

João Soares Coelho
João Soares Coelho foi um poeta português do século XVII, autor de uma obra notável pela sua religiosidade e pela sua vertente moralizante. A sua poesia, inserida no contexto do Barroco português, reflete uma profunda preocupação com a transitoriedade da vida e a busca pela salvação divina. Embora não seja tão amplamente conhecido como outros poetas da sua época, Coelho deixou um legado significativo pela sua expressão lírica e pelo seu misticismo.
Cinfães
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Filha, Direi-Vos Ua Rem
- Filha, direi-vos ũa rem
que de voss'amig'entendi
e filhad'algum conselh'i:
digo-vos que vos nom quer bem.
- Madre, creer-vos-ei eu d'al
e nom desso, per bõa fé,
ca sei que mui melhor ca si
me quer, nem que m'eu quero mi.
- Mal mi venha, se assi é.
- Madre, creer-vos-ei eu d'al,
mais nom desso, ca 'ssi lhe praz
de me veer que, pois naci,
nunca tal prazer d'home vi
- Filha, sei eu que o nom faz.
- Madre, creer-vos-ei eu d'al,
mais nom vos creerei per rem
que no mundo há que queira tam gram bem.
que de voss'amig'entendi
e filhad'algum conselh'i:
digo-vos que vos nom quer bem.
- Madre, creer-vos-ei eu d'al
e nom desso, per bõa fé,
ca sei que mui melhor ca si
me quer, nem que m'eu quero mi.
- Mal mi venha, se assi é.
- Madre, creer-vos-ei eu d'al,
mais nom desso, ca 'ssi lhe praz
de me veer que, pois naci,
nunca tal prazer d'home vi
- Filha, sei eu que o nom faz.
- Madre, creer-vos-ei eu d'al,
mais nom vos creerei per rem
que no mundo há que queira tam gram bem.
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