertinente,
Que entre temor, e espanto
Nunca acabou comigo esperar tanto.
Cupido, que inquieta
Délia sentiu ferida,
Espera, que o sinta,
A lança, que tiraste em sangue tinta,
Que o peito endurecido
É prova das setas de Cupido.
Porém de nada disto
Te mostres tão soberbo, e presumido,
Que podes sem ser visto
Passar a mais ferir, sem ser sentido,
E para castigar-te,
Não ocupas lugar nalguma parte.
Foras de amor ferido,
Se tivera o teu erro algum desconto,
Ou se achara Cupido
Aonde a ponta da seta pôr o ponto.
Condolação bastante;
Pois não picaste a Délia como amante.
Buscaste a noite escura
Por cometer a Délia mais oculto;
Quem medo te afigura,
Se não faz o teu corpo nenhum vulto,
Pobre de ti tão pobre,
Que a mesma luz do Sol te descobre.
Hidrópico mosquito,
Por beber sangue assim não te condeno,
Nem cometes delito,
Que com os olhos da alma tão pequeno,
Quando apenas te vejo,
Que desejas lugar para o desejo.
Tanto o saber Divino
Trabalhou no teu ser, tâo novo, e estranho,
Que Ambrósio Calepino
Não tem nome, que imprima o teu tamanho,
Porque o diminutivo
É mais em ti, que o teu superlativo.
Por tradição antiga
Deves graças a Deus humilde, e mudo;
Pois não falta quem diga,
Que de nada te fez, o que fez tudo:
Sendo que bem pudera
Fazer de ti nada, se quisera.
Causas ao Mundo todo
Admiração tão grande, que se espanta
De ver por novo modo
Em corpo tão pequeno traça tanta;
Porque o entendimento
Fábrica vê em ti sem fundamento.
Oh de suprema ideia,
Subtil debuxo, amostra primorosa!
Porque em ti mais campeia,
Que na máquina altiva, e majestosa:
Que em fazer-te tão pobre
Sua grandeza muito mais descobre.
Somente, se se adverte,
Dos vidraceiros és bem grande afronta;
Pois não têm para ver-te
Óculos nenhuns, que cheguem à conta;
Pois para ver mosquitos
É necessário ter graus infinitos.
E vós, que antes do dia
Das culpas castigais levando a palma,
Por nova tirania,
Que fizeste do corpo inferno da alma
Se fizeste do corpo inferno da alma:
Se por esta vitória
Tendes glória, ou vanglória.
Entre tantos rigores não durmais,
Pois se as almas sem culpas castigais,
Para desinquietar
Vosso rigor severo, e infinito
Basta só o sonida de um mosquito.
560
João Gulart de Souza Gomos
a insustentável leveza do amor
Que ninguém saiba:
falo dos teus olhos
Terras castanhas, precipício de almas;
Que ninguém veja:
falo do teu riso
Oceano de ritmos, vertigem e calma.
Que ninguém ouça:
falo da tua voz
Perdição de Ulisses em alto mar;
Que ninguém toque:
falo das tuas mãos
Recriar do mundo, elementar.
Que ninguém sinta:
falo da tua boca
Pura seda, roçar de borboletas;
Que ninguém aspire:
falo do teu cheiro
Inspiração eterna de poetas.
Que ninguém ouse:
falo do teu corpo
Porção visível do infinito;
Que ninguém duvide:
falo do que sinto
Amor assim não houve, mais bonito.
Que ninguém entenda:
o amor é um hiato
Entre o vivido e o sonhado;
Que ninguém tema:
o amor é imponderável
Fluido, muito além do leve ou do pesado.
Goulart Gomes, Salvador, BA
falo dos teus olhos
Terras castanhas, precipício de almas;
Que ninguém veja:
falo do teu riso
Oceano de ritmos, vertigem e calma.
Que ninguém ouça:
falo da tua voz
Perdição de Ulisses em alto mar;
Que ninguém toque:
falo das tuas mãos
Recriar do mundo, elementar.
