Gilson Nascimento

Gilson Nascimento

n. 1986 BR BR

Gilson Nascimento é um nome que ressoa na poesia brasileira, conhecido por sua sensibilidade e pela forma como explora as nuances da existência humana. Sua obra se caracteriza por uma profunda reflexão sobre a vida, a morte, o tempo e a condição humana, expressa através de uma linguagem que mescla lirismo e um olhar crítico sobre o mundo. Com uma trajetória marcada pela busca constante de expressar a complexidade dos sentimentos e das experiências, Gilson Nascimento consolidou-se como uma voz importante na poesia contemporânea, dialogando com tradições literárias e, ao mesmo tempo, propondo novas abordagens estéticas e temáticas.

n. 1986-12-17, São Paulo

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Maranguape

Maranguape, verde - serra
Com debruns névoa-algodão
És assim, oh minha terra
Aos olhos do coração

Quando chove aqui no Rio
E há vento solto soprando
Em mim uma saudade-frio
Vai de ti me aproximando

E o pensar, que é passarinho
Mais ligeiro que avião
Bate asas, toma o caminho
Que lhe indica o coração

Cidade tem vida, sim
Vida igualzinha à da gente
Nasce, morre, tem um fim
Tem até alma que sente

E por isso é relembrada
De maneira tão constante
E pode ser relembrada
Do bem perto ou do distante

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Biografia

Identificação e contexto básico

Gilson Nascimento é um poeta brasileiro cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. Sua produção literária é reconhecida pela profundidade reflexiva e pela exploração de temas universais.

Infância e formação

As informações sobre a infância e a formação de Gilson Nascimento não são amplamente divulgadas, mas é possível inferir que sua sensibilidade poética foi moldada por um olhar atento às complexidades da vida e às experiências humanas, absorvendo influências culturais e literárias que o conduziram ao universo da poesia.

Percurso literário

O percurso literário de Gilson Nascimento é marcado por uma dedicação à escrita poética, onde explora as diversas facetas da existência. Sua obra evolui de forma contínua, apresentando uma linguagem lírica e reflexiva que busca conectar o leitor às suas próprias emoções e questionamentos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Gilson Nascimento abordam temas como a transitoriedade do tempo, a efemeridade da vida, as complexidades das relações humanas, a busca por sentido e a contemplação da natureza. Seu estilo poético é caracterizado por um lirismo introspectivo, com uso de uma linguagem acessível, mas carregada de significado e imagem. Utiliza recursos como a metáfora e o ritmo para criar uma musicalidade sutil em seus versos, convidando à contemplação.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Gilson Nascimento insere-se no contexto cultural e histórico da poesia brasileira contemporânea, um período marcado pela diversidade de estilos e pela persistência de temas existenciais. Sua obra dialoga com a tradição literária, ao mesmo tempo em que reflete as inquietudes e os desafios do mundo moderno.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Gilson Nascimento não são extensivamente documentadas em fontes públicas, mas a sua poesia sugere um indivíduo com uma forte capacidade de introspecção e uma profunda empatia com a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Gilson Nascimento advém da qualidade e da profundidade de sua obra poética, que tem conquistado leitores e críticos pela sua autenticidade e pela forma como aborda questões fundamentais da existência. Sua poesia é valorizada por sua capacidade de evocar emoções e promover a reflexão.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a obra de Gilson Nascimento demonstra uma familiaridade com a tradição poética que explora temas existenciais e líricos. Seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea, oferecendo uma voz sensível e perspicaz sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Gilson Nascimento convida a múltiplas interpretações, centradas em temas filosóficos como a mortalidade, o sentido da vida e a busca por identidade. Sua obra pode ser analisada como um espelho das inquietações humanas universais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser uma figura cuja vida pessoal é reservada, aspectos menos conhecidos de Gilson Nascimento contribuem para um certo mistério em torno de sua figura pública, permitindo que a atenção se concentre primordialmente em sua produção poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações sobre a morte de Gilson Nascimento em fontes públicas.

Poemas

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Olhando a serra

Quando te olhei, oh serra, da distância
E percebi teu verde me fitando
Cavalguei pelos longes da infância
Vi fiapos de névoa te beijando

De pássaros ouvi terno gorjeio
Do arvoredo deitei-me ao sombrear
Pensei-me numa ladeira e bem do meio
Vibrei do Pirapora ao transbordar

Das Pretinhas banhei-me no riacho
Escorreguei os olhos rio abaixo
Procurando matar minha saudade

E preso, assim, a teias do passado
O menino senti, vivo, a meu lado
E afoguei na emoção a minha idade

1 030

Segundo soneto aos invernos de outrora

Voltar, olhos no tempo, vendo a chuva
Do jacaré na bica se banhar
Plantar olhos no céu, na nuvem turva
Rir e do riso ir ao gargalhar

Ver de novo seu pai, bem humorado
Tangendo a água que invadia o bar
E o povo alegre, rosto transmudado
Dizer tempo bonito! Só no olhar

Névoa a linha da serra debruando
Beijando o verde, a ele se doando
Numa carícia leve como arminho

Lembranças gratas que afloraram agora
Porque a chuva que cai, forte, lá fora
Levou-me a queridíssimo caminho

838

Primeiro soneto aos invernos de outrora

Os invernos de outrora não esqueço
Preciosos guardados da lembrança
Revê-los, quem me dera, a qualquer preço
Mas somente a saudade hoje os alcança

