Lista de Poemas
Holograma
e o faço firmemente.
E vejo a suavidade
da fronte - está defronte.
Contemplo os lagos vivos
de cor castanho escura
cercado como os lagos
por matas ciliares.
É a pequena colina
com duas cavidades
que trazem para o mundo
teu aroma interior
sabendo a juventude.
Sobre a boca de beijos.
Vejo também os montes
e o vale que os separa
cujos cumes exibem
como que rósea neve,
ao pé dessa planície
que conduz os meus olhos
para a floresta negra
de sombras insondáveis.
O todo monumento
é sustentado por
duas altas colunas
pousadas sobre o solo.
Onde as plantas semelham
como um quê de raízes.
Giro em torno de ti
como gira o Satélite
em volta do Planeta,
na direção contrária
ao rumo dos relógios.
Sigo vendo o milagre.
Bem mais da escura coma,
os braços dos abraços
caídos junto ao tronco,
exibindo no extremo
os dedos de carícias.
As colunas agora
observadas de lado,
têm a mesma beleza
já dantes constatada.
O giro continua
e uma nova paisagem
é então descortinada.
A coma desce em ondas
a base do pescoço.
Nova quase planície,
duas novas colinas,
outro vale, insondado.
O giro continua.
E agora é a paisagem
toda igual à segunda.
Resta o giro final,
confirmação da vista
antevista, no inicio.
O término da viagem
que se empreendeu à volta
da mulher desejada.
1991
De profundis II
Nu e só, em penhor de vassalagem.
Nada sei. Nada sou. Nem rei nem pagem,
na pobreza total que sempre viste.
Mas fizeste-me assim. A leve aragem
é mais forte que sou. Teu dedo em riste,
as recriminações de Sumo Antiste,
o medo que desfaz qualquer coragem.
Onde o prêmio da Vida? Onde o afago
Daquele que criou? Porquanto trago
a fé da insegurança deste estado.
Que nunca me abandona, e sempre fica,
como o aço do castigo ensanguentado
de Quem dispõe. E impõe. E nada explica.
1992.
Halley
dos longes do anti-hélio,
caminhei, dia a dia.
Mas por que dia a dia
quando dias não há?
Bem melhor noite a noite
nas paisagens do escuro.
Nem mesmo noite a noite
quando uma noite só.
Antenome: Cometa.
Filho de gelo e neve,
de coma inexistente,
acéfalo, porquanto
longe do periélio.
A suja massa fria
em cuja me resumo,
caminhou, lento lento,
no espaço sideral.
O destino futuro
puxou-me, como um quante,
na rota irrecusável.
E eis que chego, no agora,
e eis que por fim me aqueço,
e solto a cabeleira
sob os ventos solares,
e agora macrocéfalo
e por fim belo e enorme
surpreendo e espalho o espanto
e, enfim, me realizo,
Será de um breve instante
o degustar da glória,
o calor do astro-pai.
A órbita alongada,
a rota irrecusável
(que a liberdade é um mito),
me levará de novo
aos Países da Treva,
a Noite Interminável,
de um distante retorno.
Como tudo o que vive.
Um momento, o mais breve,
para as luzes da vida
enquanto a negra noite
é a quase-eternidade.
O gelo, a neve, o frio,
as Solidões da Morte.
Louvado a Manuel Bandeira
Louvo o Padre, louvo o Filho,
o Espírito Santo louvo,
louvo também a Manuel,
bandeira do nosso povo.
- Bandeira, Drummond já disse,
e eu digo agora, de novo.
Louvo o beco, louvo a estrela
da manhã, que ainda arde,
louvo a cinza, o carnaval,
o belo, a libertinagem,
e louvo a estrela da tarde.
Louvo o sapo cururu
que lá, no perau profundo,
derrota o sapo-tanoeiro
que mata as artes do mundo.
Louvo esses sinos que batem
bem-bem-bem e bão-bão-bão,
mas que batem de alegria
no ensejo do aniversário
do Poeta, nosso Irmão.
Louvo o busto de Bandeira
(no Recife não há, não)
que em Pasárgada se encontra
- lá tem civilização -
juro pelo mais sagrado
da Semana da Paixão,
juro que vi com meus olhos,
bem pertinho do meu busto,
quando um dia visitei
o Rei da terra em questão.
