Poemas neste tema
Paixão
Álvares de Azevedo
Ai Jesus!
Ai Jesus! não vês que gemo,
Que desmaio de paixão
Pelos teus olhos azuis?
Que empalideço, que tremo,
Que me expira o coração?
Ai Jesus!
Que por um olhar, donzela,
Eu poderia morrer
Dos teus olhos pela luz?
Que morte! que morte bela!
Antes seria viver!
Ai Jesus!
Que por um beijo perdido
Eu de gozo morreria
Em teus níveos seios nus?
Que no oceano dum gemido
Minh'alma se afogaria?
Ai Jesus!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
Que desmaio de paixão
Pelos teus olhos azuis?
Que empalideço, que tremo,
Que me expira o coração?
Ai Jesus!
Que por um olhar, donzela,
Eu poderia morrer
Dos teus olhos pela luz?
Que morte! que morte bela!
Antes seria viver!
Ai Jesus!
Que por um beijo perdido
Eu de gozo morreria
Em teus níveos seios nus?
Que no oceano dum gemido
Minh'alma se afogaria?
Ai Jesus!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
4 334
Felipe Larson
A NOSSA HISTÓRIA
Hoje minha vida
Passou na tela de TV
Mostrando todo amor
Que eu sinto por você
Não era bem um filme
Mas era a vida real
E tudo que te disse
Foi de um jeito natural
A nossa história não terá final
A nossa história será imortal
A cena que fizemos
Foi de todo coração
Mostrando toda a força
De uma grande paixão
Não quis ser ator
Pra viver no seu dilema
Pra ver a nossa história
Na telinha de cinema
A nossa história não terá final
A nossa história será imortal
Passou na tela de TV
Mostrando todo amor
Que eu sinto por você
Não era bem um filme
Mas era a vida real
E tudo que te disse
Foi de um jeito natural
A nossa história não terá final
A nossa história será imortal
A cena que fizemos
Foi de todo coração
Mostrando toda a força
De uma grande paixão
Não quis ser ator
Pra viver no seu dilema
Pra ver a nossa história
Na telinha de cinema
A nossa história não terá final
A nossa história será imortal
865
Felipe Larson
A FLOR DO DESEJO
Você liga a toda hora
Pra dizer que me adora
Você percebe ansiedade
Mas no fundo é saudade
Plantas baixas no caminho
Pra mostrar o seu destino
No seu pequeno coração
Existe um pouco de paixão?
Ao menos por mim
Você sabe que te quero
No teu corpo, me perco
No teu beijo, eu derreto
Você quer, eu também quero
No teu colo, me esquento
A flor do desejo
Com seu jeito apaixonante
Me faz sentir distante
Com seus olhos azuis
E nossos corpos nus
Pra dizer que me adora
Você percebe ansiedade
Mas no fundo é saudade
Plantas baixas no caminho
Pra mostrar o seu destino
No seu pequeno coração
Existe um pouco de paixão?
Ao menos por mim
Você sabe que te quero
No teu corpo, me perco
No teu beijo, eu derreto
Você quer, eu também quero
No teu colo, me esquento
A flor do desejo
Com seu jeito apaixonante
Me faz sentir distante
Com seus olhos azuis
E nossos corpos nus
767
Felipe Larson
CORAÇÃO PIRADO
Tenho um coração pirado
Que vive sem razão
Mas sempre foi guiado
Pela força da emoção
Espero estar certo
E pronto para amar
Pra tudo que vier
Pra tudo que passar
Então sonhar com você
Pensar em você
Todos os dias
Então sonhar com você
Pensar em você na esperança de te ter
24 horas do dia
Descrevo meu destino
Seguindo o seu caminho
E aprendendo a amar
Com o brilho no olhar
Sentado do seu lado
De frente para o mar
Depois que fui beijado
Parecia flutuar
Que vive sem razão
Mas sempre foi guiado
Pela força da emoção
Espero estar certo
E pronto para amar
Pra tudo que vier
Pra tudo que passar
Então sonhar com você
Pensar em você
Todos os dias
Então sonhar com você
Pensar em você na esperança de te ter
24 horas do dia
Descrevo meu destino
Seguindo o seu caminho
E aprendendo a amar
Com o brilho no olhar
Sentado do seu lado
De frente para o mar
Depois que fui beijado
Parecia flutuar
920
Felipe Vianna
POETA
Nenhum poeta
Faz poesia do que não sente.
