Poemas neste tema
Felicidade e Alegria
Deborah Goulart Visnadi
Ser Criança
Queria ter um dia
só pra comer porcaria:
Sorvete, chocolate e bombom.
Contar os dias de alegria e fantasia.
Querendo por querer.
Não é uma maravilha ?
Jogar videogame, jogar bola,
E depois ir à escola.
Queria ser criança a vida inteira,
E nunca acabar a brincadeira.
Mas ser criança não é tão bom assim,
Todo mundo manda em mim !
Sei que devo aproveitar,
Sou criança, quero brincar!
só pra comer porcaria:
Sorvete, chocolate e bombom.
Contar os dias de alegria e fantasia.
Querendo por querer.
Não é uma maravilha ?
Jogar videogame, jogar bola,
E depois ir à escola.
Queria ser criança a vida inteira,
E nunca acabar a brincadeira.
Mas ser criança não é tão bom assim,
Todo mundo manda em mim !
Sei que devo aproveitar,
Sou criança, quero brincar!
1 791
Debora Bottcher
Momentos
Quase a Vida me foge dos sentidos quando te vejo.
O chão parece estar longe
E meus ouvidos ouvem música.
Constante... calma... suave...
Tudo, de repente, parece colorido à volta.
A percepção do importante se perde
Tanto se agiganta minha emoção.
E é nestes momentos
Quando a Vida me foge dos sentidos,
Que percebo quanto sentido tem a Vida.
O chão parece estar longe
E meus ouvidos ouvem música.
Constante... calma... suave...
Tudo, de repente, parece colorido à volta.
A percepção do importante se perde
Tanto se agiganta minha emoção.
E é nestes momentos
Quando a Vida me foge dos sentidos,
Que percebo quanto sentido tem a Vida.
932
Dílson Catarino
Sina Sem Fim
minha sina é ser feliz
sinto pelo sino
que ouço de manhã;
sino batendo
lambendo os hormônios
é de manhã
frio aconchegante
caminhar pela brisa
arrepio estonteante
a guitarra que me falta
a voz que me falha
a falha que me luz
luz que me seduz
a falha que me
nada que me nada
tudo
me seduz
em nada
minha vida é suave
sem defesa
é
a sua beleza
que me fascina
é minha sina
você
é minha tinta
meu arrepio aconchegante
meu nada estonteante
é tudo
em um instante
você
é minha sina
minha sina é ser feliz
sinto por seu beijo, sua voz, sua luz
tudo em você me seduz
sina sem fim.
sinto pelo sino
que ouço de manhã;
sino batendo
lambendo os hormônios
é de manhã
frio aconchegante
caminhar pela brisa
arrepio estonteante
a guitarra que me falta
a voz que me falha
a falha que me luz
luz que me seduz
a falha que me
nada que me nada
tudo
me seduz
em nada
minha vida é suave
sem defesa
é
a sua beleza
que me fascina
é minha sina
você
é minha tinta
meu arrepio aconchegante
meu nada estonteante
é tudo
em um instante
você
é minha sina
minha sina é ser feliz
sinto por seu beijo, sua voz, sua luz
tudo em você me seduz
sina sem fim.
926
Cleonice Rainho
Carrossel
Upa, meu cavalinho,
deixemos os patos pra trás.
Carrinhos, podem parar.
Upa, meu cavalinho,
nosso círculo não pode fechar.
Com a crina vermelha ao vento,
galopa no espaço, comendo ar.
Seu eixo é nosso desejo,
suas patas livres a alegria
dos meninos do parque
que, no seu dorso liso,
galopando, galopando
sobre a terra e o mar,
o mundo querem ganhar.
deixemos os patos pra trás.
Carrinhos, podem parar.
Upa, meu cavalinho,
nosso círculo não pode fechar.
Com a crina vermelha ao vento,
galopa no espaço, comendo ar.
Seu eixo é nosso desejo,
suas patas livres a alegria
dos meninos do parque
que, no seu dorso liso,
galopando, galopando
sobre a terra e o mar,
o mundo querem ganhar.
1 087
Cleonice Rainho
O Sorvete
Colorido, gostoso
este meu sorvete!
Seguro a casquinha
e bebo a doçura
que desce de leve
para dentro de mim.
Meu estômago está alegre
como meu coração:
— dois lindos morangos.
este meu sorvete!
