Poemas neste tema
Liberdade
Ona Gaia
A vida alada borboleta
A vida alada borboleta
vive dourada no vento
alisa e cheira a rosa e o tempo
· descuidada e breve
· me leve.
vive dourada no vento
alisa e cheira a rosa e o tempo
· descuidada e breve
· me leve.
1 051
Oliveira Neto
O Solitário
Tristonho e desolado, um homem solitário,
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
1 032
Raimundo Oswald Cavalcante Barroso
A Vida no Cárcere
A vida no cárcere é limitada.
Nosso corredor é bem estreito.
Apenas no sábado
temos visita.
Dela saímos
exaustos de tanto viver
a semana em poucas horas.
Nosso corredor é bem estreito.
Apenas no sábado
temos visita.
Dela saímos
exaustos de tanto viver
a semana em poucas horas.
917
Noel Rosa
Capricho de Rapaz Solteiro
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
894
Nascimento Moraes Filho
Evocação
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
1 074
Walkiria Lopes Cruz
Viva a Vida
São as virtudes da vida
que nos fazem presenciar novas surpresas
a cada dia
Viva a vida
Ame a vida
Aproveite a vida
Valorize a vida
VIDA... uma palavra tão fácil de escrever
Mas difícil de compreender
Muitos não dão valor
Vários outros a desperdiçam
Agora, há pessoas de bom senso
Vivem como se VIDA
tivesse o significado de LIBERDADE
E por tudo isso se alegram
E desfrutam, plenamente, de cada momento dela
Por isso eu repito
Ou melhor, eu grito
Viva a vida!
Ame a vida!
Aproveite a vida!
Valorize a vida!
que nos fazem presenciar novas surpresas
a cada dia
Viva a vida
Ame a vida
Aproveite a vida
Valorize a vida
VIDA... uma palavra tão fácil de escrever
Mas difícil de compreender
Muitos não dão valor
Vários outros a desperdiçam
Agora, há pessoas de bom senso
Vivem como se VIDA
tivesse o significado de LIBERDADE
E por tudo isso se alegram
E desfrutam, plenamente, de cada momento dela
Por isso eu repito
Ou melhor, eu grito
Viva a vida!
Ame a vida!
Aproveite a vida!
Valorize a vida!
908
Menezes y Morais
Memórias (Caminhos de Estrelas)
Vênus incendiava teus cabelos naquela noite
em q caminhávamos refletidos nas águas
margens assassinadas do rio poti
e no mangal
eu viajei na constelação dos teus olhos
e te dizia
a vida vai além daquilo q a gente imagina
e a liberdade pode estar ali
na próxima esquina
e sobre os trilhos noturnos
convergendo olhares favelados
com a tua mão esquerda dentro da minha direita
sentimos o fogo estrelar daquela noite azul
no céu de teresina
e o vento soprou leve
sussurrando em tua boca
entre o rio e a cidade existe um caminho
onde o tempo cicatriza toda dor
em q caminhávamos refletidos nas águas
margens assassinadas do rio poti
e no mangal
eu viajei na constelação dos teus olhos
e te dizia
a vida vai além daquilo q a gente imagina
e a liberdade pode estar ali
na próxima esquina
e sobre os trilhos noturnos
convergendo olhares favelados
com a tua mão esquerda dentro da minha direita
sentimos o fogo estrelar daquela noite azul
no céu de teresina
e o vento soprou leve
sussurrando em tua boca
entre o rio e a cidade existe um caminho
onde o tempo cicatriza toda dor
866
Gerardo Mello Mourão
Jà vou atravessando a província formosa e a Musa
Jà vou atravessando a província formosa e a Musa
é contígua aos países longínquos:
o prisioneiro é aquele que era livre
o morto o que era vivo
entre o cão e o cano linheiro da espingarda o caçador
alinha o olho sagaz
e a narceja selvagem tomba do azul do céu a asa pendida
