Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

1809–1849 · viveu 40 anos US US

Edgar Allan Poe foi um escritor, poeta, editor e crítico literário americano, conhecido principalmente pelos seus contos de mistério e do macabro. É considerado um dos mestres do conto curto e um dos criadores do romance policial. Sua obra é marcada por uma atmosfera sombria, pela exploração do subconsciente humano e por uma profunda melancolia.

n. 1809-01-19, Boston · m. 1849-10-07, Baltimore

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Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Edgar Allan Poe (nascido Edgar Poe) foi um escritor, poeta, editor e crítico literário americano. É amplamente reconhecido como uma figura central do Romantismo na sua nação e nos Estados Unidos, e como um dos pioneiros da ficção científica e do conto de mistério. Sua escrita, muitas vezes caracterizada pelo macabro e pelo gótico, explorou as profundezas da psique humana, a morte, a perda e o sobrenatural.

Infância e formação

A infância de Poe foi marcada por tragédias precoces. Nascido em Boston, Massachusetts, seus pais atores, David Poe Jr. e Elizabeth Arnold Poe, faleceram quando ele ainda era muito jovem. Órfão aos três anos, foi acolhido por John e Frances Allan, um casal abastado de Richmond, Virgínia. Embora John Allan o tenha educado e financiado seus estudos, a relação entre os dois era frequentemente tensa, especialmente após o casamento de Poe com sua jovem prima, Virginia Clemm. Poe frequentou a Universidade da Virgínia e a Academia Militar de West Point, mas não completou seus estudos em nenhuma das instituições, possivelmente devido a dificuldades financeiras e conflitos pessoais com John Allan.

Percurso literário

Poe começou a escrever poesia ainda na adolescência. Seu primeiro livro publicado, "Tamerlane and Other Poems", surgiu em 1827, de forma anônima. Após um período de serviço militar, ele se dedicou à escrita e à crítica literária, trabalhando para diversas publicações. Foi como contista que Poe ganhou maior notoriedade com obras como "The Fall of the House of Usher" (A Queda da Casa de Usher) e "The Murders in the Rue Morgue" (Os Assassinatos da Rua Morgue), este último considerado o marco inicial da ficção de detetive. Sua carreira foi marcada por altos e baixos financeiros e pela luta contra o alcoolismo e a dependência.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Poe abrange poesia e prosa. Seus poemas, como "The Raven" (O Corvo) e "Annabel Lee", são conhecidos por sua musicalidade, melancolia e temas como a morte de uma bela mulher. Em sua prosa, Poe explorou o horror psicológico, o mistério e o raciocínio dedutivo. Seus contos de detetive estabeleceram as bases para o gênero, com um protagonista brilhante e um assistente narrador. O estilo de Poe é denso, com vocabulário rico e uma atmosfera carregada. Ele frequentemente utilizava simbolismo e alusões, criando um universo literário sombrio e introspectivo. Sua busca pela "unidade de efeito" em seus contos visava provocar uma única e intensa impressão no leitor.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Poe viveu no século XIX, um período de grandes transformações nos Estados Unidos, incluindo a expansão territorial e debates sobre escravidão. Ele era um crítico ácido da sociedade literária de sua época, especialmente da revista "The Saturday Evening Post", e frequentemente se envolvia em polêmicas. Poe é frequentemente associado ao movimento Romântico Americano, mas seu estilo sombrio e sua exploração do gótico o distinguem de muitos de seus contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Poe foi profundamente marcada pela perda e pela instabilidade. O falecimento de sua esposa, Virginia Clemm, em 1847, devido à tuberculose, foi um golpe devastador que o afetou imensamente e se refletiu em sua obra. Seus relacionamentos, incluindo com a mãe adotiva, foram complexos e muitas vezes tensos. Poe lutou contra o alcoolismo e problemas financeiros ao longo de sua vida, o que contribuiu para um fim trágico e prematuro.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora Poe tenha sido uma figura reconhecida em seu tempo, especialmente por seus contos de detetive e poemas como "The Raven", seu legado se consolidou após sua morte. Foi um crítico literário influente, embora muitas vezes mordaz. A recepção de sua obra variou, com alguns admirando sua originalidade e outros criticando seu estilo sombrio. Hoje, é considerado um dos maiores escritores americanos e uma figura seminal na literatura de horror, mistério e ficção científica.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Poe influenciou inúmeros escritores, tanto na literatura de horror (como H.P. Lovecraft) quanto no gênero de detetive (Arthur Conan Doyle). Seu conceito de "unidade de efeito" e sua técnica narrativa foram amplamente estudados. A exploração da psique humana e o uso de atmosferas sombrias continuam a ressoar na literatura e no cinema contemporâneos. Sua obra foi traduzida para diversas línguas, garantindo sua difusão internacional.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Poe tem sido objeto de inúmeras interpretações. Alguns veem em seus contos e poemas uma profunda reflexão sobre a mortalidade, a loucura e a fragilidade da mente humana. Outros exploram as influências do romantismo gótico e do transcendentalismo em sua escrita. Debates críticos frequentemente abordam a relação entre sua vida pessoal turbulenta e sua produção literária, e a natureza de seu gênio.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Poe era conhecido por sua inteligência aguçada e por um certo dândismo em seu comportamento social. Sua relação com seu pai adotivo, John Allan, era notoriamente difícil, chegando a ponto de discussões públicas e cortes. Poe era um leitor ávido e um crítico literário temido, com opiniões fortes e muitas vezes impiedosas sobre seus contemporâneos. A causa exata de sua morte ainda é objeto de especulação, com teorias que vão de alcoolismo a raiva ou envenenamento.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Edgar Allan Poe morreu em circunstâncias misteriosas em 10 de outubro de 1849, em Baltimore, Maryland. Foi encontrado em um estado de delírio, vestindo roupas que não eram suas. A causa de sua morte nunca foi definitivamente estabelecida. Sua memória perdura através de sua obra imortal, de estudos acadêmicos e de homenagens em locais como o cemitério de Westminster, em Baltimore, onde seu túmulo se tornou um local de peregrinação.