Se não sente,
Não faz poesia;
Apenas escreve linhas.
Só o sofrimento mais profundo
Transforma a tinta da caneta
Em lágrimas de dor.
Só a paixão mais forte dá ao poeta,
Na sensação do lápis deslizar no papel,
O prazer do carinho nas costas de sua amada.
Ser poeta é sofrer mais,
É amar mais,
É sentir mais,
E não ter vergonha de passar ao papel
Seus sentimentos mais íntimos.
20/12/2000
Faz poesia do que não sente.
Se não sente,
Não faz poesia;
Apenas escreve linhas.
Só o sofrimento mais profundo
Transforma a tinta da caneta
Em lágrimas de dor.
Só a paixão mais forte dá ao poeta,
Na sensação do lápis deslizar no papel,
O prazer do carinho nas costas de sua amada.
Ser poeta é sofrer mais,
É amar mais,
É sentir mais,
E não ter vergonha de passar ao papel
Seus sentimentos mais íntimos.
20/12/2000
670
Mario Benedetti
Vice-versa
Tenho medo de ver-te
necessidade de ver-te
esperança de ver-te
insipidezes de ver-te
tenho ganas de encontrar-te
preocupação de encontrar-te
certeza de encontrar-te
pobres dúvidas de encontrar-te
tenho urgência de ouvir-te
alegria de ouvir-te
boa sorte de ouvir-te
e temores de ouvir-te
ou seja
resumindo
estou danado
e radiante
talvez mais o primeiro
que o segundo
e também
vice-versa
necessidade de ver-te
esperança de ver-te
insipidezes de ver-te
tenho ganas de encontrar-te
preocupação de encontrar-te
certeza de encontrar-te
pobres dúvidas de encontrar-te
tenho urgência de ouvir-te
alegria de ouvir-te
boa sorte de ouvir-te
e temores de ouvir-te
ou seja
resumindo
estou danado
e radiante
talvez mais o primeiro
que o segundo
e também
vice-versa
3 367
Carlos Enrique Ungo
E que venha a noite
Presenteia-me o riso de teus olhos
a tênue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a umidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor
amor
e que venha a noite...
a tênue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a umidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor
amor
e que venha a noite...
896
Rubén Darío
Amo, amas
Amar, amar, amar, amar sempre, com todo
O ser e com a terra e com o céu,
Com o claro do sol escuro do lodo:
Amar por toda ciência e amar, por todo desejo,
E quando a montanha da vida
Nos seja dura e longa e alta e cheia de abismos,
Amar a imensidade que é de amor acesa
E arder na fusão de nossos peitos mesmos!
O ser e com a terra e com o céu,
Com o claro do sol escuro do lodo:
Amar por toda ciência e amar, por todo desejo,
E quando a montanha da vida
Nos seja dura e longa e alta e cheia de abismos,
Amar a imensidade que é de amor acesa
E arder na fusão de nossos peitos mesmos!
2 211
Alfonsina Storni
Dorme tranqüilo
Falaste a palavra que enamora
meus ouvidos. Já esqueceste? Bom.
Dorme tranqüilo, deve estar sereno
e charmoso o teu rosto a toda hora.
Quando encanta a boca sedutora
deve ser fresca, seu dizer ameno;
Para teu ofício de amante não é bom
o rosto ardido de quem muito chora.
Reclamam-te destinos mais gloriosos
que o de levar, entre os negros poços
das olheiras, o olhar em duelo.
Cobre de belas vítimas o solo!
Mais dano ao mundo fez a espada fátua
de algum bárbaro rei e tem estátua.
meus ouvidos. Já esqueceste? Bom.
