Lista de Poemas

Noites que amo

 
Eu amo a noite...

Amo o cair da tarde, o ouro do sol sobre as águas...
Amo o esmorecer das imagens... o quase disse...
Amo o quase mostrar, o quase ocultar.

Eu amo a noite...
Amo o silencio das matas, 
O recolher dos pássaros, 
O desabrochar da lua, 
O clima de amor que se esparze.

Eu amo a noite...
As velas sussurrando segredos, 
Até mesmo as cordas desafinadas do piano.
As taças de vinho sobre a mesa...

Eu amo a noite...
Lençóis lisos sobre a cama, 
Cheiro de amor e cuidado.
O calar dizendo tudo...

Eu amo a noite...
Momento de paz, sombras...
Certezas e medos, juntos,,,
Criando o enigma da vida.

Eu amo a noite...
Noites sem rimas, que se sucedem
Em espetáculos de sonhos e vidas...
Noites... que sejam longas
Que sejam mágicas, esperadas, queridas...
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O que não se diz.


Cuide de sua sabedoria, para que nesse mundo vazio,
Ela não seja considerada uma vã loucura.
Porque os sábios precisam ser compreendidos e para isso,
Precisariam falar somente a outros sábios.

As palavras precisam ser dispostas de forma a se encaixarem, uma a uma,
Como fossem degraus de uma escada que leva aos céus.
Um passo em falso, e se cai nos infernos dos incompreendidos.

Controle todos os seus ímpetos, para que a calma não lhe fuja.
O irracional não se discute.  Então,  apenas observe.
Nesta terra de cegos, quem tem um olho, não entra.
E talvez por isso, nunca compreenderá a alma dos cegos.

Os sentidos são mutantes e adaptáveis às nossas realidades,
Mas é preciso paz interior para usufruir esse bem.

Exercite seu poder de percepção, sensibilize-se.
A atenção  faz o surdo perceber, aquilo que não ouve.
E  muito mais se diz do que aquilo que se pode ouvir.

Seja terra, seja vegetal, seja inseto, seja animal.
Não se contente em ser simplesmente, humano.
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Estrelas cadentes


Para entender o seu coração,
Precisaria eu, entender as estrelas.
Ambas estão tão distantes de mim,
Conheço de suas luzes, mas não posso tê-las.

Na distância as estrelas me parecem tristes,
Assim como sinto o seu coração.
Quantas estrelas brilham no céu,
Tão lindas, misteriosas, sozinhas na imensidão.

Todo o brilho que reluz seu olhar,
Não justifica esta  solidão.
Não posso entrar no espaço em que vives,
Não posso  alcança-la com as minhas mãos.
 
Mas o céu por vezes nos surpreende,
E estrelas cadentes riscam as noites sem lua.
E passo as madrugadas procurando nas ruas,
Encontrar em uma  estrela,  a beleza que é sua.
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E a poesia se fez.

E um dia, a poesia se fez...

Poderia ser um dia ensolarado de verão, onde os primeiros raios da manhã
transformassem em ouro as águas do mar.

Ou quando o cair da tarde nos fizesse notar os cânticos dos pássaros,
sobre a copa das frondosas árvores, onde construiriam seus ninhos.

Poderia ser um dia nublado, onde a neblina escondesse os mistérios,
que envolvem os corações e as paixões.
Quando a garoa fina e o vento frio nos fizessem sonhar com um abraço,
daqueles longos e apertados, onde envolveríamos as pessoas que queremos bem.

Poderia ser em uma noite calma, daquelas que nos levam às janelas, para ver o luar,
quando sentimos que sua luz irradia felicidade e paz em nossos corações.

Mas o que realmente importa, é que um dia, a poesia aconteceu.

E chuvas de palavras se formaram nas almas e caíram sobre a terra, 
cobrindo a vida de esperanças, transformando o chão árido e fazendo germinar
um novo amor, sussurrado, calado, cantado, gritado, sofrido, límpido, tumultuado... Não importa...

Daquele dia em diante, o amor seria verdadeiro, intenso e eterno...
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Você passa...



E você passa por mim
Altiva, linda e segura,
Posso até ver sua aura
E a sua alma, tão pura...

