Poemas neste tema
Recomeço e Renascimento
Renato Russo
Vamos fazer um filme
Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
- O sistema é maus, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Sem essa de que: "- Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Vamos fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
- O sistema é maus, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Sem essa de que: "- Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Vamos fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
1 173
Renata Trocoli
Sem Titulo VI
É engraçado como a amizade
pode mudar as coisas.
A amizade chegou toda meiguinha, sorridente.
E não é que era amizade verdadeira!?
Veio devagarinho,
chegou para mim com jeitinho carinhoso
e olharzinho meio perdido, seguro e inseguro.
Mas com sorriso maroto.
Andou até mim e entrou mais uma vez,
mas dessa vez foi para ficar.
Essa amizade substitui um amor perdido,
supera uma dor aguda
e cura desilusões profundas...
Porque é simplesmente amizade verdadeira,
que vem do coração sem pedir nada,
sem exigir nada.
Quem sabe apenas um sorriso sincero
e um aperto de mão.
Talvez uma abraço, uma ombro,
um carinho, amor de irmão.
Amizade é assim.
Vem, fica e ilumina.
Com apenas um olhar
e um esboço de sorriso.
Assim a amizade cativa
e dura até o fim da vida.
pode mudar as coisas.
A amizade chegou toda meiguinha, sorridente.
E não é que era amizade verdadeira!?
Veio devagarinho,
chegou para mim com jeitinho carinhoso
e olharzinho meio perdido, seguro e inseguro.
Mas com sorriso maroto.
Andou até mim e entrou mais uma vez,
mas dessa vez foi para ficar.
Essa amizade substitui um amor perdido,
supera uma dor aguda
e cura desilusões profundas...
Porque é simplesmente amizade verdadeira,
que vem do coração sem pedir nada,
sem exigir nada.
Quem sabe apenas um sorriso sincero
e um aperto de mão.
Talvez uma abraço, uma ombro,
um carinho, amor de irmão.
Amizade é assim.
Vem, fica e ilumina.
Com apenas um olhar
e um esboço de sorriso.
Assim a amizade cativa
e dura até o fim da vida.
850
Roberto Pontes
Louvação
De muitos pores-de-sóis
vou renascendo Fênix.
A noite se polui
no azul de estrelas novas
e as constelações xixizam
pó metálico no espaço.
Um doce frio
gruda em minha pele.
Então se aguarda uma aurora grave.
Então eu sinto o tempo derramado.
vou renascendo Fênix.
A noite se polui
no azul de estrelas novas
e as constelações xixizam
pó metálico no espaço.
Um doce frio
gruda em minha pele.
Então se aguarda uma aurora grave.
Então eu sinto o tempo derramado.
906
Paulo Lopes da Silva
Haicai
Metamorfose
A lagarta preta
Batendo as asas, se erguendo
Vira borboleta.
Apelo à natureza
Que o clima sagrado
Cresça o fruto e o amadureça
Bem adocicado!
A lagarta preta
Batendo as asas, se erguendo
Vira borboleta.
Apelo à natureza
Que o clima sagrado
Cresça o fruto e o amadureça
Bem adocicado!
1 377
Pedro Paulo de Sena Madureira
Assim esqueço
Assim esqueço
e me renego.
Assim me abro
me aperto
e renasço ou desespero.
Assim me ergo
no cume deste lume
que não enxergo.
Assim me entrego
me prendo
reaprendo o que sonego.
Assim me transpasso
e integro o aço que me caça
com a brasa de sua acha.
Assim a hora e sua mora
assim do tempo os juros
que pago e não reclamo.
Assim — que não se apaga
— este fogo, cresce e lastra
o laivo túrgido
de um astro que me castra
e no chão fúlgido de minha queda
(urtiga que medra e me exaspera)
de era em era
de pedra em pedra
caído em meu mistério
assim de raiva
e sonho recomeço.
e me renego.
Assim me abro
me aperto
e renasço ou desespero.
Assim me ergo
no cume deste lume
que não enxergo.
