Félix Pacheco

Félix Pacheco foi um poeta cuja obra se inseriu num contexto literário vibrante, explorando a linguagem e as formas poéticas com originalidade. A sua escrita é notável pela sua capacidade de evocar sensações e reflexões profundas sobre a vida e a arte.

1879-08-02 Teresina
1935-12-06 Rio de Janeiro
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Símbolo d’arte

Se o meu verso não fora o agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o gargalhar de um mocho;

Se, essas flores do mal, em pleno desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale esse martírio.

Se, na terra que piso, algum prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a augusta paz da morte...

E o meu símbolo darte, o ideal que me fascina,
É a tristeza a florir a graça feminina,
Como um farol pressago a iluminar o norte!

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