Que ninguém sinta:
falo da tua boca
Pura seda, roçar de borboletas;
Que ninguém aspire:
falo do teu cheiro
Inspiração eterna de poetas.
Que ninguém ouse:
falo do teu corpo
Porção visível do infinito;
Que ninguém duvide:
falo do que sinto
Amor assim não houve, mais bonito.
Que ninguém entenda:
o amor é um hiato
Entre o vivido e o sonhado;
Que ninguém tema:
o amor é imponderável
Fluido, muito além do leve ou do pesado.
Goulart Gomes, Salvador, BA
909
João Gulart de Souza Gomos
batalha final
se amanhã me condenarem à morte
ou se o halley beijar sofregamente a terra
quero ver por último o brilho dos teus olhos
quando a praia vier dar no meu quintal
e todo magma exsudar na minha sala
vou inalar profundamente os teus cabelos
quando toda lava do vesúvio e
todo suspiro dos vendavais
assomarem à minha rua
será no teu colo que estarei deitado
(des)esperando o último momento
ainda que todo o sal dos oceanos
e toda terra das montanhas
aterrissem no meu teto
só teus lábios soterrarão meu corpo
os tanques cinzas do tio sam estacionarão no abaeté
e ferirão o farol com seus punhais
mas eu estarei deitado
acima, abaixo, sob, sobre, ao lado
em você, de qualquer jeito
quando todos se forem, míssil indetonado
e quando os patriots e exocets desfizerem minhas nuvens
não haverá dia seguinte:
estarei no túmulo dos teus braços
explodindo em milhões de átomos, desintegrando:
o último soldado desconhecido...
Goulart Gomes, Salvador, BA
ou se o halley beijar sofregamente a terra
quero ver por último o brilho dos teus olhos
quando a praia vier dar no meu quintal
e todo magma exsudar na minha sala
vou inalar profundamente os teus cabelos
quando toda lava do vesúvio e
todo suspiro dos vendavais
assomarem à minha rua
será no teu colo que estarei deitado
(des)esperando o último momento
ainda que todo o sal dos oceanos
e toda terra das montanhas
aterrissem no meu teto
só teus lábios soterrarão meu corpo
os tanques cinzas do tio sam estacionarão no abaeté
e ferirão o farol com seus punhais
mas eu estarei deitado
acima, abaixo, sob, sobre, ao lado
em você, de qualquer jeito
quando todos se forem, míssil indetonado
e quando os patriots e exocets desfizerem minhas nuvens
não haverá dia seguinte:
estarei no túmulo dos teus braços
explodindo em milhões de átomos, desintegrando:
o último soldado desconhecido...
Goulart Gomes, Salvador, BA
961
João Marcio Furtado Costa
Bebida dos Deuses
Bebida dos Deuses
(12/94)
Como um bom vinho, elaborado, tu és muito especial,
Dia após dia, és natal,
E a cada noite és carnaval,
Pois basta um toque, e tu te inflamas.
Mas não és pra ser sorvida de uma só vez e se acabar,
Melhor em doses homeopáticas,
Onde podemos desprezar as táticas,
E sermos nós mesmos pra sonhar.
Não foi num cálice, que eu pensei furtivamente,
Em te derramar mais transparente,
Para melhor te brindar e degustar.
E tornar então, sem ser brando e indiferente,
Mais ávido o meu inconsciente,
Pra cada vez mais, querer te amar.
(12/94)
Como um bom vinho, elaborado, tu és muito especial,
Dia após dia, és natal,
E a cada noite és carnaval,
Pois basta um toque, e tu te inflamas.
Mas não és pra ser sorvida de uma só vez e se acabar,
Melhor em doses homeopáticas,
Onde podemos desprezar as táticas,
E sermos nós mesmos pra sonhar.
Não foi num cálice, que eu pensei furtivamente,
Em te derramar mais transparente,
Para melhor te brindar e degustar.
