Lista de Poemas

Maranguape

Maranguape, verde - serra
Com debruns névoa-algodão
És assim, oh minha terra
Aos olhos do coração

Quando chove aqui no Rio
E há vento solto soprando
Em mim uma saudade-frio
Vai de ti me aproximando

E o pensar, que é passarinho
Mais ligeiro que avião
Bate asas, toma o caminho
Que lhe indica o coração

Cidade tem vida, sim
Vida igualzinha à da gente
Nasce, morre, tem um fim
Tem até alma que sente

E por isso é relembrada
De maneira tão constante
E pode ser relembrada
Do bem perto ou do distante

3 600

P a s s a r e d o

Sabiá – canto dolente
À tarde a mata varando
Na alma de muita gente
Vais a saudade acordando

Vi um galo-de-campina
Seu colorido esbanjando
E as penas, à chuva fina
Um arco-íris formando

Um beija-flor cortejando
Uma rosa – vida em cor
Ao beijá-la vai doando
Pequenas doses de amor

Tico-tico pequenino
De galho em galho saltando
Qual um menino traquino
Vives a vida brincando

Rolinha fogo-pagou
O teu canto, na verdade,
É a voz de quem amou
Curtindo a dor da saudade

1 055

Entardecer da vida

Minha vida entardece, de repente
Sinto o peso dos anos. Na verdade
Revivo o meu passado no presente
Surpreso me pergunto: isso é da idade?

Meu íntimo responde: é, tens razão
Ao passo que se vive não se esquece
O que já foi vivido. A emoção,
O riso, o sonho, o gargalhar, a prece

Os bons e maus momentos tecem a vida
Todos eles na alma têm guarida
Onde dormitam pelo tempo afora

E de repente, então, meu caro amigo
O que no imo procurou abrigo
À saudade, desperta, como agora.

922

Inspiração

Caro tio, teu verso está em mim
Sinto-o a cada momento, quando escrevo
No princípio, no meio, até no fim
Do meu poema inspiração te devo

Adolescente, bem me lembro ainda
Eu te escutava cheio de emoção
Alguns sonetos teus – saudade infinda!
São patrimônio de meu coração

Sem rebusques, rimavas facilmente
Teu verso, que cantava, e era fluente
Trazia a marca da simplicidade

E hoje, ao recitar-se para alguém
A emoção juntar-se à fala vem
E os meus olhos marejam de saudade

891

Canção da esperança

Céu de cinza, meu imo se penumbra
A chuva cai, minhalma lacrimeja
O bem perto tem ares do bem longe
Meu pensamento, célere, voeja

Retalhos de lembranças vou juntado
Pedaços de conversa reunindo
E HOJE, bem desperto, acorda o ONTEM
Que dentro de meu ser vive dormindo

O afago ao distante em mim renasce
Na mudez infinita, mas presente
Dos olhos, num ligeiro garoar

Chuva, não chova! Pare! Vá embora!
E no longe, onde tudo é seco agora
A canção da esperança vá cantar

638

Morte ao amanhecer

Na quieta e calada madrugada
Morrem as vozes, nascem os sussurros
Há um respirar, é tardo, é ofegante
Sopro débil de vida que se apaga

Junto ao leito a família reunida
Partilha a mágoa que enluta corações
Ninguém se comunica por palavras
Olhar e gesto casam no silêncio

Um pássaro se alegra, o dia nasce
E o claro sol que lhe assoma à face
Penetra, vivo, o quarto do doente

E o astro sua lida iniciando
Derrama luz no olhar do moribundo
O ocaso de uma vida alumiando

895

Dé e a bruxa

Tinha uma boneca rota, esfarrapada
A que com os dedos imprimia vida
Dava riso de graça à meninada
E tornou-se pessoa mui querida

No fundo de minhalma está guardada
A lembrança dos dois, que é incontida
Vejo a boneca, cara amarfanhada
Junto ao peito do dono, adormecida

O tempo – vil ladrão – tudo nos leva
Deixa, contudo, nalma de reserva
Algo que à infância roubou o coração

Dé e a bruxa, mortos, eu contemplo
Sem esquecer jamais o seu exemplo
Trazer com um trapo alegria à solidão

867

A morte do escorrego

Do Escorrego a bica se finou
Como cantava! Agora emudeceu
Foi o homem, bem sei, que a magoou
Insensível e forte, ele a venceu

Perdida a sombra leve do arvoredo
Os pássaros, tristonhos, debandaram
A secura e o sol lhes deram medo
Bateram asas, longe, além, pousaram

Do bambusal se foi o sombrear
Da água não ouço o forte marulhar
Na paisagem há dor, há solidão

Na serra amiga os olhos meus pousando
Antevejo-lhe o verde estertorando
A implorar a nossa proteção

969

Resposta difícil

Avô e neto, amor nos olhos, vi
Pelas ruas alegres da cidade
Os extremos da vida se tocavam
Coração novo e velho ambos pulsavam
O pulsar doce da felicidade.

