
Nico Fagundes
Nico Fagundes é um poeta e escritor cabo-verdiano, cuja obra se destaca pela profunda ligação com a identidade e cultura de Cabo Verde. Sua poesia é um espelho das ilhas, abordando temas como a saudade, o mar, a emigração, a condição humana e a busca por um lugar no mundo. Com uma linguagem que evoca a oralidade e a musicalidade crioula, Fagundes se estabeleceu como uma voz importante na literatura cabo-verdiana e lusófona, explorando as nuances da alma e da paisagem de seu arquipélago.
1934-11-04 Alegrete
2015-06-24 Porto Alegre
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Mulher querência
Na querência do teu corpo
tem coxilhas e canhadas
cacimbas de luas claras,
matas escuras fechadas
e dois cerros de granito
com pitangas coloradas
só eu sei achar o rumo
dos atalhos e picadas
e bebo a noite em teus olhos
no frescor das tuas aguadas
e fumo a brasa escondida
das coivaras e queimadas
como quem acende um sol
no largo das madrugadas
Eu morro em ti,
e me enterro,
e ressuscito outra vez
semente chuva e mormaço,
berro de potro e de rês.
Gineteio sem espora,
faço o que ninguém fez.
Coração de ressolana
com um ovo guacho de indês.
Nas quatro luas campeiras
de volta em roda do mês:
dono, patrão, bolicheiro,
escravo, peão, e freguês.
tem coxilhas e canhadas
cacimbas de luas claras,
matas escuras fechadas
e dois cerros de granito
com pitangas coloradas
só eu sei achar o rumo
dos atalhos e picadas
e bebo a noite em teus olhos
no frescor das tuas aguadas
e fumo a brasa escondida
das coivaras e queimadas
como quem acende um sol
no largo das madrugadas
Eu morro em ti,
e me enterro,
e ressuscito outra vez
semente chuva e mormaço,
berro de potro e de rês.
Gineteio sem espora,
faço o que ninguém fez.
Coração de ressolana
com um ovo guacho de indês.
Nas quatro luas campeiras
de volta em roda do mês:
dono, patrão, bolicheiro,
escravo, peão, e freguês.
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