Assim me entrego
me prendo
reaprendo o que sonego.
Assim me transpasso
e integro o aço que me caça
com a brasa de sua acha.
Assim a hora e sua mora
assim do tempo os juros
que pago e não reclamo.
Assim — que não se apaga
— este fogo, cresce e lastra
o laivo túrgido
de um astro que me castra
e no chão fúlgido de minha queda
(urtiga que medra e me exaspera)
de era em era
de pedra em pedra
caído em meu mistério
assim de raiva
e sonho recomeço.
919
Paulo Henrique Góes Souza
Reminiscência
Um dia, o vento não soprará
E tu chegarás das cinzas,
Tal como Fênix
Saindo do álbum de retratos
Onde moras,
Que se foi há tempo
Nas chamas da ilusão...
Um dia, quando tu fizeres parte de mim,
E eu puder te tocar,
E fazer de ti minha mulher,
Serei eu o homem
Mais feliz de toda a corte,
Acho mesmo que de todo o mundo,
Pois voltarei ao tempo
Onde o passado será o presente,
E colherei o lírio que não te dei
E o beijo que não te roubei!...
Temo acordar de repente
E perceber em que século estou
E o olhar para as muralhas do tempo,
Aprisionando-me ao limite da memória
Onde a plena percepção chega apenas
Em forma de intuição
Nas brechas profundamente marcadas
Em minha alma...
Padeço
Pela mera possibilidade do fechamento desta fenda,
Agoira cavada por mim,
Neste instante de consciência,
Pois, se assim o for,
Perder-me-ei no amor reminiscente,
E o brilho dos teus olhos não se fará presente
Aos meus,
E tudo emudecerá,
Pois não mais ouvirei tua voz...
E tu chegarás das cinzas,
Tal como Fênix
Saindo do álbum de retratos
Onde moras,
Que se foi há tempo
Nas chamas da ilusão...
Um dia, quando tu fizeres parte de mim,
E eu puder te tocar,
E fazer de ti minha mulher,
Serei eu o homem
Mais feliz de toda a corte,
Acho mesmo que de todo o mundo,
Pois voltarei ao tempo
Onde o passado será o presente,
E colherei o lírio que não te dei
E o beijo que não te roubei!...
Temo acordar de repente
E perceber em que século estou
E o olhar para as muralhas do tempo,
Aprisionando-me ao limite da memória
Onde a plena percepção chega apenas
Em forma de intuição
Nas brechas profundamente marcadas
Em minha alma...
Padeço
Pela mera possibilidade do fechamento desta fenda,
Agoira cavada por mim,
Neste instante de consciência,
Pois, se assim o for,
Perder-me-ei no amor reminiscente,
E o brilho dos teus olhos não se fará presente
Aos meus,
E tudo emudecerá,
Pois não mais ouvirei tua voz...
918
Ona Gaia
Diferença
Nada que retorna é o mesmo
tampouco é cópia
do que sempre foi...
se você não é aquele
muito menos o será depois
pois aquele não é o mesmo
que um dia lhe pareceu que foi
tudo que retorna é o próprio
tão diferente
do que um dia foi
que aquele que um dia foi sapo
hoje é poeira
quiçá amanhã?
novamente estrela...
tampouco é cópia
do que sempre foi...
se você não é aquele
muito menos o será depois
pois aquele não é o mesmo
que um dia lhe pareceu que foi
tudo que retorna é o próprio
tão diferente
do que um dia foi
que aquele que um dia foi sapo
hoje é poeira
quiçá amanhã?
novamente estrela...
971
Oddone Marsiaj
Haicai
Campos queimados
Voltarão o verde e
As borboletas?
Vento nas ilhas
Gaivotas sobre o mar
Imitam veleiros
Voltarão o verde e
As borboletas?