Defronte a uma vitrine os dois pararam
E os olhos do garoto namoraram
Um namoro gosto e demorado
Com uma bola vestida der listrado
Que derramava cor na exposição.

E olhos buliçosos, o Netuno
Fitando o olhar baço do velhinho
Voz aflita lhe fez esse pedido:
Compre essa bola, meu avô, pra mim
Olhe pra ela, não é bonitinha ?
Procure aí um dinheiro no seu bolso
Pergunte o preço, depressa, àquele moço
Eu me amarro, vovô, em futebol.

E o velho, que era rico de pobreza
Mas do metal que compra muito pobre
Só tinha de abastança o coração
E a alma, sem tamanho, pura e nobre.

Perdeu, então, a fala de repente
Procurou-a. Inútil seu intento
Só encontrou pra responder ao neto
Um orvalhar de olhos bem discreto
E a fala muda de seu pensamento

786

A n i v e r s á r i o

Um ano a mais tens hoje, caro filho
Um instante na vida – longa estrada
Dos teus olhos relembro o vivo brilho
No alvorecer de tua caminhada

Àquele tempo quando articulavas
Os vocábulos que aos poucos aprendias
E com teu riso infância os libertavas
O amor interpretava o que dizias

Homem, guardas, contudo, da criança
Algo que às vezes ao adulto cansa
Ser sincero, leal e bom amigo

Que ao longo do caminho a percorrer
A flor do bem não deixes perecer
Ao sol da vida; rega-a, dá-lhe abrigo

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Identificação e contexto básico

Gilson Nascimento é um poeta brasileiro cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. Sua produção literária é reconhecida pela profundidade reflexiva e pela exploração de temas universais.

Infância e formação

As informações sobre a infância e a formação de Gilson Nascimento não são amplamente divulgadas, mas é possível inferir que sua sensibilidade poética foi moldada por um olhar atento às complexidades da vida e às experiências humanas, absorvendo influências culturais e literárias que o conduziram ao universo da poesia.

Percurso literário

O percurso literário de Gilson Nascimento é marcado por uma dedicação à escrita poética, onde explora as diversas facetas da existência. Sua obra evolui de forma contínua, apresentando uma linguagem lírica e reflexiva que busca conectar o leitor às suas próprias emoções e questionamentos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Gilson Nascimento abordam temas como a transitoriedade do tempo, a efemeridade da vida, as complexidades das relações humanas, a busca por sentido e a contemplação da natureza. Seu estilo poético é caracterizado por um lirismo introspectivo, com uso de uma linguagem acessível, mas carregada de significado e imagem. Utiliza recursos como a metáfora e o ritmo para criar uma musicalidade sutil em seus versos, convidando à contemplação.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Gilson Nascimento insere-se no contexto cultural e histórico da poesia brasileira contemporânea, um período marcado pela diversidade de estilos e pela persistência de temas existenciais. Sua obra dialoga com a tradição literária, ao mesmo tempo em que reflete as inquietudes e os desafios do mundo moderno.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Gilson Nascimento não são extensivamente documentadas em fontes públicas, mas a sua poesia sugere um indivíduo com uma forte capacidade de introspecção e uma profunda empatia com a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Gilson Nascimento advém da qualidade e da profundidade de sua obra poética, que tem conquistado leitores e críticos pela sua autenticidade e pela forma como aborda questões fundamentais da existência. Sua poesia é valorizada por sua capacidade de evocar emoções e promover a reflexão.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a obra de Gilson Nascimento demonstra uma familiaridade com a tradição poética que explora temas existenciais e líricos. Seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea, oferecendo uma voz sensível e perspicaz sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Gilson Nascimento convida a múltiplas interpretações, centradas em temas filosóficos como a mortalidade, o sentido da vida e a busca por identidade. Sua obra pode ser analisada como um espelho das inquietações humanas universais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser uma figura cuja vida pessoal é reservada, aspectos menos conhecidos de Gilson Nascimento contribuem para um certo mistério em torno de sua figura pública, permitindo que a atenção se concentre primordialmente em sua produção poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações sobre a morte de Gilson Nascimento em fontes públicas.