

Jorge Santos (namastibet)
Que fazer, se assombro tudo que faço de medo e a fracasso ...
1961-07-03 Setúbal
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Em tempos quis o mundo inteiro
Em tempos, quis o mundo inteiro,
Hospedado no peito, redondo e obeso,
Perpétuo como um relojoeiro,
Um peito de soldado raso, desconhecido...
Era criança e havia amar,
Eternidade, justiça e razão...
E um lar... um veleiro vulgar,
E um timoneiro sem tripulação.
Hoje sou ilícito e estrangeiro,
Partido fui; metade do coração, eu entendi...
E o mundo que já cobicei como o ouro, era outro
Ficou perdido, em nenhum outro lado, fora d'mim.
Acabei por fim, a não pensar em nada,
Até que acabou o meu tempo,
Escondido numa caixa enganosa, redonda...
Num habitual descontentamento.
Eu...a quem o mundo não bastava,
(Se nem eu, nem ele sabíamos que o outro existia)
Agora, pouco do que tenho e sinto, é seu...
Nem isto que escrevo, indefinido e a eito, sem serventia...
Basta hoje o dia não ser tão feio,
Pra ver no céu fiel a alegria que sinto ainda no peito,
Porque na terra, o que esperava não veio,
A minha alma foi sepultada num árido e seco deserto.
Joel Matos (04/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
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namastibet
Ausência
Entre tu e nós não há
O que chamam ter sido
Ou ser já, tudo é um limbo
A julgar pla ausência, a lei
Nem dá prisão, tudo coisas
Só, o resto são crenças na voz
Entre tu e nós e o mundo,
Já não sei se quero partir
Ou chegar, pensar, sentir
São opiniões nada mais
Rosto de trinta máscaras
Sinal de que é fácil trocar
Palavras por ansejos
-Gestos são oposições
De polegares, expressões úteis
Tanto quanto beijos
Joel Matos
30/setembro/2017
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