José Carlos Souza Santos

José Carlos Souza Santos é um nome que ressoa no panorama literário contemporâneo, destacando-se pela profundidade lírica e pela capacidade de tecer versos que exploram as complexidades da alma humana. Sua obra poética é marcada por uma linguagem rica e evocativa, que convida à reflexão sobre temas universais como o amor, a saudade e a efemeridade da existência. A sutileza com que aborda as nuances sentimentais e a conexão com o mundo ao redor conferem às suas composições um caráter intimista e, ao mesmo tempo, universal. Através de uma escrita sensível e imagética, José Carlos Souza Santos constrói pontes entre o leitor e as emoções mais profundas, explorando a beleza contida nas experiências cotidianas e nas introspecções do eu lírico. Sua poesia é um convite à contemplação, um refúgio onde a palavra se torna espelho da alma e a arte se revela como um meio essencial de compreender a vida.

1968-03-03 Itaúna
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Do livro Estrelas Ausentes

A Tarde que Me Cabe

Eram quatro, as horas da manhã
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.

Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.

e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.

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