Dorme tranqüilo, deve estar sereno
e charmoso o teu rosto a toda hora.
Quando encanta a boca sedutora
deve ser fresca, seu dizer ameno;
Para teu ofício de amante não é bom
o rosto ardido de quem muito chora.
Reclamam-te destinos mais gloriosos
que o de levar, entre os negros poços
das olheiras, o olhar em duelo.
Cobre de belas vítimas o solo!
Mais dano ao mundo fez a espada fátua
de algum bárbaro rei e tem estátua.
934
Nálu Nogueira
Fazer estrelas
Fazer amor como
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.
Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.
Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.
845
Olga Savary
Ycatu
E assim vou
com a fremente mão do mar em minhas coxas.
Minha paixão? Uma armadilha de água,
rápida como peixes,
lenta como medusas,
muda como ostras.
(*Do tupi: água boa)
com a fremente mão do mar em minhas coxas.
Minha paixão? Uma armadilha de água,
rápida como peixes,
lenta como medusas,
muda como ostras.
(*Do tupi: água boa)
3 276
Ana Mafalda Leite
Papoilas
estou opiada de ti
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas
o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro
aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me
qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos
coisa estranha
opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro
para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas
o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro
aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me
qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos
coisa estranha
opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro
para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras
1 618
Anna Maria Feitosa
Instante
A vida é essa luz
No teu rosto
é esse brilho
Inconstante
Dos teus olhos
Na penumbra.
Essa paixão
Esse instante fugaz.
A vida é só isso
é só isso
Nada mais.
No teu rosto
é esse brilho
Inconstante
Dos teus olhos
Na penumbra.
Essa paixão
Esse instante fugaz.
A vida é só isso
é só isso
Nada mais.
1 004
Vera Maya
Desejo
essa brasa
essa chama
esse lume
esse fogo
esse forno
essa caldeira
ah, esse amor
que arde
incendeia
esse corpo
essa fornalha
essa fogueira
essa alma
essa queimada
que se alastra
em labareda
me envolvo
a noite inteira
ah, essa paixão
me acende
me inflama
me consome e me transforma
em tocha huma.
essa chama
esse lume
esse fogo
esse forno
essa caldeira
ah, esse amor
que arde
incendeia
esse corpo
essa fornalha
essa fogueira
essa alma
essa queimada
que se alastra
em labareda
me envolvo
a noite inteira
ah, essa paixão
me acende
me inflama
me consome e me transforma
em tocha huma.
792
Patrícia Clemente
Sensatez
Se eu fosse sóbria e séria, se sensata,
Do amor, tomava um trago a cada dia,
Com calma, em paz, em cálida alegria,
Se eu fosse sóbria, sim,
Isso eu faria.
Seu fosse sóbria e séria, se sensata,
Do cultos a verdade aceitaria,
Um bom pastor, não Deus pra ser meu guia,
Se eu fosse sábia, sim,
Eu buscaria.
Seu fosse sóbria e séria, se sensata,
Casada e gorda, comportada e fria.
Um mundo bom, o amor de uma família,
Se eu fosse séria, sim,
Eu já teria.
Mas a paixão não quer a sobriedade,
Nem seriedade sabe o coração,
E quem busca o calor da divindade
Não se consola com religião.
E não sou sóbria e séria e nem sensata,
Eu meço a hipocrisia dos contentes
E ao justo criador nada mais peço
Que a luz do Sol, pra me afiar os dentes
Do amor, tomava um trago a cada dia,
Com calma, em paz, em cálida alegria,
Se eu fosse sóbria, sim,
Isso eu faria.
Seu fosse sóbria e séria, se sensata,
Do cultos a verdade aceitaria,
Um bom pastor, não Deus pra ser meu guia,
Se eu fosse sábia, sim,
Eu buscaria.
Seu fosse sóbria e séria, se sensata,
Casada e gorda, comportada e fria.
