Alguns Poemas

🔴 O Jornalismo que diz que na bandeira está escrito: Independência ou morte




A jornalista da CNN pensou que era um novo Augusto Nunes e resolveu comentar a megamanifestação do Bicentenário da Independência, só que se esqueceu de não passar vergonha e errou ao dizer o que está escrito na bandeira brasileira. Criticando Bolsonaro e nos “ensinando”, com toda a empáfia que os jornalistas doutrinados transparecem, ela disse: “Como nós sabemos, na bandeira está escrito Independência ou morte.




A comentarista, demonstrando toda a sua militância, portanto zero imparcialidade, constatou que o presidente quis comparar as “primeiras-damas”. Para a esforçada correligionária mal disfarçada de jornalista a Janja já foi promovida a primeira-dama.




Apesar de não haver reação no estúdio da emissora, a internet não perdoou e a opinião da CNN viralizou. Esse foi o resultado da pressa em criticar uma espantosa reunião pacífica, não fascista, de pessoas. 




Afirmando que fazem um Jornalismo de credibilidade, já disseram que o Chile e o Equador não estão na América do Sul.




É esse o nível da safra de jornalistas que “informam” imperativamente que tipo de remédio tem eficácia ou não. Mais que isso, quais remédios temos que ingerir e quais medidas sanitárias devemos adotar. Dá pra confiar? Muitas vezes, esses jornalistas, de maneira enviesada, consultam “especialistas” escolhidos a dedo. Esses que afirmam peremptoriamente que dois mais dois são cinco.




Para reaver os tempos áureos, quando o dinheiro público vascularizava a imprensa, o Jornalismo escala sua cavalaria para “bater” em tudo o que se aproximar do Bolsonaro. No dia 7 de Setembro, devido ao sucesso das manifestações, a imprensa parecia que não encontraria escapatória e seria obrigada a reportar a óbvia realidade. Engano, deram um “duplo twist carpado” e cavaram chutes, socos e escorregões do chefe do Executivo. Puseram uma lupa implacável na fala de mau gosto “imbroxável” e abusaram dos verbos para classificar como sequestro do Dia da Independência. Acontece que houve o resgate do patriotismo, de tratar os fatos e personagens da Nação como grandes acontecimentos e heróis, não como acidentes, galhofa e seres atrapalhados e glutões. A bandeira vinha sendo incinerada, rasgada e pisoteada. A velha imprensa, maldosamente, trocou os verbos: resgatado por sequestrado.




Jornalistas têm um certo desprezo e total subestimação da inteligência do “cidadão comum”. Entretanto, o que antes era resolvido com um “desculpem a nossa falha” fica eternizado com um “print screen” (cópia de tela).

🔴 A turma do cachorro-quente




Jabuticaba, assim como a fruta, é como ficou conhecido tudo o que só existe aqui no Brasil. Todo o significado de ter um Lula como presidente é algo que só existe aqui. A celebração do Dia da Independência estava tão vazio que eu digo que um tiro-de-guerra ou colégio de periferia reuniram maior plateia.




Um 7 de Setembro sem povo foi o que se viu. Mas não só isso: já faz algum tempo, o nosso Exército (melancia: verde por fora, vermelho [comunista] por dentro) parece composto por um “batalhão” de generais com a mesma firmeza de caráter de um general G. Dias. Neste 7 de Setembro, os militares, envergando uma farda camuflada, entregaram pães com salsicha. Definitivamente, a grandiosa data foi reduzida a uma festinha sindical.




Lula conseguiu esvaziar a data cívica, o Exército, a Polícia Federal e o seu próprio governo. Governo que não consegue disfarçar a impopularidade. Os institutos de pesquisa lulistas, mais uma vez, viraram piada tentando hipertrofiar a adesão  popular. Na matéria de turbinar os números em seu favor, Lula tem um assombroso descompromisso com a verdade, e Marcos Uchôa bem que já tentou na fracassada “live”.




