Ricardo Kelmer

Ricardo Kelmer é um poeta e escritor português contemporâneo, cuja obra se distingue pela exploração de temas existenciais, pela investigação da linguagem e pela experimentação formal. A sua poesia, muitas vezes enraizada numa sensibilidade urbana e introspectiva, procura desvelar as complexidades da condição humana, as fragilidades das relações e a busca por sentido num mundo em constante mutação. É um autor que privilegia a densidade imagética e a reflexão filosófica.

1964-10-21 Fortaleza
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Particularmente eu prefiro quiabo cru

Há quem não goste de criança
Há quem adore ensinar
Há quem os olhos não levante
E há quem garanta só olhar

Há quem procure o ponto G
Há quem pule na hora H
Há quem não goste se doer
Mas há quem vá se viciar

Há quem abafe o prazer
Há quem se permita um palavrão
Há quem não exija que haja amor
E há quem se negue à precisão
Há quem não esqueça o vinho branco
Há quem vá de leite condensado
Há quem seja atento sempre e tanto
Mas há quem grite o nome errado

Há quem pra isso não tenha gula
Há quem engula só de ver
Há quem não perca uma parada
E há quem nem saiba o que fazer
Há quem não dispense um inferninho
Há quem já aderiu a um tal à-trois
Há quem não goste de tal gosto
Mas há quem ande louco pra gostar

Cada um tem sua tara
Não me venha dizer que não
Assuma a sua e meta a cara
Pois quem não tem, tem precisão
Alimente-a com carinho
Não deixe nada lhe faltar
Vergonha é que é proibido
Mais esquisito é não gozar

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