ale_nogueira

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n. 0000-00-00, São Caetano

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A gênese de uma grande vitória

Quando tudo parecia para sempre perdido;
Quando todos os sonhos haviam naufragado
No poço da desesperança de um dia odioso e sofrido,
Uma nova história surgiu para um homem injustiçado.

Quando a covardia mais feroz
Vinha para devorar a liberdade de amar;
Quando qualquer alegria já se tornava sem voz,
Um caminho surgiu para uma vida tirada do seu lar.

Deus já havia preparado um destino glorioso,
E fez de José em terra pagã um ser tão vitorioso
Para salvar até mesmo quem quis impedi-lo de viver!

O perdão então brotou das profundezas da dor,
Trazendo uma alvorada de esperança e amor
Para um povo destinado como seara a florescer.
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Poemas

62

No meu silêncio

No meu silêncio, eu vejo que sou singular
Na minha estranheza e no que mais amo e aprecio.
Eis que uma nova aspiração tem feito parte do meu viver,
Sem mais precisar olhar com amargor
Para minhas reminiscências lancinantes
E para o que não integra mais o meu mundo.

No meu silêncio, eu aprendo a cada dia
Descansar enquanto oro ao meu Criador.
Eu, quando estou taciturno, me consolo
Na alegria de saber que minha vida é o bem mais precioso
E que nessa minha momentânea solidão eu sou livre
Para os sublimes atos de criar, de sonhar e de meditar.

No meu silêncio, eu descubro
O prazer inocente da poesia ardendo no meu coração
E a lucidez afiada que me abre para a busca
Da verdade que me leva a um grande despertar.
No meu silêncio, eu aprendo a saber quem eu sou
E a jamais abrir mão do que eu acredito para obter aceitação.
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Um dia a mais para recordar

Não há um dia que não sinta saudades,
Saudades desses grandes momentos,
Desses dias de transbordante alegria
Que passei com meus amigos;
E nos tempos mais remotos
Com os meus entes queridos
Que já não existem mais...

Em horas a fio, impulsionados
Por um nevoeiro de sonhos fugazes,
Aproveitávamos a plenitude dos dias;
Também conversavamos
Sobre o sentido de nossas vidas
E do quanto foi maravilhoso
Saborear o doce sussurro
Dos mais singelos instantes...

Degustar o cálice das ótimas lembranças
É ser consciente de que na vida
Houve momentos gloriosos e (con)vivências
Perfeitamente inesquecíveis, inspiradoras...
É ser consciente de que a vida
Também é constituída de momentos
Sublimes e de grandes expectativas...

Os mares enriquecem
De inspiração os poetas
E as estrelas cintilam
Para nos fazer sorrir e devanear...
Mas é tão breve as alegrias da vida!
É tão breve quanto
Uma longa viagem sem destino...

Como tem sido
Breve os momentos de inspiração
E também Breves e raros
Os momentos em que estamos próximos
De pessoas verdadeiramente autênticas
E incrivelmente cordiais, sinceras!

Tudo some, tudo morre,
Tudo o que existe um dia se esvai...
Eu vejo o fim de tudo,
Vejo o fim dos momentos
Que prolongaram-se em demásia...

Eu vejo o fim das alegrias
E das tristezas...
Vejo, sobretudo, o fim
Das tempestades
E das calmarias...
E também um prazo
Para os ressentimentos
Quando temos coragem
Para enfrentá-los...
(Sim, até mesmo todo esse
Ódio pode envelhecer e agonizar!)

A prosperidade e a miséria
Também estão à mercê
Das mudanças implacáveis
Que foram ocasionadas pelo tempo,
O tempo que tudo consome e expira!
 
Uma chama incerta,
Assim é o tempo
Que nos foi dado para viver
Sobre a face dessa terra
Povoada de amarguras repentinas 
E voluptuosidades efêmeras.

O que sobra mesmo são os resquícios
Dos fragmentos vividos
E uma doce melancolia
Que embala as nossas noites
Ao sabor de uma canção
Consideravelmente intempestiva
E de melodias confortávelmente
Misteriosas e saudosistas...

Ao semear dias inesquecíveis,
Colhi um mosaíco de lembranças,
Vagarosas lembranças
Que encantam e adornam a vida
De experiências que edificam!
 
Tais experiências ainda eu quero que perdurem 
No recanto mais secreto do meu coração.
Mas elas só irão prevalecer em mim
Enquanto eu for irradiado e animado
Por uma força íntima,
Uma força misteriosa e secreta que me traz à vida
E tem até hoje me feito continuamente caminhar...
Enfim, dentro de mim reina
Uma motivação que insiste, até esse momento,
Em trazer à tona reminiscências alegres,
Reminiscências que me ensinam
Que na vastidão de meu ser
Elas devem permanecer!
124

Heróis da fé

Em meio aos mais extremos perigos,
Houve missionários de Deus corajosos...
Homens de zelo e de reverência revestidos
Por desafios sublimes e rigorosos.

As suas melhores obras ficaram eternizadas
Para testemunhar a força do amor
Do único que, para as criaturas amadas,
Propiciou a todos redenção, fé e destemor.