A popularidade do Zé Gotinha foi o único ponto positivo do desfile. A bordo de um caminhão dos Bombeiros, o personagem demonstrou mais apreço do povo do que o presidente que, melancolicamente, saudou o nada.




Tudo, desde a campanha, que envolveu a edulcoração do eterno sindicalista, foi construído com a argamassa fraca da mentira. Ou seja, não dura, desaba. Durante a campanha, e na posse, o petista fingiu que encheria os ministérios de mulheres e privilegiaria o meio-ambiente. Sinalizando virtude e pagando o caro pedágio ideológico, obteve boa adesão, ou melhor, enganou muita gente. Entretanto, com a sanha de obter apoio político, mulheres estão sendo retiradas dos ministérios e os ecoterroristas estão frustrados. No entanto, Lula deve estar contente com o seu projeto pessoal de vingança.




Para esconder o vexame petista, restam duas alternativas: reescrever a História ou colocar a culpa em alguém.

🔵 Morrison Rock Bar







O “grande astro” da noite subiu ao palco. O barzinho de rock era bem acanhado, escondido na parte baixa da Vila Madalena, na verdade, Pinheiros. O local não lembrava nem de longe as grandes casas de espetáculos, muito menos os estádios. Havia pouquíssimo tempo para executar o rock mais tocado nas rádios em 97. Quem sabe, depois disso os mais distraídos se lembrariam de quem se tratava.




Embora digno, Henrique Lima não planejava isso para sua carreira: cantar e tocar para um punhado de bêbados num boteco de São Paulo. Pior que isso: alguém, embriagado e saudoso, berrando ininterruptamente para tocar “Bagulho no Bumba”, seu solitário sucesso.




Você que, sem ligar o nome à pessoa, pergunta: quem diabos é Henrique Lima? Eu respondo: o vocalista da banda “Os Virgulóides”. A banda, “descontraída”, surgiu no vácuo deixado com o desaparecimento dos “Mamonas Assassinas”.




O, então, despercebido músico paulistano sabia (estava acostumado) que após os primeiros acordes de ‘Bagulho no Bumba’ as coisas mudariam: Ele deixaria de ser o famoso “quem(?)” e a plateia olharia com mais atenção, talvez inveja.




Não deu outra, como esperado o velho sucesso, de tanto que tocou nas rádios e nas areias das praias, quando reproduzido ao vivo gerou comoção, um coralzinho honesto e despertou a memória afetiva na mais insensível das criaturas.




Por uns minutos até que foi legal lembrar da musiquinha que embalou alguns dos irresponsáveis finais de semana no litoral; mas, terminada a exumação da canção, tudo voltou a resumir apenas mais uma noite de sábado,




Entre conversas, risadas, vai e vens dos copos e alguns aplausos, Henrique Lima tocava como nos tempos de Rock In Rio ou com a mesma aplicação de quando vendia mais de 200 mil cópias.




É isso. Um dia você dedilha as cordas da guitarra e canta para milhares de pessoas; no outro, a mesma coisa distrai uma galera ensandecida, numa espelunca da Vila Madalena.




Henrique Lima parecia se vingar quando cantou: “É, é, é, é... Eu acho que o bagulho é de quem tá de pé”.

🔴 O MST volta a amolar




Não foi por falta de aviso. Aviso deles mesmos. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) tem um método para realizar ataques terroristas sem ser enquadrado no crime. No entanto, Lula foi eleito, digo, “coroado” chefe do Brasil, apesar das ameaças terroristas do grupo.




É muito curioso como o MST chega nos assentamentos: picapes e outros carros. João Pedro Stédile, líder do MST, já acenava com retomada de invasões, em caso vitória de Lula. Chegou a hora.




Durante o governo Bolsonaro, o movimento resolveu suspender suas perfunctórias atividades, entrando, assim, numa hibernação compulsória e bastante oportuna. Com a tolerância zero tendo dissuadido o bando de tentar invadir propriedades, e a distribuição de terras ter feito o grupo terrorista perder a motivação, o MST não conseguiu conduzir uma turba enfurecida com sangue nos olhos e a faca entre os dentes.