Um mundo bom, o amor de uma família,
Se eu fosse séria, sim,
Eu já teria.
Mas a paixão não quer a sobriedade,
Nem seriedade sabe o coração,
E quem busca o calor da divindade
Não se consola com religião.
E não sou sóbria e séria e nem sensata,
Eu meço a hipocrisia dos contentes
E ao justo criador nada mais peço
Que a luz do Sol, pra me afiar os dentes
1 164
Louise Labé
Soneto
Nem heróis como Ulisses e outros mais
Por mais sagazes e por mais divinos
Cheios de graça e louros peregrinos
Desafios provaram aos meus iguais.
Brilho desses olhos tão sensuais
Tanto inflamou meus sonhos femininos
Que para meus ardores repentinos
Não há remédio, se vós não mo dais.
Ó dura sorte, que me faz igual
A quem pede socorro ao escorpião
Contra o veneno do mesmo animal.
Só peço que não me venha a fenecer
Esse desejo no meu coração
Porque, sem ele, é bem melhor morrer.
Por mais sagazes e por mais divinos
Cheios de graça e louros peregrinos
Desafios provaram aos meus iguais.
Brilho desses olhos tão sensuais
Tanto inflamou meus sonhos femininos
Que para meus ardores repentinos
Não há remédio, se vós não mo dais.
Ó dura sorte, que me faz igual
A quem pede socorro ao escorpião
Contra o veneno do mesmo animal.
Só peço que não me venha a fenecer
Esse desejo no meu coração
Porque, sem ele, é bem melhor morrer.
1 185
Maria Teresa M. Carrilho
Como uma flor vermelha, a abrir
Na noite pálida
e na madrugada
anunciada
sobressais tu,
meu amor
O riso e as lágrimas
envolventes
misturam-se
em catadupas quentes
e no meio do riso cheio
insolente até,
sobressais tu,
meu amor
Apologia, para quê?
tudo está concentrado
vivido
consumado
por causa de ti
e em ti,
meu amor
Contigo
o leito do rio distancia-se
e no meio
sobressais tu
no teu esplendor
como uma flor
plena e vermelha
a abrir...
e na madrugada
anunciada
sobressais tu,
meu amor
O riso e as lágrimas
envolventes
misturam-se
em catadupas quentes
e no meio do riso cheio
insolente até,
sobressais tu,
meu amor
Apologia, para quê?
tudo está concentrado
vivido
consumado
por causa de ti
e em ti,
meu amor
Contigo
o leito do rio distancia-se
e no meio
sobressais tu
no teu esplendor
como uma flor
plena e vermelha
a abrir...
810
Teca
Um sonho lindo
Deixe que meus olhos se fechem
E confiem um minuto nos teus
Olhe por mim, proteja meu sonho
Vigie meu descanso e me afaste de mágoas
Me envolva em teus braços e cuide,
Cuide um pouquinho de mim
Já não sou forte, preciso de apoio
Preciso do teu apoio, do teu abraço,
do teu sentido
E responda a quem perguntar:
"Ela agora está quietinha
Ela agora está comigo
Ela agora é toda minha
E decidiu descansar
Descansar no meu carinho
Adormecer no meu peito
Deixem a minha menina
Ela agora vai sonhar"
Vou sonhar com tua boca
Com tuas mãos, com teu beijo
Com teu corpo em minha pele
Com tudo que quero de ti
Vou me entregar neste sonho
E assim que despertar
Não quero ter nem saudade
Vou transportar todo ele
Para este nosso mundo
Vou fazer de um sonho lindo
A nossa realidade.
E confiem um minuto nos teus
Olhe por mim, proteja meu sonho
Vigie meu descanso e me afaste de mágoas
Me envolva em teus braços e cuide,
Cuide um pouquinho de mim
Já não sou forte, preciso de apoio
Preciso do teu apoio, do teu abraço,
do teu sentido
E responda a quem perguntar:
"Ela agora está quietinha
Ela agora está comigo
Ela agora é toda minha
E decidiu descansar
Descansar no meu carinho
Adormecer no meu peito
Deixem a minha menina
Ela agora vai sonhar"
Vou sonhar com tua boca
Com tuas mãos, com teu beijo
Com teu corpo em minha pele
Com tudo que quero de ti
Vou me entregar neste sonho
E assim que despertar
Não quero ter nem saudade
Vou transportar todo ele
Para este nosso mundo
Vou fazer de um sonho lindo
A nossa realidade.