de seu fio de sangue — e sempre
por um fio de sangue
Eleutheria
Ariadne convulsa a liberdade encontra
o caminho da morte
— poeta solus poeta tantum —
só o poeta pranteia
sua bela narceja derrubada
na paisagem lacustre:
maldito seja o estampido maldita
seja a mão que afaga o gatilho e a pupila
que endurece à pontaria
maldita seja quando o tiro
quebra as asas aflitas e ao peso
da descarga de chumbo a flor alada
se rebenta no chão e cai
come corpo morto cade
Já peregrinei essas províncias formosas
vi a lua romena sobre os Kárpatos
e as colinas dos Kárpatos onde
os monjes serenos de Sinaia e o pátio
de seu mosteiro sobre
vales e colinas da Transilvânia montada
em sua cítara de nuvens — vi a lua
e a branca mão de Artemis sempre virgem
caçadora de estrelas
fere a noite
no firmamento azul a seta sagrada e pulsa
o coração da luz:
ali quem sabe, Apolo,
para teu rastro um rastro
pois tu mesmo
foras talvez apenas
o buscador de teu próprio rastro
pousam primeiro os olhos no caminho
e ali onde pousaram
pisam os pés nas pupilas onde
ao chão da relva virgem se sugere
o rastro que virá:
e assim andei a Dácia e a Trácia
e o Ponto Euxino e na montanha búlgara
à chama crepitante desse rastro
arderam calcanhares — e o vento
desmanchou em cinza a pulcra perna varonil:
não já sobre teu pé — sobre teu rastro
se lança o corpo divino
as estrelas desabrochavam da terra, Jonathan,
e os firmamentos caíam dentro de um
oceano de jardins:
pois consultei as rosas de outono da Bulgária
e os cravos de Istambul e naveguei
o Bósforo o Mar Negro e o Mar de Mármara
esse Ponto Euxino onde Ovídio
Publius Ovidius Naso poeta fuit — e velejei
as costas da Dardânia onde foi Troia onde
Heitor domava os cavalos e onde
a corda de tua lira regia a lança
do mais doce dos homens
— do guerreiro puro —
Naveguei o Adriático e o Tirreno
o Egeu e o Mar da Jônia e o Atlântico e o Pacífico
e as ilhas e as antilhas
e o mar do Caribe e o Mar do Norte e o Mar
Mediterrâneo e o meio das terras
e as terras ignotas e as terras filiorum dei
e cavalguei o lombo do Ontário o São Lourenço
e o Amazonas e o São Francisco e o Mississipi
e o Paraguai e o Paraná e o Prata
e as cataratas e os outros lagos e os outros rios
o Danúbio e o Tibre o Jaguaribe e o Sena
e o Pó e a ribeira do Arno por onde
caminhava o poeta e o Reno e o Meno por onde
cantava o demente divino e o Tejo de onde
celebrava Camões as caravelas rumo
aos mares nunca dantes navegados e às ilhas
nunca depois reencontradas onde
as ninfas se entregavam aos guerreiros
enumero os caminhos — e seus nomes celebram
a viagem aos tempos matinais
pois navego
a matina dos tempos onde apenas
o som da lira e os cabelos de Melpômene vestiam
a glória fálica de teu corpo nu
na escritura do chão a memória de meus pés
das serras do Ceará Grande e Mel Redondo
às serras de mel do Himeto — pois pisei
a água e o solo
e não pisei a flor o anjo a oliva
nem os filhos dos homens e odiei
os lugares do ódio e os lugares do sangue
sobre o chão dos algozes me cravei de espinhos
e busco
os caminhos do amor
Esta é a memória de meus pés por onde
a liberdade peregrina
— por onde
as columbas arrulham a paz por onde
os adolescentes colhem
as belas raparigas que adormecem nuas
— por onde
corre o vinho alegre
e os homens
e os deuses
bebem no mesmo copo à saúde dos pássaros
das colinas dos lagos e das árvores
das cidades das ruas — à saúde
dos circunstantes e dos transeuntes:
Até breve, Apolo.