Louvo o Padre, louvo o Filho,
o Espírito Santo louvo,
louvo o poeta querido,
e louvo a vida que foi
(que graças a Deus que foi)
pois podia não ter sido.
abril, 19-1966.
O Último poema
quero dormir para sempre.
Caminhos muitos andei
os pés feridos nas pedras.
Mas havia as cores vivas
das flores nas pradarias,
havia o canto dos pássaros
entre as folhas do arvoredo
havia o doce perfume
das rosas, pelos caminhos.
Mas agora estou cansado.
Os pés sem forças antigas,
os olhos já muito gastos
não vêem as cores de outrora,
os ouvidos insensíveis
da velhice contundente
não ouvem cantos de pássaros,
os sentidos corroídos
já não sentem, como dantes,
o perfume das roseiras.
Tanta vez estive à morte
e tanta vez desmorri.
Mas quero dormir agora.
O mundo não mudou nada,
o mundo eterno e contínuo,
mas eu mudei, não encontro
o menino do Passado.
Moriturus te salutat.
Se eu amo o sono das noites
por que, então, não amaria
o Grande Sono da Morte?
1987.
Louvado a Tiradentes
Xavier, Tiradentes,
que cultivaste a rosa
rubra, da liberdade,
com teu sangue de herói
cultivaste essa rosa,
rara e esquisita flor
posto que indispensável.
Eis, mereces o canto
da louvação mais pura,
Joaquim José da Silva
Xavier, Tiradentes,
pois nos quiseste dar
pelo teu sangue li-
bertas qua será tamen.
E morreste na forca
vestindo a alva mais pura
como puro que foi
teu puro sentimento.
Assim te louvo agora
Herói da Pátria Imensa,
louvo São João Del Rei,
Joaguim José da Silva
Xavier, nosso Mártir.
Pátria, conserva a glória, desse Alferes
que um dia ainda serás independente.
1966.
Galope das bruxas
do fundo mais fundo da noite sem fim,
soprados por ventos de um hálito ruim
nasceram fantasmas, sem cor, bem me lembro.
As formas formando-se no ar, membro a membro,
de um branco ectoplasma, no chão sublunar,
morcegos-vampiros passando o voar,
que é isto, meu Deus dos desígnios supremos?
O horrível simpósio dos vultos blasfemos
brotando das sombras, à beira do mar.
Por certo é chegado o reinado de espantos
de há muito esperado, o advir de algum dia,
melhor, de uma Noite do Mal, bruxaria.
Cavalos de pó, cavalgados por santos,
dos santos quibandas de cujos quebrantos
um santo dos santos há-de me livrar
das mortes-vermelhas cumprindo o avatar,
de vozes chorando chorados lamentos
em viva diáspora em asas de ventos,
dos ventos que sopram na beira do mar.
Os sinos, dobrando o finados, se escutam,
na noite da festa, da festa vodu,
de obás e de eguns, dos demônios de Exu,
que montam coriscos e raios, que lutam,
provindos dos Ventos da Morte, labutam
no que é seu trabalho, o de o Mal espalhar.
- Relato estas coisas, que são de lembrar;
na voz do Galope compondo os relatos,
só para perpétua memória dos fatos
cantando o galope na beira do mar.
A Cobra, (essa cobra que tem os dois sexos),
também serpenteia, envolvida nos fumos,
em transe e estupor, sem roteiros nem rumos.
Duendes escuros permutam-se amplexos,
diante dos olhos, meus olhos perplexos,
com garras aduncas a me ameaçar.
Tal qual Missa Negra de Mundos de Azar
prossegue a Tragédia, ao grasnido dos corvos
das bruxas presentes, que bebem, aos sorvos,
os roncos nervosos das ondas do mar.
No entanto, desfaço os mistérios do absurdo,
sem cunhas de lenha, sem balas de prata,
e em breve inauguro uma paz de sonata
que, em manso lavor, silenciosamente urdo.
Desmancho esses ogros do imenso chafurdo
chamando a Senhora, a Quem cabe invocar.
Senhora de Tudo, de auréola estelar
da Boa Viagem, e dos Navegantes,
e da Piedade, (e dos oras, dos antes,)
também das Candeias da beira do mar.
E as horas da calma já vêm, vão chegando,
desfazem-se os monstros danados, por fim.
