Luís de Camões

Luís de Camões

1524–1580 · viveu 55 anos PT PT

Luís de Camões é o maior poeta da língua portuguesa, autor de "Os Lusíadas", a epopeia nacional que narra as viagens de Vasco da Gama à Índia. Sua obra poética abrange desde o lirismo amoroso, marcado pela influência petrarquista e pelo sofrimento passional, até a reflexão sobre o destino, a pátria e a condição humana. É considerado um dos pilares da literatura ocidental.

n. 1524-12, Lisboa · m. 1580-06-10, Lisboa

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Da alma e de quanto tiver

Da alma e de quanto tiver
Quero que me despojeis,
contanto que me deixeis
Os olhos para vos ver.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Luís Vaz de Camões é amplamente considerado o maior poeta da língua portuguesa e um dos maiores da literatura ocidental. A sua data de nascimento é incerta, mas estima-se que tenha nascido em 1524 ou 1525, possivelmente em Lisboa, Coimbra ou Santarém. Faleceu em Lisboa, em 10 de junho de 1580. Sua origem familiar é nobre, mas não abastada, ligada a tradições militares e intelectuais. Foi um poeta de língua portuguesa, com forte influência do latim e do italiano.

Infância e formação

Presume-se que Camões tenha estudado na Universidade de Coimbra, onde teria se formado em Artes, com forte base em latim, grego e humanidades. A sua formação intelectual foi profunda, permitindo-lhe dominar a retórica clássica e a métrica italiana, que viria a aplicar na sua obra.

Percurso literário

O início da carreira literária de Camões é marcado pela poesia lírica, onde demonstra um talento precoce. Mais tarde, empreendeu viagens e aventuras que o levariam a participar de campanhas militares no Norte de África, onde perdeu um olho, e a viver experiências diversas em Goa, Macau e Moçambique. Durante estas viagens, começou a delinear a sua obra-prima, "Os Lusíadas", que viria a publicar em 1572.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Camões é dividida em duas vertentes principais: a épica e a lírica. "Os Lusíadas" é uma epopeia que narra a viagem de Vasco da Gama à Índia, celebrando a história e os feitos do povo português, com intervenção de deuses da mitologia clássica. Seus temas incluem a glória, o heroísmo, a pátria, o destino e a fragilidade humana. A sua poesia lírica, por outro lado, explora o amor com intensidade, misturando o idealismo petrarquista com o sofrimento real da paixão. Utilizou com mestria o soneto, mas também o verso decassílabo e outras formas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Camões viveu no auge do Renascimento e da expansão marítima portuguesa. A sua obra reflete o espírito de aventura, a glória e os desafios enfrentados por Portugal na época. Ele conviveu com grandes figuras intelectuais e literárias de seu tempo e sua obra foi influenciada pelo humanismo e pela cultura clássica.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida de Camões foi marcada por turbulências, aventuras e paixões intensas. Acredita-se que tenha tido um amor fulgurante pela "Dinara", possivelmente uma dama da corte, cujas experiências amorosas moldaram grande parte da sua poesia lírica. Suas viagens e experiências em terras distantes o expuseram a diferentes culturas e situações de perigo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção "Os Lusíadas" foi publicado com privilégio régio e, embora não tenha trazido riqueza imediata ao autor, garantiu-lhe um lugar de destaque na literatura portuguesa. A sua obra lírica, publicada postumamente, consolidou a sua reputação como um dos maiores poetas líricos da língua. Camões é um dos autores mais estudados e admirados em Portugal e no Brasil.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Camões foi influenciado por poetas clássicos como Virgílio e Ovídio, e pelos italianos Petrarca e Dante Alighieri. Seu legado é imenso: "Os Lusíadas" é considerada a epopeia nacional portuguesa e um marco da literatura em língua portuguesa. Sua poesia lírica estabeleceu um padrão para o lirismo amoroso na língua. É uma figura central no cânone literário de língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Camões é rica em camadas de significado. "Os Lusíadas" pode ser interpretada como uma celebração da identidade nacional, mas também como uma reflexão sobre os custos do império e a fragilidade da condição humana. Sua poesia lírica é estudada pela profundidade psicológica e pela forma como explora a dualidade entre o desejo e a realidade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma das curiosidades mais famosas é a perda de um olho em combate. Relatos indicam que Camões teria vivido na Ásia por cerca de 17 anos, onde teria tido um filho natural. Sua morte, diz a lenda, teria ocorrido na miséria, mas celebrada com a publicação de "Os Lusíadas" e o reconhecimento de seu talento.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Luís de Camões faleceu em Lisboa, vítima de peste, em 10 de junho de 1580, data que é celebrada anualmente como o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Sua obra continua a ser publicada, estudada e admirada, garantindo sua perene memória e influência na cultura lusófona.

Poemas

68

Quando me quer enganar

Quando me quer enganar
A minha bela perjura,
Pera mais me confirmar
O que quer certificar,
Pelos seus olhos mo jura.
Como meu contentamento
Todo se rege por eles,
Imagina o pensamento
Que se faz agravo a eles
Não crer tão grão juramento.

Porém, como em casos tais
Ando já visto e corrente,
Sem outros certos sinais,
Quanto me ela jura mais,
Tanto mais cuido que mente.
Então, vendo-lhe ofender
Uns tais olhos como aqueles,
Deixo-me antes tudo crer,
Só pela não constranger
A jurar falso por eles.

6 829

Pede o desejo, Dama, que vos veja

Pede o desejo, Dama, que vos veja.
Não entende o que pede; está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado,
Que quem o tem não sabe o que deseja.

Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo o seu estado.
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja.