Mas com a invasão-mor do PT (Partido dos Trabalhadores) servindo de exemplo, o MST está amolando os fações e foices. O amor venceu e o estímulo financeiro para colocar a justiça social em prática está chegando. Se o Lula subir a rampa, o agronegócio desce a ladeira.




Pedro Stédile e sua massa de manobra só esperou o Lula ganhar o Brasil de presente para voltar a tocar o terror. Fingindo perseguir a reforma agrária, o MST mutila animais, arrasa pesquisas e destrói plantações. A tática dos manifestantes invalida o argumento de que o grupo só invade terras improdutivas.




Jair Bolsonaro, contrariando as expectativas, realizou uma farta distribuição de propriedades rurais; essa ação desmobiliza o exército do MST. Além de impossibilitar o meio de vida de parasitas, como o Stédile, isso desmascara quem finge que luta pela reforma agrária. Resumindo: é ruim para os negócios. Se Lula não fosse conduzido à Presidência, Stédile teria que, argh, trabalhar.




Facões, foices e pedaços de madeira não são ferramentas de trabalho, são instrumentos de intimidação ou, na hora que o “bicho pega”, armas.




“Fé cega, faca amolada”.

🔴 Um país carnavalizado




Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) compôs o ‘Samba do Crioulo Doido’ em 1966. Um dos motivos da composição do “Samba” foi satirizar a obrigatoriedade de exaltar fatos históricos. Os sambas-enredo são, atualmente, satirizados porque tacitamente seguem uma fórmula que tem que conter palavras como: brilho, fantasia, navegou, libertou, apogeu, e outras abstrações que não significam nada. Sendo assim, qualquer biquíni com umas penas grudadas, na cabeça de um carnavalesco, pode representar uma crítica ao poder repressor ou a exaltação ao deus justo que libertou o povo altivo quando o céu resplandeceu e raiou a liberdade que fez vislumbrar um futuro alvissareiro e com galhardia...




Pois bem, essa festa pode ser enxergada e noticiada pelos acontecimentos positivos ou negativos, de acordo com os interesses ou a realidade. E com a predominância de fatos altamente negativos, no Carnaval, onde teoricamente tudo é permitido, passa despercebido, sambando e andando: malandro e trabalhador e bandido com político. Enquanto isso, “coisas acontecem”.




Durante o Carnaval, o presidente viajou à terra natal do mosquito Aedes Aegypti; uma... cantora... que exaltou marginais pediu ajuda à polícia após ter um colar de R$ 100 mil furtado; um presídio de segurança máxima “teve uma saidinha de Carnaval” e “facilitou” a fuga de 2 presos, que agora serão chamados de soltos; a escola de samba Vai-Vai deu uma aula de “bandidolatria”, fantasiando uma ala com policiais/diabos; criminosos e políticos desfilaram juntos e misturados (se é que você me entende); Daniela Mercury xingou muito; e, no ponto alto desse Carnaval, Baby do Brasil “exorcizou” Ivete Sangalo.




Joãosinho Trinta eternizou a frase “Quem gosta de pobreza é intelectual, pobre gosta de luxo”. A frase é correta, mas faltam umas atribuições que a “elite”, preconceituosamente, tenta jogar para os pobres: a desonestidade, a criminalidade e a idolatria a bandidos (“bandidolatria”). 




Favela, para quem está na Vila Madalena e Leblon, é “imersão cultural” com vista para o mar, para o favelado é moradia precária, risco de deslizamento e falta de saneamento e outros serviços públicos; bem como, para uns, usar uma roupa que tenha origem numa etnia diferente da sua é apropriação cultural, para outros, é usar o que tiver. Definitivamente, a arquibancada está muito distante da passarela e o trio elétrico, do chão. 




Esse é o novo ‘Samba do Crioulo Doido’ ou, num tempo politicamente correto, “samba do afrodescendente com problema psiquiátrico”.

