Nascido a 07 de março de 1950.
Lista de Poemas
Sangria
Os versos explodem veros, meros, insanos.
E a vida a se ver neste plano,
Esvai-se em filetes de letras,
Que formam palavras,
Quais poças de sangue, ainda quentes.
Quando a sangria de sentimentos cessar,
No chão restarão sonhos, ilusões, desejos...
E na poesia, se formará mais uma cicatriz,
Marca de um parto de amor,
Na forma de poema.
Até que passe.
Vou contar as batidas do velho carrilhão da sala de estar.
Sei que depois de algum tempo, elas soarão como explosões em meus ouvidos,
porque cada uma representará sua ausência.
Vou caminhar durante a noite, como se estivesse à procura.
Não vou acender as luzes, para não constatar que será em vão.
A cama ficará arrumada, apenas a olharei à distância.
Vou ligar a televisão, preciso ouvir vozes, quaisquer que sejam.
Não me importará o que dizem, apenas precisarei ouvi-las...
Vou abrir a geladeira mil vezes, e fecha-la sem em nada tocar.
Vou verificar se o telefone e a campainha da porta estão funcionando .
Vou segurar aquela foto em minhas mãos, elas estarão trêmulas.
Vou olhar meu rosto no espelho e ver que envelheço a cada minuto.
Serão assim todas as noites, por quanto tempo, não sei.
Até que o sono me vença, até que o cansaço me aniquile,
até que eu entenda, que foi melhor assim...
Devaneios
Esgueira-te de meus pensamentos sombrios,
quando nas noites te cubro de desejos.
E na corrente que te envolvo feita em beijos,
alimento os teus lábios, antes vazios.
No teu delírio aprendo tua essência,
passo a somar em mim a tua existência.
Dois corpos que juntos se tornam como um só:
Pedra mais pedra que partidas viram do mesmo pó.
Na tua espera afogo a ansiedade,
por no teu corpo, me perder nesta vontade.
Viver apenas o momento que se presta
e não saber do tempo ou da eternidade.
Que se apague o sol e cesse este dia,
mas me conceda uma noite de alforria
e libertando os demônios que me afligem,
com seu amor, tal qual chibata, me exorcizem.
Hoje
Somos o amanhã dos nossos sonhos de ontem.
Somos os lugares que não estivemos,
Somos as pessoas que não conhecemos,
Somos os abraços que não trocamos.
Somos nossas horas de espera,
Somos nossas noites de insônia,
Somos nossos tempos de dúvidas,
Somos nossos erros e acertos.
Somos produtos de nossas filosofias,
Somos escravos de nossos princípios,
Somos o medo de nossas crenças,
Somos meramente, humanos.
As flores da saudade (texto)
Hoje a saudade apareceu para brincar comigo.
Fez jogo de esconde-esconde, para que eu a procurasse... E revirei todas as minhas lembranças. Rebusquei no meu passado, nas escolas, nos passeios, nas aventuras, até encontra-la, no quintal do velho casarão da fazenda ao redor da paineira em flor, quando setembro já prenunciava a chegada da primavera e então a neve que caia tinha cheiro e textura de algodão.
Pude sentir o cheiro do bolo de fubá, saindo quentinho do forno à lenha, pedindo aos gritos para que eu cortasse uma enorme fatia de seu todo e lambuzasse com aquela manteiga de véspera, batida à mão pela D. Toninha, uma senhora que foi praticamente a minha segunda mãe. Mãe de amor e dedicação.
As brincadeiras de fim-de-tarde logo se fizeram reviver na memória. As crianças que cresceram brincando juntas em um corre-corre sem fim em torno da paineira, foram se tornando maiores e quando a adolescência já fazia fulgir seus primeiros raios, passávamos horas a fio sentados no chão batido, trocando aquela infinidade de experiências juvenis que faziam com que nossa imaginação alçasse voo para um infinito que não poderíamos jamais imaginar como seria, quando a realidade batesse em nossas portas.
Um olhar mais tímido, que nascia em profundos olhos castanhos, veio à tona. O primeiro amor.
Amor criança, puro, ingênuo, mas completo, profundo, verdadeiro. Era isso que esteve faltando o tempo todo na minha vida. Um velho caminhão abarrotado de móveis e utensílios perdeu-se na estrada e separou nossas vidas por mais quilômetros do que eu poderia percorrer naqueles tempos. Nunca mais nos encontramos, nunca mais soube dela.
