Quando eu vejo
Quando eu vejo a imensidão do mar,
Quando eu vejo as suas ondas se erguerem soberanas,
Eu posso sentir a alegria pulsar no meu coração
Como uma criança entusiasmada
Pela surpresa de uma novidade.
Nas suas águas infinitas, no seu sussurro voluptuoso,
Eu então renovo a minh'alma
Na certeza de uma paz interior significativa.
Quando eu vejo o azul do céu
E os raios solares resplandecendo
O verde das árvores, dos outeiros e das campinas,
Bem como toda a natureza circundante,
Eu consigo sentir uma esperança renascendo
Em meio a exuberância de um dia
Límpido e repleto de luminosidade,
De um dia reservado para toda alma onírica.
Quando eu vejo o amor verdadeiro
No coração dos homens íntegros e valentes,
Eu me liberto na contemplação
Da presença da vida ainda tremular...
E então nutro a certeza de que ainda
Vale a pena viver para apreciar com todos os sentidos
O azul do céu, a luz solar, as águas infinitas do mar
E o perfume de toda a natureza ao meu redor.
Livremente
Livremente sonhei com o refrigério do amor
Descortinado em dias tristes e nublados;
Mas houve dias em que senti uma lancinante dor
Enquanto livremente bebia no cálice dos enlutados.
Submergindo na lírica dos poetas apaixonados,
Nutri esperança em dissolver o fel do amargor;
Então, livremente sonhei com o refrigério do amor
Descortinado em dias tristes e nublados.
Livremente, plantei sementes de alento com primor,
A fim de fazê-las crescer na alma dos desamparados;
Nas trevas prolongadas sob as ameaças do temor
E nos dias de sonhos e desejos lacerados,
Livremente sonhei com o refrigério do amor.
Oración de Alabanza
¡Yo te alabo, excelso redentor, fortaleza de mi vida!
¡Yo te alabo, estrella de la mañana, rey de la equidad!
Tú eres hoy y para siempre serás la luz que prodiga
¡La esperanza para un ardiente sueño de libertad!
Todo lo que existe, lleva tu esplendor;
Todo lo que existe, surge a través de tus ordenanzas
Que de la nada produce bellas creaciones con amor
Y en nuestras almas una lluvia de bienaventuranzas.
Quiero que tú seas todos los días mi guía,
Quiero que tú me enseñas a tener lecciones de sabiduría
Para refulgir en mi ser tu gracia preciosa.
Quiero que tú seas, cuando yo viniere a desfallecer,
Una firme fundación que siempre me has de fortalecer,
¡Sembrando en mi ser tu verdad maravillosa!
A inexorável certeza da morte
A morte desfaz nossas ilusões mais evidentes
E diante dela todas as inseguranças evanescem;
Vivemos, enquanto os sinais do tempo aparecem,
Em despedidas irreversíveis e frequentes.
A vida é uma chama tremulante e incerta,
Enquanto a morte: inevitável é a sua aparição!
E ao olharmos lacrimosos à imensa constelação,
Ínfimos nos sentimos com a nossa alma desperta.
Amar é o objetivo mais elevado da existência,
E a maneira de sermos guiados pela luz da eternidade
É enfrentando a morte com esperança e sapiência.
Sem a consciência plena de nossa mortalidade
E sem o sonho de uma vida em perene permanência,
Quão absurda é uma vida resignada na fatalidade!