🔴 “Vem ser feliz”




O capitalismo também tem seus defeitos. Não, eu não fui lobotomizado, não fui vítima da doutrinação escolar nem fiz o “L”. Pelo contrário, logo entendi que havia um psicopata solto, espalhando mentiras e aplicando o “Conto da Picanha”.




Voltando ao capitalismo, admito que os produtos são fabricados para não durar (para quebrar) ou para se tornarem obsoletos. Sobretudo, eletroeletrônicos não dispõem de peças de reposição, não compensam ser consertados ou são considerados antigos porque surgiu um modelo mais atual (IPhone 1,2,3...). O nome disso é: obsolescência programada.




A durabilidade dos produtos fabricados é inversa às pesquisas de desenvolvimento, bem como a evolução tecnológica. A boa qualidade dos produtos é péssima para os negócios. Pelo contrário, a troca favorece muito os interesses comerciais, concomitantemente, o lucro.




Determinada lâmpada resiste acendendo há 115 anos (mais recente registro: 2020). O que fez a lâmpada durar tanto tempo foi o cuidado para não quebrá-la. No entanto, como isso não gira o estoque, o fabricante fornece alguns meses antes de nos entregar às trevas. Nesse caso, a pesquisa e o aprimoramento tecnológico socorreram a indústria: eis a obsolescência programada novamente.




Pois o PT, o partido dos trabalhadores que não trabalham, dos estudantes que não estudam e dos intelectuais que não pensam, diferentemente do que parece e dizem, não é socialista nem comunista, é dinheirista. Assim, o governo imposto também quer contribuir para um  consumo forçado. Sempre favorecendo algum “amigo do rei”, o PT tenta “obrigar” o brasileiro a comprar alguma inutilidade. Exemplo: tomada três pinos.




Agora, malandramente, surgiu a troca obrigatória da geladeira. Sob o pretexto safado da “eficiência energética”, o brasileiro terá que trocar o essencial equipamento. A aquisição do caro e indispensável eletrodoméstico irá enriquecer mais sua amiga dona de lojas e, quem sabe, algum industrial.




Como principal legado do Lula, pode ser um refrigerador maior que caiba mais, não picanha, mas abóbora. Não bastasse a obsolescência programada, uma lei tornará obsoleto o que ainda funciona. “Vem ser feliz”.

🔵 Programa infantil para criança “de menor”

Curiosamente, se espera de um programa infantil que ele seja para crianças. No entanto, os anos 80, com reflexo nos 90, foram recheados com garotas de programas infantis que pareciam retiradas de um filme para adultos. Os programas, apesar de infantis, deveriam ser proibidos para menores de 18 anos.




O artista plástico, compositor, desenhista, escritor, educador e apresentador de televisão, Daniel Azulay, foi substituído por um punhado de loirinhas com shortinhos minúsculos e um “cardume” de ‘paquitas’. Assistir a programas infantis educativos contribuiu para que eu fosse uma criança normal, não um maníaco sexual. 




O programinha educativo do artista era daquele tipo que ensina a pintar, recortar e colar. Tudo isso, reciclando embalagens. Apesar de exibir desenhos animados, ainda eram tempos de programas feitos a mão.




Entretanto, com minha incipiente formação cognitiva, eu não estava preocupado em selecionar uma programação de boa qualidade, ou seja, programas infantis educativos. Pouco me importava aprender a construir robôs com caixas de fósforos, potes de ‘Danoninho’ ou garrafinhas de ‘Yakult’. Os desenhos já cumpriam a tarefa de me manter entretido.




Um dia qualquer, ouvi uma notícia protocolar. A nota informava: morreu, de COVID-19, Daniel Azulay. As pessoas da minha idade só citavam a Xuxa (que era conhecida como a Rainha dos Baixinhos) e outros programas infantis para adultos. Confesso que me sentia “cult” por assistir a algo tão alternativo. 




