123megaman

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Sou um jovem adolescente que gosta de matemática e de poesia, minha escola literária favorita é o parnasianismo, eu tento escrever umas poesias, embora eu não ache nenhuma boa .

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O despertar do poeta.


Ó poesia que me consola!
Tu és meu precioso remédio.
Para a doença, que como febre estiola.
A doença sem cura, a doença do meu tédio.

 Ó poesia que me transforma!
Tu és minha máscara, minha solução.
A solução para o meu dilema.
Ver as coisas como elas são.

 Ó poesia que me desperta!
Tu és mentira em que acredito.
De mim mesmo me liberta.
Me faz fingir o que não sinto.

 Ó poesia que me diverte!
Tu revives a minha inteligência.
Pois sou chato, preguiçoso e inerte.
Mas contra os versos, luto com persistência.

 Ó poesia, encruzilhada em que passo.
E indeciso a esperar me ponho.
Numa estrada há a poesia que faço
E na outra a poesia que sonho.
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Poemas

7

Lágrimas de uma dona inexistente.


Esta que passa por mim sem olhar.
A que olho discreto e distante a pensar.
Que dor é esta que carrega?
Que ânsia é esta que lhe cega?
Que emana como uma aura?
Que tanto corre, tanto passa, como paira.
Que na minha folha branca deixara.
Como marca de quando veio a passar.
Lágrimas que caem sem molhar?

É uma senhora estranha e distante.
A quem observo pasmo e hesitante.
Não sei se é nova ou velha, bela ou feia.
Mas a minha curiosidade incendeia.
Poderia ela talvez, explicar e detalhar.
Como é possível chorar sem molhar?
Estas gotas fixas em meu caderno.
Confrontam estes ventos de inverno.
Como pontos no escuro a brilhar.

Eis que, de repente, a mulher some.
Eis que uma ânsia febril me consome.
Suas lágrimas, agora escurecendo.
Seu brilho, agora desaparecendo.
Se espalham pela folha sem parar.
E nesta ânsia vou me perdendo.
Me perco e me ponho a chorar.
Minhas lágrimas, também não molham.
E como as dela, caem e se espalham.

Peço a meu Deus que me acalma.
Acalma o corpo, a mente e a alma.
As batidas do meu coração escuto.
Fora isto, o silêncio é absoluto.
Abro os olhos, a folha a minha frente.
Me mostra algo tão surpreendente.
Que não acreditei, mesmo ao ver.
Um poema! Um poema de lágrimas!
Perfeito! Que nem em minhas máximas.
Chegaria sequer próximo de escrever.

Agora eu entendo! Escrever é chorar.
Abrir as portas da tristeza, escancarar!
Esta descoberta me alegrou tanto.
Que acordei em um súbito espanto.
Na minha mesa tinha uma folha.
Deixei cair uma lágrima num bocejo.
Olhei a folha, com entusiasmo e desejo.
E descobri que a minha lágrima molha.
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Mentiras, grandes mentiras .

É antes de minha faculdade mental.
Que estas vozes recorrentes que ouço.
Mentem impiedosamente e de tal
Forma, que me vejo como num poço.
Em verdade, sou este poço escuro.
Onde em cegueira eterna perduro.
Não sei o que sou, não sei o que ouço.

Quando olho a voz me afronta.
Não olhe! A escuridão amedronta!
Não tenho medo!-digo-este  sou eu!
Intelecto tão baixo quanto é o teu
Nunca vi! Sendo assim, segues o meu.
Pois sou sábio, sei bem o que digo.
Ouça-me, quem avisa é bom amigo.

 É sempre assim que me responde.
Não sei  o que mais me esconde.
Não sei o que mais temo.
Se temo a eles ou a mim mesmo.
E isto me deixa cheio de ira.
Isto é mentira, uma grande mentira!

Não sou o que diz!
Não sou como você!

Não sou o que fiz!
Não sou o que vê!
Não sou o que digo!
Não sou o que consigo!
Não sou o que crê!
Não há grupo em que estou.
Não sou parte da sociedade.
E a única possível verdade.
Diz a única coisa que sou.
Apenas eu e mais nada.

O que digo não é nada.
O que faço não é nada.
O que escrevo não é nada.
O que crio não nada.
O que vivo não é nada.
Sou apenas eu, e isto é nada.
Este ser e não ser excruciante.
Esta questão mal solucionada.
E sua resposta intrigante.
Entre ser e não ser, não sou nada.

 Se não sou nada, sou algo ?
Isto a mim e a voz indago.
Ao esperar a resposta, não a ouvira.
Será que esta voz, a qual ouvia.
Haver de existir não havia?
Esta que me enchia de ira.
Era mentira, uma grande mentira!

 

O que diz é uma mentira !
O que não diz também é mentira!
O seu poema é uma mentira!
Sua sapiência é uma mentira!
Até sua existência é mentira!
Só uma coisa define esta lira.
Uma mentira, uma grande mentira!

E na lira deste canto de louco.
Vou , sem conclusão, dizendo.
Que estou, sem propósito, escrevendo.
Se vê sentido, mesmo que pouco.
Saiba, mesmo que te encha de ira.
Que isto que te empolga e inspira.
É uma mentira, uma grande mentira!
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Um pote de barro.



Deito-me na rede, e da minha mente varro.
Tudo o que, a minha escrita, não convém.
Encaro e reflito, sobre um simples pote de barro.
Potes de barro... Quantos destes a história tem?