é contígua aos países longínquos:
o prisioneiro é aquele que era livre
o morto o que era vivo
entre o cão e o cano linheiro da espingarda o caçador
alinha o olho sagaz
e a narceja selvagem tomba do azul do céu a asa pendida
de seu fio de sangue — e sempre
por um fio de sangue
Eleutheria
Ariadne convulsa a liberdade encontra
o caminho da morte
— poeta solus poeta tantum —
só o poeta pranteia
sua bela narceja derrubada
na paisagem lacustre:
maldito seja o estampido maldita
seja a mão que afaga o gatilho e a pupila
que endurece à pontaria
maldita seja quando o tiro
quebra as asas aflitas e ao peso
da descarga de chumbo a flor alada
se rebenta no chão e cai
come corpo morto cade
Já peregrinei essas províncias formosas
vi a lua romena sobre os Kárpatos
e as colinas dos Kárpatos onde
os monjes serenos de Sinaia e o pátio
de seu mosteiro sobre
vales e colinas da Transilvânia montada
em sua cítara de nuvens — vi a lua
e a branca mão de Artemis sempre virgem
caçadora de estrelas
fere a noite
no firmamento azul a seta sagrada e pulsa
o coração da luz:
ali quem sabe, Apolo,
para teu rastro um rastro
pois tu mesmo
foras talvez apenas
o buscador de teu próprio rastro
pousam primeiro os olhos no caminho
e ali onde pousaram
pisam os pés nas pupilas onde
ao chão da relva virgem se sugere
o rastro que virá:
e assim andei a Dácia e a Trácia
e o Ponto Euxino e na montanha búlgara
à chama crepitante desse rastro
arderam calcanhares — e o vento
desmanchou em cinza a pulcra perna varonil:
não já sobre teu pé — sobre teu rastro
se lança o corpo divino
as estrelas desabrochavam da terra, Jonathan,
e os firmamentos caíam dentro de um
oceano de jardins:
pois consultei as rosas de outono da Bulgária
e os cravos de Istambul e naveguei
o Bósforo o Mar Negro e o Mar de Mármara
esse Ponto Euxino onde Ovídio
Publius Ovidius Naso poeta fuit — e velejei
as costas da Dardânia onde foi Troia onde
Heitor domava os cavalos e onde
a corda de tua lira regia a lança
do mais doce dos homens
— do guerreiro puro —
Naveguei o Adriático e o Tirreno
o Egeu e o Mar da Jônia e o Atlântico e o Pacífico
e as ilhas e as antilhas
e o mar do Caribe e o Mar do Norte e o Mar
Mediterrâneo e o meio das terras
e as terras ignotas e as terras filiorum dei
e cavalguei o lombo do Ontário o São Lourenço
e o Amazonas e o São Francisco e o Mississipi
e o Paraguai e o Paraná e o Prata
e as cataratas e os outros lagos e os outros rios
o Danúbio e o Tibre o Jaguaribe e o Sena
e o Pó e a ribeira do Arno por onde
caminhava o poeta e o Reno e o Meno por onde
cantava o demente divino e o Tejo de onde
celebrava Camões as caravelas rumo
aos mares nunca dantes navegados e às ilhas
nunca depois reencontradas onde
as ninfas se entregavam aos guerreiros
enumero os caminhos — e seus nomes celebram
a viagem aos tempos matinais
pois navego
a matina dos tempos onde apenas
o som da lira e os cabelos de Melpômene vestiam
a glória fálica de teu corpo nu
na escritura do chão a memória de meus pés
das serras do Ceará Grande e Mel Redondo
às serras de mel do Himeto — pois pisei
a água e o solo
e não pisei a flor o anjo a oliva
nem os filhos dos homens e odiei
os lugares do ódio e os lugares do sangue
sobre o chão dos algozes me cravei de espinhos
e busco
os caminhos do amor
Esta é a memória de meus pés por onde
a liberdade peregrina
— por onde
as columbas arrulham a paz por onde
os adolescentes colhem
as belas raparigas que adormecem nuas
— por onde
corre o vinho alegre
e os homens
e os deuses
bebem no mesmo copo à saúde dos pássaros
das colinas dos lagos e das árvores
das cidades das ruas — à saúde
dos circunstantes e dos transeuntes:
Até breve, Apolo.
1 007
Manoel Messias Santiago
Eu Te Amo e Era Uma Vez um Beijing
Vivo contigo e tento te aprender,
me acostumar aos teus atrasos.
Outro dia chegaste madrugada.