É um mistério como minha televisão conseguiu sintonizar o programinha carioca “underground”. Durante muito tempo, achei que só eu dava audiência para o desenhista e sua Turma do Lambe Lambe. A surpresa veio com sua morte. Aproximadamente, 40 anos depois de acompanhar à obscura atração vespertina, fiquei espantado com a considerável comoção pela sua morte. Descobri que pessoas famosas assistiam à atração e a consideravam um clássico.




Demorou, mas descobri como era grande o número de pessoas que aprenderam a fazer robôs com caixas de fósforos, potes de ‘Danoninho’ ou garrafinhas de ‘Yakult’.



🔴 Fardo tropical




A sina de Portugal foi ter “descoberto” o Brasil. Durante muitos anos, existia um gênero de piada: piada de português. Em filmes, inclusive na escola, tratamos a Descoberta como um acidente e D. João VI como um trapalhão comedor compulsivo de engorduradas coxinhas de frango. 




No entanto, a terrinha de além-mar trata Lula como o que ele é: uma piada de brasileiro. Mais que isso, ele é o mentiroso que tomou o poder dando o golpe da picanha e, na China, não ficou sequer ruborizado ao afirmar que assiste ao campeonato chinês de futebol. Tá.




Pois, os jornalistas portugueses tiveram coragem de fazer perguntas embaraçosas, coisa que nossos repórteres não ousam tentar, pois Lula repreende-os com arrogância. Em Portugal, ele só encontrou um subterfúgio para fugir das perguntas incômodas: não compreender... a língua!




Fuga, compras, a enorme comitiva presidencial (Carreta Furacão), um mandatário que se faz de sonso e protestos. Sim, houve protestos. Os lusitanos, sempre literais, chamaram Lula do que ele realmente é: ladrão; e lembraram-no qual é o seu lugar: na prisão. Portugal extraiu pau-brasil e enviou náufragos, traficantes e degredados, mas não aceitam o maior cara de pau do Brasil. Desconfio, apenas com o périplo petista pelo mundo, nosso superávit primário de corrupção está garantido.




Um capítulo dessa ópera bufa foi a deslumbrada com o poder, que atende por Janja, fazendo  compras na loja classe A da grife ‘Ermenegildo Zegna’. Esse é o exemplo da “esquerda caviar” que odeia a classe média. Bonnie & Clyde atacam em Portugal. Infelizmente, receberemos essa devolução indesejada. A vanguarda do atraso, o principal mantenedor do atraso brasileiro quer continuar a destruição enquanto a Janja esbanja. Será que o País suposta até 2026?




Com as imagens “vazadas” relativas ao 8 de Janeiro, vimos o repórter fotográfico da agência internacional de notícias, ‘Reuters’, “trabalhando” e produzindo as imagens que contam a nossa história. O fotógrafo picareta deu uma aula de como manipular fatos de modo a criar a narrativa que interessa ao mundo.




Os versos do Chico Buarque devem ser repetidos, porém, agora, sem ironia:




“Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal 

Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”

O espancamento 🔵

J..., o pobre condenado, já estava amarrado no poste. Não havia a menor chance de escapar daquele iminente martírio. A sessão de espancamento iria começar. Todos estavam armados com o que houvesse: paus, pedras, objetos contundentes, perfurantes, cortantes, perfurocortantes, explosivos e um galão de gasolina — que denunciava o triste e cruel final daquela justiça com as próprias mãos.

O desgraçado J... tinha cometido o crime há muito tempo. Curiosos intervieram — na verdade, tentaram —, mas foram rapidamente dissuadidos. Na sede por sangue e na lei da periferia não havia perdão nem prescrição de traição. Sem a menor chance da imolação pública ser adiada e todos já armados, quem discordava da violenta tradição deveria resignar-se e sair de perto.

Arremessaram uma pedra. Começou uma sequência de golpes com paus, pedras e demais instrumentos. De vez em quando lançavam morteiros na direção do infeliz. Alguns, corajosos e mais empolgados ou com muita sede de justiça invadiam a “linha de tiro” com socos, chutes e voadoras.

