Poemas neste tema
Amor Romântico
Leila Mícollis
Ilusão (segunda)
Igual a todas
desejou ser única,
contou-me histórias, casos de seus casos,
falou de medos, de loucuras, sustos
e de um futuro que seria nosso.
Como as demais e tantas e diversas
fez mil perguntas sobre o meu passado,
teve ciúmes,
me roçou de leve,
quis recuar, pensou melhor, agiu,
igual a todas
se deitou comigo, dormiu
com suas pernas entre meus joelhos
e sonhou ficar multiplicada
no meu quarto de espelhos.
desejou ser única,
contou-me histórias, casos de seus casos,
falou de medos, de loucuras, sustos
e de um futuro que seria nosso.
Como as demais e tantas e diversas
fez mil perguntas sobre o meu passado,
teve ciúmes,
me roçou de leve,
quis recuar, pensou melhor, agiu,
igual a todas
se deitou comigo, dormiu
com suas pernas entre meus joelhos
e sonhou ficar multiplicada
no meu quarto de espelhos.
831
Eugénia Tabosa
Prelúdio
A noite era quase dia
e o vento vinha do mar
Soltaram-se teus cabelos
antes mesmo de os tocar
Os olhos ainda fugiam
evitando se encontrar
E teu corpo de tão perto
não me deixava falar
Quanto tempo assim passou
até o céu se dourar...
Na areia quente e macia
Batendo quase em surdina
um só coração se ouvia
embalado pelo mar.
e o vento vinha do mar
Soltaram-se teus cabelos
antes mesmo de os tocar
Os olhos ainda fugiam
evitando se encontrar
E teu corpo de tão perto
não me deixava falar
Quanto tempo assim passou
até o céu se dourar...
Na areia quente e macia
Batendo quase em surdina
um só coração se ouvia
embalado pelo mar.
1 329
Calex Fagundes
Minha mulher
A minha mulher
tem mistério insondável,
recato impenetrável
aos olhos voyeurs.
A minha mulher,
tem uma nudez invisível
e um olhar transparente
só para o que quer.
A minha mulher
tem o encanto das fadas
e a magia das bruxas
quando estamos em nós.
Ela sabe fazer-se inteira
nunca está em pedaços
sabe todas perícias
atar e soltar nossos nós.
Nela, o meu corpo presente
é mais do que tudo,
do eterno, um estudo,
quando estamos a sós.
Ela tem a magia dos celtas,
obtém a têmpera correta,
de traz-nos o instante
de toda eternidade.
Ela tem o erotismo dos anjos
o silêncio dos sábios
ao dizer o que é
ser a minha mulher.
tem mistério insondável,
recato impenetrável
aos olhos voyeurs.
A minha mulher,
tem uma nudez invisível
e um olhar transparente
só para o que quer.
A minha mulher
tem o encanto das fadas
e a magia das bruxas
quando estamos em nós.
Ela sabe fazer-se inteira
nunca está em pedaços
sabe todas perícias
atar e soltar nossos nós.
Nela, o meu corpo presente
é mais do que tudo,
do eterno, um estudo,
quando estamos a sós.
Ela tem a magia dos celtas,
obtém a têmpera correta,
de traz-nos o instante
de toda eternidade.
Ela tem o erotismo dos anjos
o silêncio dos sábios
ao dizer o que é
ser a minha mulher.
1 311
Helga Holtz
Partida
Em torno de ti tudo o que é ser
balança incansável a cauda...
Eu desaponto teu fiel séquito
com a desobediência civil
da minha atormentada alma.
Incontáveis lendas legendam
teu porte, tua alvíssima pele.
A mim, consideram partida...
Mas do teu pau, tantas asas,
quantos castelos construíram?
Eu desmonto teu exército
de bacantes, ovelhas rivais...
Exibo, impassível, a todas,
as feridas abertas, latejantes
da tua morada em meus canais.
balança incansável a cauda...
Eu desaponto teu fiel séquito
com a desobediência civil
da minha atormentada alma.
Incontáveis lendas legendam
teu porte, tua alvíssima pele.
A mim, consideram partida...
Mas do teu pau, tantas asas,
quantos castelos construíram?
Eu desmonto teu exército
de bacantes, ovelhas rivais...
Exibo, impassível, a todas,
as feridas abertas, latejantes
da tua morada em meus canais.
932
Léa Waider
Meu corpo teu ninho
A simples lembrança dos teus dedos na minha nuca me arrepiam
Teu cheiro me habita a alma e meu peito, arfante, te recebe.
Me abraça, vem dormir comigo
Me ajuda a apagar do peito aquela dor do querer.