Um dia a mais para recordar
Não há um dia que não sinta saudades,Saudades desses grandes momentos,Desses dias de transbordante alegriaQue passei com meus amigos;E nos tempos mais remotosCom os meus entes queridosQue já não existem mais...Em horas a fio, impulsionadosPor um nevoeiro de sonhos fugazes,Aproveitávamos a plenitude dos dias;Também conversavamosSobre o sentido de nossas vidasE do quanto foi maravilhoso Saborear o doce sussurroDos mais singelos instantes...Degustar o cálice das ótimas lembrançasÉ ser consciente de que na vidaHouve momentos gloriosos e (con)vivênciasPerfeitamente inesquecíveis, inspiradoras...É ser consciente de que a vidaTambém é constituída de momentosSublimes e de grandes expectativas...Os mares enriquecemDe inspiração os poetasE as estrelas cintilamPara nos fazer sorrir e devanear...Mas é tão breve as alegrias da vida!É tão breve quantoUma longa viagem sem destino...Como tem sidoBreve os momentos de inspiraçãoE também Breves e rarosOs momentos em que estamos próximosDe pessoas verdadeiramente autênticasE incrivelmente cordiais, sinceras!Tudo some, tudo morre,Tudo o que existe um dia se esvai...Eu vejo o fim de tudo,Vejo o fim dos momentosQue prolongaram-se em demásia...Eu vejo o fim das alegriasE das tristezas...Vejo, sobretudo, o fimDas tempestadesE das calmarias...E também um prazo Para os ressentimentosQuando temos coragemPara enfrentá-los...(Sim, até mesmo todo esseÓdio pode envelhecer e agonizar!)A prosperidade e a misériaTambém estão à mercê Das mudanças implacáveisQue foram ocasionadas pelo tempo,
O tempo que tudo consome e expira!
Uma chama incerta,Assim é o tempoQue nos foi dado para viverSobre a face dessa terra
Povoada de amarguras repentinas
E voluptuosidades efêmeras.
O que sobra mesmo são os resquícios Dos fragmentos vividosE uma doce melancoliaQue embala as nossas noitesAo sabor de uma cançãoConsideravelmente intempestivaE de melodias confortávelmenteMisteriosas e saudosistas...Ao semear dias inesquecíveis,Colhi um mosaíco de lembranças,Vagarosas lembrançasQue encantam e adornam a vidaDe experiências que edificam!
Tais experiências ainda eu quero que perdurem
No recanto mais secreto do meu coração.
Mas elas só irão prevalecer em mim
Enquanto eu for irradiado e animado
Por uma força íntima,
Uma força misteriosa e secreta que me traz à vida
E tem até hoje me feito continuamente caminhar...
Enfim, dentro de mim reina
Uma motivação que insiste, até esse momento,
Em trazer à tona reminiscências alegres,
Reminiscências que me ensinam
Que na vastidão de meu ser
Elas devem permanecer!
A luz do invisível
A luz de uma verdade libertadora me orienta
Longe dos caminhos escuros e pedregosos;
Sinto uma luz de amor que acalenta
O meu ser dos invernos mais tenebrosos.
Permiti que brilhasse a luz do discernimento
Na minha alma que se desfez da intemperança
E dos velhos hábitos sem um veraz fundamento
Que podesse propiciar o arco-íris da esperança.
Para além dos muros imponentes e colossais,
Para além das desoladoras calamidades,
Consigo ver o descortinar de belos sinais
E o sol da justiça a destronar tantas iniquidades.
Para além das luzes superficiais do engano,
Para além do caos das grandes cidades,
Consigo enxergar um amor soberano,
Incindindo livramentos contra as fatalidades.
Uma luz invisível dia após dia me conduz
À glória de uma vida renovada;
Evoco uma palavra que no meu coração reluz,
Uma palavra de consolo para minha alma exilada.
As nuances da tristeza
Vejo tristeza na alma de uma inocente criança
Deserdada de amor, sonhos e perspectivas.
Vejo tristeza no semblante de quem nunca alcança
O verdadeiro sentido entre tantas tentativas.
Vejo tristeza por trás dos teus belos olhares;
Vejo tristeza nas entrelinhas do teu sorriso refulgente,
Espargindo uma fragrância de ternuras salutares,
Ao mesmo tempo irradiando uma luz tênue e reticente.
A minha tristeza é ver que o espectro da tristeza
É ainda mais intenso nos corações sensíveis,
Nos corações inebriados por sua brutal aspereza.
Sinto tristeza ao contemplar as canções mais incríveis,
Aquelas canções que me edifica com a sua beleza,
Fundindo melodias de tons melancólicos e aprazíveis.