Mas este puro afeito em mim se dana;
Que, como a grave pedra tem por arte
O centro desejar da Natureza,

Assi o pensamento, pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana,
Foi, Senhora, pedir esta baixeza.
13 407

Nunca em amor danou o atrevimento

Nunca em amor danou o atrevimento;
Favorece a Fortuna a ousadia;
Porque sempre a encolhida cobardia
De pedra serve ao livre pensamento.

Quem se eleva ao sublime Firmamento,
A Estrela nele encontra que lhe é guia;
Que o bem que encerra em si a fantasia,
São u~as ilusões que leva o vento.

Abrir-se devem passos à ventura;
Sem si próprio ninguém será ditoso;
Os princípios somente a Sorte os move.

Atrever-se é valor e não loucura;
Perderá por cobarde o venturoso
Que vos vê, se os temores não remove.

5 633

Onde acharei lugar tão apartado

Onde acharei lugar tão apartado
E tão isento em tudo da ventura,
Que, não digo eu de humana criatura,
Mas nem de feras seja frequentado?

Algum bosque medonho e carregado,
Ou selva solitária, triste e escura,
Sem fonte clara ou plácida verdura,
Enfim, lugar conforme a meu cuidado?

Porque ali, nas entranhas dos penedos,
Em vida morto, sepultado em vida,
Me queixe copiosa e livremente;

Que, pois a minha pena é sem medida,
Ali triste serei em dias ledos
E dias tristes me farão contente.

5 194

Tomou-me vossa vista soberana

Tomou-me vossa vista soberana
Aonde tinha as armas mais à mão,
Por mostrar que quem busca defensão
Contra esses belos olhos, que se engana.

Por ficar da vitória mais ufana,
Deixou-me armar primeiro da razão;
Cuidei de me salvar, mas foi em vão,
Que contra o Céu não vale defensa humana.

Mas porém, se vos tinha prometido
O vosso alto destino esta vitória,
Ser-vos tudo bem pouco está sabido.

Que posto que estivesse apercebido,
Não levais de vencer-me grande glória;
Maior a levo eu de ser vencido.

4 047

Quem pode livre ser, gentil Senhora,

Quem pode livre ser, gentil Senhora,
Vendo-vos com juízo sossegado,
Se o Menino que de olhos é privado
Nas meninas de vossos olhos mora?

Ali manda, ali reina, ali namora,
Ali vive das gentes venerado;
Que o vivo lume e o rosto delicado
Imagens são nas quais o Amor se adora.

Quem vê que em branca neve nascem rosas
Que fios crespos de ouro vão cercando,
Se por entre esta luz a vista passa,

Raios de ouro verá, que as duvidosas
Almas estão no peito trespassando
Assim como um cristal o Sol trespassa.

5 892

Em prisões baixas fui um tempo atado

Em prisões baixas fui um tempo atado,
vergonhoso castigo de meus erros;
inda agora arrojando levo os ferros
que a Morte, a meu pesar, tem já quebrado.

Sacrifiquei a vida a meu cuidado,
que Amor não quer cordeiros, nem bezerros;
vi mágoas, vi misérias, vi desterros:
parece-me questava assi ordenado.

Contentei-me com pouco, conhecendo
que era o contentamento vergonhoso,
só por ver que cousa era viver ledo.

Mas minha estrela, que eu jágora entendo,
a Morte cega, e o Caso duvidoso,
me fizeram de gostos haver medo.

11 226

Horas breves de meu Contentamento

Horas breves de meu contentamento
Nunca me pareceu quando vos tinha,
Que vos visse mudadas tão asinha
Em tão compridos anos de tormento.

As altas tôrres, que fundei no vento,
Levou, em fim, o vento que as sostinha;
Do mal que me ficou a culpa é minha,
Pois sôbre cousas vãs fiz fundamento.

Amor com brandas mostras aparece:
Tudo possível faz, tudo assegura;
Mas logo no melhor desaparece.

Estranho mal! Estranha desventura!
Por um pequeno bem, que desfalece,
Um bem aventurar, que sempre dura!
5 685

Com o Tempo o Prado Seco Reverdece

Com o tempo o prado seco reverdece,
Com o tempo cai a folha ao bosque umbroso,
Com o tempo para o rio caudaloso,
Com o tempo o campo pobre se enriquece,

Com o tempo um louro morre, outro floresce,
Com o tempo um é sereno, outro invernoso,
Com o tempo foge o mal duro e penoso,
Com o tempo torna o bem já quando esquece,

Com o tempo faz mudança a sorte avara,
Com o tempo se aniquila um grande estado,
Com o tempo torna a ser mais eminente.

Com o tempo tudo anda, e tudo pára,
Mas só aquele tempo que é passado
Com o tempo se não faz tempo presente.
6 014

No mundo quis o Tempo que se achasse

No mundo quis um tempo que se achasse
o bem que por acerto ou sorte vinha;
e, por experimentar que dita tinha,
quis que a Fortuna em mim se experimentasse.

Mas por que meu destino me mostrasse
que nem ter esperanças me convinha,
nunca nesta tão longa vida minha
cousa me deixou ver que desejasse.

Mudando andei costume, terra e estado,
por ver se se mudava a sorte dura;
a vida pus nas mãos de um leve lenho.

Mas (segundo o que o Céu me tem mostrado)
já sei que deste meu buscar ventura,
achado tenho já, que não a tenho.
5 343

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Comentários (31)

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Eneias
Eneias

poema poetico

Laurinha
Laurinha

Que isso amor

o tal
o tal

Muito pelo contrário...Foi desterrado por se meter demais com as mulheres. Era um playboy

power guido
power guido

ninguem liga pra sua opiniao

fds
fds

fds sua opiniao e invalida