Geraldo Bessa-Victor

Geraldo Bessa-Victor

Geraldo Bessa-Victor foi um poeta, prosador, dramaturgo, crítico literário e professor universitário português, figura proeminente na literatura do século XX. A sua obra abrange uma vasta gama de géneros, mas é na poesia que se destaca pela sua originalidade, pela sua profunda reflexão sobre a condição humana e pela exploração de temas como a identidade, a memória e a religiosidade. O seu estilo, muitas vezes denso e imagético, dialoga com a tradição, mas é inovador na sua abordagem e na sua linguagem. Como académico e crítico, Bessa-Victor contribuiu significativamente para o estudo e a divulgação da literatura portuguesa. A sua obra, rica e multifacetada, é um testemunho da complexidade do seu pensamento e da sua sensibilidade artística, deixando um legado valioso para a literatura contemporânea.

1917-01-20 Luanda
1985-04-22 Lisboa
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Dia de Chuva no Mato

Chove,

E a trovoada
é um batuque incessante,
uma estranha batucada.

Os raios são setas de fogo
que mesteriosamente, em tom de guerra,
espíritos do mal lançam da Altura
para incendiar a Terra.

O vento
Ora violento, ora brando,
o vento é o cazumbi dos cazumbis
-o deus do mar, do rio e da floresta-
que vai cantando e dançando,
em tragicómica festa,
o seu coro de mil vozes,
os seus bailados febris.

As nuvens negras são virgens tontas,
quais almas do outro mundo,
errando como sonambulas
pelo céu negro e profundo...
E a chuva, constante e forte,
é o pranto (parece eterno)
dos deuses negros que a Morte
sacrificou no Inferno.
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