PRÓPRIA IDADE

Esporadicamente, aquando sentado

Contemplo o véu infinito anil que me cobre.

Minha face ausente de folha vítrea qualquer que me foque

A retina crua, através da qual enxergo vulnerabilidade

No nascimento e na morte.

 

É dura sabedoria, a complexidade refletida

Nestes meus olhos à nascença falhos.

 

Em tempos enumerei, ordenei, nomeei 

- Ó Deus sabe o quanto me cansei,

De agrupar infindas estrelas nas quais minhas filhas tornei.

Fora as que cuidei, pelo inevitável fado

Daquelas distantes bandas de onde regressei.

 

Trágica revelação, o desenlace de tal história,

Que sob luz pálida, eu mesmo elaborei.

“Vi nascer, vi morrer.”

Só eu sei o que aconteceu… presenciei

 

A plenitude deste manto estrelado

Que por infortúnio

Nunca foi

Não será

Nem é meu.

 

É Céu.

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