O ar se perfuma, o hálito ruim
soprado por fadas já vai-se evolando.
Às asas dos anjos, que chegam, em bando,
são suaves murmúrios, novo sussurrar.
Os sinos serenam, batendo a louvar
a Paz que conduz para a paz o meu músculo
de Fé, que se eleva ante o novo crepúsculo
da nova alvorada que nasce do Mar.
Louvado a Tarcísio
o Espírito Santo louvo,
louvo Tarcísio, e a Sete
que em suas praças internas
permitiu o Livro ao Povo.
Tarcísio, pastor de livros,
que os apascenta no amor.
Que o Livro, todos o sabem,
guarda os risos do Prazer,
guarda os suspiros da Dor.
O livro é carta de rumos,
rosa dos ventos, o mapa
de acertos e desaprumos,
dos roteiros misteriosos
dos ontens, dos amanhãs.
Das rotas das caravelas,
das órbitas parabólicas
de prateadas astronaves,
dos bergantins naufragados,
dos galeões com seus tesouros,
todos fortuna do mar,
dos olhos dos batiscafos
nas profundezas do abismo.
O livro é um mundo guardado
na menor das dimensões,
ora em verdade e crueza
ora em sonhos e ilusões,
o livro é um mundo de coisas
difíceis de descrever,
quem tiver curiosidade
compareça à Livro Sete
para ouvir, sentir e ver.
Outros mundos, muitos mundos,
todos o Livro contém,
Livro, resumo da Vida,
com todo o Mal, todo o Bem,
que guarda em si todo o Tudo,
que guarda em si todo o Sem.
Tarcísio, Pastor de Livros,
merece o nosso louvor.
Por isso louvo Tarcísio
e a luz do espírito louvo,
como também louvo a Sete
que em suas praças internas
permitiu o Livro ao Povo.
Rota de colisão
em seguida ao naufrágio. Nada resta
senão a solidão do abismo. Nesta
noite feita de esperas e de assomos.
Noite global. A angústia nos empresta
uma luz que recorda antigos cromos.
Onde o aroma provém de cinamomos
e sugere outro clima. De floresta.
O naufrágio sem mar. A queda enorme
sobre o abismo interior. Enquanto dorme
qualquer som de esperança e de conforto.
Barco à deriva. Após quebrado o leme,
que se parte e estraçalha, e chora e geme,
perdido para sempre o antigo porto.
Sextina da vida breve
partirei sem remorso desta vida.
Quem sentir minha falta seja forte.
Sei que a terra em meu peito será leve
se pesada me soube a dura lida
e quem viveu no bem não teme a morte.
O que vida será? Que será morte?
Que haverá que eu não saiba muito em breve?
A ciência dos homens, por mais lida,
não decifrou sentido nesta vida.
Toda a filosofia que se leve
do mundo vão, nada terá de forte.
Bandeiras coloridas nalgum forte
fremem sempre de vida. Mas a morte
há de vir mansamente, o passo leve,
lembrando o acidental da vida breve.
Pois só de brevidade vive a vida,
e de mágoa, de dor, de dura lida.
Quanto haverá de prêmio após a lida
a quem não se curvou, a quem foi forte?
Ou é pura ilusão o Mundo, a vida?
Ou é sono sem fim, nirvana, a morte?
Sonho a se esvanecer, fumaça breve
que o vento mais sutil num sopro leve?
Possa eu seguir no barco de alma leve
ganho o óbolo em suor, preço da lida.
(Não dure a travessia, seja breve).
Um copo cheio de bebida forte
ajudará a olhar de frente a Morte
como ajudou a olhar de frente a Vida.
Nunca houvesse rompido o ovo da vida
e não conheceria a dor. Mais leve
do que o ser é o não ser. A vida e a morte
são dois prismas iguais da humana lida.
Pois todo o que nasceu, ou fraco ou forte,
um só destino teve: a vida breve.
Tenha-se assim por leve a vida breve,
o espírito o mais forte em toda a lida,
e se viva na vida amando a morte.
abril, 1983.
Comentários (3)
Mas um orgulho para sua bisneta??
Parabéns pela iniciativa. Lindos trabalhos. Grade sensibilidade e de profunda inteligência
Querido primo. Um dos homens mais inteligentes que conheci na vida até hoje. Meu primeiro Mestre, aprendi muito com ele. Gratidão !
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