Em busca do paraíso perdido
Uma jornada incrível de vivências, degustei;
Em estradas de sonhos inspiradores, percorri;
E ao evocar uma vastidão de memórias,
Saudades arrebatadoras eu senti!
E, então, descobri o fim, a evanescência
E o esgotamento de todas as coisas.
Mas, mesmo assim, nada foi em vão:
Encontrei pelo caminho da aventurança
Belas jóias de alegria, de ternura e de amor
Quando estive ao lado da mais bela flor
Regada pelo orvalho da esperança.
Os caminhos que trilhamos
Estão confusos e cheios de sinuosidades:
Sem luz espiritual onde encontrarmos
A resposta para nossas inquietações?
Ao mergulhar nas águas da renovação
Para superar os constantes desfalecimentos,
Encontro milagres, sinais e maravilhas
Que indicam as belas fontes de águas vivas;
São constelações de sabedoria
Que estão a espreita
De nossos incertos passos...
Tantas manifestações preludiam o despontar
De um perene paraiso para a alma se fortificar.
O mundo parece carecer de fundamento:
Nas metrópoles fervilha a pressa e inquietude.
Todo esse caos que se inflama diariamente
Tenta convencer sobre a vanidade do nosso viver;
Os dias, consumidos pela decadência,
São maus e hediondamente sombrios:
Pois o medo e a dor; o o sofrimento e a agonia
Intentam incessantemente devorar
O nascimento da esperança e o sonho de amar.
Ao embalo dos dissabores e das frustrações,
E em meio a tantos escombros e ruínas,
A luta se torna questão de honra e de valor,
Especialmente para quem ainda sente a coragem
Imperiosa de um herói incrivelmente inspirado
Frente a desoladora realidade do incurável.
Mas quem está disposto a fertilizar
A terra e os solos da alma,
Para que as sementes ali depositadas
Possam florescer um novo folego de vida?
Embora distante do paraíso mais glorioso,
Da pátria eternal da bem-aventurança,
Em lágrimas seguro o candeeiro da esperança
Na busca de um oásis, de um lar,
Para que minha alma possa descansar!
E apesar da distância que me separou
Do paraíso que um dia se perdeu de mim,
Quis divagar sem temor no reino
Das intuições e percepções mais marcantes;
Enquanto isso, tais revelações se tornavam
Significativas para o fortalecimento do meu ser.
Erguendo-me com asas feridas,
Num processo longo de fortalecimento,
Ensaio pequenos voos pelos ares;
Até que possa um dia alcançar
A atmosfera das inspirações
Mais sublimes, verdadeiras e resplandecentes.
E no triste exilio da inocência perdida
Aspirei, ao paraíso da serenidade, um dia retornar.
Pois nos longos nevoeiros da vida
É que despertei o dom para, nas alturas, triunfar!
Heróis da fé
Em meio aos mais extremos perigos,
Houve missionários de Deus corajosos...
Homens de zelo e de reverência revestidos
Por desafios sublimes e rigorosos.
As suas melhores obras ficaram eternizadas
Para testemunhar a força do amor
Do único que, para as criaturas amadas,
Propiciou a todos redenção, fé e destemor.
Tantas ciladas, trapaças, vilezas e perseguições
Não puderam impedir o sincero fervor
Dos profetas incansáveis em boas ações.
Estes viram vitórias e descobertas de valor,
Até que o anuncio das mais inefáveis revelações
Fossem proclamadas com todo heroísmo e louvor.
Flores da inocência
Nesse mundo caótico e decaído,
As flores da pureza e da inocência fenecem;
Mas ainda assim há um manancial renascido
No íntimo dos que pela fé em Deus se fortalecem.
Nessa era sombria, anuviada pelo engano,
As flores escassas da inocência
Sempre brilham como jóias no triste quotidiano
A fim de irradiarem uma doce cadência.
Quanta pureza e inocência há no brincar
De um gatinho serenamente despreocupado,
Sempre impulsionado pela ânsia de durar!
Quão francamente singelo é o homem habitado
Pela pureza de uma criança com o seu imaginar
Ao ser sempre guiado pela inspiração do elevado!