Meu rio, o Pirapora, transbordava
O céu era de um cinza carregado
O trovão noite a dentro ribombava
E o coração do povo era aguado

Quando uma chuva visitava a noite
O vento solto semelhava açoite
Ainda hoje escuto-lhe o silvar

Quando relembro esse passado agora
O homem, bem baixinho, vezes chora
E diz que ao menino quer voltar

774

Terceiro soneto aos invernos de outrora

Caminho que se perde no distante
Passado que eu supus haver morrido
Mas que surge, eu o sinto nesse instante
Dos pingos dessa chuva ressurgido

Cantar de chuva me comove, sim
Porque mergulha nalma sem demora
É cantiga - saudade, não tem fim
É sempre um despertar do meu outrora

Eu te bendigo, chuva boa, amiga
Minha emoção me roga que te diga
Um presente trouxeste – o meu passado

E ao te sentir de leve o abrandar
Vejo o HOJE de mim se aproximar
E do meu lume o sonho é apagado

889

Rosa imortal

Minha mãe, pálida e fria
Mudez no gesto, na fala
Minha mãe que já não reza
Minha mãe de olhar apagado
De mãos álgida, inúteis
Não acenam.
Não abençoam.

Riso sem cor – desbotado
Palavra inerte – não soa
Lábios murchos – não se abrem
Flores que o vento da morte
Despetalando, esboroa

Mãe partindo às horas mortas
Do porto alvo da aurora
Nos braços da madrugada
Sem despedida, sem laivo
De beijo, de abraço ou riso.

Mãe – flor que não emurchece
Não cresta, não perde o brilh
Rosa orvalhada de prece
No jardim da alma do filho.

771

Canção da esperança

Céu de cinza, meu imo se penumbra
A chuva cai, minhalma lacrimeja
O bem perto tem ares do bem longe
Meu pensamento, célere, voeja

Retalhos de lembranças vou juntado
Pedaços de conversa reunindo
E HOJE, bem desperto, acorda o ONTEM
Que dentro de meu ser vive dormindo

O afago ao distante em mim renasce
Na mudez infinita, mas presente
Dos olhos, num ligeiro garoar

Chuva, não chova! Pare! Vá embora!
E no longe, onde tudo é seco agora
A canção da esperança vá cantar

670

Morte ao amanhecer

Na quieta e calada madrugada
Morrem as vozes, nascem os sussurros
Há um respirar, é tardo, é ofegante
Sopro débil de vida que se apaga

Junto ao leito a família reunida
Partilha a mágoa que enluta corações
Ninguém se comunica por palavras
Olhar e gesto casam no silêncio

Um pássaro se alegra, o dia nasce
E o claro sol que lhe assoma à face
Penetra, vivo, o quarto do doente

E o astro sua lida iniciando
Derrama luz no olhar do moribundo
O ocaso de uma vida alumiando

924

Vero palhaço

Nascer, o vir à vida, a caminhada
A alegria, a tristeza, o desengano
É o que sentimos a cada passada
De uma a outra etapa, ano após ano

Mal o riso se fecha o peito dói
Há choros que esbarram em gargalhar
De vez em quando a mágoa que corrói
À porta da alegria vem chorar

De contrastes assim tece-se a vida
Pesares abrem nalma uma ferida
Há risos a fluir até no olhar

E o homem, ora rindo, ora chorando
Enquanto vive a vida caminhando
Vero palhaço, ri o seu penar.

1 008

Resposta difícil

Avô e neto, amor nos olhos, vi
Pelas ruas alegres da cidade
Os extremos da vida se tocavam
Coração novo e velho ambos pulsavam
O pulsar doce da felicidade.

Defronte a uma vitrine os dois pararam
E os olhos do garoto namoraram
Um namoro gosto e demorado
Com uma bola vestida der listrado
Que derramava cor na exposição.

E olhos buliçosos, o Netuno
Fitando o olhar baço do velhinho
Voz aflita lhe fez esse pedido:
Compre essa bola, meu avô, pra mim
Olhe pra ela, não é bonitinha ?
Procure aí um dinheiro no seu bolso
Pergunte o preço, depressa, àquele moço
Eu me amarro, vovô, em futebol.

E o velho, que era rico de pobreza
Mas do metal que compra muito pobre
Só tinha de abastança o coração
E a alma, sem tamanho, pura e nobre.

Perdeu, então, a fala de repente
Procurou-a. Inútil seu intento
Só encontrou pra responder ao neto
Um orvalhar de olhos bem discreto
E a fala muda de seu pensamento

839

Escorrego

Manhãzinha. Meu pai e eu saindo
De toalha rumamos nós sozinhos
Amiudar de galos. Sol sorrindo
Brisa mansa e sossego nos caminhos

Passada a nossa rua, a Guabiraba
Um dos bairros descalços da cidade
Cruzar de gente. O rumo é do mercado
Tudo é tão simples que me dá saudade

A bica do Escorrego. O corpo encaroçado
Uma mão me amparando – a imagem do cuidado
Evitando que a água o filho derrubasse

A volta, o dia claro, caminhando
E meu pai, satisfeito, me contando
Histórias várias de seu mundo antigo

O bar, o abafador, o café quente
O pão cheirando a forno à nossa frente
E o sol brincando réstias pelo chão

Esse tempo envelhece, mas não morre
Se fraqueja a saudade logo acorre
É amiga, é terna, é leve a sua mão

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