Chovia gostoso, ouvia-se La Seguidiila,
de Carmen, e tu brilhavas nos acordes
e bailavas nos meus sentidos.
Se um dia eu não mais puder te ver
será como a "Primavera da China"
como a noite sem gosto, sem ar,
sem agasalho.
Como os tanques sinistros
de Tiananmen Square rangendo seus dentes de
aço.
Aço retirado das minas por homens
que acreditaram na vida, no trabalho;
aço que deveria arar a terra
em forma de lagartas e enxadas
para a colheita do trigo
mas insiste em atropelar cérebros
humanos mundo a fora e numa praça
em Beijing.
Se um dia eu não mais puder te ver
será noite de morcegos de metal
caçando meus olhos espavoridos
com seus incandescentes bicos-lasers;
bubônica noite de roedores obstinados
buscando com destrutiva lascívia
a humana carne. Ah, os ratos...
A Coca-Cola da China tem cor e sabor de sangue
jovem.
E o sangue humano tem todos os sabores.
A batalha é contra o prazer. O medo
banca a guerra.
Mas quando tu voltares
os canhões terão bocas imantadas
e dar-se-á o necessário incesto:
os petardos voltarão aos infaustos ventres
e explodirão as próprias ogivas.
Haverá água e comida farta para todos
flores e perfumes e música bela
e sonoras gargalhadas pelos campos.
As pessoas se tocarão pela carícia
e desfrutarão da liberdade
como um dom natural.
me acostumar aos teus atrasos.
Outro dia chegaste madrugada.
Chovia gostoso, ouvia-se La Seguidiila,
de Carmen, e tu brilhavas nos acordes
e bailavas nos meus sentidos.
Se um dia eu não mais puder te ver
será como a "Primavera da China"
como a noite sem gosto, sem ar,
sem agasalho.
Como os tanques sinistros
de Tiananmen Square rangendo seus dentes de
aço.
Aço retirado das minas por homens
que acreditaram na vida, no trabalho;
aço que deveria arar a terra
em forma de lagartas e enxadas
para a colheita do trigo
mas insiste em atropelar cérebros
humanos mundo a fora e numa praça
em Beijing.
Se um dia eu não mais puder te ver
será noite de morcegos de metal
caçando meus olhos espavoridos
com seus incandescentes bicos-lasers;
bubônica noite de roedores obstinados
buscando com destrutiva lascívia
a humana carne. Ah, os ratos...
A Coca-Cola da China tem cor e sabor de sangue
jovem.
E o sangue humano tem todos os sabores.
A batalha é contra o prazer. O medo
banca a guerra.
Mas quando tu voltares
os canhões terão bocas imantadas
e dar-se-á o necessário incesto:
os petardos voltarão aos infaustos ventres
e explodirão as próprias ogivas.
Haverá água e comida farta para todos
flores e perfumes e música bela
e sonoras gargalhadas pelos campos.
As pessoas se tocarão pela carícia
e desfrutarão da liberdade
como um dom natural.
363
João Mello
Esta é a Cidade
Esta é a cidade. Quem caminha
sorvendo seus odores coloridos?
Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas
Quem sente o calor do chão
luz de vidro e água
intensa e rumorosa como
um afago?
As crianças percorrema cidade
atrás do tiroteiro
como aves barulhentas. A rota
desta guerra
elas sempre a conheceram
Há uma farra em cada esquina
onde tambores renovados
fazem explodir toda alegria antiga
A liberdade é uma visível linha
de fogo nos olhos dos homens.
sorvendo seus odores coloridos?
Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas
Quem sente o calor do chão
luz de vidro e água
intensa e rumorosa como
um afago?
As crianças percorrema cidade
atrás do tiroteiro
como aves barulhentas. A rota
desta guerra
elas sempre a conheceram
Há uma farra em cada esquina
onde tambores renovados
fazem explodir toda alegria antiga
A liberdade é uma visível linha
de fogo nos olhos dos homens.
1 185
Maria Inês Gambogi
Com um pouco menos de liberdader
Com um pouco menos de liberdade
não se capta a translucidez da vida.
Com um pouco a mais de ilusão
as vida é árida.
Com um pouco mais de hipocrisia
a vida fere a qualquer momento.