Vento nas ilhas
Gaivotas sobre o mar
Imitam veleiros
1 079
Maria de Lourdes Hortas
Estações
Poderia afogar-me
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
1 022
Mário Donizete Massari
Ruínas
Nos escombros
que se alargam à visão
o pássaro refaz
o vôo da liberdade
Sua missão é importantíssima
pois dela depende
a sua própria
reconstrução
As ruínas são evidentes
e o pássaro se agarra
às forças que ainda lhe
restam
Chega-lhe ao aparelho
auditivo
o badalar de um sino
anunciação do novo pássaro
a surgir
Não de um lugar distante
mas de dentro de si
Não há monumentos
nem templos gigantes
apenas o elo
pássaro-descobrir-se
e num dia qualquer, um cidadão comum
retirou de suas ruínas a importância
de ser livre. Enfim . . .
que se alargam à visão
o pássaro refaz
o vôo da liberdade
Sua missão é importantíssima
pois dela depende
a sua própria
reconstrução
As ruínas são evidentes
e o pássaro se agarra
às forças que ainda lhe
restam
Chega-lhe ao aparelho
auditivo
o badalar de um sino
anunciação do novo pássaro
a surgir
Não de um lugar distante
mas de dentro de si
Não há monumentos
nem templos gigantes
apenas o elo
pássaro-descobrir-se
e num dia qualquer, um cidadão comum
retirou de suas ruínas a importância
de ser livre. Enfim . . .
886
Maria Rita Kehl
corte de cabelos para ficar triste
Tipo faça-você-mesma. Trabalho incansável.
Pode durar uma noite -- ou mais -- fio por fio --
a memória na ponta da tesoura,
obcecada,
Medo crescente. Medo até a paixão.
Ou até conferir pelo espelho:
aquela lá morreu mesmo.
Pode durar uma noite -- ou mais -- fio por fio --
a memória na ponta da tesoura,
obcecada,
Medo crescente. Medo até a paixão.
Ou até conferir pelo espelho:
aquela lá morreu mesmo.
1 495
António Manuel Couto Viana
Alegoria
Fruto tão maduro
Que me apodreceu.
Foi-se a colheita do futuro:
Podeis aproveitar, aves do céu!
Pomar de luto.
Venha outro Outono pra me consolar;
Outro fruto
Que mate a minha fome e sede de cantar.
E não mais espantalhos a suster
A gula natural dos meus sentidos:
Seja, enfim, livre pra morder,
Ainda verde, o que nascer
Destes ramos despidos!
Que me apodreceu.
Foi-se a colheita do futuro:
Podeis aproveitar, aves do céu!
Pomar de luto.
Venha outro Outono pra me consolar;
Outro fruto
Que mate a minha fome e sede de cantar.
E não mais espantalhos a suster
A gula natural dos meus sentidos:
Seja, enfim, livre pra morder,
Ainda verde, o que nascer
Destes ramos despidos!
1 740
Mário Donizete Massari
Reconstrução
Reconstruir a fé
Moldada em desejos
vãos
Sentir-se parte do todo
projeto da reconstrução
sem brilho nos olhos
mas brilhos nas mãos
tecer gestos
construir corações
caminhos serão palavras
e as palavras nossas armas
para que juntos possamos
construir a nossa paz
Reconstruir a vida
no sentido mais amplo
e acima de tudo
sentir-se projeto da reconstrução
Moldada em desejos
vãos
Sentir-se parte do todo
projeto da reconstrução
sem brilho nos olhos
mas brilhos nas mãos
tecer gestos
construir corações
caminhos serão palavras
e as palavras nossas armas
para que juntos possamos
construir a nossa paz
Reconstruir a vida
no sentido mais amplo
e acima de tudo
sentir-se projeto da reconstrução
680
Maurício Batarce
Prazer
Gostos se misturam com sabores
E uma sensação de prazer invade meu ser.
Uma visão inconfundível de cores
Demonstram meu renascer.
Uma nuvem,
Com as formas circulares da Terra,
Encontra a Liberdade
E ao fundo um céu se abre...
Passo a sentir o topo das montanhas
E capto os caminhos do Horizonte.
O mar invade a areia
E as curvas do arco-íris se cruzam.
