Lista de Poemas

Olhando a serra

Quando te olhei, oh serra, da distância
E percebi teu verde me fitando
Cavalguei pelos longes da infância
Vi fiapos de névoa te beijando

De pássaros ouvi terno gorjeio
Do arvoredo deitei-me ao sombrear
Pensei-me numa ladeira e bem do meio
Vibrei do Pirapora ao transbordar

Das Pretinhas banhei-me no riacho
Escorreguei os olhos rio abaixo
Procurando matar minha saudade

E preso, assim, a teias do passado
O menino senti, vivo, a meu lado
E afoguei na emoção a minha idade

992

Brincando de criança

Mergulhar no passado de mansinho
É tarefa que cumpro a cada instante
Detendo-me da existência no caminho
Alço vôo e então pouso no distante

Quem me leva de volta é a saudade
Que vive no meu peito se aninhando
No entardecer da vida quem não-há-de
Viver sempre o seu ontem namorando

Namoro-o, sim, e é o pensamento
Que tudo alcança dentro de um momento
De tão ardente amor a viva chama

Apagá-la? Jamais! Pois, na verdade,
De criança brincar, fugir à idade
É algo que a velhice sempre ama.

783

Viver a dois

A um dois de setembro hoje chegaste
Um aniversário a mais, minha querida
Em espinhos, bem sei, vezes pisaste
Mas rosas também houve em tua vida

Alegrias, tristezas tu tiveste
Soubeste aproveitá-las, reconheço
E na vida o incentivo que me deste
Pelos anos afora não esqueço

Que não te roube a vida o bom - humor
A afeição que tens ao teu labor
Aos amigos, aos teus, ao rir à vida

Muitos setembros, queira Deus., alcances
E do viver a dois jamais te canses
Sempre a tirar lições da nossa lida

937

Terceiro soneto aos invernos de outrora

Caminho que se perde no distante
Passado que eu supus haver morrido
Mas que surge, eu o sinto nesse instante
Dos pingos dessa chuva ressurgido

Cantar de chuva me comove, sim
Porque mergulha nalma sem demora
É cantiga - saudade, não tem fim
É sempre um despertar do meu outrora

Eu te bendigo, chuva boa, amiga
Minha emoção me roga que te diga
Um presente trouxeste – o meu passado

E ao te sentir de leve o abrandar
Vejo o HOJE de mim se aproximar
E do meu lume o sonho é apagado

858

Primeiro soneto aos invernos de outrora

Os invernos de outrora não esqueço
Preciosos guardados da lembrança
Revê-los, quem me dera, a qualquer preço
Mas somente a saudade hoje os alcança

Meu rio, o Pirapora, transbordava
O céu era de um cinza carregado
O trovão noite a dentro ribombava
E o coração do povo era aguado

Quando uma chuva visitava a noite
O vento solto semelhava açoite
Ainda hoje escuto-lhe o silvar

Quando relembro esse passado agora
O homem, bem baixinho, vezes chora
E diz que ao menino quer voltar

746

Vero palhaço

Nascer, o vir à vida, a caminhada
A alegria, a tristeza, o desengano
É o que sentimos a cada passada
De uma a outra etapa, ano após ano

Mal o riso se fecha o peito dói
Há choros que esbarram em gargalhar
De vez em quando a mágoa que corrói
À porta da alegria vem chorar

De contrastes assim tece-se a vida
Pesares abrem nalma uma ferida
Há risos a fluir até no olhar

E o homem, ora rindo, ora chorando
Enquanto vive a vida caminhando
Vero palhaço, ri o seu penar.

971

Rosa imortal

Minha mãe, pálida e fria
Mudez no gesto, na fala
Minha mãe que já não reza
Minha mãe de olhar apagado
De mãos álgida, inúteis
Não acenam.
Não abençoam.

Riso sem cor – desbotado
Palavra inerte – não soa
Lábios murchos – não se abrem
Flores que o vento da morte
Despetalando, esboroa

Mãe partindo às horas mortas
Do porto alvo da aurora
Nos braços da madrugada
Sem despedida, sem laivo
De beijo, de abraço ou riso.

Mãe – flor que não emurchece
Não cresta, não perde o brilh
Rosa orvalhada de prece
No jardim da alma do filho.

