Lista de Poemas

Ô Silva...

Ô Silva, fale com ele...
Ele está sofrendo muito.
Anda cabisbaixo, abatido...
Percebe-se por sua aparência,
Que na dor se sente vencido...

Silva, diga a ele, por favor,
Que todo esse ardor,
Todo esse calor, todo esse pavor,
Que agora inunda sua vida,
Tem um único diagnóstico...
Silva: Isso é mal de amor!

Explique pra ele Silva,
Mas não se demore demais,
Porque nesse momento,
Só mesmo a palavra amiga é capaz
De acalmar o sofrimento.

Silva, todo esse tormento,
Que afeta o seu viver,
É porque vive a paixão,
Que não poderia viver.
 
Ele a ama de verdade,
Mas a reciprocidade,
Não faz parte da história.
E tudo o que ele sonhou,
Não teve um momento de glória.

Silva, fale com ele...
Não o deixe assim sofrendo.
A dor de amor Silva, é fatal.
Por dentro se sente morrendo.

 

675

Telas do futuro

E de repente, os versos brotaram do meu coração,
Avolumando-se como rios de euforia e felicidade.

Em altas cachoeiras cantavam a imensidão

De uma grande e refulgente paixão.

E às margens dos leitos de tanto querer,

Floresceram juras de amor eterno.

Promessas de uma vida a dois,

Mais fortes e consistentes que a própria vida.

E meus sonhos se tornaram únicos,

As cores passaram a me pertencer

E fiz refletir em telas o nosso futuro.

O sol passou a nascer mais cedo,

E a primavera se fez verão em mim.

Então, com sofreguidão, eu amava e amava...

415

Dolência

Morria a tarde silente...
Nunca antes fora tão bela.
O sol refletia seus raios,
Nos sinos lá da capela.
 
Meus olhos fitavam o horizonte,
E viram na passarela,
O dia em que o amor
Passou pela minha janela.
 
Morria o sol no horizonte,
Na tarde que era tão bela.
Dobraram os sino dolentes,
Nas janelas da capela.
 
 
 
 
476

Deixe


Deite-se aqui ao meu lado,
Deixe-me te cobrir de carícias...
Nesta última tentativa tôsca,
De mostrar minha paixão.

Se tudo o que construo,
Vem a vida e apaga,
Talvez o que tenhas de mágoa,
Possa enfim, ter razão.

O amor não é infinito,
E como bem disse Vinicius,
Só será, enquanto dure.

No rumo da eternidade,
Aqui deixarei, na verdade,
Todo sentimento que jure.

Sua alma, gêmea da minha...
Lado a lado, ambas caminham
Em uma mesma direção.
Mas como se leva a paixão?
E como eterniza-la
Se deixo meu coração?
432

Meu corpo morto


Deito meu corpo morto sobre o asfalto.
Que me consuma o frio da madrugada!
Porque se a vida fez de mim partida,
No alvorecer serei apenas nada.

Serei o canto mudo da sereia,
Serei o azul do sangue que é nobre.
Serei o mar quando adormece na areia,
Serei a história que a terra cobre. 

Se por amar de amor se vive,
Só por amor de amar se morre.
Se por querer, somente vida tive,
Só pela morte, da vida se socorre.
429

Angustia

Deito-me sobre o divã...
Preciso falar sobre as mágoas,
Que hoje em mim se acumulam
E enchem meus olhos de água.

A vida que tanto sonhei,
Passou... Sequer percebi.
Os dias que planejei,
Se foram e eu, não os vi.

Passou o tempo da infância,
Os anos de juventude,
Restou em mim a vontade:
Vivê-los na plenitude!

Vida que levo, me leve!
Ou deixe-me recomeçar...
Fique em mim o que aprendi,
Preciso, para não mais errar.

Deito-me sobre o divã...
É triste que seja assim.
Ou rasgo do peito essa angustia,
Ou ela se apossa de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

403

Alentos


Era tão somente uma pequena esperança.
Nasceu ali, em um canto do meu coração...
Tímida, frágil, sem expectativas de futuro.
Mas trazia em seu corpo o poder da ilusão.

E quando a esperança foi se fazendo maior,
A ilusão em mim foi também crescendo.
E passei a sonhar grande, a sonhar muito,
E a ver todo o meu mundo, nelas se envolvendo.

As esperanças nos trazem promessas de alento,
As ilusões vendam nossos olhos para a realidade.
Mas como viver sem a presença delas?
Como resistir a cada dia, apenas com a verdade?

Resta-me assim em ser grato à vida.
Por toda essa essência que no viver incide.
Pela esperança que a mim empresta,
Pela ilusão que em mim permite.

 

 

 

 

453

Quem sou.


Mas afinal, o que sou?
Sou apenas o que penso?
Ou tão somente o que pareço?
Sou o que pensam que seja?

Mas afinal, quem sou eu?
Sou o meio em que me incluo,
Ou serei o que possuo,
De tudo que se possa ter?

Afinal, o que represento?
O tanto que enfim conheço?
É muito mais que mereço
Do que possam pensar que eu sei...

Sou o pouco do quase nada,
Sou a poeira da estrada,
A teimosia em viver.

Sou pó, perante o universo,
Talvez seja só o inverso,
Do que sempre pensei em ser.

371

Cascatas

Vem meu amor, abra a janela, o dia é lindo, 
Lá em cima o azul nos cobre, como fosse um véu.
E brancas nuvens , qual moldadas no algodão,
Imitando corações, enfeitam o imenso céu.

E passarinhos cortam esta paisagem, 
Para com cores seus olhos presentear...
Espalham o brilho que assim como miragem, 
Nasce bem fundo no fulgor do seu olhar.

Flores dos campos, ouvem dos ventos, murmúrios, 
São mil segredos e juras de paixão sem fim.
Que como eu sob a janela em  sussurros, 
Falo do amor que por você nasceu em mim.

Ao longe as águas de um riacho, em cascatas, 
Cantam a alegria que se esparze pelo ar, 
Meus sentimentos jorram como cachoeiras
E a seus pés meus sonhos vão depositar.

509

Crescer

Não cite amor e felicidade

Quando na realidade

Fala de posse e egoísmo.

Me ama?

Ou precisa de mim,

Para ser feliz?

Servir às suas necessidades

Anula minha personalidade

E esvazia o que sou.

A infância passou...

Largue seu ursinho

E abrace o travesseiro...

Nele, moram sonhos reais,

Mas também renuncias e desilusões.

É vida fremente!!

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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.