A floresta do conhecer
Abre passagem e a vida de muitos seres
Transmite força ao meu viver...
Em sonho o frescor de uma brisa
Toca minha face
E ao fundo um som se amplifica,
Demonstrando a energia cósmica...
Capacidade eterna de viver...
Prazer...
E uma sensação de prazer invade meu ser.
Uma visão inconfundível de cores
Demonstram meu renascer.
Uma nuvem,
Com as formas circulares da Terra,
Encontra a Liberdade
E ao fundo um céu se abre...
Passo a sentir o topo das montanhas
E capto os caminhos do Horizonte.
O mar invade a areia
E as curvas do arco-íris se cruzam.
A floresta do conhecer
Abre passagem e a vida de muitos seres
Transmite força ao meu viver...
Em sonho o frescor de uma brisa
Toca minha face
E ao fundo um som se amplifica,
Demonstrando a energia cósmica...
Capacidade eterna de viver...
Prazer...
1 025
Marcelo Almeida de Oliveira
Chuva
Chuva lava
leva tudo
toda lama
chove mundo
sujo ama
leva tudo
todo ódio
toda mente
chove gente.
leva tudo
toda lama
chove mundo
sujo ama
leva tudo
todo ódio
toda mente
chove gente.
1 120
Majela Colares
O Silêncio da Flor
Foi quando as flores não vingaram frutos:
(nos secos ramos, ressecaram tardes)
as folhas murchas despencaram pálidas
se dispersaram contornando rastros
pelos caminhos conspiravam fugas
levando marcas de uma morte lenta,
porque raízes omitiram seiva
para mante-las sempre ao caule, sempre...
mas foi da terra sim, que a morte veio
do chão que a planta ruminava nuvens,
o fio de água, transformado em lodo,
contido pela rigidez da argila.
Foi quando as folhas se acharam adubo:
(nas secas tardes, renasceram ramos)
antigas folhas inundando o caule,
imune seiva, frutos-flores, quando...
(nos secos ramos, ressecaram tardes)
as folhas murchas despencaram pálidas
se dispersaram contornando rastros
pelos caminhos conspiravam fugas
levando marcas de uma morte lenta,
porque raízes omitiram seiva
para mante-las sempre ao caule, sempre...
mas foi da terra sim, que a morte veio
do chão que a planta ruminava nuvens,
o fio de água, transformado em lodo,
contido pela rigidez da argila.
Foi quando as folhas se acharam adubo:
(nas secas tardes, renasceram ramos)
antigas folhas inundando o caule,
imune seiva, frutos-flores, quando...
1 298
Majela Colares
A Sombra da Mão
Ferro
fogo
nau
e firmamento...
mentes de enxofre
olhos de laser
anjos de aço circundam a órbita
pairam no ar
bailam no ar
o céu é cinza
os homens, loucos, caem vorazmente
decepcionados com a sua própria crença
desesperados
recorrem, quem sabe, a Shakespeare:
Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio,
do que pode sonhar a nossa vã filosofia.
É tarde.
A humanidade implode graças a sua duvidosa crença
o último grito
(último lamento)
não chega a transcender à sua debilitada existência
não vai além dos seus rudimentares tímpanos
jamais chegará
ao aguçado ouvido do universo.
É tarde.
Muito tarde.
Coisa nenhuma subsiste,
bem dizia Lucrécio,
mas tudo flui.
Uma gota de orvalho
cai cristalina e lentamente
no eterno e abissal azul
a terra move-se
séculos recomeçam...
anjos de aço,
pairam no ar,
bailam no ar...
quousque tanden?
Quousque tanden?
fogo
nau
e firmamento...
mentes de enxofre
olhos de laser
anjos de aço circundam a órbita
pairam no ar
bailam no ar
o céu é cinza
os homens, loucos, caem vorazmente
decepcionados com a sua própria crença
desesperados
recorrem, quem sabe, a Shakespeare:
Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio,
do que pode sonhar a nossa vã filosofia.
É tarde.