Tantas ciladas, trapaças, vilezas e perseguições
Não puderam impedir o sincero fervor
Dos profetas incansáveis em boas ações.

Estes viram vitórias e descobertas de valor,
Até que o anuncio das mais inefáveis revelações
Fossem proclamadas com todo heroísmo e louvor.
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A paz que eu busco

Eu busco a paz de quem semeia
A verdade maravilhosa do amor;
Eu busco a paz de espírito
Que me torna uma pessoa mais livre.
A paz é a canção que eu entoo no meu íntimo;
A paz é a poesia mais preciosa
Que tenho prazer de compor com esmero.
A paz, ainda que o mundo não a dê,
É a terra fértil de um outro reino onde busco me refugiar
Para viver além das aparências do mundo visível.

Eu encontro definitivamente a paz
Ao deixar a palavra de Deus lavar
Com o seu orvalho as amarguras do meu coração.
Eu a encontro quando, nas guerras da vida,
Recobro forças para não desistir
E extraordinária alegria para não esmorecer.
É a paz o meu estado de espírito
Quando consigo, mediante a fé,
Alçar as minhas asas de inspiração
Na compreensão dos sentidos da arte sublime de viver.
228

Flores da inocência

Nesse mundo caótico e decaído,
As flores da pureza e da inocência fenecem;
Mas ainda assim há um manancial renascido
No íntimo dos que pela fé em Deus se fortalecem.

Nessa era sombria, anuviada pelo engano,
As flores escassas da inocência
Sempre brilham como jóias no triste quotidiano
A fim de irradiarem uma doce cadência.

Quanta pureza e inocência há no brincar
De um gatinho serenamente despreocupado,
Sempre impulsionado pela ânsia de durar!

Quão francamente singelo é o homem habitado
Pela pureza de uma criança com o seu imaginar
Ao ser sempre guiado pela inspiração do elevado!
151

Um choro de esperança

Hoje o meu coração transbordou de exultação
E de uma esperança que me fez prantear
Ao estímulo de um alento de grande inspiração,
Abrindo uma clareira para que eu possa me orientar.

Hoje eu contemplei o céu de uma verdade libertadora
Na minh'alma esburacada por um imenso vazio;
É como se fosse germinado a flor encantadora
De um milagre no deserto do meu ser sombrio.

A esperança brota nos lugares mais áridos
Para fazer todo coração singelo e enamorado sorrir
Com a entoação de louvores sinceramente cálidos
Movidos por uma fé trasbordante que o faz progredir.

A esperança é a glória das almas abatidas
Por uma tribulação terrivelmente desafiadora.
A esperança é o consolo das almas feridas
E o sol que refulge em toda vida sonhadora.

E enquanto eu for sensível para chorar de esperança
Disseminada pela graça do amor divinal,
Serei forte para triunfar sobre qualquer insegurança
Que queira me desviar da fonte de todo amor perenal.
107

Lágrimas

Os meus versos revelam melancolicamente
As angústias de alma que sempre vivenciei
E todas as lágrimas que um dia já derramei
Aos voos de minha sensibilidade ardente.

A minha poesia nasce dos prantos inesperados
De desespero, de luto, de saudades e de tristezas;
Mas também dá frutos com as lágrimas das certezas
De que os belos sonhos nunca serão arruinados.

Guardo em mim o ímpeto de tantas perseveranças
Em meio a uma torrente densa de adversidades.
E de emoção choro com o raiar de um sol de esperanças.

Revisto o meu coração de contrastantes tonalidades.
Ao mesmo tempo em que aspiro por futuras mudanças,
Persigo lacrimoso memórias de inocentes verdades.
208

Melancolia

Uma névoa de ilusões paira no ar
E me faz perceber
Que e felicidade e a plenitude
São fragrâncias muito raras de se encontrar...

Sinto plenamente a dor e a angustia de viver,
Embora minha sensibilidade aguçada
Seja o melhor que posso emanar de mim:
Com ela enriqueço de inspiração os meus versos
Imbuídos de ternura e compaixão
Com a dor inegável de tantas vidas inocentes.

Uma doce melancolia sussurra em meu íntimo,
Deixando aflorar tantos sentimentos
Conflituosos e inevitavelmente paradoxais...

A melancolia é uma água parada
De lembranças insípidas
E de expectativas malogradas;
Ainda que seja motivado
A sentir as ilusões da vaidade humana,
Não deixo de fazer florescer
Com certo entusiasmo
Os aromas amargosos e tristes
De meus versos inspirados
Nas penumbras de dias desoladores.

As ruas dessa metrópole ficaram vazias de repente,
Subsistindo apenas indigentes desemparados
No chão de uma fria cidade
Permeada de uma atmosfera densa e lúgubre...

Sinto um vazio que cresce a cada instante,
Pois os anos simplesmente se passaram
E nada de sólido e permanente nesse mundo se cristaliza,
Prevalescendo apenas as múltiplas recordações
E uma ânsia desesperada pela eternidade.