Com um olhar de soslaio
a vida não ocorre em nossa existência.
Com opiniões de formação perene
a nossa vida não sai para além de si mesma.
Um naco a mais de frustração
e a vida enm nos roça!
Com os nossos próprios desejos à frente
e a vida de ninguém nos interessa.
No cotidiano de nossas impessoalidades
impurezas e lamentos
a vida surge de dentro de nossa inocência
quando nos perdemos de vista
e vivemos todas as peles ganhando uma delicadeza
sem nome e sem vizinho.
Sem poesia
e a vida não vai.
não se capta a translucidez da vida.
Com um pouco a mais de ilusão
as vida é árida.
Com um pouco mais de hipocrisia
a vida fere a qualquer momento.
Com um olhar de soslaio
a vida não ocorre em nossa existência.
Com opiniões de formação perene
a nossa vida não sai para além de si mesma.
Um naco a mais de frustração
e a vida enm nos roça!
Com os nossos próprios desejos à frente
e a vida de ninguém nos interessa.
No cotidiano de nossas impessoalidades
impurezas e lamentos
a vida surge de dentro de nossa inocência
quando nos perdemos de vista
e vivemos todas as peles ganhando uma delicadeza
sem nome e sem vizinho.
Sem poesia
e a vida não vai.
767
Mário Donizete Massari
Pássaro
O PÁSSARO SOBREVOA A CIDADE
As asas são meros instrumentos
que aos olhos se moldam
E o universo é um pequeno trecho
em suas aspirações,
que na virtude de galgar
espaços delineou sua missão
(a reconstrução)
E o pássaro voa
libertinamente no
azul poluído da cidade,
UM GRANDE PÁSSARO HOMEM
As asas são meros instrumentos
que aos olhos se moldam
E o universo é um pequeno trecho
em suas aspirações,
que na virtude de galgar
espaços delineou sua missão
(a reconstrução)
E o pássaro voa
libertinamente no
azul poluído da cidade,
UM GRANDE PÁSSARO HOMEM
666
Mário Donizete Massari
Ruínas
Nos escombros
que se alargam à visão
o pássaro refaz
o vôo da liberdade
Sua missão é importantíssima
pois dela depende
a sua própria
reconstrução
As ruínas são evidentes
e o pássaro se agarra
às forças que ainda lhe
restam
Chega-lhe ao aparelho
auditivo
o badalar de um sino
anunciação do novo pássaro
a surgir
Não de um lugar distante
mas de dentro de si
Não há monumentos
nem templos gigantes
apenas o elo
pássaro-descobrir-se
e num dia qualquer, um cidadão comum
retirou de suas ruínas a importância
de ser livre. Enfim . . .
que se alargam à visão
o pássaro refaz
o vôo da liberdade
Sua missão é importantíssima
pois dela depende
a sua própria
reconstrução
As ruínas são evidentes
e o pássaro se agarra
às forças que ainda lhe
restam
Chega-lhe ao aparelho
auditivo
o badalar de um sino
anunciação do novo pássaro
a surgir
Não de um lugar distante
mas de dentro de si
Não há monumentos
nem templos gigantes
apenas o elo
pássaro-descobrir-se
e num dia qualquer, um cidadão comum
retirou de suas ruínas a importância
de ser livre. Enfim . . .
869
Mário Donizete Massari
Primeira Vez
Um dia João
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
932
Maria Braga Horta
Infância
Pelos caminhos da minha infância
sigo os teus passos na manhã
do teu ofício e meus deveres.
Ora encurtas teus passos, me esperando,
ora apresso os meus passos e te alcanço.
O importante é que se combinem como o corpo
e a sombra, e não importa qual dos dois
tem que ceder para acertar o compasso.
No percurso me ensinas uma flor
pousada como um pássaro num ramo
ou me explicas os pássaros no vôo
e me respondes o porquê das coisas.
Por quê? — vou sempre perguntando.
E descubro que atrás de cada mistério
há outro mistério e outro mistério.
Mistérios que nenhum de nós jamais desvendará.
Ninguém.
O homem poderá descobrir o universo,
voar entre as estrelas,
mas jamais descobrirá o que deseja descobrir.
