

Juscelino Vieira Mendes
Juscelino Vieira Mendes é um poeta português contemporâneo, conhecido pela sua exploração profunda da condição humana e das complexidades da existência. A sua obra poética distingue-se pela introspeção, pela musicalidade do verso e pela capacidade de evocar imagens vívidas e emoções subtis. Com uma escrita que transita entre o íntimo e o universal, Juscelino Vieira Mendes aborda temas como o amor, a memória, a passagem do tempo e a busca por sentido. A sua poesia é frequentemente marcada por uma linguagem cuidada e por uma sensibilidade apurada para as nuances do sentir, o que lhe confere um lugar de destaque na poesia portuguesa atual.
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Chuva
Chuva, chove
Cai, mata, desce veloz
Torrencial, matinal
Desgraçadamente sobre eles, nós, todos...
Inunda, transborda rios: de sangue!
De água, sem cessar...
Continua matando, transbordando
No estado do Rio; do Paraná; de São Paulo e do Ceará...
Nada de água; água prá nada.
Fogem de lá prá cá... enchente...ingente, indigente!
Para morrerem de sede; de fome
Sem amor, de dor, de saudade.
Sem saudade; de amor...
Continua caindo, sempre
Molhando, invadindo
matando-os; não eles...
Não latifundiários; não os bons
Somente os maus
Desce, chove
cresce, enche
Mata a fome: de fome
Uns, outros, todos...
(...e inunda-me também o coração!).
enchente de janeiro de 1977.
Cai, mata, desce veloz
Torrencial, matinal
Desgraçadamente sobre eles, nós, todos...
Inunda, transborda rios: de sangue!
De água, sem cessar...
Continua matando, transbordando
No estado do Rio; do Paraná; de São Paulo e do Ceará...
Nada de água; água prá nada.
Fogem de lá prá cá... enchente...ingente, indigente!
Para morrerem de sede; de fome
Sem amor, de dor, de saudade.
Sem saudade; de amor...
Continua caindo, sempre
Molhando, invadindo
matando-os; não eles...
Não latifundiários; não os bons
Somente os maus
Desce, chove
cresce, enche
Mata a fome: de fome
Uns, outros, todos...
(...e inunda-me também o coração!).
enchente de janeiro de 1977.
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