Poemas

43

To Helen

Helen, thy beauty is to me
Like those Nicean barks of yore,
That gently, o'er a perfum'd sea,
The weary way-worn wanderer bore
To his own native shore.

On desperate seas long wont to roam,
Thy hyacinth hair, thy classic face,
Thy Naiad airs have brought me home
To the beauty of fair Greece,
And the grandeur of old Rome.

Lo ! in that little window-niche
How statue-like I see thee stand!
The folded scroll within thy hand —
A Psyche from the regions which
Are Holy land !


1831

1 560

Impromptu To Kate Carol

When from your gems of thought I turn
To those pure orbs, your heart to learn,
I scarce know which to prize most high —
The bright i-dea, or the bright dear-eye.


1845

1 135

To Elizabeth

Would'st thou be loved? — then let thy heart
From its present pathway part not —
Be every thing which now thou art
And nothing which thou art not:

So with the world thy gentle ways,
And unassuming beauty
Shall be a constant theme of praise,
And love — a duty.

1 233

A Dream

In visions of the dark night
I have dreamed of joy departed--
But a waking dream of life and light
Hath left me broken-hearted.

Ah! what is not a dream by day
To him whose eyes are cast
On things around him with a ray
Turned back upon the past?

That holy dream- that holy dream,
While all the world were chiding,
Hath cheered me as a lovely beam
A lonely spirit guiding.

What though that light, thro' storm and night,
So trembled from afar-
What could there be more purely bright
In Truth's day-star?

-The End-

2 222

The Bells — A Song

The bells! — hear the bells!
The merry wedding bells!
The little silver bells!
How fairy-like a melody there swells
From the silver tinkling cells
Of the bells, bells, bells!
Of the bells!

