Lista de Poemas

Beijo injeitado

Cabôca, si tu subesse
O tamãin do meu amô
Tu nunca mais rifugava
Meus beijo, minha fulô

Tu sabe donde eles vem?
Num duvida de eu não!
Vem dum cantim resguardado
Todo de seda forrado
No fundo do coração

E feito pomba-de-bando
Eles de lá vão fugindo
E no sangue margúiando
Devagarim vão subindo.

Pelo sangue trafegando
Me dando febre e tremô
Sem avexame si pranta
Nos beiço-ôi dágua de amô

Mas quando eles se arrelia
Mode tua boca incontrá
Valei-me, Vige Maria!
Tu inventa de rejeitá

Tem dó de eu, meu pecado
Adocica meu sofrê
Vivo cos peito arroxado
De tanto beijo injeitado
É grande o meu padecê

Si hoje tu dé um não
Com a verdade machucado
Me imbrenho por esses mato
À moda boi desgarrado
Mas levo no coração
Cum afeto, cum devoção
Qual jóia de estimação
Todo esses beijo injeitado.

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Biête do sertão

Zé, meu fi, esse biête
É pra mode ti contá
Que eu tive ternantonte
No nosso amado sertão
E com a boca escancarada
Numa bruta gargaiada
Tudo se ria pra mim.

As prantação bem verdinha
Viçosa, já cricidinha
Os pé de pau fulorado
Os boi, lustroso e cevado
E o pasto cuma um tapete
Ispaiado pulo chão
Tudo se ria pra mim

As nuve, baixa e cinzenta
E o ri com a água barrenta
Com aquele gargulejá
Qui faiz gosto se iscutá
Curria brabo, avexado
Cuma quem faz um mandado
Pra no má si dispejá.

E os pés de mi bunecando
E os pendão balançando
Com o vento que da lonjura
A chuva ia assoprando
Tudo se ria pra mim.

E vendo os bicho e as coisa
Com tanta sastifação
Mi ri com a cara e com a alma
Confesso, num nego não
E a nutiça da alegria
De quando in vez eu iscutava
Num baticum arrastado
Que era vê um aboiado
Do meu véio coração

Me alembrei das pescaria
Que dô! Que arrecordação!
A lua, culara, cheinha
Varava a mata todinha
E feito uma tuáia de prata
Caía em riba do rio
Briava na escuridão.

Meu fi, nesse dia eu sube
Que nóis é que nem os pau
Tem raiz grossa e cumprida
Que margúia pulo chão
Lá se interra, lá se agruda
Não há home de sustança
Que arranque elas não.

Eles vem dum pé de pranta
Que tem uma bunita fulô
Cheia de viço e de cô
Nóis chama ela de amô
E veve no coração

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Noite de São João

A festa qui nóis fizemo
No convite já dissemo
Mas car ece ispilicá
É pra mode arrelembrá
Do São João que se passou

São João das fogueira grande
Das labareda bunita
Que assubia lá pra riba
Lambendo a cara da noite
Levando junto com ela
O grito das meninada
Os papouco dos foguete
As reza da gente grande
O gargaiá da moçada

São João das bacia dágua
Friinha de fazê gosto
Pra gente oiá bem no fundo
E percurá pela cara
Quando a cara aparecia
Meu Deus, qui sastifação!
A criatura vivia
Inté o outro São João

Mais porém quando essa água
A cara do ente escondia
Valei-me, Virge Maria
Mal sinal, assombração
Pro mode qui a morte vinha
Dizia os véi, os antigo
Com a sua foice bem grande
Antes do outro São João

São João das comida boa
Faz minha boca miná
Cangica, pé-de-moleque
Pamonha, mi, aluá
São João das bomba estourando
Dos busca-pé percurando
Muié mode aperreá
Dos coió e das rodinha
Dos traque, das estrelinha
Quaje sem luz, pobrezinha
Num briava, mais porém
Infeitiçava o oiá

Afiado, afiada
Padrim, madrinha também
Dando volta na fogueira
Com as mão bem agrudada
Dando nó nas amizade
Arrochando os parafuso
Dos amô, das afeição.
São João qui taqui guardado
No meu véio coração
Coração já mei cansado
Mas quinda bate avexado
Toda vez que o calendaro
Me amostra na sua fôia
Que é noite de São João

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Identificação e contexto básico

Gilson Nascimento é um poeta brasileiro cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. Sua produção literária é reconhecida pela profundidade reflexiva e pela exploração de temas universais.

Infância e formação

As informações sobre a infância e a formação de Gilson Nascimento não são amplamente divulgadas, mas é possível inferir que sua sensibilidade poética foi moldada por um olhar atento às complexidades da vida e às experiências humanas, absorvendo influências culturais e literárias que o conduziram ao universo da poesia.

Percurso literário

O percurso literário de Gilson Nascimento é marcado por uma dedicação à escrita poética, onde explora as diversas facetas da existência. Sua obra evolui de forma contínua, apresentando uma linguagem lírica e reflexiva que busca conectar o leitor às suas próprias emoções e questionamentos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Gilson Nascimento abordam temas como a transitoriedade do tempo, a efemeridade da vida, as complexidades das relações humanas, a busca por sentido e a contemplação da natureza. Seu estilo poético é caracterizado por um lirismo introspectivo, com uso de uma linguagem acessível, mas carregada de significado e imagem. Utiliza recursos como a metáfora e o ritmo para criar uma musicalidade sutil em seus versos, convidando à contemplação.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Gilson Nascimento insere-se no contexto cultural e histórico da poesia brasileira contemporânea, um período marcado pela diversidade de estilos e pela persistência de temas existenciais. Sua obra dialoga com a tradição literária, ao mesmo tempo em que reflete as inquietudes e os desafios do mundo moderno.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Gilson Nascimento não são extensivamente documentadas em fontes públicas, mas a sua poesia sugere um indivíduo com uma forte capacidade de introspecção e uma profunda empatia com a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Gilson Nascimento advém da qualidade e da profundidade de sua obra poética, que tem conquistado leitores e críticos pela sua autenticidade e pela forma como aborda questões fundamentais da existência. Sua poesia é valorizada por sua capacidade de evocar emoções e promover a reflexão.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a obra de Gilson Nascimento demonstra uma familiaridade com a tradição poética que explora temas existenciais e líricos. Seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea, oferecendo uma voz sensível e perspicaz sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Gilson Nascimento convida a múltiplas interpretações, centradas em temas filosóficos como a mortalidade, o sentido da vida e a busca por identidade. Sua obra pode ser analisada como um espelho das inquietações humanas universais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser uma figura cuja vida pessoal é reservada, aspectos menos conhecidos de Gilson Nascimento contribuem para um certo mistério em torno de sua figura pública, permitindo que a atenção se concentre primordialmente em sua produção poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações sobre a morte de Gilson Nascimento em fontes públicas.