E tornar então, sem ser brando e indiferente,
Mais ávido o meu inconsciente,
Pra cada vez mais, querer te amar.
743
João Marcio Furtado Costa
Soneto da Mulher Azul
Soneto da Mulher Azul
(10/93)
Me inspiro em ti, valor vital, inestimável,
E miro as sombras do teu lado inexplorado.
Mesmo da poesia, sendo inexperiente,
Transformo em versos teu mistério inescrutável.
Te sinto fonte, de prazer, inesgotável,
Mas meu desejo, de tão grande é inexistente,
Pois te alcançar, plenamente, é inexeqüível,
Se tu és, às vezes, tranca inexpugnável.
Não veja em mim um homem inescrupuloso,
Por procurar não explicar teu inexplicável,
E te vestir com essas metáforas inexatas.
Pois o teor das palavras talvez seja inexpressivo,
Diante da magia, que de forma inesperada,
Te esculpiu em minha mente, mulher inesquecível.
(10/93)
Me inspiro em ti, valor vital, inestimável,
E miro as sombras do teu lado inexplorado.
Mesmo da poesia, sendo inexperiente,
Transformo em versos teu mistério inescrutável.
Te sinto fonte, de prazer, inesgotável,
Mas meu desejo, de tão grande é inexistente,
Pois te alcançar, plenamente, é inexeqüível,
Se tu és, às vezes, tranca inexpugnável.
Não veja em mim um homem inescrupuloso,
Por procurar não explicar teu inexplicável,
E te vestir com essas metáforas inexatas.
Pois o teor das palavras talvez seja inexpressivo,
Diante da magia, que de forma inesperada,
Te esculpiu em minha mente, mulher inesquecível.
897
José Eustáquio da Silva
De Manhã
chora o poeta
no deslumbre da manhã
sol mal acordado
doira o lume dos teus olhos
olhos tão tristonhos
que se perdem na paisagem
e se lançam numa viajem
que só os poetas sabem ter
pedaços de saudades
que se esmeram em doer
razões irracionais
que até os animais
não ousam entender
loucuras de poeta
não tem palavra certa
e este amor tão complicado
tão certo e tão errado
desperta este poeta
na inocência da manhã...
no deslumbre da manhã
sol mal acordado
doira o lume dos teus olhos
olhos tão tristonhos
que se perdem na paisagem
e se lançam numa viajem
que só os poetas sabem ter
pedaços de saudades
que se esmeram em doer
razões irracionais
que até os animais
não ousam entender
loucuras de poeta
não tem palavra certa
e este amor tão complicado
tão certo e tão errado
desperta este poeta
na inocência da manhã...
803
José Fernandes Fafe
Exegese
De que é feito esse amor?, perguntam-me e não sei...
Da matéria da noite mais impávida,
onde as estrelas inscrevem uma lei ...
Da estrada longa e da cegueira ávida
com que quiseste povoar de amor os ermos...
Longe, os cães das quintas ladravam-te com raiva
(Vejo o teu gesto, um franciscano aceno,
vejo a minha mão crispar-se, dolorida,
vejo unir-nos num abraço o desespero... )
Das trevas, do linho negro em que tecemos
a manta na noite dos pobres estendida...
(Senhora, acamaradando-se dói menos. . . )
Das mãos dadas, pelo sono dos casais, pela Vida,
pela emboscada — onde caíste de cansaço
e me rasgaram a rubra e funda ferida
donde manam — o baço tempo, o alaranjado lume
e a inexorável frialdade de aço
que um anjo tetular em si reúne.
Da matéria da noite mais impávida,
onde as estrelas inscrevem uma lei ...
Da estrada longa e da cegueira ávida
com que quiseste povoar de amor os ermos...
Longe, os cães das quintas ladravam-te com raiva
(Vejo o teu gesto, um franciscano aceno,
vejo a minha mão crispar-se, dolorida,
vejo unir-nos num abraço o desespero... )
Das trevas, do linho negro em que tecemos
a manta na noite dos pobres estendida...