The bells! — ah, the bells!
The heavy iron bells!
Hear the tolling of the bells!
Hear the knells!
How horrible a monody there floats
From their throats —
From their deep-toned throats!
How I shudder at the notes
From the melancholy throats
Of the bells, bells, bells —
Of the bells —


1849

1 148

Eulalie

I dwelt alone
In a world of moan,
And my soul was a stagnant tide,
Till the fair and gentle Eulalie became my blushing bride—
Till the yellow-haired young Eulalie became my smiling bride.

Ah, less— less bright
The stars of the night
Than the eyes of the radiant girl!
That the vapor can make
With the moon-tints of purple and pearl,
Can vie with the modest Eulalie's most unregarded curl—
Can compare with the bright-eyed Eulalie's most humble and careless curl.

Now Doubt- now Pain
Come never again,
For her soul gives me sigh for sigh,
And all day long
Shines, bright and strong,
Astarte within the sky,
While ever to her dear Eulalie upturns her matron eye—
While ever to her young Eulalie upturns her violet eye.


1850

2 232

Evening Star

'Twas noontide of summer,
And mid-time of night;
And stars, in their orbits,
Shone pale, thro' the light
Of the brighter, cold moon,
'Mid planets her slaves,
Herself in the Heavens,
Her beam on the waves.
I gazed awhile
On her cold smile;
Too cold— too cold for me—
There pass'd, as a shroud,
A fleecy cloud,
And I turned away to thee,
Proud Evening Star,
In thy glory afar,
And dearer thy beam shall be;
For joy to my heart
Is the proud part
Thou bearest in Heaven at night,
And more I admire
Thy distant fire,
Than that colder, lowly light.

1 828

Alone

From childhood's hour I have not been
As others were; I have not seen
As others saw; I could not bring
My passions from a common spring.
From the same source I have not taken
My sorrow; I could not awaken
My heart to joy at the same tone;
And all I loved, I loved alone.
Then- in my childhood, in the dawn
Of a most stormy life- was drawn
From every depth of good and ill
The mystery which binds me still:
From the torrent, or the fountain,
From the red cliff of the mountain,
From the sun that round me rolled
In its autumn tint of gold,
From the lightning in the sky
As it passed me flying by,
From the thunder and the storm,
And the cloud that took the form
(When the rest of Heaven was blue)
Of a demon in my view.


1829

1 975

Bridal Ballad

The ring is on my hand,
And the wreath is on my brow;
Satin and jewels grand
Are all at my command,
And many a rood of land
And I am happy now.

And my lord he loves me well;
But, when first he breathed his vow,
I felt my bosom swell—
And the voice seemed his who fell
For the words rang as a knell,
In the battle down the dell,
And who is happy now.

But he spoke to re-assure me,
And he kissed my pallid brow,
While a reverie came o'er me,
And to the church-yard bore me,
And I sighed to him before me,
"Oh, I am happy now!"

And thus the words were spoken,
And this the plighted vow,
And, though my faith be broken,
And, though my heart be broken,
Behold the golden token
That proves me happy now!

Would God I could awaken!
For I dream I know not how!
And my soul is sorely shaken
Lest an evil step be taken,—--
Lest the dead who is forsaken
May not be happy now.


1837

1 471

Eldorado

Gaily bedight,
A gallant knight,
In sunshine and in shadow,
Had journeyed long,
Singing a song,
In search of Eldorado.

But he grew old—
This knight so bold—
And o'er his heart a shadow
Fell as he found
No spot of ground
That looked like Eldorado.

And, as his strength
Failed him at length,
He met a pilgrim shadow—
"Shadow," said he,
"Where can it be—
This land of Eldorado?"

"Over the Mountains
Of the Moon,
Down the Valley of the Shadow,
Ride, boldly ride,"
The shade replied—
"If you seek for Eldorado!"


1849

2 184

Citações

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