A noite se instala em mim.
Lá fora, apenas o silêncio da noite do teu olhar.
Vem.
Ocupa com teu corpo esse abrigo que te chama.
Volta a ser minha morada, teu abrigo
Faz de mim tua caverna, teu porto seguro.
Faz do meu corpo teu ninho.
Atordoada pelas saudades crescentes,
meu corpo todo se ouriça à tua procura.
Teu cheiro me habita a alma e meu peito, arfante, te recebe.
Me abraça, vem dormir comigo
Me ajuda a apagar do peito aquela dor do querer.
A noite se instala em mim.
Lá fora, apenas o silêncio da noite do teu olhar.
Vem.
Ocupa com teu corpo esse abrigo que te chama.
Volta a ser minha morada, teu abrigo
Faz de mim tua caverna, teu porto seguro.
Faz do meu corpo teu ninho.
Atordoada pelas saudades crescentes,
meu corpo todo se ouriça à tua procura.
1 097
Renata Pallottini
Cerejas, meu amor
Cerejas, meu amor,
mas no teu corpo.
Que elas te percorram
por redondas.
E rolem para onde
possa eu buscá-las
lá onde a vida começa
e onde acaba
e onde todas as fomes
se concentram
no vermelho da carne
das cerejas...
mas no teu corpo.
Que elas te percorram
por redondas.
E rolem para onde
possa eu buscá-las
lá onde a vida começa
e onde acaba
e onde todas as fomes
se concentram
no vermelho da carne
das cerejas...
2 174
Eugénia Tabosa
Despertar
Do longe
ainda vinha
um som
longo
de luar
e senti
ainda viva
essa noite
a te sonhar
Na janela
que se abria
um pássaro
veio pousar
era hora
era dia
era sol
a despontar
À minha porta
batias
e corri nua
a te abraçar.
ainda vinha
um som
longo
de luar
e senti
ainda viva
essa noite
a te sonhar
Na janela
que se abria
um pássaro
veio pousar
era hora
era dia
era sol
a despontar
À minha porta
batias
e corri nua
a te abraçar.
1 242
Anibal Beça
A genealogia do amor
E assim se fez verbo
o dom da palavra
para repartir-se
porque ele era só.
Da vértebra curva
veio para ouvir
aquela que se houve
para ser ouvida
na aventura a dois:
chamada Mulher
a chamado do Homem.
O primeiro grito
– parto da palavra –
se faz em sussurro
macio de gozo
veludo de ventos.
o dom da palavra
para repartir-se
porque ele era só.
Da vértebra curva
veio para ouvir
aquela que se houve
para ser ouvida
na aventura a dois:
chamada Mulher
a chamado do Homem.
O primeiro grito
– parto da palavra –
se faz em sussurro
macio de gozo
veludo de ventos.
1 167
Eliane Pantoja Vaidya
Álbum japonês
A gueixa dentro de mim
aprova o homem que tu és
Já meu samurai
retesou-se ao máximo
quando a mulher dentro de ti
soltou os cabelos
nuvens douradas sobre os ombros
]e ofereceu-me sensualmente
a cabeça para que os prendesse
As minhas mãos
prontas para o vôo
ficaram ao longe de meu corpo
nenhum músculo se mexeu.
Só meu coração
era cavalo bravo
galopando
alucinado
de desejo.
aprova o homem que tu és
Já meu samurai
retesou-se ao máximo
quando a mulher dentro de ti
soltou os cabelos
nuvens douradas sobre os ombros
]e ofereceu-me sensualmente
a cabeça para que os prendesse
As minhas mãos
prontas para o vôo
ficaram ao longe de meu corpo
nenhum músculo se mexeu.
Só meu coração
era cavalo bravo
galopando
alucinado
de desejo.
986
Eugénia Tabosa
Sonhei comigo
Sonhei comigo
esta noite
Vi-me ao comprido
Deitada
Tinha estrelas
nos cabelos
em meus olhos
madrugadas
Sonhei comigo
esta noite
como queria
ser sonhada
Senti o calor da mão
percorrendo uma guitarra
De loge vinha um gemido
uma voz desabalada
Havia um campo
de trigo
um sol forte
me abrasava.
E acordei
meio sonhando
procurando
me encontrar
Quando me vi
ao espelho
era teu
o meu olhar.
esta noite
Vi-me ao comprido
Deitada
Tinha estrelas
nos cabelos
em meus olhos
madrugadas
Sonhei comigo
esta noite
como queria
ser sonhada
Senti o calor da mão
percorrendo uma guitarra
De loge vinha um gemido
uma voz desabalada
Havia um campo
de trigo
um sol forte
me abrasava.