738

Segundo soneto aos invernos de outrora

Voltar, olhos no tempo, vendo a chuva
Do jacaré na bica se banhar
Plantar olhos no céu, na nuvem turva
Rir e do riso ir ao gargalhar

Ver de novo seu pai, bem humorado
Tangendo a água que invadia o bar
E o povo alegre, rosto transmudado
Dizer tempo bonito! Só no olhar

Névoa a linha da serra debruando
Beijando o verde, a ele se doando
Numa carícia leve como arminho

Lembranças gratas que afloraram agora
Porque a chuva que cai, forte, lá fora
Levou-me a queridíssimo caminho

813

Vento – Carinho

O mesmo vento - carinho
Que soprava antigamente
Entrando no meu caminho
Arrepia de mansinho
A nostalgia do ausente.

No arrepio toma conta
Da alma, do coração
Me percorre o corpo todo
Eu era velho, sou novo
Do vento à terna canção.

Mil saudades acordando
Num forte reavivar
Essa brisa vai girando
Ora lenta, ora acordada
A roda do recordar

Vento, pare, por favor
Deixe em paz minha emoção
Não mexa com a minha alma
O seu desejo é a calma
Jamais a recordação

912

Escorrego

Manhãzinha. Meu pai e eu saindo
De toalha rumamos nós sozinhos
Amiudar de galos. Sol sorrindo
Brisa mansa e sossego nos caminhos

Passada a nossa rua, a Guabiraba
Um dos bairros descalços da cidade
Cruzar de gente. O rumo é do mercado
Tudo é tão simples que me dá saudade

A bica do Escorrego. O corpo encaroçado
Uma mão me amparando – a imagem do cuidado
Evitando que a água o filho derrubasse

A volta, o dia claro, caminhando
E meu pai, satisfeito, me contando
Histórias várias de seu mundo antigo

O bar, o abafador, o café quente
O pão cheirando a forno à nossa frente
E o sol brincando réstias pelo chão

Esse tempo envelhece, mas não morre
Se fraqueja a saudade logo acorre
É amiga, é terna, é leve a sua mão

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Identificação e contexto básico

Gilson Nascimento é um poeta brasileiro cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. Sua produção literária é reconhecida pela profundidade reflexiva e pela exploração de temas universais.

Infância e formação

As informações sobre a infância e a formação de Gilson Nascimento não são amplamente divulgadas, mas é possível inferir que sua sensibilidade poética foi moldada por um olhar atento às complexidades da vida e às experiências humanas, absorvendo influências culturais e literárias que o conduziram ao universo da poesia.

Percurso literário

O percurso literário de Gilson Nascimento é marcado por uma dedicação à escrita poética, onde explora as diversas facetas da existência. Sua obra evolui de forma contínua, apresentando uma linguagem lírica e reflexiva que busca conectar o leitor às suas próprias emoções e questionamentos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Gilson Nascimento abordam temas como a transitoriedade do tempo, a efemeridade da vida, as complexidades das relações humanas, a busca por sentido e a contemplação da natureza. Seu estilo poético é caracterizado por um lirismo introspectivo, com uso de uma linguagem acessível, mas carregada de significado e imagem. Utiliza recursos como a metáfora e o ritmo para criar uma musicalidade sutil em seus versos, convidando à contemplação.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Gilson Nascimento insere-se no contexto cultural e histórico da poesia brasileira contemporânea, um período marcado pela diversidade de estilos e pela persistência de temas existenciais. Sua obra dialoga com a tradição literária, ao mesmo tempo em que reflete as inquietudes e os desafios do mundo moderno.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Gilson Nascimento não são extensivamente documentadas em fontes públicas, mas a sua poesia sugere um indivíduo com uma forte capacidade de introspecção e uma profunda empatia com a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Gilson Nascimento advém da qualidade e da profundidade de sua obra poética, que tem conquistado leitores e críticos pela sua autenticidade e pela forma como aborda questões fundamentais da existência. Sua poesia é valorizada por sua capacidade de evocar emoções e promover a reflexão.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a obra de Gilson Nascimento demonstra uma familiaridade com a tradição poética que explora temas existenciais e líricos. Seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea, oferecendo uma voz sensível e perspicaz sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Gilson Nascimento convida a múltiplas interpretações, centradas em temas filosóficos como a mortalidade, o sentido da vida e a busca por identidade. Sua obra pode ser analisada como um espelho das inquietações humanas universais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser uma figura cuja vida pessoal é reservada, aspectos menos conhecidos de Gilson Nascimento contribuem para um certo mistério em torno de sua figura pública, permitindo que a atenção se concentre primordialmente em sua produção poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações sobre a morte de Gilson Nascimento em fontes públicas.