A juventude da vida
Escorre como blocos de gelo,
As suas espessas camadas
Vagarosamente se dissolvem,
Anunciando o escurecer desse longo dia
Que inesperadamente é envolvido
Pelo crepúsculo de uma doce nostalgia,
Desse dia que, mesmo fadado ao fim,
Ainda permanece embriagado
Pelas sonhos e euforias da mocidade.

Só o que resta é relembrar
Dos fragmentos do que foi vivido,
Dos fragmentos de uma era remota
Cheia de sorrisos, de alegrias e de entusiasmos...

Nesse rio impetuoso do devir,
O que posso guardar no meu coração
Senão todas as lembranças
Daqueles que estimei
E que já partiram no decorrer de suas vidas?

Só o que resta é clamar com voz rouca
Ao criador de todas as coisas
Que o amor volte a se fazer presente
No coração dos miseráveis e dos desamparados!
Revoltar-se: qual é o sentido de toda essa veemência?

Chorar um dia inteiro
É possível quando as lágrimas
Já secaram de meus olhos cansados?
Uma esperança mínima, a esperança da vida eterna,
É a única semente que germinou em meu ser!

O vento é frio, murmurando melancolicamente
O seu cântico repleto de lirismo...
Do inverno gemem almas adormecidas
Que só buscam amparo e consolo perenes,
Tamanha é a resignação a qual estão submetidos!

A atmosfera dessa metrópole
Está carregada de neblina...
E como as luzes são tênues!
Mas o que pode nos consolar
Nesse mundo degradado e flagelado
Por tantas doenças, fatalidades,
E, também, pelas iniquidades
Que rasgaram o véu da inocência e da pureza?

Nenhum farol ou lanterna criado por homens engenhosos
Foi trazido nesse cenário sem vida,
Só o que resta, então, é a candeia da misericórdia divinal,
Pois não é ela capaz de resplandecer a vida
Dos que já não se consideram
Vivos nesse mundo obscuro e letárgico?
188

Metrópole convulsa

Nas calçadas de uma selva fervilhante
De multidões sufocadas pela inquietude,
Descortina-se a indiferença aprisionante
Da empatia, da sensibilidade e da plenitude.

Um mendigo caminha solitário
E poucos são os que notam o seu triste perambular...
Quão desumano há nesse descaso involuntário
Que cresce diariamente e sem cessar!?

Carros e transeuntes correm enlouquecidamente
Sem que haja qualquer resquício de serenidade
Nos semblantes envoltos por uma aura displicente.

Os ruídos ecoam pelos céus turvos da cidade,
Enquanto a violência de maneira veemente
Mostra a face mais deformada da iniquidade.
171

Um dia glorioso

De um coração generoso e benevolente
Emana uma fragrância rara e dileta
Capaz de subir aos céus
Como sinal de louvor ao nosso Criador.
De um coração grato só pode promanar
Gestos inimagináveis e singelos
Que nunca devem ser esquecidos.

Maria, irmã de Marta, como fostes criticada!
Mas hoje és lembrada como uma mulher bendita
Por teres derramado sem medo de represálias
Um unguento precíosíssimo de nardo puro
Vindo de um delicado vaso de alabastro
Sobre os pés e a cabeça de nosso ungido
Em sinal de reverência, amor e sinceridade.

Demonstraste um coração irrepreensível
E com o teu próprio cabelo
Enxugaste os excessos desse excelso perfume
Preparado para um dia tão glorioso!
Apesar de ninguém compreender
A cerimônia sacrificial e o seu gesto verdadeiro,
Recebestes elogios do Rei dos Reis!

Um cheiro surpreendente invadiu o ambiente,
Num claro sinal de adoração sincera
Perante aquele que sonda os corações
Com os seus segredos mais incognoscíveis.
Assim também devemos fazer
Em nossos modos de ser e de viver
Na ânsia de somente agradar ao nosso redentor!

Enquanto o vil usurpador só via a oportunidade
Para obter lucro com a venda
De algo tão nobre e valioso,
Tu compraste o frasco mais caro
Do perfume mais raro e deleitoso
Para dizer o quanto amavas
O teu Deus te todo o coração!

Todos a julgaram como se fosse
Uma desvairada sem saber o que fazia.
Judas resmungava e a cobria talvez de impropérios
No mais visível e no mais recôndito do seu ser...
Mas tu não se intimidava:
O teu amor foste o mais corajoso
Entre tantos amores de fachada!

Quantos buscam aplausos
Tão somente de pessoas indiferentes a verdade!
Todavia, quão poucos são aqueles
Que dasagradam o mundo ao seu redor
Para agradar ao nosso majestoso Pai da criação!
Bem-aventurados aqueles que não vendem
A verdade santa em prol das migalhas desse mundo!

Tenhamos, pois, um coração nobre
Como essa mulher na sua simplicidade!
Que sejamos como uma fragrância preciosa
Aos olhos de nosso Salvador!
Que possamos exalar o bom perfume
Do amor e da verdade que provém
Tão somente dos bons frutos do espírito!
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