Eu e ELE
Sobrevivente ao submundo do medo
E da subsistência....
Navegante em mares revoltos
Aprendi a contagem do tempo
Quebrei a realidade
Quarta parede entre nós...
Renasci como fênix
E o progresso me adotou
Descobri calores celestiais
No decréscimo
Sofri frios infernais.
No caminho que percorri
E nos combates da vida
Te conheci...
No fogo vi esperança
E com água fluiu minha alma
Só sentia o seu silêncio
Em minha consciência
E eu ali perdido no medo
Quis que o Senhor
Fosse mais trovejante.
O silencio adentrou o meu ser
Porque inda não entendia
Segui ao meu modo:
Cai diante tanta beleza
Que o poder me ofertou
Hora fervoroso
Hora na indiferença
Hora dominado pela ciência
Sempre foi no meu medo
Que fugi ao seu olhar
Não via coisas concretas
No amor
Senti seu lado intangível
Na dor
E sempre comigo
Quis caminhar...
Nem quis entender meu orgulho
Más ele quis perdoar
E no seu sacrifício
Quis me mostrar
A força do amor
Não deixando me entregue
Ao vale das sombras.
Vendo as minha cegueira
Quis me mostrar
A face do amor
Em ti é supremo
Maior que a luz do firmamento
Mais belo que a noite de luar
Mais forte que meu medo
De sombras...
Sei sou fraco
Faço coisas difícil de entender
As vezes das pedras
Do meu caminho
Fabrico armas para o ódio
E sede do ter ou do saber
Com meu olhar
Desprezo outros iguais
Que como eu vagam
Sem sua luz
De que me adianta
Todo firmamento
Em minhas mãos
Se custo entender
Que o Senhor é a saída
Quando eu descer desta viagem
Ainda com o seu sacrifício
Estou aqui vivendo meu medo
Questiono quem fala em seu nome
Falar do fogo que arde
Falar da água da vida
Do amor que aproxima
Com meu medo
Quantos morrem no abismo
Só porque tenho vergonha
De dizer em seu nome
Todos os dias...
Me mostra o perigo
Que há no deserto
Sabe que ainda que pequena
Há luz no meu ser.
Sempre me carrega em jardins
Onde a praga alastrou
E eu sou tão cego
Que nem consigo ver seu olhar
Outro dia
Em tempestades revoltas
Quis ser meu telhado
Estava no mar
Sem rumo e sem grilos
Jogou em meu barco
Uma rede
E minhas angustias
Em sonhos transformou
E com a liberdade
Oferecida a mim
Vindo de sua graça
Quis a luz...
De minhas próprias escolhas
Não quis entender
E ao meu coração
Dei morada ao orgulho
Ainda que muitos
O tenha como um justiceiro
Como fraco nas minhas quedas
Espero em seu nome
Muito mais a misericórdia
Que me dará a luz
No caminhar dos meus desertos
Onde deixei minha ignorância
Me dominar
Seu caminho é preto no branco
Porque é da justiça
Aprendi com outros
Exemplos de vida
Que morreram
No seu sacrifício
Que é o fim
De todo sofrimento
Na alma do pecador
Autor: Bruno Gomide/Candeias MG