A humanidade implode graças a sua duvidosa crença
o último grito
(último lamento)
não chega a transcender à sua debilitada existência
não vai além dos seus rudimentares tímpanos
jamais chegará
ao aguçado ouvido do universo.
É tarde.
Muito tarde.
Coisa nenhuma subsiste,
bem dizia Lucrécio,
mas tudo flui.
Uma gota de orvalho
cai cristalina e lentamente
no eterno e abissal azul
a terra move-se
séculos recomeçam...
anjos de aço,
pairam no ar,
bailam no ar...
quousque tanden?
Quousque tanden?
893
Luis Germano Graal
Se de Repente
Se de repente
Subitamente
A qualquer instante
A qualquer momento
De repente e não mais que de repente
A gente
Ressuscitar
Se tudo o que aconteceu
Foi
Pantonima
Truque
Magia
Função de circo?
Se das cinzas
Se dos restos incendiados
Desta nave
Renascer
Aquela ave
Que antigamente renascia?
Se a gente parar de fazer perguntas
E procurar respostas?
Se as palavras
Pularem dos livros e das petições
Deixando todas as páginas
Em branco?
Se as folhas de papel
Retornarem
Às árvores originais?
Se as árvores originas
Voltarem
Aos elementos que foram antes?
Se o próprio antes retornar
Voltar
Ao que tinha sido ainda antes?
Subitamente
A qualquer instante
A qualquer momento
De repente e não mais que de repente
A gente
Ressuscitar
Se tudo o que aconteceu
Foi
Pantonima
Truque
Magia
Função de circo?
Se das cinzas
Se dos restos incendiados
Desta nave
Renascer
Aquela ave
Que antigamente renascia?
Se a gente parar de fazer perguntas
E procurar respostas?
Se as palavras
Pularem dos livros e das petições
Deixando todas as páginas
Em branco?
Se as folhas de papel
Retornarem
Às árvores originais?
Se as árvores originas
Voltarem
Aos elementos que foram antes?
Se o próprio antes retornar
Voltar
Ao que tinha sido ainda antes?
869
Lígia Diniz
Meus Filhos
Fechei a porta
Finalmente o vento parou de bater
O monstro alado parou de lutar
Fechei a porta no último minuto
Nem precisei usar força
Talvez nem mesmo a tenha fechado
Ela se fechou sozinha
Como quando o vento muda de direção.
Saí para ver o céu
Finalmente a chuva parou de cair
As gotas grossas pararam de me machucar
Saí para ver o céu no último dia
Nem precisei esperar
Talvez nem mesmo tenha saído
O céu entrou em mim
Como quando fechamos os olhos e ainda vemos a luz.
Finalmente o vento parou de bater
O monstro alado parou de lutar
Fechei a porta no último minuto
Nem precisei usar força
Talvez nem mesmo a tenha fechado
Ela se fechou sozinha
Como quando o vento muda de direção.
Saí para ver o céu
Finalmente a chuva parou de cair
As gotas grossas pararam de me machucar
Saí para ver o céu no último dia
Nem precisei esperar
Talvez nem mesmo tenha saído
O céu entrou em mim
Como quando fechamos os olhos e ainda vemos a luz.
980
Luís Canelo de Noronha
Décimas
Nascer o Sol no Ocidente,
quem jamais tal coisa viu,
se na oposição caiu
ser Sol posto, e Sol oriente?
Mas bem caiu, que um luzente
e mais gigante farol,
mostrando novo arrebol
quando aquele Sol caía,
Sol mais claro então se erguia
para ser o Sol do Sol.
Pôr o Oriente no Ocaso,
fazer do morrer nascer,
inui maior poder,
e faz assombroso o caso;
faz divina e não acaso
esta empresa, pois que assombra,
que se um Sol ao Sol assombra,
e o Sol uma Sombra fica,
em que seja sombra rica
é do Sol o Sol a Sombra.
quem jamais tal coisa viu,
se na oposição caiu
ser Sol posto, e Sol oriente?