869
Manuela Amaral
De nós em limite
Na luta da posse
meu corpo guerreiro
batalha no teu
Meus beijos em seta
percorrem a meta
atingem loucura
No espaço liberto
da minha procura
tu és o limite
meu corpo guerreiro
batalha no teu
Meus beijos em seta
percorrem a meta
atingem loucura
No espaço liberto
da minha procura
tu és o limite
1 655
Claudia Pastore
Meu poema
Cada vez mais e mais
Eu te vejo mais
Orgânico
Mais azul
Quisera saber
O porquê
A razão
Me destes a cor
és todo azul
Azul que incendeia
Azul que inebria
Azul que mete medo
Não és o mar
Tão pouco o céu
Lugares-comuns
Prá um azul
Tão azul
És um azul inteiro
Um azul que tenho
Tinteiro que jorra
E que cai pelo ar
Calor que conduz
Sangue pisado
Difícil e doce
Mormaço melaço
És a poesia
Que fala do azul
E que não encontra
No azul
O todo-você
Que é assim
Só prá mim
Azul
Ao sul
Do meu ser
Azul
Que passa
Brilhando
Por todo o meu corpo
Mas todo, inteirinho...
O meu corpo nu.
Eu te vejo mais
Orgânico
Mais azul
Quisera saber
O porquê
A razão
Me destes a cor
és todo azul
Azul que incendeia
Azul que inebria
Azul que mete medo
Não és o mar
Tão pouco o céu
Lugares-comuns
Prá um azul
Tão azul
És um azul inteiro
Um azul que tenho
Tinteiro que jorra
E que cai pelo ar
Calor que conduz
Sangue pisado
Difícil e doce
Mormaço melaço
És a poesia
Que fala do azul
E que não encontra
No azul
O todo-você
Que é assim
Só prá mim
Azul
Ao sul
Do meu ser
Azul
Que passa
Brilhando
Por todo o meu corpo
Mas todo, inteirinho...
O meu corpo nu.
816
Gisele Mazzonetto
Doce amargura
Amor bandido
Tempo perdido
Selva de pedra
Noites sem fim
Amo você e sempre foi assim
O amor no meu peito
Nunca vai ter fim
Você me adora
E me devora
E eu no meu canto
Espantando o pranto
Vivo aguardando o grande fim
Tempo perdido
Selva de pedra
Noites sem fim
Amo você e sempre foi assim
O amor no meu peito
Nunca vai ter fim
Você me adora
E me devora
E eu no meu canto
Espantando o pranto
Vivo aguardando o grande fim
825
Réca Poletti
Caminhando
vou abocanhando leve
as peles morenas
ou pálidas
vou deitando
em cada uma
me plantando
em cada corpo
vou beijando
bocas pretas
e vermelhas
e tocando as línguas quentes
vou bebendo
todos os amores
cuspindo
todos os venenos.
as peles morenas
ou pálidas
vou deitando
em cada uma
me plantando
em cada corpo
vou beijando
bocas pretas
e vermelhas
e tocando as línguas quentes
vou bebendo
todos os amores
cuspindo
todos os venenos.
979
Angela Melim
Um amor impossível
para Márcia
Amanhã
este fogo cresce.
Amanhã, tremor
Amanhã, suspiro.
Insiste
um amor impossível
amanhã.
Insiste,
sim.
Um amor impossível pode ser amanhã.
Amanhã
este fogo cresce.
Amanhã, tremor
Amanhã, suspiro.
Insiste
um amor impossível
amanhã.
Insiste,
sim.
Um amor impossível pode ser amanhã.
