Daniel Jonas

Daniel Jonas

n. 1973 PT PT

Daniel Jonas é um poeta contemporâneo cuja obra se caracteriza por uma exploração profunda da linguagem e da condição humana, abordando temas como a memória, o tempo, a identidade e a relação com o outro. A sua poesia distingue-se pela sua complexidade formal e pela busca incessante por novas formas de expressão, dialogando com a tradição literária e, simultaneamente, inovando em termos de estrutura e vocabulário. Jonas é uma voz importante na poesia contemporânea, marcada por uma reflexão intensa sobre a existência.

n. 1973-04-13, Porto

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SPLEEN

Cemitério de todos os sóis
o mar, cinza
onde habita o beemote do tempo,
a grande baleia do oblívio
sob socalcos de aço,
na chapa recurva,
sucata de toda a metáfora.

Porquê dizê-lo?
Cansaço de o dizer…

O mar é uma maçada.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Daniel Jonas é um poeta português contemporâneo. A sua obra insere-se no panorama da poesia portuguesa da segunda metade do século XX e inícios do século XXI. É conhecido pela sua abordagem intelectual e pela exploração das potencialidades da linguagem poética.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Daniel Jonas são limitadas em fontes públicas. Sabe-se que a sua formação académica terá influenciado a sua visão intelectualizada da poesia, com referências a diversas áreas do saber.

Percurso literário

O percurso literário de Daniel Jonas é marcado por uma produção poética consistente e pela sua participação ativa no meio literário contemporâneo. Publicou diversas obras poéticas que demonstram uma evolução estilística e temática ao longo do tempo. É também conhecido pela sua atividade como tradutor e pela sua reflexão crítica sobre a literatura.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Daniel Jonas é frequentemente caracterizada por uma profunda reflexão sobre a linguagem, o tempo, a memória e a identidade. O seu estilo é marcado pela precisão vocabular, pela construção sintática complexa e pela experimentação formal. Utiliza recursos como a intertextualidade e a fragmentação para explorar a multiplicidade de sentidos. Os temas centrais incluem a condição humana, a solidão, a busca por significado e a relação com o outro. Jonas é um poeta que se debruça sobre os aspetos existenciais e filosóficos da vida, utilizando a poesia como ferramenta de investigação.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Daniel Jonas insere-se no contexto da poesia contemporânea portuguesa, marcada por uma diversidade de estilos e abordagens. Dialoga com a tradição da poesia moderna portuguesa, mas procura também novas vias de expressão. A sua obra reflete as preocupações existenciais e intelectuais da sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Daniel Jonas são escassas em fontes públicas, o que é comum para muitos poetas contemporâneos que optam por manter um certo distanciamento entre a vida privada e a obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Daniel Jonas tem sido reconhecida pela crítica especializada pela sua originalidade e qualidade literária. É considerado um poeta de relevo no panorama poético português contemporâneo, com uma receção atenta por parte de leitores e académicos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O legado de Daniel Jonas reside na sua contribuição para a renovação da linguagem poética em língua portuguesa e na sua capacidade de abordar temas existenciais de forma inovadora. A sua obra continua a influenciar outros poetas e a ser objeto de estudo e apreciação.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica As análises críticas da obra de Jonas destacam a sua complexidade formal, a densidade filosófica e a exploração da metalinguagem. A sua poesia convida a uma leitura atenta e reflexiva, desvendando camadas de significado.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo um poeta contemporâneo, muitos aspetos menos conhecidos da sua vida e obra podem ainda não ter sido amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Daniel Jonas está vivo e continua a sua produção literária. A sua memória está em construção através da sua obra.

Poemas

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SPLEEN

Cemitério de todos os sóis
o mar, cinza
onde habita o beemote do tempo,
a grande baleia do oblívio
sob socalcos de aço,
na chapa recurva,
sucata de toda a metáfora.

Porquê dizê-lo?
Cansaço de o dizer…

O mar é uma maçada.
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Provavelmente noutro tempo, noutras circunstâncias

Provavelmente noutro tempo, noutras circunstâncias
chegaríamos a iguais resultados
pelo que de nada adianta imaginar um almagesto
ou tabelas de paralaxe para isto
a que convencionalmente chamamos amor,
nem calcular o ângulo
entre nós e o centro da terra,
de nada nos aproveitara, tu e eu
centros escorraçados de irregular gravitação.
Porém, isso não me impediu de ver plêiades
cada vez que surgias (só
não te dizia nada) plêiades iluminando
meu Hades
com suas cabrinhas coruscantes
pascendo
o vale da sombra da morte.
E a questão hoje é: who’s gonna drive you home tonight?
quando o melancólico transístor
destila também outras perguntas, mas nenhuma
tão dura quanto essa,
por exemplo: porque é que a água tem mais tendência
a subir em tubos estreitos
ao contrário do mercúrio?
Isto é view-master e são coisas que faço
na tua ausência.
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UMA SAISON NOS INFERNOS

Tudo é breve: um deus,
o plâncton, o ferro.
O meu poema é uma miséria
comparado com o teu nome
no edital.