Seguro a casquinha
e bebo a doçura
que desce de leve
para dentro de mim.
Meu estômago está alegre
como meu coração:
— dois lindos morangos.
1 224
Cleonice Rainho
Eu e a Maçã
A maçã é redonda,
vermelha,
lisinha
e na haste seca
tem uma folhinha.
É tão linda
que nem quero comê-la
e vou guardá-la,
enquanto puder,
pois, ao vê-la,
fico alegre
e sinto meu rosto
parecido com ela.
vermelha,
lisinha
e na haste seca
tem uma folhinha.
É tão linda
que nem quero comê-la
e vou guardá-la,
enquanto puder,
pois, ao vê-la,
fico alegre
e sinto meu rosto
parecido com ela.
1 320
Cleonice Rainho
Na Praia
Meus pés na areia
os olhos no ar.
Vasto e imenso,
lindo e livre,
mar-espaço
— uma paisagem só.
Marulho das ondas,
voz do mar,
azul da manhã,
alegria do céu.
No meu coração
— um canto só.
os olhos no ar.
Vasto e imenso,
lindo e livre,
mar-espaço
— uma paisagem só.
Marulho das ondas,
voz do mar,
azul da manhã,
alegria do céu.
No meu coração
— um canto só.
984
Cludia Nobre de Oliveira
Amor
Meu corpo incendiado por um mal que penso ser
adentrando pela minha cabeça e ressurgindo nas
veias fortalecendo meu peito para suportar essa força
máxima, forte
me parece insuportável, reago a esse mal, mais uma vez
não?!
Deixo-o viver, sobreviver renascer dentro de mim pois
esse mal não é tão mal assim é bem para o meu corpo
minha alma meu coração, é o mal bem querer que é mais
uma vez o mal de amar e ser amado e plenamente feliz
de, sede de vida.
adentrando pela minha cabeça e ressurgindo nas
veias fortalecendo meu peito para suportar essa força
máxima, forte
me parece insuportável, reago a esse mal, mais uma vez
não?!
Deixo-o viver, sobreviver renascer dentro de mim pois
esse mal não é tão mal assim é bem para o meu corpo
minha alma meu coração, é o mal bem querer que é mais
uma vez o mal de amar e ser amado e plenamente feliz
de, sede de vida.
882
Cleonice Rainho
Passarinhos
No fio grosso,
um molho de fios,
passarinhos pousam
e cantam de manhãzinha.
São fios do telefone,
vão levar recados pra alguém,
trazer recados pra mim.
Mas o canto fica,
— trinados de alegria
que vêm com o sol do dia.
um molho de fios,
passarinhos pousam
e cantam de manhãzinha.
São fios do telefone,
vão levar recados pra alguém,
trazer recados pra mim.
Mas o canto fica,
— trinados de alegria
que vêm com o sol do dia.
1 081
Cleonice Rainho
Aula de Português
Na lição de substantivos,
cansada de concretos,
começo a pensar abstrato
e me faz bem.
Alegria de brincar,
nesta branca manhã,
com anjinhos nus,
na pureza do céu.
Olhar de piedade,
gestos de amor
vão colar as asas
do passarinho caído.
Vida e graça Deus dá,
mas a gratidão é um dom.
O bem muita gente não faz
e é tão fácil de fazer.
Doença e dor não, não,
nem quero saber.
cansada de concretos,
começo a pensar abstrato
e me faz bem.
Alegria de brincar,
nesta branca manhã,
com anjinhos nus,
na pureza do céu.
Olhar de piedade,
gestos de amor
vão colar as asas
do passarinho caído.
Vida e graça Deus dá,
mas a gratidão é um dom.
O bem muita gente não faz
e é tão fácil de fazer.
Doença e dor não, não,
nem quero saber.
1 053
Geraldo Carneiro
bilacmania
livre espaço a ave aurora
as asas cantando climas céus
nuvens agora o sol o vôo
a vida o olhar (re)volta
tempo alegria de novo
as asas cantando climas céus
nuvens agora o sol o vôo
a vida o olhar (re)volta
tempo alegria de novo
989
Carla Bianca
Ilustre Visitante
Converso com o amor. Ele fala como se fôssemos íntimos. Aperta minha mão e beija-me as faces. Coro o rosto, banhada pela timidez. Não sei se possuo fidalguia para anfitrionar tão distinta personalidade.