1 373
Rita Barém de Melo
Vem!
Vem! Que t importa que maldiga o mundo
O amor profundo que nos liga? vem;
Vem, que nos vales de cheirosas flores,
Nossos amores viçarão também.
Vem! de joelhos nos tapiz de nardo
Há de te o brado suspirar idílios,
Cantar-te a face rosejada em pranto,
O orvalho santo do frouxel dos cílios.
Pensa na sombra da floresta virgem...
Nesta vertigem ... nestamor ali!...
Aves felizes no sendal dos ramos
Seremos: vamos, que o serei por ti!
Vamos unidos como a luz ao astro
O amor da Castro na soidão lembrá-lo,
Nas longas plumas que a palmeira agita
A alma palpita de Virgínia e Paulo.
Que mais tu queres, anjo e flor? Escuta:
Quem ama luta? Não lutemos, vem!
Vamos aos vales de cheirosas flores,
Que é flor damores meu amor também.
Olha, de tarde quando o sol se esconde
Diz-me tu onde mais poesia viste?
Calam-se os ventos - só a brisa arrula -
O céu se azula - mas o céu é triste.
Pois bem, o bardo na soidão exprime
Na voz sublime dum arcanjo a voz:
Hei de dos seios arrancar os lírios
Dos meus delírios, pra tos dar - a sós. -
Perdidos ambos no deserto infinito
Que sonho lindo, que visões também!
E o éter puro como véu destrelas...
E a chama delas a tremer além!...
"Mas quando um dia desbotar-se o prado?
Quando o valado se cobrir de gelos?
Ai! tu só vives - beija-flor - de orvalhos
Em verdes galhos de sonhares belos!
Qu importa o prado de cheirosas flores
Se teus amores morrerão também!"
Quando morrerem, morrerão comigo
E ao céu contigo voarei - Oh! vem!
"Oh! não! Minhalma se coroa em flores;
Nos esplendores de celeste aurora;
Deus abençoa só amores santos
Cala teus cantos: morrerás agora?"
(Rio Grande, julho de 1867)
O amor profundo que nos liga? vem;
Vem, que nos vales de cheirosas flores,
Nossos amores viçarão também.
Vem! de joelhos nos tapiz de nardo
Há de te o brado suspirar idílios,
Cantar-te a face rosejada em pranto,
O orvalho santo do frouxel dos cílios.
Pensa na sombra da floresta virgem...
Nesta vertigem ... nestamor ali!...
Aves felizes no sendal dos ramos
Seremos: vamos, que o serei por ti!
Vamos unidos como a luz ao astro
O amor da Castro na soidão lembrá-lo,
Nas longas plumas que a palmeira agita
A alma palpita de Virgínia e Paulo.
Que mais tu queres, anjo e flor? Escuta:
Quem ama luta? Não lutemos, vem!
Vamos aos vales de cheirosas flores,
Que é flor damores meu amor também.
Olha, de tarde quando o sol se esconde
Diz-me tu onde mais poesia viste?
Calam-se os ventos - só a brisa arrula -
O céu se azula - mas o céu é triste.
Pois bem, o bardo na soidão exprime
Na voz sublime dum arcanjo a voz:
Hei de dos seios arrancar os lírios
Dos meus delírios, pra tos dar - a sós. -
Perdidos ambos no deserto infinito
Que sonho lindo, que visões também!
E o éter puro como véu destrelas...
E a chama delas a tremer além!...
"Mas quando um dia desbotar-se o prado?
Quando o valado se cobrir de gelos?
Ai! tu só vives - beija-flor - de orvalhos
Em verdes galhos de sonhares belos!
Qu importa o prado de cheirosas flores
Se teus amores morrerão também!"
Quando morrerem, morrerão comigo
E ao céu contigo voarei - Oh! vem!
"Oh! não! Minhalma se coroa em flores;
Nos esplendores de celeste aurora;
Deus abençoa só amores santos
Cala teus cantos: morrerás agora?"
(Rio Grande, julho de 1867)
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