Lista de Poemas

Que para o artista e para o pensamento valham o dito de Nestroy: “Fiz um prisioneiro e ele não me larga mais”.
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Oh, essa mão canhota de Midas do jornalismo, que transforma todo pensamento alheio que toca numa opinião! Como podemos reclamar ouro roubado se o ladrão tem apenas cobre no bolso?
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Heinrich Heine afrouxou tanto o espartilho da língua alemã que hoje qualquer caixeiro pode passar a mão em seus seios.
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Uma obra da língua traduzida em outra língua: alguém que atravessa a fronteira sem sua pele e do outro lado veste o traje típico do país.
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Um original cujos imitadores são melhores não é um original.
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Mais de um já provou pelos seus imitadores que não é um original.
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Minhas palavras nas mãos de um jornalista são piores do que aquilo que ele próprio pode escrever. Para que, portanto, o aborrecimento de citar? Eles acreditam que podem oferecer provas de um organismo. Para mostrar que uma mulher é bonita, arrancam seus olhos. Para mostrar que minha casa é habitável, colocam minha varanda sobre suas calçadas.
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Pode-se traduzir um editorial, mas não um poema. É verdade que se pode atravessar a fronteira nu, mas não sem pele, pois ao contrário da roupa, ela não volta a crescer.
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Não tenho objeções à literatura romanesca pela razão de que me parece conveniente que aquilo que não me interessa seja dito de maneira prolixa.
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Na poesia épica há algo de superfluidade congelada.
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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.