

Afonso Cautela
Afonso Cautela é um poeta contemporâneo cujas obras exploram a complexidade da experiência humana, a efemeridade do tempo e a busca por sentido num mundo em constante transformação. A sua poesia distingue-se pela profundidade reflexiva e pela forma como consegue capturar a melancolia e a beleza intrínsecas à existência. Através de uma linguagem cuidada e de imagens evocativas, Cautela constrói pontes entre o íntimo e o universal, convidando o leitor a uma introspeção sobre a condição humana. O seu percurso literário tem sido marcado por uma constante experimentação formal e temática, explorando novas formas de expressar sentimentos e ideias. A obra de Cautela tem vindo a ganhar reconhecimento pela sua originalidade e pela sua capacidade de tocar o leitor de forma visceral, consolidando a sua posição como uma voz relevante na poesia contemporânea.
Ponto Final
não preciso de escolta,
os rins funcionam, felizmente,
ou por morrer também se paga multa?
Não preciso de nada,
estou em ordem,
despeçam-se de mim à bofetada
e passem muito bem.
Deixem-me dormir que tenho fome
e sede e sono,
o meu corpo bebe e come
dor e abandono.
Já tenho fato,
metam-no na caixa,
não esqueçam de pôr luto
e nos sapatos, graixa.
Escritas.org