Ao Som do Estalo

Ao som de um estalo Via sombras de medos, 
Onde respeito e afronta Se cruzam em segredo. 
Se a farda falasse Diria que a dentadura 
Tremeu de medo Da ditadura. 
De pés rachados pelo cimento
Lustrava o granito que um dia Seria o meu leito. 
Oh! Ventos de limunises, não me levem o chão! 
O dó-ré-mi-fá do pão seco é minha oração. 
Se a Cirene tocar e a terra tremer, 
É o brilho da alma que me faz renascer!
Comia pão seco a dó-ré-mi-fá
Enquanto ouvia moedas caídas ao chão. 
Vivia em marquises quebradas 
E via guarda-chuvas ao ventos de limunises. 
De pés rachados pelo cimento
 Lustrava o granito que um dia Seria o meu leito. 

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