E acordei
meio sonhando
procurando
me encontrar
Quando me vi
ao espelho
era teu
o meu olhar.
1 205
Ana C. Pozza
Inebriantes na dança do amor
Minha mente é só desejo:
Minha boca clama pelo teu beijo,
Meu corpo pulsa pelo teu toque,
Meu ser estremece pelo teu olhar.
Eu sou,
inteiramente,
lua,
nua,
tua.
Desejo acima de desejo
Corpo sustentando corpo
Alma comportando alma.
Tu
infinitamente
no meu
íntimo...
Nós dois
Inebriantes
Na dança do amor
A tocar
A sentir
A gozar
Na explosão do depois...
Minha boca clama pelo teu beijo,
Meu corpo pulsa pelo teu toque,
Meu ser estremece pelo teu olhar.
Eu sou,
inteiramente,
lua,
nua,
tua.
Desejo acima de desejo
Corpo sustentando corpo
Alma comportando alma.
Tu
infinitamente
no meu
íntimo...
Nós dois
Inebriantes
Na dança do amor
A tocar
A sentir
A gozar
Na explosão do depois...
1 074
Carolina Kujawski
Um pensamento
A língua
O beijo
O cheiro
Do amor
A água
A lágrima
Que corre
Cai, e grita
E chora
O beijo.
A língua
A fala, e fala
Do amor
Faz
Constrói
Destrói
E briga
Chora
O beijo
Do amado
Lábios molhados
Do amante
Da água
Da língua
O beijo
Um beijo
E apenas
Beijo
O
B
E
I
J
O
O beijo
O cheiro
Do amor
A água
A lágrima
Que corre
Cai, e grita
E chora
O beijo.
A língua
A fala, e fala
Do amor
Faz
Constrói
Destrói
E briga
Chora
O beijo
Do amado
Lábios molhados
Do amante
Da água
Da língua
O beijo
Um beijo
E apenas
Beijo
O
B
E
I
J
O
952
Ovídio
Os amores, V: 1-1, 9-26
Era intenso o calor, passava do meio dia;
Estava eu em minha cama repousando.
(...) Eis que vem corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante de meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos.
Estava eu em minha cama repousando.
(...) Eis que vem corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante de meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos.
1 195
Jean de La Fontaine
Epigrama
Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.
3 652
Claudia Roquette-Pinto
Luz depois do mergulho
depois de te amar saio refrescada
transparente nascida água
matéria de cisterna
de fosso fundo eterna
na tua profundidade
depois de me encharcar volto cristalina
do escuro à tona respiro
busco a luz que te defina:
água, talvez
água fugaz corpo piscina
transparente nascida água
matéria de cisterna
de fosso fundo eterna
na tua profundidade
depois de me encharcar volto cristalina
do escuro à tona respiro
busco a luz que te defina:
água, talvez
água fugaz corpo piscina
1 004
Eugénia Tabosa
Sentidos
Meus dedos
lentos
percorrendo
a medo
teu corpo
aberto
oferto.
Meus dedos
surpresos
soltando
o calor
o cheiro
de teu corpo
descoberto.
Meus dedos
olhos
trazendo
imagens
mensagens
ao meu corpo
trémulo.
…
Esqueci
teu nome
teu rosto
o quando
e o porquê
Só existes
em meus dedos
lentos
percorrendo
a medo
teu corpo
aberto
oferto.
Meus dedos
surpresos
soltando
o calor
o cheiro
de teu corpo
descoberto.
Meus dedos
olhos
trazendo
imagens
mensagens
ao meu corpo
trémulo.
…
Esqueci
teu nome
teu rosto
o quando
e o porquê
Só existes
em meus dedos
1 330
Rodrigo de Souza Leão
Os segredos de Raimunda Toada
Desnudou-se toda a realidade,
Posso vê-la desnuda flor,
Tão intensa a flor do amor.
Digo-te isso sem maldade.
Minha paixão feminina.
Dos prazeres é sacerdotisa,
Toca em mim feito brisa.
Me banha tal água cristalina.
Ó sublime paz que me devora,
Ao vê-la cavalgando corcunda.
Beleza em seu corpo mora.
Mas prefiro, sincero sua bunda.
Por isso Raimunda Toada.
Empina, mostra a bundinha danada.
Posso vê-la desnuda flor,
Tão intensa a flor do amor.
Digo-te isso sem maldade.
Minha paixão feminina.
Dos prazeres é sacerdotisa,
Toca em mim feito brisa.
Me banha tal água cristalina.
Ó sublime paz que me devora,
Ao vê-la cavalgando corcunda.