Pronto. O serviço sujo já estava feito. Mas ninguém arredou pé, pois ainda faltava o principal: a queima do que restou inerte. O próximo episódio era o que todos mais aguardavam. O êxtase, o golpe de misericórdia, o ato final, o que há de pior dentro de cada um, o que desperta os instintos mais primitivos: a vingança. Toda a gasolina foi despejada, foi derramada no que restou do que nem o poste sustentava mais. No chão jazia um boneco, não com vísceras expostas, mas alguns maços de capim e jornais que serviam de enchimento do Boneco de Judas.

A Malhação do Judas foi o evento mais sincrético que já presenciei. Além da molecada católica, judeus, budistas, espíritas, evangélicos, umbandistas, ateus e agnósticos esperavam o dia do espancamento.

O boneco era caprichosamente confeccionado com roupa velha e enchimento, devidamente trajado para a sessão de linchamento, para depois servir como objeto de imolação e, inconscientemente, descarrego de tudo que nos afligia. Tratando-se de crianças: algum vizinho que não devolvia a bola, alguma guloseima negada ou um brinquedo estragado.

Na Sexta-feira da Paixão resistíamos a carne vermelha; no Sábado de Aleluia barbarizávamos Judas, quase 2000 anos depois da traição, mantendo a tradição; e no Domingo de Páscoa, inocentemente, cristãos tementes a Deus, devorávamos ovos de chocolate.

A tradição portuguesa e espanhola, embora violenta, significava apenas mais uma brincadeira. Depois dessa prática inocente, algo também extremamente violento e cruel: futebol de rua.

🔵 Figuras







Acordar no sábado e descobrir que seus amigos começaram uma coleção de figurinhas de futebol sem te avisar é considerado alta traição. Como forca, cadeira elétrica ou injeção letal, além de não utilizados no Brasil, são castigos incompatíveis com o delito, as penas não foram aplicadas. Preferi adquirir, mesmo depois, o álbum e algumas figurinhas.




O meu senso de qualidade e valor financeiro ainda não estavam apurados, talvez por causa do orgulho infantil de obter “a grande novidade”. O fato é que: os cromos eram porcamente impressos, o álbum era interminável, havia times insignificantes, como o Tuna Luso e “prêmios” como: utilidades domésticas incompletáveis. Não bastasse a péssima qualidade do produto, o nome daquilo era... ‘Trá-lá-lá  de Ouro’. O “de Ouro” talvez fosse para agregar valor à porcaria toda. Funcionou.




Viramos escravos do lixo e, pior, só pretendíamos largar aquela coisa quando terminássemos a coleção. Isso não se faz com uma criança, neste caso, três. Como todo estelionato, esse, atraiu pela cobiça.




A coleção foi bem, até certo ponto. Mas as horríveis panela de pressão, batedeira e liquidificador, enfim as utilidades domésticas, nunca completavam. A perspicácia tardia nos ajudou a concluir que havíamos sido enganados. Para dramatizar mais a situação, não encontramos mais ninguém com o material. A qualidade era tão desprezível, que não havia comércio, nem troca, nem “bafo” (jogo). “Morremos” com o material... Ir à banca de jornal e pedir o reembolso não era uma opção. A solução mais sensata foi admitir a derrota e abandonar o álbum incompleto.




Enquanto eu torrava meus surrados trocados no álbum de figurinhas pessimamente acabado, ridiculamente impresso e grudado porcamente com uma tóxica cola escolar, minha irmã desfilava com os impecavelmente acabados, cuidadosamente impressos e minuciosamente colados (autocolantes), mas enfadonhos ‘Amar é...’ e ‘Bem Me Quer’. Era muita humilhação.




Por mais que eu desqualificasse os álbuns femininos, faltavam argumentos para defender um produto de estelionato que chamava... ‘Trá-lá-lá de Ouro’.

Quem Gosta

Seguidores