Lista de Poemas

Essa pequenez.


E por vezes, acontece...
Estarmos em um lugar ermo, isolados do mundo.
Nada ou ninguém à nossa volta.
E não nos sentirmos sós.
Porque sabemos que existe quem se importe,
Quem se incomode, quem sinta saudades.
Existe um abraço à espera do nosso retorno.

E diferente quando por vezes, estamos rodeados de pessoas,
Mas nos sentimos sós.
Sós nos pensamentos, sós nos objetivos, sós no jeito de ser.
Estamos isolados daquilo que realmente interessa às pessoas.
Essa é a verdadeira solidão.

Quando você é uma obrigação, um compromisso.
Quando você pode ser deixado para depois...
Quando você por vezes, incomoda, não faz diferença.
Quando você não merece a atenção que poderia jurar merecer...

E dói muito essa pequenez, mesmo que não seja um abandono.
Dói muito sentir, que você passou...
Talvez um dia, você seja uma saudade. Talvez...
Talvez seja lembrado por algo que disse, de bom ou ruim.
Nesse dia? Será que isso vai realmente importar?
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Vista-se de luar


Quanto querer cabe em um abraço?
Quantas lágrimas compõe uma saudade?
Quanta dor acumula-se em uma despedida?
Quanta esperança produz um sorriso?
Quanta paz transmite um olhar?
Quanta solidão nasce de uma ausência?

Abra suas portas e deixe fluir o dia.
Abra sua vida e perfume-se de existência.
Abra seu coração e deixe-se dominar pelo amor.

É a manhã que antecede a noite,
Ou o sol se veste de luar para avisar que está voltando?

O mar é imenso, mas é nada se comparado ao universo.
Abra seus braços e seja mar, seja sol, seja o infinito.
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Pedaços de mim



E foi voltando para “de onde” um dia parti,
Recolhendo pedaços de mim, que deixei espalhados pelo caminho,
Que percebi o porque minha vida é tão vazia.
Fui largando pela estrada o que fui, o que sonhava ser,
O que era o melhor de mim, o que me fazia feliz.

Fui me reduzindo ao pouco que me resta, e me tornei assim, inexpressivo.
Deixei que o pó da estrada recobrisse meus sonhos, minhas expectativas.
Deixei o mato crescer e tomar conta da minha alegria de viver.
Não me dei conta de que cada pedaço de mim, é parte fundamental para a vida.

O que o tempo destruiu, não se pode recuperar.
O que resistiu às intempéries, ao sol escaldante, às chuvas torrenciais,
Talvez sirva como alento, ao futuro que começa agora e é o que me resta.  
Mesmo que termine assim como a noite...  Quando um novo dia nascer...
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Mea culpa.



E por amar, me declaro,
Culpado! Senhores do júri...
Não sei se por força ou fraqueza,
Esse ato, cometi...
Disso, tenham certeza.

Embora não houvesse o dolo,
A culpa toda me cabe.
Não entra no mundo do amor,
Aquele que do amor sabe.

Deixe-me levar, eu confesso,
Pelo brilho de um olhar.
Deixei-me seduzir,
Por um jeito de falar.

Fui então me envolvendo,
E não tive nenhum cuidado.
Quando pude perceber,
Já estava enamorado.

Criei mil fantasias,
E um mundo de ilusão.
Não vi, o quanto sofria,
O meu pobre coração.

Se hoje ele me culpa,
O faz, com toda a razão.
Castiguei-o sem piedade,
Com o açoite da paixão.

Curvo-me agora à justiça,
Sequer peço piedade.
Pagarei pelo meu erro,
No cárcere de uma saudade.
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Prosa


Junto ao rio, que serpenteia
Um pássaro ainda gorjeia,
Embora não possa voar...
Vê o tempo, passando qual nuvens,
Que escondem o sol, que maroto,
Finge que não quer brilhar.

Ah! Vida, que essa vida leva!
Me leve pra outro lugar...
Quero ver as águas do rio,
Quando se perdem no mar.

Junto à árvore frondosa,
Uma morena formosa,
Vai ver o tempo passar.
Toma emprestado ao sol,
O bronze que doura sua pele,
O brilho que encanta o olhar.

Ah! vida que esta vida leva!
Me leve ao fundo do mar...
Quero ver as águas do rio,
Vivendo em outro lugar.
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Evolução

 
E as palavras desciam pelas íngremes ladeiras da literatura, como fossem águas advindas de um temporal. Eram verdadeiras torrentes violentas, desprendidas...
Arrastavam impetuosamente qualquer resquício de cultura que encontrassem pela frente!
Eram milhares que se misturavam sem significado algum, mas traziam em si o poder das multidões. O ruído que provocavam era avassalador!
 
Ah! O poder das palavras... Nunca o subestime...
 
