Na fonte está Leanor
Na fonte está Leanor
lavando a talha e chorando,
às amigas perguntando:
vistes lá o meu amor?
VOLTAS
Posto o pensamento nele,
porque a tudo o Amor a obriga,
cantava, mas a cantiga
eram suspiros por ele.
Nisto estava Leanor
o seu desejo enganando,
às amigas perguntando:
vistes lá o meu amor?
O rosto sobre üa mão,
os olhos no chão pregados,
que, do chorar já cansados,
algum descanso lhe dão.
Desta sorte Leanor
suspende de quando em quando
sua dor; e, em si tornando,
mais pesada sente a dor.
Não deita dos olhos água,
que não quer que a dor se abrande
Amor, porque em mágoa grande
seca as lágrimas a mágoa.
Depois que de seu amor
soube, novas perguntando,
demproviso a vi chorando.
Olhai que extremos de dor!
O fogo que na branda cera ardia,
O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que na alma vejo.
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.
Como de dois ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.
Ditosa aquela flama, que se atreve
Apagar seus ardores e tormentos
Na vista do que o mundo tremer deve!
Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela nave
Que queima corações e pensamentos.
A um fidalgo
Quem no mundo quisera ser
Havido por singular,
Para mais se engrandecer,
Há-de trazer sempre o dar
Nas ancas do prometer.
E já que Vossa Mercê
Largueza tem por divisa,
Como todo mundo vê,
Há mister que tanto dê,
Que venha a dar a camisa.
Minha alma gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
alguma cousa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,
roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.
Ditoso seja aquele que somente
Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.
Não sei se me engana Helena
Não sei se me engana Helena,
se Maria, se Joana,
não sei qual delas me engana.
Üa diz que me quer bem,
outra jura que mo quer;
mas, em jura de mulher
quem crerá, se elas não crêm?
Não posso não crer a Helena,
a Maria, nem Joana,
mas não sei qual delas me engana.
Üa faz-me juramentos
que só meu amor estima;
a outra diz que se fina;
Joana, que bebe os ventos.
Se cuido que mente Helena,
também mentirá Joana;
mas quem mente, não me engana.
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava o amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
a grande dor das cousas que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
dei causa [a] que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro génio de vinganças!
Tenho-me Persuadido
Mote
De
que me serve fugir
De morte, dor e perigo,
Se me eu levo comigo?
Tenho-me
persuadido,
Por razão conveniente,
Que não posso ser contente,
Pois que pude ser nascido.
Anda sempre tão unido
O meu tormento comigo,
Que eu mesmo sou meu perigo.
E,
se de mi me livrasse,
Nenhum gosto me seria.
Quem, não sendo eu, não teria
Mal que esse bem me tirasse?
Força é logo que assim passe:
Ou com desgosto comigo,
Ou sem gosto e sem perigo.
Qual tem a borboleta por costume
Qual tem a borboleta por costume,
Que, enlevada na luz da acesa vela,
Dando vai voltas mil, até que nela
Se queima agora, agore se consume,
Tal eu correndo vou ao vivo lume
Desses olhos gentis, Aónia bela;
E abraso-me por mais que com cautela
Livrar-me a parte racional presume.
Conheço o muito a que se atreve a vista,
O quanto se levanta o pensamento,
O como vou morrendo claramente;
Porém, não quer Amor que lhe resista,
Nem a minha alma o quer; que em tal tormento,
Qual em glória maior, está contente.
Eis aqui, quase cume da cabeça
Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floresça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto não o consente.
Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz aqui comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
De Luso ou Lisa, que de Baco antigo
Filhos foram, parece, ou companheiros,
e nela então os íncolas primeiros.
itamaria aquino alves são mesmo encriveis .!.
mt bom
para mim ele foi um baita de um baitola pois em toda sua historia não fala das mina
parabens luis por esses poemas. sao mesmos encriveis.
amo todos os poemas de luis, ele sim e um verdadeiro escritor.
acho uma porcaria esses poemas
camões um dos melhores poetas, seus poemas tem alma e nos inspira toda beleza dos poemas que ele nos deixou, lindos... valdeci panisio - poá sp.
adoro seus poemas são perfeitos sz
ai ai se ainda fosses vivo comia-te
Cool!
adoro os poemas que ele escreveu
suas obras são completamente maravilhosas...adoreide verdade isso siim são poemas...
fichiinha! tiro de letra Camões seus poemas Me aguardem... quando vcs menos esperaremestará surgindo dentre os povos um novo revolucionario da literatura brasileira.Depois digam que eu não avisei...!!!!
eu me amarro em suas obras de ++++++++++++++++
é fixe, é fixe (:
adoroo os poemas de camôes !
E bue fixe : )
adoro Luis de Camões... Amor é fogo q arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente;.....
hemos estado viendo una obra deteatro sobre luis de camoes, nos ha impresionado, la actuación, el texto,etc, un bravo y un un ole por los dos actores, inmejorables, queremos a portugal y a sus gente
adoro os poemas
em que ano elle naceu ??
como Luis de Camões ficou viuvo ?
BRUTAL
voces sao é parvos. Nao se goza com o poeta mais famoso de portugal. Voces queriam era ser como ele
Bem parece que é verdade ele era um poeta perfeito, um dos melhores. Este site esta muito bem feito
gosto muito dos poemas k escreves