E você passa sorrindo,
Cheia de charme e jeito
Com o olhar, vou seguindo,
E quase explodindo o meu peito.

E você passa cheirosa,
Com esse toque de flor
Nem percebe que eu fico
Aqui, morrendo de amor...
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Novos dias


Eis que pálido chego ao meu destino,
Sôfrego, por alguma solidão...
Se em meu coração sofro um desatino,
Nas pautas e nos versos, clamo por razão.

Se os sentimentos revoltos se enfurecem,
Quando minh’alma se expõe ao Sol,
Aquieto cá dentro a tempestade,
Que acontece ao vermelho do arrebol.

E a vida que lateja dentro às veias,
Se por minha, conceda-me algum poder...
Eu lhe peço que siga sempre em frente,
Mesmo que eu viva, simplesmente por viver.

 

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Essa tal felicidade...


Onde mora enfim, essa “tal felicidade”?
Dizem que mora no tempo! Será que isso é verdade?
Essa dúvida é mesmo cruel e se torna quase um tormento:
Por que a felicidade, só existe por momentos?

Às vezes está no sorriso, que brota nos lábios de alguém,
Às vezes aparece pra muitos e outras... Para ninguém!
Às vezes no amor está contida, por outras, no amor não tem.
Às vezes  vem de surpresa, e assim vai-se embora também...

É... Ser feliz é difícil, nunca se está contente...
Mas,  quando acontece, não somos indiferentes.
A vida muda de cor,  a escuridão fica azul!
A alegria se espalha: leste, oeste, norte e sul.

Por toda uma vida a procuro, mas ela foge de mim.
Já pensei em engaiola-la e mantê-la presa assim...
Mas veja só que bobagem, por vezes a gente diz...
Presa, a  felicidade... Jamais seria feliz!
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Eu gosto


Eu gosto de sentir, tão perto  o seu calor,
Aquela sensação de desfrutar do seu amor...
Eu gosto de estar, bem perto de você,
Sentir seu respirar, me inebriar,  me comover...

Eu gosto de ouvir, o som da sua voz,
Falando bem baixinho, tudo o que pertence a nós.
Eu gosto de lhe amar e assim quero viver
Por todo o tempo que pudermos ter.

Eu quero degustar o doce desse amor,
Sentir sua presença e esse seu cheiro de flor,
Eu quero lhe abraçar, eu quero lhe envolver,
Me completar por  tanto lhe querer.
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Poesia, vida e morte


Eu sei o que é a poesia:

É a areia fina da praia, onde o mar vem brincar
É o dourado das tardes, antes da lua brilhar.
É  a passagem da água, que nunca mais vai voltar,
É a montanha de pedra, que nunca saiu do lugar...

Eu sei onde mora a poesia:

Mora no fundo da alma,  ao lado de toda a dor,
Mora em nossos corações, onde guardamos o amor.
Mora nas nossas saudades, daqueles que queremos bem,
Mora na felicidade, no sorriso de quem a tem.

Eu sei quando morre a poesia:

Morre  na chuva que cai e arrasta tudo pela frente,
Morre no sonho que esvai, e quem fica só, é a gente...
Morre quando um sim, é vencido por um não!
Morre quando em nosso peito, morre também a ilusão...
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Plena solidão.


Em plena solidão, pude ver-me caminhando pelas ruas,
Em meio à multidão apressada para chegar.
Em cada rosto, poderia sentir a presença sua,
Em cada par de olhos, poderia relembrar o seu olhar.

Estranho como a solidão acontece! Inunda o nosso interior,
E faz nos sentirmos tão frios, em meio a tanto calor.
É a solidão na alma, a solidão de um futuro.
É a solidão da luz... É caminhar só, no escuro...

Em meio a tantas pessoas, não enxergamos ninguém,
Porque nossos olhos procuram, somente por certo alguém.
Alguém que um dia partiu, e nunca mais vai voltar,
Alguém que deixou o vazio, onde antes era o seu lugar.

A vida parece cruel, por nos castigar desse jeito,
Fere-nos de morte e impiedosa, estraçalha nosso peito.
Nos deixa assim sem rumo, a vagar pelas calçadas,
Vivendo a procura de tudo, e só encontrando o nada...
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.