Mas tudo se aclara, enfim, quando chegamos.
Esquecidos os mistérios,
enfrentamos a nossa lúcida rotina:
a tua — a de ensinar,
a minha — esta miscelânea de pequenos deveres
e grandes interesses,
esta vontade de descobrir o mundo
e inventar o céu.
Salpico o chão da escola com a água
de uma garrafa de rolha recortada;
varro, espano, encho de água a grande talha de barro
vermelho.
Enquanto isso, lá fora, as crianças em fila cantam.
II
Desço correndo
o morro-do-meio:
o sol me ofusca e o sangue do nariz salpica
o meu vestido branco.
Só consigo parar ao pé da ponte.
Lá vem seu Totonho-benzedor rodeado de gente
e seu Totonho e a gente que o rodeia
me rodeia.
Um lenço branco se tinge de vermelho
sob meu nariz.
Seu Totonho benze e diz:
"Mais vale o poder de Deus
do que o poder deste mal."
Uma prima me leva e empresta outro vestido.
Saio de azul da casa
e entro na venda de seu Roldão:
— Mamãe mandou buscar uma réstia de cebolas.
Havia poesia no sol, no morro, na ponte,
naquele deslumbramento de liberdade
na descida do morro,
no sentimento de importância de ver o povo
aglomerado em volta da menina
que veio voando com asas brancas
salpicadas de sangue.
De volta, passo a passo, subo o morro.
Ninguém mais nas janelas ou na rua.
Trago a réstia de cebolas como uma coroa de louros
conquistada no escuro.
sigo os teus passos na manhã
do teu ofício e meus deveres.
Ora encurtas teus passos, me esperando,
ora apresso os meus passos e te alcanço.
O importante é que se combinem como o corpo
e a sombra, e não importa qual dos dois
tem que ceder para acertar o compasso.
No percurso me ensinas uma flor
pousada como um pássaro num ramo
ou me explicas os pássaros no vôo
e me respondes o porquê das coisas.
Por quê? — vou sempre perguntando.
E descubro que atrás de cada mistério
há outro mistério e outro mistério.
Mistérios que nenhum de nós jamais desvendará.
Ninguém.
O homem poderá descobrir o universo,
voar entre as estrelas,
mas jamais descobrirá o que deseja descobrir.
Mas tudo se aclara, enfim, quando chegamos.
Esquecidos os mistérios,
enfrentamos a nossa lúcida rotina:
a tua — a de ensinar,
a minha — esta miscelânea de pequenos deveres
e grandes interesses,
esta vontade de descobrir o mundo
e inventar o céu.
Salpico o chão da escola com a água
de uma garrafa de rolha recortada;
varro, espano, encho de água a grande talha de barro
vermelho.
Enquanto isso, lá fora, as crianças em fila cantam.
II
Desço correndo
o morro-do-meio:
o sol me ofusca e o sangue do nariz salpica
o meu vestido branco.
Só consigo parar ao pé da ponte.
Lá vem seu Totonho-benzedor rodeado de gente
e seu Totonho e a gente que o rodeia
me rodeia.
Um lenço branco se tinge de vermelho
sob meu nariz.
Seu Totonho benze e diz:
"Mais vale o poder de Deus
do que o poder deste mal."
Uma prima me leva e empresta outro vestido.
Saio de azul da casa
e entro na venda de seu Roldão:
— Mamãe mandou buscar uma réstia de cebolas.
Havia poesia no sol, no morro, na ponte,
naquele deslumbramento de liberdade
na descida do morro,
no sentimento de importância de ver o povo
aglomerado em volta da menina
que veio voando com asas brancas
salpicadas de sangue.
De volta, passo a passo, subo o morro.
Ninguém mais nas janelas ou na rua.
Trago a réstia de cebolas como uma coroa de louros
conquistada no escuro.
992
Magna Celi
Vereda
Quero penetrar a grota recôndita
do viver,
e colher
uma realidade madura.
Viver não é aceitar os fac-símiles
amontoados dos ancestrais,
viver é dar cambalhotas com um sorriso
e enfrentar com fé uma guinada:
fazer o mundo amoldar-se a nós.
do viver,
e colher
uma realidade madura.