(Senhora, acamaradando-se dói menos. . . )
Das mãos dadas, pelo sono dos casais, pela Vida,
pela emboscada — onde caíste de cansaço
e me rasgaram a rubra e funda ferida
donde manam — o baço tempo, o alaranjado lume
e a inexorável frialdade de aço
que um anjo tetular em si reúne.
873
José Eustáquio da Silva
Pessoa
me toque assim calma
me beije fundo a alma
e grite um verso pessoa
quando o prazer chegar
abra-me teu peito
feito janela do meu windows
eclético e cibernético
vou te amando em canções
sorriso armstrong
este mundo é maravilhoso
bom dia vietnã
há flores nos canhões
e eu te amo aqui
contrariando multidões
me toque assim tão calma
me beije fundo a alma
e grite um verso pessoa
quando o prazer chegar
"o poeta é um fingidor
finge tão completamente"
que chega a fingir que é amor
o amor que deveras sente"
me beije fundo a alma
e grite um verso pessoa
quando o prazer chegar
abra-me teu peito
feito janela do meu windows
eclético e cibernético
vou te amando em canções
sorriso armstrong
este mundo é maravilhoso
bom dia vietnã
há flores nos canhões
e eu te amo aqui
contrariando multidões
me toque assim tão calma
me beije fundo a alma
e grite um verso pessoa
quando o prazer chegar
"o poeta é um fingidor
finge tão completamente"
que chega a fingir que é amor
o amor que deveras sente"
1 006
José Eduardo Mendes Camargo
Fada
Foste a fada que me fez
representar a plenitude de meu ser.
no charme de teu sorriso,
Me iluminaste o corpo.
Na transparência de teus olhos,
me despiste a alma.
Na suavidade de tua voz,
me hipnotizaste o espírito.
Na leveza de teus gestos,
me fascinaste os olhos.
Na beleza e sensualidade da mulher-fêmea,
me seduziste.
representar a plenitude de meu ser.
no charme de teu sorriso,
Me iluminaste o corpo.
Na transparência de teus olhos,
me despiste a alma.
Na suavidade de tua voz,
me hipnotizaste o espírito.
Na leveza de teus gestos,
me fascinaste os olhos.
Na beleza e sensualidade da mulher-fêmea,
me seduziste.
915
José Carlos Souza Santos
Do livro Estrelas Ausentes
A Tarde que Me Cabe
Eram quatro, as horas da manhã
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
Eram quatro, as horas da manhã
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
883
José Eduardo Mendes Camargo
Esta Noite
Sonhei que eras uma borboleta,
E da lua desceste num facho de luz,
E repousaste nas nuvens,
E delas partiste em uma lágrima
de chuva,
E nas areias do mar te
transmutaste em sereia
E durante a madrugada me
seduziste
E pela manhã, quando despertei,
estavas a meu lado.
E da lua desceste num facho de luz,
E repousaste nas nuvens,
E delas partiste em uma lágrima
de chuva,
E nas areias do mar te
transmutaste em sereia
E durante a madrugada me
seduziste
E pela manhã, quando despertei,
estavas a meu lado.
979
José Eduardo Mendes Camargo
Recordações
Desejo me enlear em teus braços,
Envolver o teu corpo,
Penetrar a tua alma...
E num momento de fusão e intenso prazer,
Exorcizar todos os medos e julgamentos,
Libertar-me de quaisquer preconceitos
E na alegria sublime do amor
Encontrar a paz e a eternidade,
No encontro de mim mesmo
E com o passar do tempo,
Recolher este momento mágico de ternura,
Em nosso álbum das melhores recordações.
Envolver o teu corpo,
Penetrar a tua alma...
E num momento de fusão e intenso prazer,
Exorcizar todos os medos e julgamentos,
Libertar-me de quaisquer preconceitos
E na alegria sublime do amor
Encontrar a paz e a eternidade,
No encontro de mim mesmo
E com o passar do tempo,
Recolher este momento mágico de ternura,
Em nosso álbum das melhores recordações.
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