A voragem dos grandes estúdios,
a saída dos operários da fábrica,
a grande depressão
dos trinta anos:

Eu bebo
porque se não beber
não conduzo
este corpo a casa.
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Poética

Fechar a tampa do abrigo
e respirar
com serena convulsão
lançando o grande dirigível da escrita

depois retesar o arpão
e espremer o choco polvo
seus tentáculos tensos
na placa marmórea
ou na balança

é um negócio violento,
a testa escreve-se, um mundo progride,
decanta-se a bolha do nível,
esgaça-se a gaze

depois da fenomenologia dos petroleiros
a refinaria,
o guarda-nocturno de olhos
na trovoada e solidão
no monitor.
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BENGALEIRO OU HORACIANAS

Físico o tractor quente arremessou
Contra as colheitas de ouro o breu de corvos
Trazendo a noite em ondas de onde andou
De foice afoita, a luz sugando a sorvos.
Modorrento, o vapor da chaminé,
Máquina de fazer nuvens, levando
Ondinas ao empíreo mar, rapé
Da paz entre titãs que ordenhando
Alheias colinas se houvessem mais
Desavindo. Van Gogh ou Fabergé:
Ovos de palha, gemas siderais
Chocados em estrelado canapé.
Entrar nesta pintura eu queria
Se à entrada não pedissem a poesia.
1 054

CANTONEIROS

A pura simetria dos cantoneiros
concordes na sintonia clássica
da sua dança, no modo como desmantelam
a embriaguez, induzem o vómito a caixotes
ou dispõem de bolas de plástico
e as lançam para a baliza ruminativa
sem tempo para comemorarem os golos.

Pulgas da quietude,
industriosos entre o mar de detritos,
fosforescentes noctilucos,
espectros a céu aberto,
ídolos de montureiros,
aclarando das margens as nuvens rentes
sob aguaceiros desabridos.

Acrobatas da morosidade
fúnebre do seu curso,
a cidade ignora-os
ou execra aquele féretro deletério
se apanhada no cortejo de ocasião.
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O meu poema teve um esgotamento nervoso

O meu poema teve um esgotamento nervoso.
Já não suporta mais as palavras.
Diz às palavras: palavras
ide embora,
ide procurar outro poema
onde habitar.

O meu poema tem destas coisas
de vez em quando.
Posso vê-lo: ali distendido
em cama de linho muito branco
sem perspectivas ou desejo

quedando-se num silêncio
pálido
como um poema clorótico.

Pergunto-lhe: posso fazer alguma coisa por ti?
mas apenas me fixa o olhar;
fica a li a fitar-me de olhos vazios
e boca seca.
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OSSÉTIA

Ou como uma foto de Karpukhin
a Madonna ampara com o braço um
dos lados do triângulo
e deixa um derradeiro beijo escorrer por ele
até à cabeça morta
do seu menino no catre.

Uma cena difícil: a contenção
das sombras, do chiaroscuro,
o profundo luto quando a luta
cedeu a sua luz.

De preto ela
emoldurando a palidez do seu querido,
o crânio envolto numa ligadura,
halo de mártires.

O inconsolável.

O fotojornalismo
tem fortes influências da renascença.
Algo de terror.
Algo de Leonardo.
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OPACIDADE

Estúpido outono
a tudo impondo sua ferrugem
como num velho armazém de ferragens
a artrose ganhando dobradiças
e as espirais
a parafusos zonzos.

E estas árvores são também
impossíveis: árvores
como furgonetas com seus toldos
esvoaçantes, rangendo
a grande dor da
mudança.

Estúpidas árvores: cada copa
um enleio de fios,
uma instalação eléctrica pública
de Calcutá, fundindo
o céu, seu
capote puindo.

Ou este outono é só
uma betoneira
regurgitando o seu betão zonzo.
Estúpido outono. E que erro
tomar os meus olhos
por um aterro!
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Nostalgia

Perder uma fotografia
é perder
um momento
duas vezes.
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Livros

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50

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