Viver não é aceitar os fac-símiles
amontoados dos ancestrais,
viver é dar cambalhotas com um sorriso
e enfrentar com fé uma guinada:
fazer o mundo amoldar-se a nós.
388
Maurício Batarce
Prazer
Gostos se misturam com sabores
E uma sensação de prazer invade meu ser.
Uma visão inconfundível de cores
Demonstram meu renascer.
Uma nuvem,
Com as formas circulares da Terra,
Encontra a Liberdade
E ao fundo um céu se abre...
Passo a sentir o topo das montanhas
E capto os caminhos do Horizonte.
O mar invade a areia
E as curvas do arco-íris se cruzam.
A floresta do conhecer
Abre passagem e a vida de muitos seres
Transmite força ao meu viver...
Em sonho o frescor de uma brisa
Toca minha face
E ao fundo um som se amplifica,
Demonstrando a energia cósmica...
Capacidade eterna de viver...
Prazer...
E uma sensação de prazer invade meu ser.
Uma visão inconfundível de cores
Demonstram meu renascer.
Uma nuvem,
Com as formas circulares da Terra,
Encontra a Liberdade
E ao fundo um céu se abre...
Passo a sentir o topo das montanhas
E capto os caminhos do Horizonte.
O mar invade a areia
E as curvas do arco-íris se cruzam.
A floresta do conhecer
Abre passagem e a vida de muitos seres
Transmite força ao meu viver...
Em sonho o frescor de uma brisa
Toca minha face
E ao fundo um som se amplifica,
Demonstrando a energia cósmica...
Capacidade eterna de viver...
Prazer...
1 010
António Manuel Couto Viana
Alegoria
Fruto tão maduro
Que me apodreceu.
Foi-se a colheita do futuro:
Podeis aproveitar, aves do céu!
Pomar de luto.
Venha outro Outono pra me consolar;
Outro fruto
Que mate a minha fome e sede de cantar.
E não mais espantalhos a suster
A gula natural dos meus sentidos:
Seja, enfim, livre pra morder,
Ainda verde, o que nascer
Destes ramos despidos!
Que me apodreceu.
Foi-se a colheita do futuro:
Podeis aproveitar, aves do céu!
Pomar de luto.
Venha outro Outono pra me consolar;
Outro fruto
Que mate a minha fome e sede de cantar.
E não mais espantalhos a suster
A gula natural dos meus sentidos:
Seja, enfim, livre pra morder,
Ainda verde, o que nascer
Destes ramos despidos!
1 716
Sérgio Mattos
Asas para Amar
Um dia colocarei asas
em teu vestido branco
e como anjo poderás
flutuar no espaço e
bordejar como colibri,
sugando das bocas que queiras
o néctar que necessitas para alimentar teu amor.
em teu vestido branco
e como anjo poderás
flutuar no espaço e
bordejar como colibri,
sugando das bocas que queiras
o néctar que necessitas para alimentar teu amor.
958
Sérgio Mattos
Independência
O sonho do poeta
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
891
Marco Antônio de Souza
Prateleiras ao Chão
Fora !
Rejeição total às tradições seculares,
às arcaicas convenções,
aos preconceitos e barreiras ...
Fora !
Abaixo o maniqueísmo de almanaque
que sacraliza o bem e exorciza o mal
como se ambos não fossem
a um só tempo,
faces distintas de moeda única,
inseparáveis,
porque sem valor se apartadas...
Fora !
Abaixo com esta vida de concessões
de pedir licença para ser feliz;
abaixo com este medo de ousar
aventuras de risco em alto mar;
abaixo com o terror sob os lençóis em chamas,
abaixo com o dizer sim
se a vontade soberana impele a vomitar o não...
Fora !
Abaixo com esta economia de sentimentos,
esta poupança no amar;
abaixo com este viver acovardado
atrás das lombadas dos códigos
e constrangido por leis humanas
que aprisionam e amordaçam...
Fora !
Abaixo com o falar baixo ou o não falar,
abaixo com esta vida de eterna sede,
abaixo com a míope vista de não enxergar o mar,
abaixo com a manca perna que não permite sair do lugar...
