Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo foi um poeta brasileiro, figura proeminente do Romantismo e um dos expoentes do Ultrarromantismo em seu país. Sua obra, marcada por um profundo pessimismo, melancolia, e a exploração de temas como a morte, o amor idealizado e a fuga da realidade, reflete as angústias de uma juventude que se sentia deslocada em seu tempo. Apesar de sua curta vida, deixou um legado poético e em prosa de grande intensidade e lirismo, influenciando gerações posteriores com sua visão sombria e sua exploração do gótico e do sublime.

1831-09-12 São Paulo
1852-04-25 Rio de Janeiro
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Coroemos as noites

Oh! não tremas! que este olhar, este braço te digam
o que é inefável — abandonar-se sem receio, inebriar-se
de uma voluptuosidade que deve ser eterna.
GOETHE. Fausto.


Sim — coroemos as noites
Com as rosas do himeneu;
Entre flores de laranja
Serás minha e serei teu!

Sim — quero em leito de flores
Tuas mãos dentro das minhas...
Mas os círios dos amores
Sejam só as estrelinhas.

Por incenso os teus perfumes,
Suspiros por oração,
E por lágrimas, somente
As lágrimas da paixão!

Dos véus da noiva só tenhas
Dos cílios o negro véu;
Basta do colo o cetim
Para as Madonas do céu!

Eu soltarei-te os cabelos...
Quero em teu colo sonhar!
Hei de embalar-te... do leito
Seja lâmpada o luar!

Sim — coroemos as noites
Da laranjeira co'a flor;
Adormeçamos num templo,
Mas seja o templo do amor.

É doce amar como os anjos
Da ventura no himeneu:
Minha noiva, ou minh'amante
Vem dormir no peito meu!

Dá-me um beijo — abre teus olhos
Por entre esse úmido véu:
Se na terra és minha amante,
És a minha alma no céu!


Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853). Poema integrante da série Primeira Parte.

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.
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