

Álvares de Azevedo
Álvares de Azevedo foi um poeta brasileiro, figura proeminente do Romantismo e um dos expoentes do Ultrarromantismo em seu país. Sua obra, marcada por um profundo pessimismo, melancolia, e a exploração de temas como a morte, o amor idealizado e a fuga da realidade, reflete as angústias de uma juventude que se sentia deslocada em seu tempo. Apesar de sua curta vida, deixou um legado poético e em prosa de grande intensidade e lirismo, influenciando gerações posteriores com sua visão sombria e sua exploração do gótico e do sublime.
1831-09-12 São Paulo
1852-04-25 Rio de Janeiro
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São os primeiros cantos
São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus.
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