Fora !
Abaixo com a excessiva gentileza
e com a inesgotável paz;
abaixo com as mentirosas eternas certezas...
Fora !
Abaixo com a valorização das doenças,
a dependência, o servilismo,
abaixo com este vil baixismo...
Sopra além do peito,
além do coração,
além da alma,
maravilhosa lufada de ar bendito
que concebe e faz nascer a liberdade
como única conquista a conquistar...
Rejeição total às tradições seculares,
às arcaicas convenções,
aos preconceitos e barreiras ...
Fora !
Abaixo o maniqueísmo de almanaque
que sacraliza o bem e exorciza o mal
como se ambos não fossem
a um só tempo,
faces distintas de moeda única,
inseparáveis,
porque sem valor se apartadas...
Fora !
Abaixo com esta vida de concessões
de pedir licença para ser feliz;
abaixo com este medo de ousar
aventuras de risco em alto mar;
abaixo com o terror sob os lençóis em chamas,
abaixo com o dizer sim
se a vontade soberana impele a vomitar o não...
Fora !
Abaixo com esta economia de sentimentos,
esta poupança no amar;
abaixo com este viver acovardado
atrás das lombadas dos códigos
e constrangido por leis humanas
que aprisionam e amordaçam...
Fora !
Abaixo com o falar baixo ou o não falar,
abaixo com esta vida de eterna sede,
abaixo com a míope vista de não enxergar o mar,
abaixo com a manca perna que não permite sair do lugar...
Fora !
Abaixo com a excessiva gentileza
e com a inesgotável paz;
abaixo com as mentirosas eternas certezas...
Fora !
Abaixo com a valorização das doenças,
a dependência, o servilismo,
abaixo com este vil baixismo...
Sopra além do peito,
além do coração,
além da alma,
maravilhosa lufada de ar bendito
que concebe e faz nascer a liberdade
como única conquista a conquistar...
983
Marco Antônio de Souza
LIBER(ALI)DADE
Andar, andar,
nada a dizer,
só pensar !
Pensar no livre pensamento do louco e da criança,
sem meneios ou cerceios...
Integrar-se ao grande rebanho cósmico
e ser um dos corpos celestes,
o mais opaco, porém o mais livre
de todas as galáxias...
Fundir-se ao universo como uma teia do sistema,
e afinal declarar-se livre,
ao mundo e ao metamundo !
Livre do bem e do mal,
livre da dor e da fé,
livre do amor,
livre da presença
e livre de todas as ausências...
nada a dizer,
só pensar !
Pensar no livre pensamento do louco e da criança,
sem meneios ou cerceios...
Integrar-se ao grande rebanho cósmico
e ser um dos corpos celestes,
o mais opaco, porém o mais livre
de todas as galáxias...
Fundir-se ao universo como uma teia do sistema,
e afinal declarar-se livre,
ao mundo e ao metamundo !
Livre do bem e do mal,
livre da dor e da fé,
livre do amor,
livre da presença
e livre de todas as ausências...
880
Marco Antônio de Souza
Respirar é Preciso
Já que antologia é
antologizemos o texto
trazendo à luz
as belezas do espírito conforme
..................................................
e, de conformidade com o inconformismo
que marca meus dias e noites
ressalto e revelo
aos presentes, aos ausentes, aos querentes,
e também aos carentes,
que ainda não morro
sem usufruir de todas as belezas
que o espírito conforma,
conforme nossa real e divina destinação...
Alerta geral
não ficarei na toca à vida toda
como as corujinhas do Tênis...
Ou lema, ou mote, ou até epitáfio
"EU QUERO AR..." .
antologizemos o texto
trazendo à luz
as belezas do espírito conforme
..................................................
e, de conformidade com o inconformismo
que marca meus dias e noites
ressalto e revelo
aos presentes, aos ausentes, aos querentes,
e também aos carentes,
que ainda não morro
sem usufruir de todas as belezas
que o espírito conforma,
conforme nossa real e divina destinação...
Alerta geral
não ficarei na toca à vida toda
como as corujinhas do Tênis...
Ou lema, ou mote, ou até epitáfio
"EU QUERO AR..." .
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