Beleza em seu corpo mora.
Mas prefiro, sincero sua bunda.
Por isso Raimunda Toada.
Empina, mostra a bundinha danada.
750
Liz Christine
Mais
Quero dormir
Esquecer
Escrever
Sorrir
Lua cheia
Que semeia
Não quero te exaurir
Chega de gozar
Pare de provocar
E vamos dormir
Mas se você aguentar
Por que não...
até o dia clarear?
Esquecer
Escrever
Sorrir
Lua cheia
Que semeia
Não quero te exaurir
Chega de gozar
Pare de provocar
E vamos dormir
Mas se você aguentar
Por que não...
até o dia clarear?
1 073
Leila Mícollis
Poema ao mais recente amor
Estar entre teus pêlos e dedos,
entre tua densidade,
neste transpirar sob medida
aos teus gemidos.
Estar entre teus trópicos,
entre o teu desejo e o meu prazer;
beber parte de teus líquens e teus rios
percorrendo-te da foz até a origem,
e pura a cada amor partir mais virgem.
entre tua densidade,
neste transpirar sob medida
aos teus gemidos.
Estar entre teus trópicos,
entre o teu desejo e o meu prazer;
beber parte de teus líquens e teus rios
percorrendo-te da foz até a origem,
e pura a cada amor partir mais virgem.
856
William Dumbar
Xi! fez ela com alegre gargalhada
Seja meu bezerro e minha mamada
Meu pequeno chorão com gana
E toda alegria que meu corpo reclama
Meu doce rapaz, solitária ceia
Homem algum amei esta semana
Como é bom ver sua cara feia.
Ele disse: minha alegria e minha queixa
minha sopa de carneiro, meu doce de ameixa
Não seja dura com seu Joãozinho
Tenha coração quente e não mauzinho
Seu pescoço branco como osso de baleia
faz uma ereção no meu pintinho
Você quebre meu coração e meus ossos incendeia.
Meu pequeno chorão com gana
E toda alegria que meu corpo reclama
Meu doce rapaz, solitária ceia
Homem algum amei esta semana
Como é bom ver sua cara feia.
Ele disse: minha alegria e minha queixa
minha sopa de carneiro, meu doce de ameixa
Não seja dura com seu Joãozinho
Tenha coração quente e não mauzinho
Seu pescoço branco como osso de baleia
faz uma ereção no meu pintinho
Você quebre meu coração e meus ossos incendeia.
680
Lélia Coelho Frota
Recém-casado
É pelos corpos que nos perdemos
de nós mesmos, para nos ganharmos.
É pelos beijos que nos despedimos
para nos encontrarmos pelos olhos.
É pela pele que escaldamos
o que em nós havia de secreto:
e é o nosso corpo entregue um corpo
estranho
pois pertence só a quem amamos
por quem morosamente devassamos
o alheamento da carne -
o barqueiro, o pastor que a atravessa
num profundo arremesso vagaroso
levantando ondas, ondas, ondas e
ervas
a subir e descer vagas e montes
levando-me com ele à raia clara
onde água a quebrar-se eu me
constele
na sua barca, conduzida à praia.
de nós mesmos, para nos ganharmos.
É pelos beijos que nos despedimos
para nos encontrarmos pelos olhos.
É pela pele que escaldamos
o que em nós havia de secreto:
e é o nosso corpo entregue um corpo
estranho
pois pertence só a quem amamos
por quem morosamente devassamos
o alheamento da carne -
o barqueiro, o pastor que a atravessa
num profundo arremesso vagaroso
levantando ondas, ondas, ondas e
ervas
a subir e descer vagas e montes
levando-me com ele à raia clara
onde água a quebrar-se eu me
constele
na sua barca, conduzida à praia.
1 079
Artur Gomes
Galope
com espada
em riste
galopamos
pradarias
e lutamos
ferozmente
por dois segundos
e meio
tua fúria era louca
que agarrei-me
em tuas crinas
pra não cair na lama
mas o amor era tanto
e tanto era o prazer
que quando fomos pra cama
não tinha mais o que fazer.
em riste
galopamos
pradarias
e lutamos
ferozmente
por dois segundos
e meio
tua fúria era louca
que agarrei-me
em tuas crinas
pra não cair na lama
mas o amor era tanto
e tanto era o prazer
que quando fomos pra cama
não tinha mais o que fazer.
673
Soares Feitosa
Femina
Não lavei os seios
pois tinham o calor
da tua mão.
Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.
Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.
Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.
Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:
donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar.
pois tinham o calor
da tua mão.
Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.
Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.
Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.
Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:
donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar.
1 359