Lista de Poemas

Que faço?


Queria dizer que te amo,
Mas não sei como fazer...
Será que é mesmo amor,
Essa agonia, essa dor
Que sinto, por não lhe ver?

Queria dizer da paixão,
Que vem lá do coração
E me faz assim lhe querer...
Sozinho, sofro calado,
Mas quando estou ao seu lado
Sinto aumentar o sofrer!

Queria contar do carinho,
Que guardo pra lhe entregar.
Mas minha voz se embarga,
Perco a calma e a coragem,
Quando posso lhe falar...

Queria, como em meus sonhos,
Provar do macio de seus lábios,
Envolvendo-a nos braços meus.
Mas quando sinto seu cheiro,
Não sei o que acontece...
Quem morde os lábios, sou eu.
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Oferenda


Ofereço-te meu silêncio...

Minha voz emudecida,
minha vontade adormecida.

Estou a te oferecer a minha contemplação irônica.

Meus olhos perdidos no vazio,
minhas mãos flácidas.

Estou a te oferecer o meu desencanto, meu desalento.

Minha razão estremecida,
meus sonhos desfeitos.

Ofereço-te meu coração...

Minhas artérias enrugadas,
minha face ressecada,
Meus pés doídos, minhas lágrimas secas,
Minha aparência cansada,
meus olhos semicerrados.
Minha memória falha, meus cabelos embranquecidos,
Meu corpo curvado,
meu cansaço, minha tristeza.

Ofereço-te o que sou...

E o que a saudade ainda não consumiu.
526

Queria

Queria saber do seu mundo.
Conhecer as montanhas de suas certezas e duvidas,
Saber do verde das florestas de seus sonhos mais íntimos,
Beber da água que brota em suas nascentes de desejos...

Queria voar nos seus céus.
Conhecer o azul do seu infinito,
Saber do brilho das estrelas do seu olhar,
Enternecer-me sob a luz do seu luar...

Queria navegar em seus mares.
Surfar na umidade de seus lábios,
Mergulhar na profundidade de seus perfumes,
Banhar-me sob a chuva de suas lágrimas de amor...

Queria ser o seu sol.
Para lhe mostrar que sempre existe um renascer,
Para iluminar e dourar seus caminhos,
Ser o primeiro a lhe ver nas manhãs,
Tocar sua pele e dar aconchego ao seu corpo...
477

Passarela


Todo dia, logo cedinho,
Debruço em meio à janela,
Para ver o meu amor,
Desfilar na passarela...

Passos longos, na cadência
Em que bate meu coração.
E eu aqui, na minha inocência,
Colecionando ilusões.

Sonho ganhar um sorriso,
Ou qualquer outro sinal,
Que ilumine a minha esperança...

Mas pela rua ela passa,
Sem ver que estou na janela...
Feliz, como uma criança!
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Languidez


E as tardes, assim repentinamente, tornaram-se intermináveis...
Talvez a vida parasse, observando a languidez do vazio,
Onde e quando o olhar não mais vislumbrasse o horizonte,
Apenas perdendo-se em um imenso rebuscado de recordações...

O peito não mais doía. Havia se acostumado à dor.
Da paixão que ontem ardia, hoje restavam só cinzas.
O vento sopraria e as elevaria aos céus.  O tempo se encarregaria,
Em trazê-las de volta ao chão, molhadas pela chuva fria que caia.

As promessas de amor, não se cumpriram.  Esmoreceram.
Talvez tivessem acontecido no calor do momento
E não tivessem substância e verdade suficiente para sobreviverem.
Hoje apenas esperam o anoitecer, para se realizarem nos sonhos.

Os corpos não mais mesclam seus calores. As almas se desconhecem.
As expectativas de um amanhã que nunca virá, persistem na mente.
Os ponteiros do relógio rodopiam ao som da mesma música
E passam pelos mesmos caminhos, como se desprezando o tempo.

O entardecer, persiste.
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Bruma


E uma bruma intensa nos envolveu,
Calando-nos a voz, sufocando o respirar.
O brilho no olhar, claramente denunciava,
Que o amor, acabara de chegar...

E chegou assim, com leveza,
Provocando as vibrações dos ensejos
No arrepio da pele,  no calafrio da alma
Nos lábios entreabertos, na sede insana dos beijos...

Liberem-se os direitos aos encantos,
Ouçam o sussurrar  dos anseios
Silêncio...  A poesia nasceu!

Que soem as trombetas, que cantem  os anjos,
E abram-se os céus para contar-se estrelas.
Se faça a primavera,  que o sonho  floresceu!
668

Fugia...

Fugia,
Precisava sair dali, precisava respirar...
Outro ar, outro mar. Precisava mudar!
Agora as lembranças eram fortes, latentes.
Não tinha como ser indiferente... Precisava ir.

Chorava.
E era um choro tão forte, como se antecedesse a morte.
Talvez não contasse mais com a sorte. Estava só.
No pranto talvez encontrasse uma força, um consolo...
Motivos tinha de sobra. Hora de agir!

Pensava.
Promessas de ontem, juras de amor.
Jamais poderia imaginar que a dor, um dia faria sofrer.
Anseios desfeitos, não tinha mais jeito...
A vida de sonhos, estava por morrer.

Rezava.
Pedia aos céus que lhe permitissem ter um recomeço!
Deixar para trás todo o malfeito e a perdida paixão.
Buscaria a paz, buscaria ajuda, buscaria atenção.
E quem sabe um alento, para o seu coração.

Sentia.
As marcas Do corpo agredido, do corte na carne.
Feridas abertas e o sangue na alma,
Com calma, iriam se fechar, findando o sofrer
Para que nunca mais, voltassem a doer.

Para sempre.
Ficaria a lição e talvez a ilusão
De que tudo poderia ter sido diferente.
Ficaria um sentimento de culpa,
Aquela que nunca foi, mas ficou gravada na mente.
606

Personagem


Minha alegria, meu disfarce,
Meu otimismo, minha máscara.
Não é meu este sorriso,
Ele apenas se estampa
Na face deste personagem que assumo.

Não estou triste. Acostumei a ser assim.
Não olho em seus olhos, porque meu olhar está distante...
Perdido na linha do horizonte,
Onde meu mundo se encontra com o infinito.

Quantos olhares lá se perdem?
E o que esperam? O que espero?
Talvez o tempo... Passar, mostrar, falar, calar...
Talvez voltar, para que se possa enfim,
Recomeçar...
578

Sem razão.


Por que o sofrimento calado
E continuar ao seu lado,
Em completa solidão?
Por que o lamento escondido,
O lacrimejar mal contido,
E a dor no coração?

Por que sentir o abandono,
Como fosse um cão sem dono,
Vagando na escuridão?
Por que aceitar as migalhas,
Quando o peito se estraçalha,
E a espera é em vão?

Eu não sei se tem sentido,
Viver um querer tão sofrido,
Abraçado a uma ilusão.
Dia após dia me iludo,
Tenho o nada e quero o tudo,
Em um amor sem razão.
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Eclipse

Quando a luz do teu olhar
Fulgiu nos olhos meus,
Por força de alguma magia,
O eclipse, aconteceu.

Fui então abduzido,
Todo entorno escureceu...
Hoje vivo prisioneiro
Do brilho dos olhos teus...
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.