Lista de Poemas

Sou esperar


Sou barco no cais, tempestade no mar,
Sou folha no chão, vento vem assoprar.
Sou fera à espreita, o pulo tem hora,
Sou marca do tempo, o momento demora.
 
Dias que se sucedem em  anos que se acumulam,
Flores que nunca florescem,  nuvens que nunca flutuam.
A nada se presta o desejo, que não se faz realidade.
Mais nada se espera do amor, que se transformou em saudade.
 
Folhas de cartas em branco, nunca contaram de sonhos,
Risos em lábios entreabertos, meros espasmos tristonhos.
Alvorecer de esperanças, em céu carregado de chuva,
Rubro que tinge o vinho, sem que se colha a uva.
 
Sou esperar,  sou silêncio
A sombra que brilha na noite,
O calor que antecede o beijo
O estalar do açoite.
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Vida&poesia *

Em meio a muitos, alguém me pergunta:
Você, é poeta?

Poeta? Não sei... Pode ser... Talvez, não...
O que é preciso para ser? Apenas ter coração?
E para não ser, que preciso? Ter um pouco de juízo?

Talvez o amor que eu sinta, extravase do meu peito,
E se espalhe mundo afora, mas nisso não posso dar jeito.
Talvez um pouco de louco, me faça sentir a paixão,
E esse sentir me afete, me tire um pouco a razão.

Mas amo esse sentimento, que faz sofrer e afaga,
Que é como respirar fundo, com o rosto imerso na água.
Talvez eu sinta as dores, que afetam a humanidade,
Talvez eu viva horrores, talvez eu viva a bondade.

Ou que sinta a paz, que mora sob a luz da lua,
Quem sabe essa luz seja linda, e more ali, na outra rua.
Pode ser que meus ouvidos, não ouçam as mesmas canções,
E se prestem a ouvir, somente as que trazem  emoções.

E que eu veja a beleza, até na imagem da guerra,
E assim eu sinta pureza, nos corpos cobertos de terra.
Talvez eu ignore a tristeza, e veja somente a alegria,
Quem sabe eu ande apenas, em busca da sabedoria.

Talvez não seja poeta... Apenas leve ao papel,
Um pouco do escuro do inferno, um pouco do azul deste céu.
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Nossos olhares


Nossos olhares conversam, muito mais que nossas bocas.
Parece até que é mentira, mas veja que coisa mais louca.
O meu olhar quando cruza, com o verde dos olhos dela,
Fala da enorme paixão  que existe entre eu,  e ela.

Seus olhos quando me fitam, com o brilho do desejo,
São como um convite ao amor, um chamariz para o beijo...
Esse olhar que tanto conheço, quando aponta pra mim,
Fala-me do paraíso, fala-me de um amor sem fim.

E a vida se inunda de cor, no chamego  que é pura aquarela.
Ela que é toda minha, e eu que sou todo dela!
Os nossos olhos  não param, dois olhares tagarelas...
Ela falando comigo e eu, falando com  ela!
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Águas


Águas dos rios, que passam, e vão ao mar se juntar.
Mágoas da vida que marcam e insistem em no peito morar.
Porque o viver não faz, como nas águas do mar acontece,
As mágoas evaporarem e subirem aos céus como preces.

Ela se foi com as águas, na barca que cruza o rio,
Não me restaram esperanças, só no coração um vazio.
Assim, desaguei de saudades, na foz de tamanha tristeza
E minhas mágoas molharam, as águas do mar, com certeza.
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Alquimia dos sonhos


Nessa alquimia em que construo os meus sonhos
E me proponho a ser feliz, ao lado seu.
Em mil quimeras justifico meus apelos,
Do céu de angustias, chovem desejos meus.

Levem-me anjos, ou destruam-me demônios,
Só não me deixem nessa vida sem saber
Se meu destino ainda está no seu destino
Se meus caminhos ainda cruzam com os seus.

Sou mar aberto, sou a brisa, sou o vagar,
De um veleiro, que não tem onde chegar.
Sou peregrino, andarilho de ilusões,
Sou viajante, carregado de emoções.

Folhas  vazias e nos projetos de uma vida,
Nenhuma letra se escreve do amanhã.
Do ontem só se fala em despedida,
Do hoje, só do raiar da manhã.
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Onde quer que eu esteja

Onde quer que eu esteja, para onde quer que eu vá.
Não estarei distante de você, nem por um momento.
Porque você não está apenas onde meus braços alcançam,
Ou onde a minha visão possa perceber sua presença.

Você está em mim.

Está no meu frio e no meu calor, no meu riso e no meu cansaço.
Está no dia que começa e no sol que desponta lá longe,
Onde começa o infinito e onde qual sonhos de Ícaro, terminam as ambições.
Está no meu passado, no meu presente estará no meu futuro.

Mesmo que ele não exista.

Está nos meus objetivos, nas minhas realizações, nas minhas lutas,
Presente nas vitórias,  conforto nos fracassos, confiante nos recomeços.
Triste nas minhas partidas, feliz nos meus regressos, junto em minha presença.
No abrir dos olhos em cada alvorada ao cerrar das pálpebras em cada madrugada.

Nos melhores e inesquecíveis sonhos.

Nas belezas que vejo, nos perfumes que aspiro, nos poemas que escrevo.
Está no coração, na alma, nos sentidos e nos sentimentos mais nobres.
Está nas lembranças, no respirar calmo, nas tardes douradas, nos céus de estrelas.

Onde quer que eu esteja. Para onde quer que eu vá.

 
1 893

Vereda

Siga por essa vereda, oriente-se por esta luz,
A noite é escura e o luar dorme e descansa,
Acredite na magia, de tudo o que reluz,
Creia que o amor, em tudo traz a esperança.

Nada mais somos, do que portadores,
De tudo o que escolhermos no viver,
Seja de paz, seja de alegria,
Seja de dor, de mágoa ou sofrer.

Não acredite em nascer para ter,
E o que tiver, aqui ficará na morte.
Talvez teu destino seja apenas ser,
Então seja o melhor e não apenas, sorte.

Siga essa vereda, ela é a sua vida,
Nela plante flores, torne-a colorida.
Assim no amanhã, quando  o sol enfim nascer,
Com certeza novos sonhos, se farão acontecer.
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Um raio de sol


Um raio de sol adentrou, 
Pela fresta da janela, 
E curioso andou
Pelo nu, do corpo dela.

O raio de luz, fragmento, 
Do sol que fulgia, lá fora.
Tocou sua pele macia, 
No despertar da aurora.
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Certeza


Finda meu corpo, mas não meu amor
Porque ele não vive escravo da carne.
Ele está no espaço, faz parte do todo,
Não se abalará, por um desencarne.

Enquanto em você a lembrança existir
Enquanto em você a saudade viver,
Não haverá no universo um motivo,
Humano ou maior, que me faça morrer.
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Inverno em mim


Senti que esta estação estava mais rigorosa.
Senti assim neste primeiro inverno, depois que nos separamos...
Senti que os ventos estão mais gelados e mais penetrantes,
Senti que minha roupa não me basta, que minhas cobertas não me protegem.

O café queima na boca, mas não aquece o corpo,
O travesseiro é frio, o lençol parece úmido,
O quarto transformou-se em uma caverna de pedras.
O telefone está emudecido. Quase se faz esquecido sobre a cômoda.

Nos últimos minutos, olhei para o relógio a cada um. As horas parecem não passar.
Preciso urgente de um amanhecer, mesmo que o sol não brilhe!

Mas como aquecer um corpo, uma cama, um quarto,
Se o frio fez morada no meu coração?
Quando imaginei gelar meus sentimentos por você, 
Me fiz inverno...
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.