Mas bem caiu, que um luzente
e mais gigante farol,
mostrando novo arrebol
quando aquele Sol caía,
Sol mais claro então se erguia
para ser o Sol do Sol.
Pôr o Oriente no Ocaso,
fazer do morrer nascer,
inui maior poder,
e faz assombroso o caso;
faz divina e não acaso
esta empresa, pois que assombra,
que se um Sol ao Sol assombra,
e o Sol uma Sombra fica,
em que seja sombra rica
é do Sol o Sol a Sombra.
1 002
José Eustáquio da Silva
Passou
desfiz todas as minhas ilusões
e as atirei no precipício profundo
da minha realidade
estraçalhei os teus olhos de diamante
devolvendo-te os teus olhos
de um ser humano qualquer
te despi de todos os áureos vestidos
que em sonho te dei
e te fiz novamente nua
apaguei toda poesia que derramei inutilmente
nos poemas feitos em tua homenagem
e quase chorei...
(ou será que chorei?)
abri os olhos para o mundo
e me deixei libertar
enfim, te esqueci...
hoje, vivendo o alívio de tão árduo tormento
ando pelos jardins da vida
colhendo as rosas da minha liberdade
sem temer os espinhos da tua existência
e as atirei no precipício profundo
da minha realidade
estraçalhei os teus olhos de diamante
devolvendo-te os teus olhos
de um ser humano qualquer
te despi de todos os áureos vestidos
que em sonho te dei
e te fiz novamente nua
apaguei toda poesia que derramei inutilmente
nos poemas feitos em tua homenagem
e quase chorei...
(ou será que chorei?)
abri os olhos para o mundo
e me deixei libertar
enfim, te esqueci...
hoje, vivendo o alívio de tão árduo tormento
ando pelos jardins da vida
colhendo as rosas da minha liberdade
sem temer os espinhos da tua existência
1 048
Jorge Nascimento
Temporalidade do Desígnio
Já é tempo de construir o poema,
sentir que tudo foi exposto à crítica
e assim revisitar ocultos locais da mente.
Já é tempo de codificar o estilo,
confrontá-lo com as horas mortas
e reanimar todos os sentimentos vazios.
Já é tempo de atribuir-se condição
e sobrepor-se acima do tédio vital,
reanimando sozinho todas as vicissitudes.
Já é tempo de não contemporizar com os erros
e demonstrá-los na imperfeita tábua da lei,
feita para administrar os mais íntimos conflitos.
Já é tempo de renunciar ao medo e expor-se
aos desígnios do tempo magoados de esperanças.
Já é tempo de retornar ao amor das palavras impronunciadas,
readquirindo confiança na sabedoria das sílabas tortas
e novamente sentir a febre de quem recomeça a vida
com a certeza de estiolar novas e gradativas angústias
em meio ao torpor das inutilidades,
fazendo-se monge da solidão e confessor de si mesmo
e fugir para o desvão das ruas noturnas e becos absconsos.
Somente assim será possível a reconstrução tão almejada
de reflorescer no presente as esperanças mortas do passado
que ainda insistem em sobreviver de alegorias
e expectativas elementares que se iniciam
com a nitidez das auroras e fundam-se
com o ácido arrebol das ilusões partidas.
Já é tempo de recomeçar a viver mais uma vez
cultivando sonhos e recusando realidades
e deste modo retornar tranqüilo e confiante
ao deserto onírico das mágoas crepusculares
tão sábias em tecer enigmas e decifrar antigos sofrimentos.
sentir que tudo foi exposto à crítica
e assim revisitar ocultos locais da mente.
Já é tempo de codificar o estilo,
confrontá-lo com as horas mortas
e reanimar todos os sentimentos vazios.
Já é tempo de atribuir-se condição
e sobrepor-se acima do tédio vital,
reanimando sozinho todas as vicissitudes.
Já é tempo de não contemporizar com os erros
e demonstrá-los na imperfeita tábua da lei,
feita para administrar os mais íntimos conflitos.
Já é tempo de renunciar ao medo e expor-se
aos desígnios do tempo magoados de esperanças.
Já é tempo de retornar ao amor das palavras impronunciadas,
readquirindo confiança na sabedoria das sílabas tortas
e novamente sentir a febre de quem recomeça a vida
com a certeza de estiolar novas e gradativas angústias
em meio ao torpor das inutilidades,
fazendo-se monge da solidão e confessor de si mesmo
e fugir para o desvão das ruas noturnas e becos absconsos.
Somente assim será possível a reconstrução tão almejada
de reflorescer no presente as esperanças mortas do passado
que ainda insistem em sobreviver de alegorias
e expectativas elementares que se iniciam
com a nitidez das auroras e fundam-se
com o ácido arrebol das ilusões partidas.
Já é tempo de recomeçar a viver mais uma vez
cultivando sonhos e recusando realidades
e deste modo retornar tranqüilo e confiante
ao deserto onírico das mágoas crepusculares
tão sábias em tecer enigmas e decifrar antigos sofrimentos.
877
João Marcio Furtado Costa
Reflexão
Reflexão
(03/96)
Não procuro consolo,
A inocência se foi,
Se não fomos um todo,
Nada fomos depois.
Mas eu busco o resgate,
Digo não à razão,
Se cresci no vazio,
Ainda tenho o meu chão.
Nesse resto de estrada,
Se é a paixão quem conduz,
Atravesso o túnel,
Ao encontro da luz.
Quero crer na verdade,
Ressuscito o meu fogo,
Se é fato, a vontade,
Venceremos o jogo.
Recomêço e respeito,
O início, principia do fim.
Se abrires teu peito,
Então serás meu jardim.
Se eu paro e espero,
Vou querer respirar,
Mas se sei o que quero,
Por que não te encontrar?
Rasgo o orgulho, proponho,
Viverás só pra mim!
Instância, és de sonho,
Quando dizes que sim.
Pois mais vale a acolhida,
Que forneces ao par,
E anuncias a vida,
Se puderes me amar.
(03/96)
Não procuro consolo,
A inocência se foi,
Se não fomos um todo,
Nada fomos depois.
Mas eu busco o resgate,
Digo não à razão,
Se cresci no vazio,
Ainda tenho o meu chão.
Nesse resto de estrada,
Se é a paixão quem conduz,
Atravesso o túnel,
Ao encontro da luz.
Quero crer na verdade,
Ressuscito o meu fogo,
Se é fato, a vontade,
Venceremos o jogo.
Recomêço e respeito,
O início, principia do fim.
Se abrires teu peito,
Então serás meu jardim.
Se eu paro e espero,
Vou querer respirar,
Mas se sei o que quero,
Por que não te encontrar?
Rasgo o orgulho, proponho,
Viverás só pra mim!
Instância, és de sonho,
Quando dizes que sim.
Pois mais vale a acolhida,
Que forneces ao par,
E anuncias a vida,
Se puderes me amar.
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José Chagas
Soneto da Manhã Primeira
Quero a manhã exata, a manhã viva,
pois estas luzes e estes vôos na aurora,
são só ensaios de manhãs. E agora
o que eu quero é a manhã definitiva,
a autêntica manhã pura, exclusiva,
manhã nascida de si mesma e fora
desta jubilação falsa e sonora
que só por um momento nos cativa.
Ah, a manhã da última promessa,
manhã de um novo mundo que começa,
mais acessível, mais humano e bom.
Meu Deus, seria como chegasse
a manhã do primeiro sol que nasce,
a cor primeira e do primeiro som.
pois estas luzes e estes vôos na aurora,
são só ensaios de manhãs. E agora
o que eu quero é a manhã definitiva,
a autêntica manhã pura, exclusiva,
manhã nascida de si mesma e fora
desta jubilação falsa e sonora
que só por um momento nos cativa.
Ah, a manhã da última promessa,
manhã de um novo mundo que começa,
mais acessível, mais humano e bom.
Meu Deus, seria como chegasse
a manhã do primeiro sol que nasce,
a cor primeira e do primeiro som.
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