Fico imaginando se as saudades dela ainda se lembram da velha paineira e de mim. Ainda resta esse vazio na minha vida, e ele tem o gosto amargo da eternidade.
Hoje, não tem mais crianças brincando em torno da paineira. O mato cresceu, tomou conta do que foi minha vida. O destino um dia me levou para longe, também. Raramente, volto ao lugar onde passei minha infância e adolescência.
Mas cada flor, cada chumaço da paina que ainda faz neve nos meses de setembro, leva gravada nossa história. De florida, restou a paineira. De doída, esta saudade.
Açúcar no café.
De tanto açúcar no café,
Perdi do café, o seu sabor.
De tanto sofrer por amar
Esqueci-me do por que,
Ainda acredito no amor.
Talvez eu tenha substituído,
O prazer, pela obstinação.
Talvez o conceito de amor,
Já tenha perdido a razão.
Você é o meu costume,
É o meu jeito de viver.
Você é um vício que tenho,
E que preciso perder.
Nós dois, e duas vidas,
Buscando a felicidade.
Nós dois e uma mentira,
Alimento da mediocridade.
Separarmo-nos aqui,
Talvez seja a solução.
Repensar o sentimento...
Levar paz ao coração.
Serena, a noite.
Serena a noite, plácidos silêncios...
Cores amenizadas e banhadas de luar.
Desejos que se espalham sobre telhados enegrecidos pelo tempo,
Assim como as almas e os serem que as habitam...
Na languidez dessa calmaria, onde o mar adormece,
Apenas um murmúrio se faz ouvir. Seu nome, no quebrar das ondas.
Lamenta a noite, chora o mar, a sua ausência...
Chora meu coração esta saudade que irá se perpetuar,
Até que o sol desperte e irradie felicidade em forma de luz,
Transformando este tempo de suave sofrer, agora contido na eternidade.
Serena a noite. Sereno seu adormecer. ..
O som do seu respirar se confunde com o som do silêncio.
Preciso sobreviver a este século que me separa de uma nova manhã,
Até que seus olhos façam acontecer um novo alvorecer na minha vida...
Almas cegas *
Na troca de olhares, nestas noites de busca incessante,
Vejo olhos vazios de brilho, vejo olhos dispersos.
Vejo almas cegas, vestidas de solidão.
Vejo o desencanto e o desencontro. Vejo a ausência.
Nas ruas onde o vento frio da noite, congela esperanças,
Sinto o cansaço disfarçado de alegria,
Sinto a dor crescida como a imitar indiferenças,
Sinto desejos molhados pelos beijos dos lábios que nunca se tocaram.
Na solidão de cada um, todo um mundo de pessoas únicas,
Formado por enigmas indecifráveis, por perguntas feitas ao tempo,
Formado por esperas intermináveis, mais longas que a vida.
Formado por caminhos desconhecidos, que sempre voltam ao mesmo lugar.
Somos prisioneiros das angustias, dos falsos risos,
Quando disfarçamos sonhos que não desejamos sonhar,
Quando renegamos fatos, que não nos permitimos reconhecer,
Quando descartamos ilusões, nas paralelas intermináveis das avenidas.
Contemplação
Céu azul. E brancas nuvens que parecem adornar.
A imensidão que atingimos no olhar.
O sol que brilha e o calor que ele nos trás,
Mostra que esta paisagem é de paz.
Paz que leva os homens de boa vontade,
À ir em busca dessa tal felicidade.
Coisa interior, que cada qual pode encontrar,
Olhando o céu, olhando o sol, olhando o mar.
Por que a paz é fabricada pela alma,
Que para isso necessita estar em calma.
A mesma calma que nos dá o valor
Que pode ter o simples toque em uma flor.
E esse toque, que se mescla com a beleza,
De cada flor que representa a natureza,
Só sentiremos quando afastarmos a dor
Da indiferença, e troca-la por amor.
Tudo, agora.
Essa enfermidade que me prostra no leito,
E que me faz delirar entre turbilhões de sonhos,
Talvez tenha cura no tempo, ou na decepção.
Talvez me mate aos poucos, por me consumir.
Talvez me leve apenas à essa doce loucura.
Afeta meus sentidos, por não te ver, não sentir seu toque,
Por não ouvir sua voz, por não me embriagar no seu perfume.
Afeta meus desejos, por precisar apenas de você.
Afeta meu futuro, por querer viver tudo, agora.
Comentários (32)
José Roberto Under
José Roberto Under
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Nascido a 07 de março de 1950.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime