Lista de Poemas

Gigantes

Quando criança gostava de brincar de gigante, enquanto devorava nacos de couve-flor,que imaginava como frondosas árvores.
E a imaginação da infância tem muito a ver com a poesia da vida adulta.
Continuamos imaginando, criando, transformando, fazendo de conta, sonhando. Muitas ilusões se consolidaram como desilusões, mas muito das aventuras imaginárias se transformaram em amor, sólido, real.
Nem todos tiveram a felicidade de se tornarem heróis de suas aventuras ou príncipes encantados em seus amores.
Mas a poesia tem essa magia, que transforma pedras em flores, amarguras em versos, sofrimento em felicidade, desilusão em esperança.
Talvez os poetas sejam apenas crianças crescidas ou vivam fora de seus tempos e realidades.
Ou apenas continuem sonhando com o “como seria bom se fosse”...
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O que se perdeu *


Não sei o que se perdeu.  Realmente, não sei.
Porque quando a vida continua, o perdido já não existe.
Se só sobraram dores, soçobraram as ilusões, para que lembrar?

Hoje somos dois caminhos, amanhã seremos duas histórias,
Ontem fomos momentos, alegrias, tormentos e hoje somos saudades.
Amanhã, seremos a vida que continua. Nossos  olhos estarão voltados para o futuro.

Buscaremos outros olhares e o brilho que há em cada um deles.
Encontraremos nesses olhares, luzes que iluminem nossas vidas?
Talvez sejamos felizes. Talvez sejamos apena repetitivos e voltemos a ser apenas solidão.

Quem sabe exista uma culpa, que tenha sido minha ou mesmo sua,
Mas agora, o que isso importa? Ninguém perdeu e ninguém ganhou.
Eu apenas aprendi que o amor não é eterno, precisa de alimento constante.

Não sei se me doei o bastante, nem ao menos sei o que seria suficiente,
Mas sinto que o mínimo é quando se doa todo, tudo, completamente.
Quando doar se torna muito melhor do que receber e só assim, nos trárá a felicidade.

E se formos felizes, hoje não saberemos do amanhã. 
Depois de amanhã, poderemos falar do ontem que vivemos...
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Tempo

    
Marca o relógio, o tempo,
e pouco esse tempo demora
O agora, logo será antes
e antes não é mais agora.

A vida que já era curta,
Por pouco já passa da hora,
E mal cheguei nessa vida,
É hora de ir-me embora.

Marca o tempo a vida,
Que a gente vive por hora.
E antes que a vida se vá
Eu vou sair mundo afora.

Vou ser a hora do tempo,
Viver todo tempo agora,
Como se louco fosse,
Quem pela vida implora.
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Eterno


Não vejo senão a vastidão do céu escurecido pela noite, encobrindo com seu manto azul
a paisagem silente e emoldurada por esta solidão interior, vazio de mim mesmo.
Quero abraçar corpos que não vejo, sonhar momentos que não acontecem para poder
entregar todo esse amor recolhido, envelhecido, acovardado e quase desfalecido.

Em meu peito a saudade do que poderia ter sido é o que mais castiga.
Quando as projeções que ainda jovens fazemos, esmorecem e se apartam de nossas vidas
uma a uma, tudo o que resta é essa ausência não se sabe do que, nem ao menos do por que.
Vejo meus desejos como quem vê estrelas: Brilhantes, reais, porém inalcançáveis.
Talvez o amor maior esteja fora do corpo e habite apenas a alma e por ela deva ir à busca.
 
Olho para pessoas como se fossem paisagens e enxergo apenas corpos.
Não é o bastante para o amor, não é sequer atrativo para iniciar uma paixão.
Preciso enxergar as vestes das almas, nas cores dos sorrisos, das palavras, da graça,
Do jeito especial que fica ainda mais especial ao olhar. Preciso ... Ver!
A solidão interior é apenas minha. Eu a construí, a solidifiquei e a mantenho.

Quando amanhecer e o sol iluminar minha vida, preciso sair à janela.
E ver prédios, nuvens, montanhas, pessoas e diferenças.
Viver o hoje com a certeza de estar construindo o amanhã,
e todo tempo que virá, carregando comigo a certeza de que
o amor precisa ser livre, jovem,  corajoso  e eterno.
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de mãos dadas


A sensibilidade de quem escreve se perde,
                                   quando não anda de mãos dadas 
                                                     com a sensibilidade de quem lê.
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Ir buscar


As chaves dos cofres onde ficam guardados tudo o que desejamos, estão presas às paredes de um poço profundo.
As  dos  desejos  mais  ardentes  estão  ao  fundo, onde habitam cobras, ratos e escorpiões.
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Bom dia, poesia!


Quando meus olhos se abriram, já a percebi a meu lado
E sabia que o dia, mereceria cuidados...
Talvez um ai, um gemido, a tenha enfim despertado
E como uma boa alma, meu sono tivesse velado...

Dei-lhe um alegre bom dia! Fico feliz quando a vejo!
Dias de inspiração e de rimas, é muito do que desejo.
Tome o café comigo. Que bom te ver por aqui!
Vamos ter muitos assuntos. Quantas vezes lembrei-me de ti...

Ontem deitei-me sozinho, sentindo-me muito perdido...
Quero falar tantas coisas, mas não tenho conseguido.
Com você aqui me liberto, dou asas à imaginação,
Seja bem vinda, Poesia. Hoje sou só, coração!
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Razões *


Nesse espaço onde alojamos nossas vidas
Circulam desejos em vestes coloridas.
Tal eu, tal você,  no cheiro da pele
Na busca de unir sensações divididas.

Somos  dois, somos um, somos só o momento
Em esperas, nos sonhos, na busca insípida,
Tentar unindo tantos sentimentos,
Formar uma história, com peças partidas.

E tingindo o ar, dissolvendo aquarelas,
Criamos razões e cada uma delas,
Desfilam despidas, de forma singela
Expondo-se ao crivo, sobre a passarela...
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Amar


Amar,
É morrer para o nada e nascer para o tudo.
É acender a luz para ascender aos céus.
É sublimar sonhos  e respirar desejos.

É transpor da alma para um infinito que se vê.
É orar de santo presente.
É abdicar do corpo para adorar a dor.

Amar é único, é próprio, é indivisível.
Amar é transposição, é renúncia, é doação.
Amar é o florescer da alma em forma de sentimento,
Amar é ansiedade, entrega, resignação...

E eu te amei tanto e de tal forma
Que me perdi, em um lugar qualquer.
Passei a ser simples complemento,
Vivi sendo um pouco, de quem tudo quer.
E te amei tanto  e com tal entrega,
Que me transformei em pura emoção.
Marcava no peito o passar do tempo,
Contando as batidas do meu coração.
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Aos pés daquele morro.


Aos pés daquele morro, correm águas cristalinas
E tão iguais, à seus pés, correm as lágrimas minhas.
As flores do alto do morro secaram por falta de água,
As lágrimas minhas não secam pois brotam das minhas mágoas.

E a tristeza que levo, você já deve saber:
Sinto amargura no peito, só por não poder te ver.
Põe seu vestido mais lindo, pinte os lábios de carmim,
Pegue um lencinho bordado, e venha correndo pra mim.

Seque todas minhas lágrimas, uma a uma com carinho,
E nunca mais se demore pra passar no meu caminho.
Vamos aos pés do morro, vem comigo passear...
E junto às águas que correm, quero as mágoas deixar.
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.