Os gestos de amor são elegantes e clássicos, dando a impressão de tratar-se de alguém que nunca se emociona. Um engano que vai se dissipando ao longo de nossa conversa. Quando falo de minhas tristezas, aquele ser distante, muda de figura e começa a verter lágrimas. Ao ver esta cena fico triste e alegre, por perceber-me através de olhos tão ilustres.
Os assuntos que discorre são por demais difíceis à compreensão, mas permaneço atenta, fitando belos segredos.
A prosa continua e ele vai se soltando cada vez mais. Um pouco depois percebo que ele passa a ter ciúmes dos que comigo tentam falar. A felicidade em invade e epnso pertencer a mesma raça do amor.
Os gestos de amor são elegantes e clássicos, dando a impressão de tratar-se de alguém que nunca se emociona. Um engano que vai se dissipando ao longo de nossa conversa. Quando falo de minhas tristezas, aquele ser distante, muda de figura e começa a verter lágrimas. Ao ver esta cena fico triste e alegre, por perceber-me através de olhos tão ilustres.
Os assuntos que discorre são por demais difíceis à compreensão, mas permaneço atenta, fitando belos segredos.
A prosa continua e ele vai se soltando cada vez mais. Um pouco depois percebo que ele passa a ter ciúmes dos que comigo tentam falar. A felicidade em invade e epnso pertencer a mesma raça do amor.
837
Olympia Mahu
Saudades de ti, minha Belém
Uma saudade intensa apoderou-se de mim
Busquei alegrias em todos os recantos
Mas tu estavas a chamar-me, altiva e distante...
Tudo fiz para desvencilhar-me de tua imagem
Das tuas lembranças, hoje, saudades...
Nas coisas mais simples deixavas tua marca
Imagem, tristeza, felicidades...
Ao encontrar-me contigo, tudo mudou
Meus dias foram longos, lindos e vibrantes
Teu semblante nebuloso, teu céu tristonho...tudo era alegria
O sol e a chuva estavam sempre a combinar os encontros, as saídas
Meu suor era um banho de energia, onde eu mergulhava com alegria...
Andanças, corre-corre, encontros e conversas sem-fim
As madrugadas ouviam, silenciosas, enormes confidências...
E eu vivenciei as noites e os dias com sofreguidão
Pois eu queria apossar-me de ti
Para ter-te sempre comigo em meu exílio...
Hoje, aqui estou, de volta. Em casa, feliz...
Cheia de felizes lembranças para acalentar minhas saudades
Que serão muitas... e com tamanha distância
A te impedir de mim...
Olimpya Mahu,, 23/5/96
Busquei alegrias em todos os recantos
Mas tu estavas a chamar-me, altiva e distante...
Tudo fiz para desvencilhar-me de tua imagem
Das tuas lembranças, hoje, saudades...
Nas coisas mais simples deixavas tua marca
Imagem, tristeza, felicidades...
Ao encontrar-me contigo, tudo mudou
Meus dias foram longos, lindos e vibrantes
Teu semblante nebuloso, teu céu tristonho...tudo era alegria
O sol e a chuva estavam sempre a combinar os encontros, as saídas
Meu suor era um banho de energia, onde eu mergulhava com alegria...
Andanças, corre-corre, encontros e conversas sem-fim
As madrugadas ouviam, silenciosas, enormes confidências...
E eu vivenciei as noites e os dias com sofreguidão
Pois eu queria apossar-me de ti
Para ter-te sempre comigo em meu exílio...
Hoje, aqui estou, de volta. Em casa, feliz...
Cheia de felizes lembranças para acalentar minhas saudades
Que serão muitas... e com tamanha distância
A te impedir de mim...
Olimpya Mahu,, 23/5/96
901
Carlinhos Brown
Mares de ti
Só pra curtir
Com ti contente ficar
Cavo caldo de cana
No Canal de Panamá
Se tropeçar meus pés cansados
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
Desfazem nos jeans
Porque que é só você quem sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Se teu sorriso esculpir
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Não sei pisar no breque
Tomo charrete
Pro lares rubis
Pensando nisso
Pensando em ti
Senti felicidade sem fim
Se for passar preciso sarar
É quase inútil
Ficar de ir
Ficar de vir
Ficar feliz isso sim
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Me abraça bem
Já me sinto bem
Vim chorar
Como guitarra grunge
Como escaramouche
Amor talhador
Com ti contente ficar
Cavo caldo de cana
No Canal de Panamá
Se tropeçar meus pés cansados
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
Desfazem nos jeans
Porque que é só você quem sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Se teu sorriso esculpir
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Não sei pisar no breque
Tomo charrete
Pro lares rubis
Pensando nisso
Pensando em ti
Senti felicidade sem fim
Se for passar preciso sarar
É quase inútil
Ficar de ir
Ficar de vir
Ficar feliz isso sim
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Me abraça bem
Já me sinto bem
Vim chorar
Como guitarra grunge
Como escaramouche
Amor talhador
1 456
Castro Alves
A Uma Taça Feita de Um Crânio Humano
(Traduzido de BYRON)
"Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás — pobre caveira fria —
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
— Taça — levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
...Podeis de vinho o encher!
Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor aí repousa?
É bom fugindo à podridão do lodo
Servir na morte enfim pra alguma coisa!... "
"Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás — pobre caveira fria —
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
— Taça — levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
...Podeis de vinho o encher!
Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor aí repousa?
É bom fugindo à podridão do lodo
Servir na morte enfim pra alguma coisa!... "
2 431
Marcelo Batalha
Orgulho Meu
Hoje a menina olhou pra mim
Pra mim e para um povaréu abismado
E cativou
Como quem nos tivesse hipnotizado
Ela, ai meu deus, visão do infinito
Eu, além do horizonte, meio fora de controle
Hoje a menina cantou pra mim
Pra mim e para um povaréu entusiasmado
E encantou
Como quem lá sempre tivesse pisado
Ela embalada pelos tons do bem-querer
Eu envolvido pelos sons do paraíso
Hoje a menina sorriu pra mim
Pra mim e para um povaréu inebriado
E ousou
Como quem comete um pecado
Ela esbanjando alegria e sedução
Eu irremediavelmente no éden
Hoje a menina olhou,
Sorriu, cantou
Hoje a menina cresceu,
Brilhou, venceu
Verdadeiro orgulho meu
E de um povaréu apaixonado.
Pra mim e para um povaréu abismado
E cativou
Como quem nos tivesse hipnotizado
Ela, ai meu deus, visão do infinito
Eu, além do horizonte, meio fora de controle
Hoje a menina cantou pra mim
Pra mim e para um povaréu entusiasmado
E encantou
Como quem lá sempre tivesse pisado
Ela embalada pelos tons do bem-querer
Eu envolvido pelos sons do paraíso
Hoje a menina sorriu pra mim
Pra mim e para um povaréu inebriado
E ousou
Como quem comete um pecado
Ela esbanjando alegria e sedução
Eu irremediavelmente no éden
Hoje a menina olhou,
Sorriu, cantou
Hoje a menina cresceu,
Brilhou, venceu
Verdadeiro orgulho meu
E de um povaréu apaixonado.
917
Birão Santana
Ri Dentes
Assim como as plantas
a borboleta sorria.
Eu sorria
e o vento sorria.
Simples,
o quadro.
Profundo,
o momento.
Intraduzível
o que se passou.
Com as plantas,
a borboleta,
eu
e o vento,
ridentes.
a borboleta sorria.
Eu sorria
e o vento sorria.
Simples,
o quadro.
Profundo,
o momento.
Intraduzível
o que se passou.
Com as plantas,
a borboleta,
eu
e o vento,
ridentes.
1 154
Bruno Araújo de Melo
A Tentativa dos Sonâmbulos
Hoje eu quero sair
E conversar com muita gente;
E ver o por-do-sol;
E crer no sol queimando lentamente.
Todo o tempo do mundo
Para mim que estou tão só
Refazer as pinturas
Nesses quadros
Que criei
Enquanto sonhava;
Ainda quero ver
Pessoas rindo sem pensar
Que há tanta lágrima
No fim de tudo.
E quero ver também
O mundo todo se alegrar
Ao perceber que as coisas
Tem um jeito próprio.
E não precisa ser perfeito
O nosso álbum de retratos;
Sempre há momentos ruins...
Um dia iremos nos lembrar
Sem julgamento algum, de tudo.
Sabendo que o que fizemos,
Foi uma tentativa
De fazer a vida
Mais feliz.
E conversar com muita gente;
E ver o por-do-sol;
E crer no sol queimando lentamente.
Todo o tempo do mundo
Para mim que estou tão só
Refazer as pinturas
Nesses quadros
Que criei
Enquanto sonhava;
Ainda quero ver
Pessoas rindo sem pensar
Que há tanta lágrima
No fim de tudo.
E quero ver também
O mundo todo se alegrar
Ao perceber que as coisas
Tem um jeito próprio.
E não precisa ser perfeito
O nosso álbum de retratos;
Sempre há momentos ruins...
Um dia iremos nos lembrar
Sem julgamento algum, de tudo.
Sabendo que o que fizemos,
Foi uma tentativa
De fazer a vida
Mais feliz.
854
Amasilde Rehwagen
O Banco da Praça
Com peraltice e graça,
ouvi meu filho cantando
aquela música da Praça!
Era um gorjeio de ave
na sua vozinha suave
o banco da solidão...
Cantava alegre o menino,
como se fosse um hino
aquela linda versão!
Mas, na sua ingenuidade,
só conhece alacridade
seu pequeno coração!
Que no decorrer dos anos
não lhe venham desenganos
roubar-lhe a bela canção!
ouvi meu filho cantando
aquela música da Praça!
Era um gorjeio de ave
na sua vozinha suave
o banco da solidão...
Cantava alegre o menino,
como se fosse um hino
aquela linda versão!
Mas, na sua ingenuidade,
só conhece alacridade
seu pequeno coração!
Que no decorrer dos anos
não lhe venham desenganos
roubar-lhe a bela canção!
900
Aymar Mendonça
Palavras
O aclive convida-nos à luta. Anima-nos a aventura da escalada: ela nos leva a antever Polymnia no cimo da montanha. Alçamos os braços como a querer sondar o Infinito, na busca dos encantos da musa, de seu aconchego.
Aqui nos repetimos, no intuito de levar a nossos leitores algo que vagueia nos labirintos da fala. O mistério, às vezes, condiz com a beleza da arte. É-nos importante lançar idéias positivas: fomentar o tormento não faz sentido.
Cada um de nós é responsável pela alegria do mundo porque fazemos parte de toda essa loucura que passeia pelo tempo.
Não podemos deixar que nossos olhos se molhem no pranto de ontem.
Aqui nos repetimos, no intuito de levar a nossos leitores algo que vagueia nos labirintos da fala. O mistério, às vezes, condiz com a beleza da arte. É-nos importante lançar idéias positivas: fomentar o tormento não faz sentido.
Cada um de nós é responsável pela alegria do mundo porque fazemos parte de toda essa loucura que passeia pelo tempo.
Não podemos deixar que nossos olhos se molhem no pranto de ontem.
877
Jean de La Fontaine
Invocação à volúpia
Sem ti, doce Volúpia, o viver e o morrer
Teriam, desde o berço, idêntico valor:
De toda a criação, universal pendor,
Com que força fatal, tu consegues prender!
Tudo, por ti,
aqui se passa.
Por tua causa e
tua graça,
A duras penas
todos vão:
Não há soldado,
capitão,
Nem fidalgo, plebeu, nem Ministro de Estado,
Que em ti não
tenha o olhar pregado
Das Musas na afeição, se, de serões nascido,
Um agradável som não nos encanta o ouvido,
E se ele não nos traz amena sensação,
Tentamos nós uma
canção?
O que, pomposamente, é chamado de glória
E, nos jogos dOlimpo, exalçava a vitória,
Precisamente, és tu, Volúpia divinal.
E seu preço não tem o prazer sensual?
E então por que
os dons de Flora,
O pôr-do-sol, a
linda Aurora,
Pomona e seus
finos manjares,
Baco, razão dos
bons jantares,
Florestas,
fontes, pradarias,
Mães de
fagueiras fantasias?
Belas artes, por quê? de quem és a nascente,
Por que tanta beldade, amável, atraente,
Se não pra vires, até nós, sempre morar?
Eis o meu parecer, por mais procure alguém
O seu desejo
castigar,
Algum prazer inda
lhe vem.
Ó Volúpia gentil, que, na Grécia de outrora,
De um pensador
foste senhora,
Não me desprezes não: vem à minha morada,
Não ficarás sem
fazer nada:
Amo os livros, o amor, música e diversão,
Cidade, campo, enfim; o mundo nada tem
Que não me seja
enorme bem,
Mesmo o aflito prazer de um triste coração.
Vem, pois, e desse bem, ó Volúpia querida,
Queres então saber a medida acertada?
Pelo menos preciso uns cem anos de vida,
Pois trinta só
é quase nada...
Teriam, desde o berço, idêntico valor:
De toda a criação, universal pendor,
Com que força fatal, tu consegues prender!
Tudo, por ti,
aqui se passa.
Por tua causa e
tua graça,
A duras penas
todos vão:
Não há soldado,
capitão,
Nem fidalgo, plebeu, nem Ministro de Estado,
Que em ti não
tenha o olhar pregado
Das Musas na afeição, se, de serões nascido,
Um agradável som não nos encanta o ouvido,
E se ele não nos traz amena sensação,
Tentamos nós uma
canção?
O que, pomposamente, é chamado de glória
E, nos jogos dOlimpo, exalçava a vitória,
Precisamente, és tu, Volúpia divinal.
E seu preço não tem o prazer sensual?
E então por que
os dons de Flora,
O pôr-do-sol, a
linda Aurora,
Pomona e seus
finos manjares,
Baco, razão dos
bons jantares,
Florestas,
fontes, pradarias,
Mães de
fagueiras fantasias?
Belas artes, por quê? de quem és a nascente,
Por que tanta beldade, amável, atraente,
Se não pra vires, até nós, sempre morar?
Eis o meu parecer, por mais procure alguém
O seu desejo
castigar,
Algum prazer inda
lhe vem.
Ó Volúpia gentil, que, na Grécia de outrora,
De um pensador
foste senhora,
Não me desprezes não: vem à minha morada,
Não ficarás sem
fazer nada:
Amo os livros, o amor, música e diversão,
Cidade, campo, enfim; o mundo nada tem
Que não me seja
enorme bem,
Mesmo o aflito prazer de um triste coração.
Vem, pois, e desse bem, ó Volúpia querida,
Queres então saber a medida acertada?
Pelo menos preciso uns cem anos de vida,
Pois trinta só
é quase nada...
1 645
Antonio Machado
ME DIJO UNA TARDE
Me disse uma tarde
da Primavera:
Se buscas caminhos
em flor pela terra,
mata tuas palavras,
ouve tua alma velha.
Que o mesmo alvo linho
que te vista seja
teu traje de luto,
teu traje de festa.
Ama tua alegria,
ama tua tristeza,
se buscas caminhos
em flor pela terra.
Respondi à tarde
da Primavera:
Disseste o segredo
que em minha alma reza:
odeio a alegria
por ódio às penas.
Mas antes que pise
tua florida senda,
quisera trazer-te
morta minha alma velha.
da Primavera:
Se buscas caminhos
em flor pela terra,
mata tuas palavras,
ouve tua alma velha.
Que o mesmo alvo linho
que te vista seja
teu traje de luto,
teu traje de festa.
Ama tua alegria,
ama tua tristeza,
se buscas caminhos
em flor pela terra.
Respondi à tarde
da Primavera:
Disseste o segredo
que em minha alma reza:
odeio a alegria
por ódio às penas.
Mas antes que pise
tua florida senda,
quisera trazer-te
morta minha alma velha.
1 691
Caio Valério Catulo
13
13
Hás de jantar bem, Fabulo meu, em breve
na minha casa, se os deuses te ajudarem;
se contigo vier boa, farta janta e uma
jovem bonita com vinho e sal no riso.
Como se diz, meu caro amigo, isto provido,
hás de jantar bem, pois teu Catulo traz
a bolsa repleta de teias de aranha.
Em troca terás uma afeição singela
ou o que é mais suave e elegante ainda:
eu te ofertarei o perfume que à minha
jovem deram Vênus e seus Amores:
ao cheirá-lo, haverás de rogar aos deuses
que de ti façam, Fabulo, só nariz.
Hás de jantar bem, Fabulo meu, em breve
na minha casa, se os deuses te ajudarem;
se contigo vier boa, farta janta e uma
jovem bonita com vinho e sal no riso.
Como se diz, meu caro amigo, isto provido,
hás de jantar bem, pois teu Catulo traz
a bolsa repleta de teias de aranha.
Em troca terás uma afeição singela
ou o que é mais suave e elegante ainda:
eu te ofertarei o perfume que à minha
jovem deram Vênus e seus Amores:
ao cheirá-lo, haverás de rogar aos deuses
que de ti façam, Fabulo, só nariz.
1 344