A morte da Europa
Os museus estão vazios, as catedrais
caem em mil pedaços,
e o vinho, antes doce, agora amarga
a garganta dos homens e dos deuses,
e por fim, a gorja dos poetas;
o continente que já foi um sonho
dentro do sonho é só um corpo vivo
de escombros e espelhos
quebrados, e em nossos olhos baços
nada é capaz de atalhar a morte do sol.
A Europa já não grita, o horizonte secou
e o vento traz só silêncio,
e a poesia, cansada de cantar
um futuro que nunca chega, olha os céus
como quem pede permissão
para se ausentar em solidão imensa.
É uma dilação no olhar dos velhos poetas,
que, com mãos trémulas,
tentam ainda segurar a cinza que restou;
Europa, é a tua morte: nós te saudamos.
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