Poema dos jardins ausentes
Hoje corri todos os jardins da terra
e estou “ao pé de ti de mãos vazias”, meu amor,
os jardins só respiram esse fulgor desnudado
a rutilar caligrafias mesmo no centro da pedra.
*
Amanhã voltarei a correr todos os jardins
ao ritmo quase imóvel de um segredo,
num íntimo murmúrio que preserve o alento
para mergulhá-lo numa boca de mulher.
*
Hei-de correr todos os jardins sagrados
que habitam subtis e espessos labirintos,
e encontrar os vocábulos das pétalas da rosa
que unem o interdito ao centro vivo das palavras.
*
E é como se as rosas nascessem dos dedos,
como uma raiz imitando os frutos, meu amor.
*
E é como se o poema irrompesse do coração,
como uma flor reproduzindo o pólen, meu amor.
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