Mesmo as palavras mais desconexas podem eliminar as razões mais sólidas.
Das bocas que falam; dos sons que emitem; dos bancos que ocupam; dos espaços que tomam.
 
E os corações se fecharam, por não conseguirem digeri-las.
E as paixões se aquietaram, sem compreendê-las...
E os amores se banalizaram pela superficialidade de seus conteúdos.
 
Das nascentes contaminadas formam-se rios poluídos pela ignorância secular.
O pensamento não para, o entendimento não chega, os valores se acovardam.
Quando não existe a sabedoria, julga-se pela ausência. E nasce a sentença:
 - Que se açoitem os desiguais!
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Folhas mortas

Simplesmente, folhas mortas...
Assim, os sentimentos depois dos desenganos da vida.
Folhas que uma a uma, não resistiram às intempéries,
E se deixaram desprender dos arvoredos dos sonhos e seguiram,
Levadas pelos ventos, despidas de laços, vazias de esperanças.

E os sentimentos precisam de alimento para sobreviverem.
Precisam encontrar eco, quando gritam por socorro entre os rochedos,
Precisam encontrar abrigo quando o vento frio soprar com força.
Precisam de uma mão amiga que os protejam, quando estiverem à beira dos abismos.

Sentimentos não são manipuláveis.
Sentimentos não são meros fantoches.
Sentimentos são a mais pura expressão do que vai gravado na alma.
Sentimentos, precisam de respeito...
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Turbilhões


E a saudade chegou, sem timidez, sem cuidados...
Chegou avassaladora... 
Verdadeiras ondas arrastando em turbilhões, sentimentos e lembranças.

Como a maré que avança pela areia,
invadiu os anseios mais secretos, os sonhos mais íntimos.
Uma saudade imensa que fez nascerem nos meus olhos,
cascatas de lágrimas amargas.

E eu chorei em dor, cada gota salgada deste pesar.

Saudades das primeiras lições da vida, saudades da infância longínqua,
saudades do colo de mãe,
dos conselhos de pai,
da primeira escola, dos amigos, das risadas livres 
Do poder de sonhar,
dos desejos de um amanhã melhor...

Saudades do nascer do sol
e dos primeiros raios de luz que entravam a cada manhã
pelas frestas da minha janela. 
Dos lençóis de algodão, brancos como nuvens, macios como carícias.

Saudades das brincadeiras de rua, da pureza dos corações,
das amizades verdadeiras e sinceras.

Saudade de estar sempre apaixonado, mesmo sem ter por quem.
De sonhar com o amor, de forma juvenil,
onde um simples roçar de mãos
era motivo de passar toda uma noite em claro,
em intensa alegria.

Saudade do respeito. Do jeito de amar.
Das trocas de olhares...
Saudade das musicas românticas, das noites à luz de velas e lampiões.
Das cartas de amor.  Das paixões incandescentes, do poder de sonhar acordado.

E a saudade chegou,
como jamais poderia imaginar que chegasse.
E pude sentir a amargura doce das recordações.
E pude sentir, mesmo que por instantes,
a felicidade que o tempo esqueceu de imortalizar.
439

Um sorriso


É na magia de um sorriso,
Que se espera o nascer de outro dia.
Que se abranda a nostalgia,
Que insiste em no peito morar.
 
É com um sorriso aberto,
Que se tem os amigos por perto!
O sorrir tem essa alquimia,
De trazer de volta a alegria...
Assim, como um reconfortar!
 
O sorriso de uma criança,
É semente de nova esperança!
E a vida explode em cores,
E os corações de amores...
Momentos que serão eternos,
E vivos em nossas lembranças.
 
Sorrir, sintonia iluminada,
Por todos, tão esperada,
Como um raio de luz!
Não há quem no mundo resista,
A um sorriso faceiro...
Sorria sempre, sorria...
Um sorriso verdadeiro!
326

Livros ( Em homenagem ao dia do livro)


Quando a curiosidade
Faz perguntas repentinas...
Mergulho em seu conteúdo,
Que sempre o melhor me ensina!

Quando o viver me envolve
E preciso de respostas...
Tenho sim, um companheiro,
Que jamais me dará as costas.

Quando a solidão me aflige
E preciso companhia,
Sei onde a todo instante,
Encontrarei sintonia.

Corpo e alma, sentimentos,
Não se perdem com o tempo...
E a história se refaz,
Como fosse agora o momento!

Basta buscar na estante,
E pronto! No mesmo instante,
A mágica se inicia.
Quem tem esse amigo nas mãos,
Logo esquece a nostalgia.

Fatos, contos, ciências,
E muita sabedoria,
Como foram os tempos passados,
As pessoas, que faziam?

Envolvo-me em suas páginas,
A leitura me fascina!
Meus livros, minha alegria,
Saber que nunca termina!





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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.