 Há nos egípcios quantidades exorbitantes.
Pois serviam a eles, como nos servem os caixões.
Penso eu: um pote guarda heróis, vilões e infantes.
Como um fazendeiro guarda os seus feijões.

 Se cabem mortos, também lhe cabem vivos?
Deus fez do barro o primeiro homem.
Nele, há carne, sangue, amor e valores nocivos.
E nos homens há também o que comem.

 Resposta! Tudo cabe neste simples pote .
Cabem as plantas, cabem os animais e a água.
Cabe o amor, cabe o ódio, cabe a vida e cabe a morte.
Se queres despeja, pois cabe também a mágoa.

 Me pergunto se sou louco ou sincero .
E agora que fiz esta poética e infiel descrição.
Não sei mais se este pote( ou seu barro) é vero.
Talvez caiba nele a minha imaginação.

 Deve caber, é isto ou estou enlouquecendo.
Pois já no fim deste poema charro.
Vou de verso em verso percebendo.
Que aqui em minha frente, há só um pote de barro.
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Os barulhos da minha casa .



 

Ecoam como em penhasco fundo.
Ofensas, injúrias e maus agouros.
São meus pais, aos quais escuto mudo.
Outro de seus conflitos duradouros.

 Soam como ruídos quase inaudíveis.
Um conjunto de vozes abafadas.
Notícias e relatos impassíveis.
Roubos, mortes e jovens estupradas.

 Soa como estalo, por vezes como um tiro.
Algum gato que corre apressado.
Por uma cópula ou por algum apuro.
Destrói, a cada passo, o meu telhado.

 E, mais alto, minha mãe gritou.
As notícias agora não escuto.
O gato, de certo, que espantou.
Meu pai é identicamente bruto.

 Peço a minha poesia humildemente.
Peço que ela venha a aflorar.
Peço o dom que me faz contente.
Que dom é este? O de ignorar.

224

A minha decepção é constante.


Ao som da chuva, luto enclausurado.
Murmuro palavrões decepcionado.
Olho para baixo, coluna arqueada.
Resmungo palavras aflito .
Encaro os versos do manuscrito.
Nada, nada e mais nada .

 A cor branca já me entristece.
Seu contínuo vislumbre me adoece.
Rasgo a prova de minha incapacidade.
A folha branca, com um verso ou dois.
Que pensei um dia “continuo depois”.
Não continuo, esta é a verdade.

 Este estranho desassossego vil.
Esta insônia inquietante e hostil
Por mais que eu esqueça a poesia.
A poesia não o faz comigo.
Resistir a ela, não consigo.
Sento e escrevo sem mostrar teimosia.

A inspiração é deveras impiedosa
A escrita é inconveniente e penosa.
Este impulso que me fustiga.
Que me tortura e inquieta.
É o impulso de ser poeta.
Mas a incompetência me castiga.

Meu poema é um sonho no calvário.
Preso na cruz de meu vocabulário
De versos é sua sede, e isto implora.
De revolta é o vinagre que lhe dão.
Ou melhor, que dá a minha mão.
Rasgo-o em fúria, mas recomeço outrora.

 Neste progressivo vai e vem.
Escrever e apagar, persistir e desistir.
Faço versos enquanto existir.
A luta é constante, a decepção também
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Se queres fala, pois sou bom ouvinte .

Muitas vezes, escrevo o que não falaria.
Por qualquer motivo que seja.
Quando não, faço uma alegoria.
Finjo fazer o que não faria.
Não me importo com o que deseja.

Faço, porque faço, quando eu faço.
O fingimento constitui meu canto.
Meu lirismo é deveras escasso.
Há lamentos que ouço e passo.
Não me comoves o teu pranto.

E se isto for fingimento também?
Este é, para mim um enigma.
Não retiro a esperança de ninguém.
Nunca sei o que dizer a alguém.
Por isto escrevo este poema.

Pois de certo que devo ter escrito.
Alguma outra grande fantasia.
Que aqui, por esquecimento, não cito.
Mas que em seus versos, algo foi dito.
Que desmente inteira esta poesia.

Por minha indubitável irrelevância.
E minha apatia que faz dormir.
Me resguardo a insignificância.
Murmúrio baixo não vence a distância.
Me calo e ouço o que tiver de ouvir .

Se queres o meu eu verídico .
Me deixe calado, isso não é triste.
Me calo por argumentar ser fatídico.
Perigoso, pois sempre me prejudico.
Ao dar um único palpite.

Se queres fala, pois sou bom ouvinte.
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O despertar do poeta.


Ó poesia que me consola!
Tu és meu precioso remédio.
Para a doença, que como febre estiola.
A doença sem cura, a doença do meu tédio.

 Ó poesia que me transforma!
Tu és minha máscara, minha solução.
A solução para o meu dilema.
Ver as coisas como elas são.

 Ó poesia que me desperta!
Tu és mentira em que acredito.
De mim mesmo me liberta.
Me faz fingir o que não sinto.

 Ó poesia que me diverte!
Tu revives a minha inteligência.
Pois sou chato, preguiçoso e inerte.
Mas contra os versos, luto com persistência.

 Ó poesia, encruzilhada em que passo.
E indeciso a esperar me ponho.
Numa estrada há a poesia que faço
E na outra a poesia que sonho.
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