Versos para Joaquim
Joaquim, a vontade do Senhor é às vezes difícil de aceitar.
Tanto Simeão desejoso de ouvir o celeste chamado!
Por que então chamar a que estava apenas a meio de sua tarefa?
A indispensável?
A insubstituível?
(Por isso sorri com lágrimas quando te vi, antes da missa, ajeitar o laço de fita nos cabelos de tua caçulinha)
Ah, bem sei, Joaquim, que o teu coração é tão grande quanto o da mãe melhor.
Mas que tristeza! Ela foi demais, estou de mal com Deus.
— Joaquim, a vontade do Senhor é às vezes inaceitável.
Antônia
Amei Antônia de maneira insensata.
Antônia morava numa casa que para mim não era casa, era um empíreo. Mas os anos foram passando.
Os anos são inexoráveis.
Antônia morreu.
A casa em que Antônia morava foi posta abaixo.
Eu mesmo já não sou aquele que amou Antônia e que Antônia não amou. Aliás, previno, muito humildemente, que isto não é crônica nem poema. E, apenas
Uma nova versão, a mais recente, do tema ubi sunt,
Que dedico, ofereço e consagro
A meu dileto amigo Augusto Meyer.
Passeio em São Paulo
Settembre. Andiamo. E tempo di migrare.
A rainha, em São paulo, chama-me.
É agora Maria Cacilda Stuart
E fala com sotaque voluntarioso,
Não paulista nem catarinense:
Acento beckeriano (com ck, não cqu),
Que suscita infartos de alma,
Tão imperativos quanto os de miocárdio.
Saio do hotel com quatro olhos,
— Dois do presente,
Dois do passado.
Anhangabaú que já não é dos suicídios passionais!
O Hotel Esplanada virou catacumba.
Enfim a Rua Direita!
A minha Rua Direita:
Que saudades tinha dela!
Ainda existe a Casa Kosmos, mas
Não tem impermeáveis em liquidação.
Praça Antônio Prado, onde
Tudo é novo, salvo aquela meia dúzia de sobradinhos.
Montanha-russa da Avenida de São João!
O anjo cor-de-rosa não é mais cor-de-rosa:
O tempo patinou-o de negro.
Almoço com Di,
Que hoje é Emiliano di Cavalcanti.
Volto ao hotel pelo Anhangabaú.
Onde as Juvenilidades auriverdes? Onde
A passiflora? o espanto? a loucura? o desejo?
Ubi sunt?
Ubi sum?
— Obrigado, Mário, pela tua companhia.
Entrevista
Vida que morre e que subsiste
Vária, absurda, sórdida, ávida,
Má!
Se me indagar um qualquer
Repórter:
"Que há de mais bonito
No ingrato mundo?”
Não hesito;
Responderei:
"De mais bonito
Não sei dizer. Mas de mais triste,
— De mais triste é uma mulher
Grávida. Qualquer mulher grávida."
Ad Instar Delphini
Teus pés são voluptuosos: é por isso
Que andas com tanta graça, ó Cassiopéia!
De onde te vem tal chama e tal feitiço,
Que dás idéia ao corpo, e corpo à idéia?
Camões, valei-me! Adamastor, Magriço,
Dai-me força, e tu, Vênus Citeréia,
Essa doçura, esse imortal derriço...
Quero também compor minha epopéia!
Não cantarei Helena e a antiga Tróia,
Nem as Missões e a nacional Lindóia,
Nem Deus, nem Diacho! Quero, oh por quem és,
Flor ou mulher, chave do meu destino,
Quero cantar, como cantou Delfino,
As duas curvas de dois brancos pés!
Acalanto para As Mães Que Perderam o Seu Menino
Dorme, dorme, dorme...
Quem te alisa a testa
Não é Malatesta,
Nem Pantagruel
— O poeta enorme.
Quem te alisa a testa
É aquele que vive
Sempre adolescente
Nos oásis mais frescos
De tua lembrança.
Dorme, ele te nina.
Te nina, te conta
— Sabes como é —,
Te conta a experiência
Do vário passado,
Das várias idades.
Te oferece a aurora
Do primeiro riso.
Te oferece o esmalte
Do primeiro dente.
A dor passará,
Como antigamente
Quando ele chegava.
Dorme... Ele te nina
Como se hoje fosses
A sua menina.
Paulo Gomide
- À poesia é o teu vôo
Repletando a tua alma de alegrias,
Maravilhamentos e espantos.
Atrás de ti caminha um anjo
— “Todo anjo é terrível!” —
E este te vai guiando para Deus
Pelo caminho mais difícil.
Vontade de Morrer
Não é que não me fales aos sentidos,
À inteligência, o instinto, o coração:
Falas demais até, e com tal suasão,
Que para não te ouvir selo os ouvidos.
Não é que sinta gastos e abolidos
Força e gosto de amar, nem haja a mão,
Na dos anos penosa sucessão,
Desaprendido os jogos aprendidos.
E ainda que tudo em mim murchado houvera,
Teu olhar saberia, senão quando,
Tudo alertar em nova primavera.
Sem ambições de amor ou de poder,
Nada peço nem quero e — entre nós —, ando
Com uma grande vontade de morrer.
CANÇÃO PARA A MINHA MORTE
Bem que filho do Norte
Não sou bravo nem forte.
Mas, como a vida amei
Quero te amar, ó morte,
— Minha morte, pesar
Que não te escolherei.
Do amor tive na vida
Quanto amor pode dar:
Amei não sendo amado,
E sendo amado, amei.
Morte, em ti quero agora
Esquecer que na vida
Não fiz senão amar.
Sei que é grande maçada
Morrer mas morrerei
— Quando fores servida —
Sem maiores saudades
Desta madrasta vida,
Que, todavia, amei.
Declaração de Amor
Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Guardo entre as minhas recordações
Mais amoráveis, mais repousantes
Tuas manhãs!
Um fundo de chácara na Rua Direita
Coberto de trapuerabas...
Uma velha jabuticabeira cansada de doçura.
Tuas três horas da tarde...
Tuas noites de cineminha namorisqueiro...
Teu lindo parque senhorial mais segundo-reinado do que a própria Quinta da Boa Vista...
Teus bondes sem pressa dando voltas vadias...
Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Tu tão de dentro deste Brasil!
Tão docemente provinciana...
Primeiro sorriso de Minas Gerais!
A Onda
A O N D A
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda
divo manu
nao entendi
viva la revolucion, viva lenin, viva che, viva marighella
Muito bom, Bandeira e os outros sao demais. Mas Faltam as poetas nesta página, né?
De que trata o poema
Muiii belooo
esse texto e muito bom minha professora nos passou esse texto ,muito interessante
Manuel Bandeira... Bem mais que tudinho de bombom!
muito legal eu adorei essa estoria do manuel bandeira
Grande poeta que mudou a história do Brasil, com seus poemas de tocar o coração, apesar de eu ter apenar 12 anos as poesias desse cara me encantam!
Para todos estes ignorantes que não possui inteligência suficiente para compreender o valor de uma poesia eu vos digo que, tudo quanto falaste é uma grande prova de sua ignorância, pois Manuel foi uma pessoa de modo que vocês nunca serão.ignorantes.
homem que saber fazer poema que inspirar nos te adoramos(as)
adorei
ótimo